Pupunha

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Como ler uma caixa taxonómicaBactris gasipaes
pupunheira
Pupunha (Bactris gasipaes).

Pupunha (Bactris gasipaes).
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Superdivisão: Spermatophyta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Commelinidae
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Género: Bactris
Espécie: B. gasipaes
Nome binomial
Bactris gasipaes
Sinonímia botânica

Bactris ciliata (Ruiz & Pav.) Mart.
B. insignis (Mart.) Baill.
B. speciosa (Mart.) H. Karst.
B. utilis (Oerst.) Benth. & Hook. f. ex Hemsl.
Guilelma chontaduro Triana
G. ciliata (Ruiz & Pav.) H. Wendl.
G. gasipaes (Kunth) L. H. Bailey
G. insignis Mart.
G. speciosa Mart.
G. utilis Oerst.
Martinezia ciliata Ruiz & Pav.
entre outras.

Pupunha ou babunha é o fruto da palmeira multicaule Bactris gasipaes (Kunth), nativa da região amazônica conhecida popularmente pelos nomes pupunheira e pupunha-verde-amarela.[1] Uma planta da família Arecaceae (antiga Palmae, da carnaúba, babaçu e açaí)[2], dos quais se aproveitam diversos aspectos: frutos e palmito como alimento; palhas em cestaria e em cobertura de habitações; flores como tempero; estipe em artesanato e construções; e as amêndoas para extração de óleo.[3]

Pode crescer até 20, frutificando grandes cachos em cinco anos em condições naturais, reduzindo à metade o tempo em condições especiais de cultivo.[1] Sendo há séculos consumida como alimento pelas populações nativas da América Central até a Floresta Amazônica.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Pupunha" é oriundo do tupi pu'puña.[2]<ref name="aulete">

Características[editar | editar código-fonte]

Os frutos alaranjados são rico em proteínas, amidos e vitamina A, frequentemente consumidos depois de cozidos em água e sal, ou na forma de farinha ou óleo comestíveis.[1] Contudo, também podem ser matéria-prima para a fabricação de compotas e geleias. Dos resíduos, faz-se ração animal.[1]

Detalhe do fruto da pupunha

Existe uma grande variedade de aves que se alimentam da pupunheira silvestre, principalmente as araras, os papagaios e os periquitos (Psittacidae), os quais, ocasionalmente, podem ser espécies endêmicas com risco de extinção.

No Brasil, essa planta é uma solução viável para a indústria palmiteira porque apresenta características agronômicas adequadas para a substituição, com vantagens, de outras palmeiras nativas, como o açaí (Euterpe oleraceae) e a juçara (Euterpe edulis), que são exploradas de forma extrativista e predatória e, por isso, apresentam restrições legais e risco de extinção. O mercado interno brasileiro de palmito é cerca de cinco vezes maior do que o externo, que, no entanto, apresenta uma demanda crescente, devido ao crescento uso do produto na culinária internacional. O cultivo da pupunha é economicamente importante também para a Costa Rica.

Composição por 100 g de polpa (mesocarpo):

Pragas e doenças[editar | editar código-fonte]

Pragas: Ácaro (Tetranychus mexicanus), formiga saúva (Atta spp.), broca-do-olho-do-coqueiro (Rhychophorus palmarum), broca-das-raízes (Strategus aloeus).

Doenças: Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), helmintosporiose (Helminthosporium sp.), podridão-do-broto (Phytophora sp.), mancha-parda (Mycospharella sp.), podridão-branca (Monilia sp.).

Vantagens comerciais[editar | editar código-fonte]

A pupunheira apresenta uma série de vantagens para produção de palmito em relação às outras palmeiras nativas como o açaí (Euterpe oleraceae Mart.) e a juçara (Euterpe edulis Mart.), que são exploradas de forma extrativista e por isso apresentam restrições legais e risco de extinção. As principais vantagens para a exploração comercial de palmito da pupunheira são:

  1. precocidade, com o primeiro corte a partir de 18 a 24 meses após plantio;
  2. perfilhamento da planta mãe, chegando a mais de 15 perfilhos, o que permite repetir os cortes nos anos subseqüentes, sem necessidade de replantio da área;
  3. qualidade do palmito, geralmente o palmito tem comprimento de 40 cm e diâmetro entre 1,5 – 4 cm, sendo muito macio e saboroso;
  4. lucratividade, quando plantado e conduzido adequadamente, um hectare produz de 5.000 a 12.000 palmitos por ano;
  5. segurança para o produtor, pois o palmito pode ser deixado no pé ou quando cortado pode ser processado, envasado e guardado para ser comercializado quando o mercado se encontrar mais propício;
  6. facilidade nos tratos culturais e corte, uma vez que plantas selecionadas não apresentam espinhos;
  7. vantagens ecológicas, podendo a cultura ser conduzida a pleno sol, em áreas agrícolas tradicionais, sem nenhum dano às matas nativas, fato este de grande apelo comercial, principalmente para a exploração do palmito visando o mercado externo.

Além disto, os frutos da pupunheira também podem ser aproveitados para a preparação de sucos, sorvetes e consumidos cozidos em água e sal, tendo sabor semelhante ao milho verde. O palmito de pupunheira, tem sabor agradável, macio, nutritivo e baixo teor calórico. Além disso, é rico em fibras e minerais, como potássio, cálcio e fósforo, vitaminas e aminoácidos importantes, podendo fazer parte das dietas com restrições calóricas, podendo ser consumido ao natural, cozido em água com sal e limão, assado ao forno ou em churrasqueiras e, mais tradicionalmente, na forma de conserva.

Design Sustentável[editar | editar código-fonte]

A pupunha também é aproveitada na confecção do compensado de pupunha, utilizado na produção de objetos de design e decoração. Trata-se de um compensado obtido a partir de ripas do estipe da palmeira, prensadas horizontalmente com adesivo de base vegetal. A parte aproveitável do estipe da pupunha para a confecção do compensado é a região periférica, considerada como material lenhoso de alta densidade e rigidez, alcançando um acabamento final de altíssima qualidade devido a sua superfície lisa, proporcionada pela sua textura fina.

É uma palmeira amplamente utilizada na produção do palmito sustentável. Tal produção exige uma demanda contínua de sementes e mudas, originárias de matrizais (grandes áreas de cultivo de palmeiras). Quando atingem maior idade, devido às grandes alturas e à diminuição da produção, que geram aumento dos custos, os produtores são forçados a manejar a touceira para dar lugar ao estipe em frutificação. Esse processo gera como resíduo um volume elevado de estipes, de onde é fabricado este material, desenvolvido pela Fibra Design Sustentável, através da parceria com a ESDI-UERJ (Escola Superior de Desenho Industrial, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ).

Em 2005, este material recebeu um dos mais importantes prêmios de design do mundo – iF Awards - na categoria de novos materiais. O compensado foi consagrado com o prêmio máximo: o troféu Gold. Além de ter sido o único representante da América Latina entre os premiados de sua categoria, foi a primeira vez, em mais de 51 anos de existência do prêmio, que uma instituição de ensino recebeu tal premiação. Consagrado devido representar uma excelente alternativa (não-madeireira) ao desmatamento das florestas nativas para obtenção de madeira. Agregando valor a um resíduo da agroindústria e permite a ampliação do ciclo de vida da espécie. Com isso apresenta uma nova alternativa de renda para os pequenos produtores rurais, e estimula a produção do palmito de Pupunha ono Brasil, ajudando a preservar outras espécies nativas de palmeiras, que vêm sofrendo com anos de exploração predatória.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Eco-design

Referências

  1. a b c d Embrapa Pará. «Pupunha». Amazônia de A a Z. Portal Amazon Sat. Consultado em 10 de fevereiro de 2017 
  2. a b FERREIRA, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa, p.1 418. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2º ed., 1993. ISBN 85-209-0411-4.
  3. GEISER, Paulo. Dicionário Caldas Aulete. Rio de Janeiro: Lexikon, 2012. ISBN 85-254-1854-4.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Guia Rural Plantar: 296 culturas de A a Z.. [S.l.]: Editora Abril. Capítulo: Pupunha.  119-20 p.
  • Clement, Charlos R. Frutas da Amazônia. Rio de Janeiro: [s.n.], 1992. 28-37 p. vol. 14.
  • Galli, Ferdinando; CARVALHO, Paulo de Campos de; TOKESHI, Hasine; BALMER, Eric; KIMATI, Hiroshi; CARDOSO, Caio Octávio Nogueira; SALGADO, Clélio Lima; KRÜGNER, Tasso Leo; CARDOSO, Elke Jurandy Bran Nogueira; BERGAMIN FILHO. Manual de Fitopatologia: Volume II - Doenças das Plantas Cultivadas. 2 ed. São Paulo: Editora Agronômica "Ceres", 1980.
  • Gallo, Domingos; NAKANO, Octavio; SILVEIRA NETO, Sinval; CARVALHO, Ricardo Pereira Lima; BATISTA, Gilberto Casadei de; BERTI FILHO, Evoneo; PARRA, José Roberto Postali; ZUCCHI, Roberto Antônio; ALVES, Sérgio Batista; VENDRAMIM, José Djair. Manual de Entomologia Agrícola. 2 ed. São Paulo: Editora Agronômica "Ceres", 1998.
  • Lorenzi, Harri; SOUZA, Hermes Moreira de; MEDEIROS-COSTA, Judas Tadeu de; CERQUEIRA, Luiz Sérgio Coelho de; BEHR, Nikolaus von. Palmeiras do Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa: Editora Plantarum, 1996. 55 p.
  • SANTOS, João Felinto; FERNANDES, Francisco Gomes; SOUZA, Lázaro Costa de, BERLARMINO FILHO, José; ARANHA, Waldemar da Silva (2005) Cultivo da Pupunha (Bactris gasipaes HBK) para Produção de Palmito Salvo em 25 de março de 2005.