Qi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo ou secção necessita de referências de fontes secundárias fiáveis publicadas por terceiros (desde junho de 2016).
Por favor, melhore-o, incluindo referências mais apropriadas vindas de fontes fiáveis e independentes.
Fontes primárias, ou que possuem conflito de interesse geralmente não são suficientes para se escrever um artigo em uma enciclopédia.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Qi (desambiguação).
Qi (Chi)
Nome chinês
Pinyin
Wade-Giles ch'i4
Chinês tradicional
Chinês simplificado
Nome japonês
Romaji ki
Kanji
Nome coreano
Romanização revisada gi
McCune-Reischauer QI
Hangul
Hanja
Nome vietnamita
quốc ngữ khí
Nome tailandês
Thai ชี่

O Qi (também grafado como ch'i na romanização Wade-Giles ou ki na romanização do japonês) é uma força cósmica que, segundo a cultura tradicional chinesa, criou e permeia todo o universo.[1] É um conceito fundamental da cultura tradicional chinesa.[2] O termo pode ser associado de um modo bem amplo ao conceito ocidental de energia: diferentes ideogramas com este mesmo som representam, em chinês, a energia dos alimentos, do ar e a energia pré-natal. Alguns questionam se o Qi emana da matéria ou se ele existe independente da matéria como energia pairando no infinito. Realmente, existem várias manifestações do Qi que emanam da matéria, tais como o Gu Qi (Qi digestivo), o Wei Qi (Qi do pulmão)...

Mas, existe, também, o Qi Celestial, que não vem da matéria. A maioria dos antigos alquimistas chineses ensinava que o Qi é a energia primordial que dá origem à matéria, é a energia quântica que sustenta a matéria, o "sopro do céu". Ele existe fora da matéria, como energia primordial, e também se manifesta através da matéria. O Qi nada mais é do que a energia da Vida, diferente da energia elétrica, que é apenas energia em si. Já o Qi é a união de energia intocável com matéria tocável. No Bagua, se diz: a união entre Trovão e Madeira, Água e Fogo, Montanha e Nuvem, Sol e Lua.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Ideograma que representa o Qi

O significado etimológico do ideograma qi ("氣") na sua forma tradicional mais conhecida é uma imagem do "vapor (气) subindo do arroz (米) enquanto este é cozido". É, frequentemente, traduzido como "ar" ou "respiração". Por exemploː o termo chinês que significa "respiração" é tiānqì, ou a "respiração do céu".[3]

Conceito[editar | editar código-fonte]

Concepções filosóficas do qi são encontradas desde o início da história registrada do pensamento chinês. Referências ao Qi ou conceitos filosóficos semelhantes relativos a um tipo de energia metafísica que permeia e sustenta os seres vivos são encontradas em vários sistemas de crenças, presentes em culturas de todo o mundo, especialmente na Ásia.

Uma das mais importantes figuras da mitologia chinesa é Huang Di, ou o Imperador Amarelo. Ele é considerado um herói cultural que teria vivido há 5 000 anos atrás e que coletou e formalizou muito do que subsequentemente se tornou conhecido como medicina tradicional chinesa. A compreensão do conceito de Qi é um fundamento desta forma de medicina tradicional.[4]

Apesar de o conceito de qi ser muito importante em diversas filosofias orientais, sua descrição é variada e inclui aspectos conflitantes entre as diferentes versões. Algo natural considerando-se os milhares de anos, os diversos países e grupos sociais que participam da elaboração desta tradição.

Uma questão significativa é a de se o qi existe como uma força separada da matéria, se o qi surge a partir da matéria ou se a matéria surge do qi. Alguns budistas e taoistas acreditam que a matéria é uma ilusão, o chamado maya, ensinando que a matéria é somente uma projeção limitada do Qi, ou seja, do verdadeiro Ser interior. Os neoconfucionistas assumem outra posição: criticam a noção de que o qi exista separado da matériaː eles acreditam que o qi emerge das propriedades da mesma. A maioria das teorias do qi como uma metáfora das propriedades físicas fundamentais do universo foi sistematizadas e promulgadas nos últimos milhares de anos pelos neoconfucionistas e transmitidas com o apoio das dinastias chinesas.

A maior parte dos ensinamentos de alquimia chinesa, tais como os presentes no Tai Chi Chuan, Qi Gong, PaKua e outros, reconhecem que o Qi é um tipo de energia metafísica que circunda, permeia e existe na natureza e em todos os seresː ou seja, o Qi é o "sopro de energia universal" existente em tudo e em todos.

A ideia do Qi é um conceito presente na maioria das artes marciais orientaisː claros exemplos podem ser notados no aiquidô, qinna, chi kung, tai chi chuan, Pa-Kua, hapkido etc.; mesmo no caratê (através do kiai), Krav Maga e no judô a ideia dá ensejo ao uso adequado da força na aplicação de certas técnicas.[5][6]

O Qi na Medicina Tradicional Chinesa[editar | editar código-fonte]

A doutora Hu Yuen Xian demonstra o Chi Kung da calma e do movimento

A teoria da Medicina Tradicional Chinesa afirma que o corpo tem padrões naturais de Qi que circulam por canais denominados meridianos em Português. Não é possível entender completamente o conceito de qi da medicina tradicional chinesa sem compreender, também, o conceito de Yin e Yang, já que os teóricos da medicina tradicional chinesa, como Zhang Zai (1020-1077 d.C) e Xun Kuang (313-238 a.C.), consideravam o Qi como uma coisa material e imaterial ao mesmo tempo, com a capacidade de se manifestar de diferentes formas, dependendo apenas de sua tendência para Yin ou Yang.[7]

Sintomas de diversas doenças são atribuídos a bloqueios, desequilíbrios e rupturas no movimento da energia vital através dos meridianos, assim como às deficiências e desequilíbrios do Qi nos vários órgãos e vísceras Zang Fu. A Medicina Tradicional Chinesa, geralmente, procura aliviar estes desequilíbrios ajustando a circulação do Qi no corpo empregando diversas técnicas terapêuticas, como:

Prática de Tai Chi Chuan em Shanghai.

Referências

  1. CANÇADO, J. C. L. Do-Inː Livro dos Primeiros Socorros. Terceira edição. Rio de Janeiro. Editora Ground Informação. 1977. p. 15.
  2. Clear, Richard (2007). Chi Energy. Activation, Cultivation and Flow (em inglês). Maryville: Clear Silat. p. 2-5. ISBN 0981616704 
  3. Requena, Yves (1997). Chi Kung. The Chinese Art of Mastering Energy (em inglês). Rochester: Healing Arts Pres. p. 3-5. ISBN 0892816392 
  4. CANÇADO, J. C. L. Do-Inː Livro dos Primeiros Socorros. Terceira edição. Rio de Janeiro. Editora Ground Informação. 1977. p. 14.
  5. «Ki Energy» (em inglês). Consultado em 08.nov.2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. «How to Build Karate Ki Power Using Flux TheoryLearn Karate Online» (em inglês). Consultado em 08.nov.2012  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Chinese Energy Medicine». Consultado em 08.nov.2012  Parâmetro desconhecido |lignua3= ignorado (ajuda); Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chee Soo, The Chinese Art of T'ai Chi Ch'uan, Thorsons (1984) ISBN 0-85030-387-7.
  • Da Liu, Tai Chi Chuan e I Ching, 1981.
  • FREIRE, Marcos; Automassagem e Medicina Chinesa; Brasília (Brasil); Ed. do autor; 1996.
  • Oschman, James L. Energy Medicine: The Scientific Basis, Churchill Livingston, 2000

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]