Qi

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Qi (Chi)
Nome chinês
Pinyin
Wade-Giles ch'i4
Chinês tradicional
Chinês simplificado
Nome japonês
Romaji ki
Kanji
Nome coreano
Romanização revisada gi
McCune-Reischauer QI
Hangul
Hanja
Nome vietnamita
quốc ngữ khí
Nome tailandês
Thai ชี่

O Qi (também grafado como ch'i na romanização Wade-Giles ou ki na romanização do japonês) é uma força cósmica que, segundo a cultura tradicional chinesa, criou e permeia todo o universo.[1] É um conceito fundamental da cultura tradicional chinesa.[2] O termo pode ser associado de um modo bem amplo ao conceito ocidental de energia: diferentes ideogramas com este mesmo som representam, em chinês, a energia dos alimentos, do ar e a energia pré-natal. Alguns questionam se o Qi emana da matéria ou se ele existe independente da matéria como energia pairando no infinito. Realmente, existem várias manifestações do Qi que emanam da matéria, tais como o Gu Qi (Qi digestivo), o Wei Qi (Qi do pulmão)...

Mas, existe, também, o Qi Celestial, que não vem da matéria. A maioria dos antigos alquimistas chineses ensinava que o Qi é a energia primordial que dá origem à matéria, é a energia quântica que sustenta a matéria, o "sopro do céu". Ele existe fora da matéria, como energia primordial, e também se manifesta através da matéria. O Qi nada mais é do que a energia da Vida, diferente da energia elétrica, que é apenas energia em si. Já o Qi é a união de energia intocável com matéria tocável. No Bagua, se diz: a união entre Trovão e Madeira, Água e Fogo, Montanha e Nuvem, Sol e Lua.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Ideograma que representa o Qi

O significado etimológico do ideograma qi ("氣") na sua forma tradicional mais conhecida é uma imagem do "vapor (气) subindo do arroz (米) enquanto este é cozido". É, frequentemente, traduzido como "ar" ou "respiração". Por exemploː o termo chinês que significa "respiração" é tiānqì, ou a "respiração do céu".[3]

Conceito[editar | editar código-fonte]

Concepções filosóficas do qi são encontradas desde o início da história registrada do pensamento chinês. Referências ao Qi ou conceitos filosóficos semelhantes relativos a um tipo de energia metafísica que permeia e sustenta os seres vivos são encontradas em vários sistemas de crenças, presentes em culturas de todo o mundo, especialmente na Ásia.

Uma das mais importantes figuras da mitologia chinesa é Huang Di, ou o Imperador Amarelo. Ele é considerado um herói cultural que teria vivido há 5 000 anos atrás e que coletou e formalizou muito do que subsequentemente se tornou conhecido como medicina tradicional chinesa. A compreensão do conceito de Qi é um fundamento desta forma de medicina tradicional.[4]

Apesar de o conceito de qi ser muito importante em diversas filosofias orientais, sua descrição é variada e inclui aspectos conflitantes entre as diferentes versões. Algo natural considerando-se os milhares de anos, os diversos países e grupos sociais que participam da elaboração desta tradição.

Uma questão significativa é a de se o qi existe como uma força separada da matéria, se o qi surge a partir da matéria ou se a matéria surge do qi. Alguns budistas e taoistas acreditam que a matéria é uma ilusão, o chamado maya, ensinando que a matéria é somente uma projeção limitada do Qi, ou seja, do verdadeiro Ser interior. Os neoconfucionistas assumem outra posição: criticam a noção de que o qi exista separado da matériaː eles acreditam que o qi emerge das propriedades da mesma. A maioria das teorias do qi como uma metáfora das propriedades físicas fundamentais do universo foi sistematizadas e promulgadas nos últimos milhares de anos pelos neoconfucionistas e transmitidas com o apoio das dinastias chinesas.

A maior parte dos ensinamentos de alquimia chinesa, tais como os presentes no Tai Chi Chuan, Qi Gong, PaKua e outros, reconhecem que o Qi é um tipo de energia metafísica que circunda, permeia e existe na natureza e em todos os seresː ou seja, o Qi é o "sopro de energia universal" existente em tudo e em todos.

A ideia do Qi é um conceito presente na maioria das artes marciais orientaisː claros exemplos podem ser notados no aiquidô, qinna, chi kung, tai chi chuan, Pa-Kua, hapkido etc.; mesmo no caratê (através do kiai), Krav Maga e no judô a ideia dá ensejo ao uso adequado da força na aplicação de certas técnicas.[5] [6]

O Qi na Medicina Tradicional Chinesa[editar | editar código-fonte]

A doutora Hu Yuen Xian demonstra o Chi Kung da calma e do movimento

A teoria da Medicina Tradicional Chinesa afirma que o corpo tem padrões naturais de Qi que circulam por canais denominados meridianos em Português. Não é possível entender completamente o conceito de qi da medicina tradicional chinesa sem compreender, também, o conceito de Yin e Yang, já que os teóricos da medicina tradicional chinesa, como Zhang Zai (1020-1077 d.C) e Xun Kuang (313-238 a.C.), consideravam o Qi como uma coisa material e imaterial ao mesmo tempo, com a capacidade de se manifestar de diferentes formas, dependendo apenas de sua tendência para Yin ou Yang.[7]

Sintomas de diversas doenças são atribuídos a bloqueios, desequilíbrios e rupturas no movimento da energia vital através dos meridianos, assim como às deficiências e desequilíbrios do Qi nos vários órgãos e vísceras Zang Fu. A Medicina Tradicional Chinesa, geralmente, procura aliviar estes desequilíbrios ajustando a circulação do Qi no corpo empregando diversas técnicas terapêuticas, como:

Prática de Tai Chi Chuan em Shanghai.

Referências

  1. CANÇADO, J. C. L. Do-Inː Livro dos Primeiros Socorros. Terceira edição. Rio de Janeiro. Editora Ground Informação. 1977. p. 15.
  2. Clear, Richard (2007). Chi Energy. Activation, Cultivation and Flow (em inglês) (Maryville: Clear Silat). p. 2-5. ISBN 0981616704. 
  3. Requena, Yves (1997). Chi Kung. The Chinese Art of Mastering Energy (em inglês) (Rochester: Healing Arts Pres). p. 3-5. ISBN 0892816392. 
  4. CANÇADO, J. C. L. Do-Inː Livro dos Primeiros Socorros. Terceira edição. Rio de Janeiro. Editora Ground Informação. 1977. p. 14.
  5. «Ki Energy» (em inglês). Consultado em 08.nov.2012. 
  6. «How to Build Karate Ki Power Using Flux TheoryLearn Karate Online» (em inglês). Consultado em 08.nov.2012. 
  7. «Chinese Energy Medicine». Consultado em 08.nov.2012.  Parâmetro desconhecido |lignua3= ignorado (Ajuda)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chee Soo, The Chinese Art of T'ai Chi Ch'uan, Thorsons (1984) ISBN 0-85030-387-7.
  • Da Liu, Tai Chi Chuan e I Ching, 1981.
  • FREIRE, Marcos; Automassagem e Medicina Chinesa; Brasília (Brasil); Ed. do autor; 1996.
  • Oschman, James L. Energy Medicine: The Scientific Basis, Churchill Livingston, 2000

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]