Qi

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Qi (Chi)
Nome chinês
Pinyin
Wade-Giles ch'i4
Chinês tradicional
Chinês simplificado
Nome japonês
Romaji ki
Kanji
Nome coreano
Romanização revisada gi
McCune-Reischauer QI
Hangul
Hanja
Nome vietnamita
quốc ngữ khí
Nome tailandês
Thai ชี่

Na cultura tradicional chinesa, o qi (também grafado como ch'i na romanização Wade-Giles ou ki na romanização do japonês) é um elemento que se manifestaria como uma força cósmica e vital que criou e permeia todo o universo.[1]:10[2] Qi se traduz como "ar" e figurativamente como "energia material", "força vital" ou "fluxo de energia".[3] Qi é o princípio fundamental da medicina tradicional chinesa e das artes marciais chinesas. A prática de cultivar e equilibrar o qi é chamada de qigong.

Os crentes no qi o descrevem como uma força vital, cujo fluxo deve ser desimpedido para a saúde. Qi é um conceito pseudocientífico não verificado,[3][4] que nunca foi observado diretamente e não está relacionado ao conceito de energia usada na ciência[5][6][7] (a própria energia vital é uma noção científica abandonada).[8]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Ideograma que representa o Qi

O significado etimológico do ideograma qi ("氣") na sua forma tradicional mais conhecida é uma imagem do "vapor (气) subindo do arroz (米) enquanto este é cozido". É, frequentemente, traduzido como "ar" ou "respiração". Por exemploː o termo chinês que significa "respiração" é tiānqì, ou a "respiração do céu".[9]

Conceito[editar | editar código-fonte]

Concepções filosóficas do qi são encontradas desde o início da história registrada do pensamento chinês. Referências ao Qi ou conceitos filosóficos semelhantes relativos a um tipo de energia metafísica que permeia e sustenta os seres vivos são encontradas em vários sistemas de crenças, presentes em culturas de todo o mundo, especialmente na Ásia.

Uma das mais importantes figuras da mitologia chinesa é Huang Di, ou o Imperador Amarelo. Ele é considerado um herói cultural que teria vivido há 5 000 anos atrás e que coletou e formalizou muito do que subsequentemente se tornou conhecido como medicina tradicional chinesa. A compreensão do conceito de Qi é um fundamento desta forma de medicina tradicional.[1]:14

Apesar de o conceito de qi ser muito importante em diversas filosofias orientais, sua descrição é variada e inclui aspectos conflitantes entre as diferentes versões. Algo natural considerando-se os milhares de anos, os diversos países e grupos sociais que participam da elaboração desta tradição.

Uma questão significativa é a de se o qi existe como uma força separada da matéria, se o qi surge a partir da matéria ou se a matéria surge do qi. Alguns budistas e taoistas acreditam que a matéria é uma ilusão, o chamado maya, ensinando que a matéria é somente uma projeção limitada do Qi, ou seja, do verdadeiro Ser interior. Os neoconfucionistas assumem outra posição: criticam a noção de que o qi exista separado da matériaː eles acreditam que o qi emerge das propriedades da mesma. A maioria das teorias do qi como uma metáfora das propriedades físicas fundamentais do universo foi sistematizadas e promulgadas nos últimos milhares de anos pelos neoconfucionistas e transmitidas com o apoio das dinastias chinesas.

A maior parte dos ensinamentos de alquimia chinesa, tais como os presentes no Tai Chi Chuan, Qi Gong, PaKua e outros, reconhecem que o Qi é um tipo de energia metafísica que circunda, permeia e existe na natureza e em todos os seresː ou seja, o Qi é o "sopro de energia universal" existente em tudo e em todos.

A ideia do Qi é um conceito presente na maioria das artes marciais orientaisː claros exemplos podem ser notados no aiquidô, qinna, chi kung, tai chi chuan, Pa-Kua, hapkido etc.; mesmo no caratê (através do kiai), Krav Maga e no judô a ideia dá ensejo ao uso adequado da força na aplicação de certas técnicas.[10][11]

O Qi na Medicina Tradicional Chinesa[editar | editar código-fonte]

A doutora Hu Yuen Xian demonstra o Chi Kung da calma e do movimento

A teoria da Medicina Tradicional Chinesa afirma que o corpo tem padrões naturais de Qi que circulam por canais denominados meridianos em Português. Não é possível entender completamente o conceito de qi da medicina tradicional chinesa sem compreender, também, o conceito de Yin e Yang, já que os teóricos da medicina tradicional chinesa, como Zhang Zai (1020-1077 EC) e Xun Kuang (313-238 AEC), consideravam o Qi como uma coisa material e imaterial ao mesmo tempo, com a capacidade de se manifestar de diferentes formas, dependendo apenas de sua tendência para Yin ou Yang.[12]

Sintomas de diversas doenças são atribuídos a bloqueios, desequilíbrios e rupturas no movimento da energia vital através dos meridianos, assim como às deficiências e desequilíbrios do Qi nos vários órgãos e vísceras Zang Fu. A Medicina Tradicional Chinesa, geralmente, procura aliviar estes desequilíbrios ajustando a circulação do Qi no corpo empregando diversas técnicas terapêuticas, como:

Visão científica[editar | editar código-fonte]

A existência de Qi não foi comprovada cientificamente.[3] Uma declaração de consenso de 1997 sobre a acupuntura pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos observou que conceitos como qi "são difíceis de conciliar com as informações biomédicas contemporâneas".[13]

Prática de Tai Chi Chuan em Shanghai.

Referências

  1. a b CANÇADO, J. C. L. Do-Inː Livro dos Primeiros Socorros. Terceira edição. Rio de Janeiro. Editora Ground Informação. 1977.
  2. Clear, Richard (2007). Chi Energy. Activation, Cultivation and Flow (em inglês). Maryville: Clear Silat. p. 2-5. ISBN 0981616704 
  3. a b c Lee, M. S.; Pittler, M. H.; Ernst, E. (1 de junho de 2008). «Effects of reiki in clinical practice: a systematic review of randomised clinical trials». International Journal of Clinical Practice (em inglês). 62: 947–54. ISSN 1742-1241. PMID 18410352. doi:10.1111/j.1742-1241.2008.01729.x 
  4. Dunning, Brian (22 de abril de 2014). «Your Body's Alleged Energy Fields». Skeptoid. Consultado em 26 de janeiro de 2021 
  5. Shermer, Michael (1 de julho de 2005). «Full of Holes: the curious case of acupuncture». Scientific American. 293: 30. Bibcode:2005SciAm.293b..30S. PMID 16053133. doi:10.1038/scientificamerican0805-30 
  6. Stenger, Victor J. (1 de junho de 1998). «Reality Check: the energy fields of life». Skeptical Briefs. Committee for Skeptical Inquiry. Consultado em 25 de dezembro de 2007. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2007  "Despite complete scientific rejection, the concept of a special biological fields within living things remains deeply engraved in human thinking. It is now working its way into modern health care systems, as non-scientific alternative therapies become increasingly popular. From acupuncture to homeopathy and therapeutic touch, the claim is made that healing can be brought about by the proper adjustment of a person's or animal's 'bioenergetic fields.
  7. «Traditional Medicine and Pseudoscience in China: A Report of the Second CSICOP Delegation (Part 2)». CSICOP. Consultado em 15 de fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2009 
  8. Williams, Elizabeth Ann (2003). A Cultural History of Medical Vitalism in Enlightenment Montpellier. [S.l.]: Ashgate. ISBN 978-0-7546-0881-3 
  9. Requena, Yves (1997). Chi Kung. The Chinese Art of Mastering Energy (em inglês). Rochester: Healing Arts Pres. p. 3-5. ISBN 0892816392 
  10. Stennud, Stefan. «Ki Energy» (em inglês). Aikido. Consultado em 8 de novembro de 2012 
  11. «How to Build Karate Ki Power Using Flux Theory» (em inglês). Learn Karate Online. Consultado em 8 de novembro de 2012 
  12. «Chinese Energy Medicine» (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2012. Arquivado do original em 19 de julho de 2013 
  13. «The National Institutes of Health (NIH) Consensus Development Program: Acupuncture». Consensus.nih.gov. Consultado em 5 de janeiro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chee Soo, The Chinese Art of T'ai Chi Ch'uan, Thorsons (1984) ISBN 0-85030-387-7.
  • Da Liu, Tai Chi Chuan e I Ching, 1981.
  • FREIRE, Marcos; Automassagem e Medicina Chinesa; Brasília (Brasil); Ed. do autor; 1996.
  • Oschman, James L. Energy Medicine: The Scientific Basis, Churchill Livingston, 2000

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]