Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas

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O Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas: Aprendizagem, Ensino, Avaliação(QCER)[1] (em língua inglesa: Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment (CEFR))​[2] é um padrão europeu, utilizado também em outros países, que serve para medir o nível de compreensão e expressão oral e escrita numa determinada língua.[3]

O projeto é o resultado de um trabalho iniciado em 1991 por iniciativa do governo federal suíço que esteve inspirado em trabalhos prévios realizados por particulares e instituições desde 1971. O documento final foi elaborado pelo Conselho da Europa e apresentado em 2001 durante a celebração do Ano Europeu das Línguas.

Antecedentes teóricos[editar | editar código-fonte]

Certificado de êxito no exame QCER para o idioma esperanto.

O QCER adota um enfoque orientado para a ação que, segundo Carlos César Jiménez da Universidade Nacional Autónoma do México, remonta-se às propostas teóricas dos filósofos da linguagem, tais como Ludwig Wittgenstein nas décadas de 1950 e sociolinguistas como Dell Hymes.[4]

Entre os conceitos teóricos chave utilizados no QCERL, encontram-se o conhecimento declarativo, o conhecimento procedimental e a competência, entendida como o conhecimento mínimo suficiente que supomos que seja requerido para executar um tipo de tarefas específicas. Estes conceitos complementam-se com a competência existencial (habilidades sociais), a habilidade para aprender e a competência linguístico-comunicativa.[4]

O QCER divide-se nas competências linguístico-comunicativas em três tipos: a competência linguística, a competência sociolinguistica e a competência pragmática. Esta divisão não coincide exatamente com os modelos prévios da competência comunicativa, mas capturam os aspetos essenciais que estes modelos colocaram há um tempo atrás sobre a mesa de discussão.[4]

Níveis comuns de referência[editar | editar código-fonte]

O Quadro Comum Europeu de Referência estabelece uma escala de seis níveis comuns de referência para a organização da aprendizagem das línguas e a homologação dos distintos títulos emitidos pelas entidades certificadas. A divisão agrupa-se em três blocos que respondem a uma divisão mais clássica do nível básico, intermédio e avançado, embora não se correspondam exatamente com os níveis clássicos por estar situados encima ou por debaixo de eles.[5]

Nível Subnível Descrição
A

Utilizador básico

(português europeu)

Falante básico

(português do Brasil)

A1

Inicial

(português europeu)

Iniciante

(português do Brasil)

  • Pode entender e utilizar expressões familiares do dia a dia, bem como frases básicas direcionadas a satisfazer necessidades concretas.
  • Pode apresentar-se e responder perguntas sobre detalhes de sua vida pessoal como, por exemplo: onde vive, pessoas que conhece ou coisas que possui.
  • Pode ainda interagir de maneira simples com nativos desde que estes falem pausadamente, de maneira clara e que estejam dispostos a ajudar.
A2

Básico

  • Pode entender frases e expressões relacionadas a áreas familiares ao usuário, como informações pessoais e familiares básicas, compras, geografia local, emprego.
  • Pode comunicar de maneira simples em situações familiares que requerem troca de informações curtas e precisas.
  • Pode descrever de maneira superficial aspectos sobre seus conhecimentos, ambiente onde vive e necessidades imediatas.
B

Utilizador independente

(português europeu)

Falante independente

(português do Brasil)

B1

Intermédio

(português europeu)

Intermediário

(português do Brasil)

  • Pode entender os pontos principais sobre assuntos do dia a dia como trabalho, escola e lazer.
  • Pode lidar com situações cotidianas no país onde a língua é falada (viagem de turismo).
  • Pode produzir textos simples sobre áreas familiares e de interesse.
  • Pode ainda descrever experiências, eventos, sonhos, desejos e ambições.
  • Além disso pode ainda opinar de maneira limitada sobre planos e discussões.
B2

Independente

  • É capaz de entender ideias principais de textos complexos que tratem de temas tanto concretos como abstratos, inclusive textos de caráter técnico se forem de sua área de especialização.
  • Pode interagir com falantes nativos com um grau suficiente de fluência e naturalidade de forma que a comunicação ocorra sem esforço por parte de nenhum dos interlocutores.
  • Pode produzir textos claros e detalhados sobre temas diversos, assim como defender um ponto de vista sobre temas gerais, indicando vantagens e desvantagens das várias opções.
C

Utilizador competente

(português europeu)

Falante proficiente

(português do Brasil)

C1

Fluente eficaz

(português europeu)

Proficiência operativa eficaz

(português do Brasil)

  • É capaz de compreender uma ampla variedade de textos extensos e com certo nível de exigência, assim como reconhecer nestes, sentidos e idéias implícitas.
  • Sabe expressar-se de forma fluente e espontânea sem demonstrar muitos esforços para encontrar uma palavra ou expressão adequada.
  • Pode fazer uso efetivo do idioma para fins sociais, acadêmicos e profissionais.
  • Pode produzir textos claros, bem estruturados e detalhados sobre temas de certa complexidade, mostrando uso correto dos mecanismos de organização, articulação e coesão do texto.
C2

Fluente estruturado

(português europeu)

Domínio pleno

(português do Brasil)

  • É capaz de compreender com facilidade praticamente tudo que ouve e lê.
  • Sabe reconstruir a informação e os argumentos procedentes de diversas fontes, seja em língua falada ou escrita, e apresentá-los de maneira coerente e resumida.
  • Pode expressar-se espontaneamente com grande fluência e com um grau de precisão que lhe permita diferenciar pequenos matizes de significado, inclusive em situações de maior complexidade.

Capacidades que há que desenvolver[editar | editar código-fonte]

O Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas delimita as capacidades que o aluno deve controlar em cada um dos níveis para as categorias «compreender», «falar» e «escrever». A categoria «compreender» integra as destrezas compreensão auditiva e compreensão da leitura; a categoria «falar» integra as de interação oral e expressão oral e a categoria «escrever» compreende a destreza expressão escrita.[6][7]

Nível Compreender Falar Escrever
Compreensão auditiva Compreensão de leitura Interação oral Expressão oral Expressão escrita
A1 Reconheço palavras e expressões muito básicas que se usam habitualmente, relativas a mim mesmo, à minha família e ao meu ambiente imediato quando se fala devagar e com clareza. Compreendo palavras e nomes conhecidos e frases muito simples, por exemplo, aquelas em letreiros, cartazes e catálogos. Posso participar numa conversação de forma simples, sempre que a outra pessoa esteja disposta a repetir o que disse ou a dizê-lo com outras palavras e a uma velocidade mais lenta, e me ajudar a formular o que estou tentando dizer. Eu faço e respondo perguntas simples sobre temas de necessidade imediata ou assuntos muito habituais. Utilizo expressões e frases simples para descrever o lugar onde vivo e as pessoas que conheço. Eu sou capaz de escrever postais curtos e simples, por exemplo para enviar parabéns. Sei preencher formulários com dados pessoais, por exemplo, o meu nome, a minha nacionalidade e a minha morada no formulário de registo do hotel.
A2 Compreenso frases e o vocabulário mais habitual sobre temas de interesse pessoal (informação pessoal e familiar muito básica, compras, local de residência, emprego). Sou capaz de captar a ideia principal de avisos e mensagens breves, claras e simples. Sou capaz de ler textos muito breves e simples. Sei encontrar informação específica e previsível em escritos simples e quotidianos, como anúncios publicitários, prospectos, menus e horários e compreendo cartas pessoais breves e simples. Posso comunicar-me em tarefas simples e habituais que requerem um intercâmbio simples e direto de informação sobre atividades e assuntos quotidianos. Sou capaz de realizar intercâmbios sociais muito breves, embora, geralmente, não possa compreender o suficiente para manter a conversação por mim mesmo. Utilizo uma série de expressões e frases para descrever, com termos simples, a minha família e outras pessoas, as minhas condições de vida, a minha origem educativa e o meu trabalho atual ou o último que tive. Sou capaz de escrever notas e mensagens breves e simples relativas às minhas necessidades imediatas. Posso escrever cartas pessoais muito simples, por exemplo agradecendo algo a alguém.
B1 Compreendo as ideias principais quando o discurso é claro e normal e se tratam assuntos quotidianos que têm lugar no trabalho, na escola, durante o tempo de ócio, etc.

Compreendo a ideia principal de muitos programas de rádio ou televisão que tratam temas atuais ou assuntos de interesse pessoal ou profissional, quando a articulação é relativamente lenta e clara.

Compreendo textos escritos numa linguagem de uso habitual e quotidiano ou relacionadas com o trabalho. Compreendo a descrição de acontecimentos, sentimentos e desejos em cartas pessoais. Sei desenvolver-me em quase todas as situações que se me apresentam quando viajo para onde se fala essa língua. Posso participar espontaneamente numa conversação que trate temas quotidianos de interesse pessoal ou que sejam pertinentes para a vida diária (por exemplo, família, hobbies, trabalho, viagens e acontecimentos atuais). Sei relacionar frases de maneira simples com o fim de descrever experiências e factos, meus sonhos, esperanças e ambições. Posso explicar e justificar brevemente as minhas opiniões e projetos. Sei narrar uma história ou relato, o enredo de um livro ou filme e posso descrever as minhas reações. Sou capaz de escrever textos simples e bem relacionados sobre temas que são conhecidos por mim ou de interesse pessoal. Posso escrever cartas pessoais que descrevam experiências e impressões.
B2 Compreendo discursos e conferências extensas e inclusive sigo linhas argumentais complexas sempre que o tema seja relativamente bem conhecido. Compreendo quase todas as notícias na televisão e os programas sobre temas atuais. Compreendo a maioria dos filmes que são falados num nível de linguagem padrão. Sou capaz de ler artigos e reportagens relacionadas com problemas contemporâneos em que os autores adotam posturas ou pontos de vista concretos. Compreendo a prosa literária contemporânea. Posso participar numa conversação com certa fluência e espontaneidade, o que possibilita a comunicação normal com falantes nativos. Posso tomar parte ativa em debates desenvolvidos em situações quotidianas, explicando e defendendo os meus pontos de vista. Apresento descrições claras e detalhadas de uma ampla série de temas relacionados com a minha especialidade. Sei explicar um ponto de vista sobre um tema expondo as vantagens e desvantagens de várias opções. Sou capaz de escrever textos claros e detalhados sobre uma ampla série de temas relacionados com os meus interesses. Posso escrever redações ou relatórios transmitindo informação ou propondo motivos que apoiem ​​ou refutem um ponto de vista concreto. Sei escrever cartas que destacam a importância que lhes dou a determinados fatos e experiências.
C1 Compreendo discursos extensos inclusive quando não estão estruturados com clareza e quando as relações estão apenas implícitas e não são declaradas explicitamente.

Compreendo sem muito esforço os programas de televisão e os filmes.

Compreendo textos longos e complexos de caráter literário ou baseados em fatos, apreciando distinções de estilo.

Compreendo artigos especializados e instruções técnicas longas, mesmo que não estejam relacionadas com a minha especialidade.

Expresso-me com fluidez e espontaneidade sem ter que procurar de forma muito evidente as expressões adequadas. Utilizo a linguagem com flexibilidade e eficácia para fins sociais e profissionais. Formulo ideias e opiniões com precisão e relaciono as minhas intervenções habilmente com as de outros falantes. Apresento descrições claras e detalhadas sobre temas complexos que incluem outros temas, desenvolvendo ideias concretas e terminando com uma conclusão apropriada. Sou capaz de me expressar em textos claros e bem estruturados, expondo pontos de vista com alguma extensão. Posso escrever sobre temas complexos em cartas, redações ou relatórios, destacando o que considero que são os aspectos importantes. Seleciono o estilo apropriado para os leitores a quem os meus escritos são endereçados, inclusive posso estar na capacidade de me candidatar a um emprego.
C2 Não tenho nenhuma dificuldade para compreender qualquer tipo de linguagem falada, tanto em conversações ao vivo como em discursos retransmitidos, mesmo que se produzam a uma velocidade de falante nativo, sempre que tenha tempo de me familiarizar com o sotaque. Sou capaz de ler com facilidade praticamente todas as formas de linguagem escrita, incluindo textos abstratos estruturalmente ou linguisticamente complexos, como manuais, artigos especializados e obras literárias. Tomo parte sem esforço em qualquer conversação ou debate e conheço bem modismos, frases feitas e expressões coloquiais. Expresso-me com fluidez e transmito nuances subtis de sentido com precisão. Se tenho um problema, disfarço a dificuldade com tanta discrição que os outros dificilmente reparam. Apresento descrições ou argumentos de forma clara e fluída e com um estilo que é o adequado ao contexto e com uma estrutura lógica e eficaz que ajuda o ouvinte a fixar-se nas ideias importantes e a recordá-las. Sou capaz de escrever textos claros e fluídos num estilo apropriado. Posso escrever cartas, relatórios ou artigos complexos que apresentam argumentos com uma estrutura lógica e eficaz que ajuda o ouvinte a fixar-se nas ideias importantes e a recordá-las. Escrevo resumos e resenhas de obras profissionais ou literárias.

Comparação entre QCER e outras escalas[editar | editar código-fonte]

Nível ALTE Nível CEFR NQF (somente no Reino Unido) Versant PTE General (anteriormente LTE) Instituto Goethe Diplomas do CIEP/Alliance française Cambridge exam[8] IELTS[9] CEFLA UNIcert (diferentes línguas) TOEIC[10] TORFL DCL TOEFL ITP[11] TOEFL IBT[12] DELE[13]
Nível 5 C2 Nível 3 79-80 Nível 5 Zentrale Oberstufenprüfung, Kleines Deutsches Sprachdiplom TCF C2 / DALF C2 / DHEF CPE, Graduação A no CAE IELTS 8.0-9.0 Superior 900 + pontos Certificação IV Diploma Nível C2
Nível 4 C1 Nível 2 69-78 Nível 4 Goethe-Zertifikat C1 TCF C1 / DALF C1 / DSLCF Graduação B ou C no CAE, A no FCE IELTS 6.5-7.5 945-990 800 - 900 pontos Certificação III 629-677 pontos 95-120 pontos Diploma Nível C1
Nível 3 B2 Nível 1 58-68 Nível 3 Zertifikat Deutsch für den Beruf TCF B2 / DELF B2 / Diplôme de Langue Graduação B ou C no FCE, Passagem com distinção no PET IELTS 5.0-6.0 CEFLA B2 Intermédio 785-940 650 - 800 pontos Certificação II 543-628 pontos 72-94 pontos Diploma Nível B2
Nível 2 B1 Entrada 3 43-57 Nível 2 Zertifikat Deutsch TCF B1 / DELF B1 / CEFP 2 Passagem de graduação, Passagem com mérito no PET, Passagem com distinção no KET IELTS 4.0-4.5 CEFLA B1 Inicial 550-780 Certificação I 460- 543 pontos 42-71 pontos Diploma Nível B1
Nível 1 A2 Entrada 2 36-43 Nível 1 Start Deutsch 2 TCF A2 / DELF A2 / CEFP 1 Passagem de graduação, Passagem com mérito no KET IELTS 3.0-3.5 CEFLA A2 225-545 Básico 337-429 pontos Diploma Nível A2
Iniciante A1 Entrada 1 26-35 Nível A1 Start Deutsch 1 TCF A1 / DELF A1 IELTS 1.0-2.5 CEFLA A1 Acesso 120-220 Elementar Diploma Nível A1

Referências

  1. Direção de Serviços de Língua e Cultura (setembro de 2017). «Referencial Camões PLE» (PDF). Instituto Camões 
  2. «Padrões internacionais de línguas». www.cambridgeenglish.org. Consultado em 3 de outubro de 2018. 
  3. «Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (CEFR) | British Council». www.britishcouncil.org.br. Consultado em 3 de outubro de 2018. 
  4. a b c Jimenez, Carlos César (2011). O Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas e a compreensão teórica do conhecimento da linguagem: exploração de uma normatividade flexível para empreender ações educativas (PDF). [S.l.]: Universidad Nacional Autónoma de México 
  5. «Níveis europeus – Grelha de auto-avaliação | Europass». europass.cedefop.europa.eu. Consultado em 3 de outubro de 2018. 
  6. «Níveis comuns de referência: quadro de autoavaliação» (PDF). Instituto Camões. Consultado em 15 de setembro de 2017. 
  7. «Referencial Camões PLE» (PDF). Instituto Camões. Consultado em 15 de setembro de 2017. 
  8. «Cambridge English Scale results reporting | Cambridge English». www.cambridgeenglish.org. Consultado em 24 de julho de 2015. 
  9. «IELTS | Researchers - Common European Framework». www.ielts.org. Consultado em 24 de julho de 2015. 
  10. «TOEIC® SCORE VS CEFR - TOEIC® Online Placement Test». yourenglishtest.com. Consultado em 24 de julho de 2015. 
  11. Centro de testes Casa Thomas Jefferson - http://thomas.org.br/index.php/servicos/departamento-de-testes/testes/
  12. «TOEFL: For Academic Institutions: Compare Scores». www.ets.org. Consultado em 30 de dezembro de 2016. 
  13. «Qué son los DELE | Exámenes - Instituto Cervantes». examenes.cervantes.es. Consultado em 27 de dezembro de 2016. 
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