Quarto de Despejo

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Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada
Capa da edição original
Autor(es) Carolina Maria de Jesus
Idioma Português
Editora Francisco Alves (1ª edição)
Formato Brochura
Lançamento 1960
Páginas 173
Cronologia
Casa de Alvenaria (1961)

Quarto de despejo: Diário de uma favelada é um livro de 1960 escrito por Carolina Maria de Jesus.[1]

Sobre a autora[editar | editar código-fonte]

Carolina Maria de Jesus nasceu no estado de Minas Gerais em 14 de março de 1914, mudando-se para a cidade de São Paulo em 1947.[1] Desde criança já se interessava pela leitura, tendo mais tarde iniciado a escrita de um diário.[1] A autora teve apenas dois anos de estudo, realizados na primeira escola espírita do Brasil, o Colégio Allan Kardec, fundado por Eurípedes Barsanulfo em sua cidade natal.[2]

Em 1960, o jornalista Audálio Dantas visitou a favela do Canindé, local onde vivia Carolina de Jesus, relatando ter se encantando com a autora que, "apesar de ser uma mulher extremamente pobre e simples, demonstrava uma grande lucidez crítica".[1]

O livro[editar | editar código-fonte]

O livro reproduz o diário de Carolina de Jesus, em que ela narra o seu dia a dia nas comunidades pobres da cidade de São Paulo. Em seu relato, ela descreve a dor, o sofrimento, a fome e as angústias dos favelados. Seu texto é considerado um dos marcos da escrita feminina no Brasil.[3]

Dessa forma, Carolina de Jesus utiliza de uma linguagem objetiva e marcada pela oralidade, retratando assim sua realidade, uma vez que faz parte do seu cotidiano e nele está inserida.[4]

Com uma tiragem inicial de dez mil exemplares que se esgotou em apenas uma semana, já foi traduzido para mais de treze idiomas desde o seu lançamento. O diário descreve as vivências da autora no período de 1955 a 1960.[2]

Os registros começam com a seguinte nota:

"15 de julho de 1955. Aniversário de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela."


E terminam com:

“1.º de janeiro de 1960. Levantei às 5 horas e fui carregar água.”


Análise[editar | editar código-fonte]

A obra foi inicialmente considerada como "literatura documentária de contestação" pelo jornalismo de denúncia, que oferece meios de reportar a situação social vivida pelas camadas tradicionalmente sem meios de expressão.[2]

Hoje a obra se insere no contexto das narrativas femininas que tiveram início na década de 1970, dentro da "literatura das vozes subalternas".[2]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Segundo o pesquisador Carlos Alberto Cerchi a obra inspirou variadas manifestações artísticas, dentre as quais:[2]

  • "Quarto de Despejo", um samba composto por B. Lobo;
  • "Eu te arrespondo Carolina", livro de Herculano Neves;
  • Adaptação do livro para o teatro, em peça de Edy Lima;
  • "Despertar de um sonho", filme da televisão alemã com a própria Carolina como protagonista (nunca exibido no Brasil) e;
  • Episódio da série Caso Verdade de uma emissora televisiva brasileira, no ano de 1983.

Referências

  1. a b c d Alex Willian Leite. «Resenha Crítica "Quarto de despejo, diário de uma favelada"» (em portugues). Ramela. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  2. a b c d e Maria Madalena Magnabosco; Graciela Ravetti. «Carolina Maria de Jesus». A Mulher na Literatura. Consultado em 23 de agosto de 2011. Arquivado do original em 29 de julho de 2012 
  3. Letícia Pereira de Andrade. «QUARTO DE DESPEJO: A LITERATURA MEMORIALÍSTICA FEMININA» (PDF) (em portugues). Unioeste. Consultado em 23 de agosto de 2011 
  4. «A centralidade da linguagem e do trabalho em Quarto de Despejo.». 12 de Setembro de 2018