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Quaternário

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 Nota: Para outros significados, veja Quaternário (desambiguação).


Quaternário
2.58 – 0 Ma

Um mapa do mundo que apareceu durante época Pliestoceno, c. 1 Ma
Cronologia
Quaternário LDTG
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-2.6 —
-2.4 —
-2.2 —
-2 —
-1.8 —
-1.6 —
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-0.8 —
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0 —
Subdivisão do Quaternário de acordo com ICS, em 2021.[1][2]
Escala do eixo vertical: milhões de anos atrás.
Etimologia
Formalidade Formal
Informações e usos
Corpo celeste Terra
Uso regional Global (ICS)
Escala(s) de tempo usada(s) Escala de tempo ICS
Definições
Formalidade de intervalo de tempo Formal
Definição de limite inferior
Limite inferior GSSP Monte San Nicola Section, Gela, Sicília, Itália
37° 08′ 49″ N, 14° 12′ 13″ L
Menor GSSP ratificado 2009 (como base do Quaternário e Pleistoceno)[3]
Definição de limite superior Presente
Limite superior GSSP N/A
Maior GSSP ratificado N/A
Dados atmosféricos e climáticos
Teor médio de O2 atmosférico c. 20.8 volume %
(104% o nível atual)
Teor médio de CO2 atmosférico c. 250 ppm
(0.89285714285714 o nível pré-industrial)
Temperatura média da superfície c. 14 °C
(0 °C acima do nível atual)

Na escala de tempo geológico, o Quaternário é o atual e mais recente dos três períodos da Era Cenozoica do éon Fanerozoico na escala de tempo geológico da Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS).[4] O período Quaternário sucede o Neogeno e abrange desde 2,58 milhões de anos atrás até o presente.[5] A partir de 2023, o Período Quaternário é dividido em duas épocas Pleistocena (2,58 milhões de anos atrás até 11,7 mil atrás) e Holocena (11,7 mil atrás até os dias de hoje).

O Período Quaternário é normalmente definido pelo crescimento e decadência cíclicos dos mantos de gelo continentais relacionados aos ciclos de Milankovitch e às mudanças climáticas e ambientais associadas que eles causaram.[6][7]

História de pesquisa[editar | editar código-fonte]

Em 1759, Giovanni Arduino propôs que os estratos geológicos do norte da Itália poderiam ser divididos em quatro formações ou "ordens" sucessivas (italiano: quattro ordini). O termo "Quaternário" foi proposto por Jules Desnoyers em 1829 para se referir a alguns sedimentos da bacia do Sena que pareciam mais recentes que as rochas do Terciário.[8][9]

Eventos geológicos[editar | editar código-fonte]

Geologia e clima[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Último período glacial
Um ecossistema do Quaternário. (Bosque do Mediterrâneo)

O Quaternário começa com o fim do Terciário e chega até o presente. Abrange, aproximadamente, o tempo que duraram as últimas glaciações, até o récuo glacial do Holoceno. Um uso alternativo situa o início do Quaternário no início da glaciação no Polo Norte, há cerca de 3 milhões de anos, incluindo assim porções do Plioceno Superior. Algumas pessoas não reconhecem o Quaternário e consideram-no um assunto informal incluído no Neogeno, como pode ser visto na edição de 2003 da Tabela Estratigráfica Internacional, publicada pela Comissão Internacional sobre Estratigrafia.

Extensão do gelo durante o último máximo glacial, há cerca de 20.000 anos.

Os 1,8-1,6 milhões de anos do Quaternário representam a época em que os humanos existiram. Num período tão curto, a deriva continental não ultrapassou os 100 km, algo quase irrelevante para os paleontólogos. No entanto, o registo geológico está mais bem preservado do que o de períodos mais antigos, e o mapa-múndi atual assemelha-se muito ao do início deste período. As mudanças geográficas mais importantes desta época incluem o surgimento do Bósforo e do Skagerrak durante os períodos glaciais, que transformaram respectivamente o Mar Negro e o Mar Báltico em massas de água doce; e as suas subsequentes inundações devido ao aumento do nível do mar novamente.[10] Inclui também o rebaixamento periódico do mar no Canal da Mancha, formando uma ponte entre a Grã-Bretanha e a Europa, e o congelamento periódico do Estreito de Bering, formando uma ponte entre a Ásia e a América do Norte.[11] Os Grandes Lagos, assim como outros grandes lagos do Canadá, e a Baía de Hudson também são resultado do último período glacial e são lagos temporários. A cada era glacial do Quaternário, surgia um novo padrão de lagos e baías.[12]

Subdivisões do Quaternário
Sistema/Período Série/Época Andar/Estágio Idade (Ma)
Quaternário Holoceno Megalaiano 0-0.0042
Nortegripiano 0.0042-0.0082
Gronelandês 0.0082-0.0117
Pleistoceno Tarentiano 0.0117–0.126
Chibaniano 0.126–0.781
Calabriano 0.781–1.80
Gelasiano 1.80–2.58
Neogeno Plioceno Placenciano mais antigo
Subdivisão do Quaternário de acordo com a Tabela Cronoestratigráfica Internacional versão 2015/1 da Comissão Internacional sobre Estratigrafia.

O clima era principalmente de glaciações periódicas, com geleiras continentais atingindo até 40° de latitude. Provavelmente devido à duração relativamente curta do período, não apareceram muitos animais novos. No final do Pleistoceno, houve uma grande extinção de grandes mamíferos nas áreas boreais.

Vida[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Extinção em massa do Holoceno

Houve uma grande extinção de grandes mamíferos nas áreas do Norte no final da época Pleistocena. Muitas formas, incluindo desntes-de-sabre, mamutes, mastodontes e gliptodontes, foram extintas. Outros, como cavalos, camelos e chitas, foram extintos na América do Norte, onde surgiram, mas conseguiram prosperar em outros continentes.[13][14]

Os Grandes Lagos se formaram e mamíferos gigantes prosperaram em partes da América do Norte e da Eurásia não cobertas de gelo. Esses mamíferos foram extintos quando o período glacial terminou, há cerca de 11.700 anos. Os humanos modernos evoluíram há cerca de 315.000 anos. Durante o Período Quaternário, mamíferos, plantas com flores e insetos dominaram a terra.

Subdivisão[editar | editar código-fonte]

A Comissão Internacional de Estratigrafia reconhece a subdivisão em duas épocas para o Quaternário, de acordo com o seguinte esquema, ordenado do mais recente para o mais antigo:[15][16]

  • Holoceno de 0,0117 milhões de anos (Ma), ou seja, 11.700 anos atrás e ainda em andamento
  • Pleistoceno de 2,58 Ma a 0,0117 Ma

Galeria[editar | editar código-fonte]

Época Pleistocena[editar | editar código-fonte]

Época Holocena[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cohen, K. M.; Finney, S. C.; Gibbard, P. L.; Fan, J.-X. (Janeiro de 2020). «International Chronostratigraphic Chart» (PDF). International Commission on Stratigraphy. Consultado em 23 de fevereiro de 2020 
  2. Mike Walker; et al. (Dezembro de 2018). «Formal ratification of the subdivision of the Holocene Series/Epoch (Quaternary System/Period)» (PDF). Episodes. 41 4 ed. Subcommission on Quaternary Stratigraphy (SQS). pp. 213–223. doi:10.18814/epiiugs/2018/018016. Consultado em 11 de novembro de 2019 
  3. Gibbard, Philip; Head, Martin (Setembro de 2010). «The newly-ratified definition of the Quaternary System/Period and redefinition of the Pleistocene Series/Epoch, and comparison of proposals advanced prior to formal ratification» (PDF). Episodes. 33 3 ed. pp. 152–158. doi:10.18814/epiiugs/2010/v33i3/002. Consultado em 8 de dezembro de 2020 
  4. Cohen, K.M.; Finney, S.C.; Gibbard, P.L.; Fan, J.-X. «International Chronostratigraphic Chart 2013» (PDF). stratigraphy.org. ICS. Consultado em 15 de junho de 2014 
  5. «Stratigraphic Chart 2022» (PDF). International Stratigraphic Commission. Fevereiro de 2022. Consultado em 4 de junho de 2022 
  6. Denton, G.H.; Anderson, R.F.; Toggweiler, J.R.; Edwards, R.L.; Schaefer, J.M.; Putnam, A.E. (2010). «The Last Glacial Termination». Science. 328 5986 ed. pp. 1652–1656. Bibcode:2010Sci...328.1652D. CiteSeerX 10.1.1.1018.5454Acessível livremente. PMID 20576882. doi:10.1126/science.1184119 
  7. Lowe, J.J.; Walker, M.J.C. (1997). Reconstructing Quaternary Environments. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-0582101661 
  8. Desnoyers 1829, p. 171–214, 402–491.
  9. «Late Quaternary Fluvial and Coastal Sequences Chapter 1: Introduction» (PDF). Late Quaternary Fluvial and Coastal Sequences…. Consultado em 3 de agosto de 2021 
  10. Ryan, William B.F.; Pitman, Walter C.; Major, Candace O.; Shimkus, Kazimieras; Moskalenko, Vladamir; Jones, Glenn A.; Dimitrov, Petko; Gorür, Naci; Sakinç, Mehmet; Yüce, Hüseyin (Abril de 1997). «An abrupt drowning of the Black Sea shelf». Marine Geology. 138 1–2 ed. pp. 119–126. Bibcode:1997MGeol.138..119R. doi:10.1016/s0025-3227(97)00007-8 
  11. Balbas, A.M., Barth, A.M., Clark, P.U., Clark, J., Caffee, M., O'Connor, J., Baker, V.R., Konrad, K. and Bjornstad, B., 2017. 10Be dating of late Pleistocene megafloods and Cordilleran Ice Sheet retreat in the northwestern United States. Geology, 45(7), pp. 583-586.
  12. Dyke, Arthur S. (2004). «An outline of North American deglaciation with emphasis on central and northern Canada». Developments in Quaternary Sciences. 2. pp. 373–424. ISBN 9780444515926. doi:10.1016/S1571-0866(04)80209-4 
  13. Haynes. «Stanford Camelops» (PDF). Arquivado do original (PDF) em 9 de março de 2014 
  14. «Extinct American Cheetah Fact Sheet». library.sandiegozoo.org. Consultado em 10 de dezembro de 2015. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  15. «International Chronostratigraphic chart» (PDF). ICS. 2014. Consultado em 6 de maio de 2023 
  16. Geological TimeScale Foundation (ed.). «GSSP Table - Cenozoic Era». Consultado em 6 de maio de 2023 
  17. Sample, Ian (19 de Fevereiro de 2010). «Great white shark is more endangered than tiger, claims scientist». The Guardian. Consultado em 14 de Agosto de 2013 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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