Queda do Junkers PP-SPD ''Cidade de São Paulo''

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Queda do Junkers PP-SPD Cidade de São Paulo
Acidente aéreo
Junkers Ju52 3M.jpg
Aeronave Junkers Ju 52 em foto dos anos 1930, similar ao avião acidentado.
Sumário
Data 27 de agosto de 1943
Causa baixa visibilidade/erro do piloto
Local Brasil Baía de Guanabara, Rio de Janeiro
Coordenadas Gnome-globe.png Escola Naval
Origem Aeroporto de Congonhas, São Paulo
Destino Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro
Passageiros 18
Tripulantes 3
Mortos 18
Feridos 3
Sobreviventes 3
Aeronave
Modelo Junkers Ju 52
Operador Brasil VASP
Prefixo PP-SPD Cidade de São Paulo
Primeiro voo 5 de agosto de 1936

A Queda do Junkers PP-SPD Cidade de São Paulo foi um acidente aéreo ocorrido no dia 27 de agosto de 1943[1].

Aeronave[editar | editar código-fonte]

A aeronave Junkers Ju 52, prefixo PP-SPD (batizada Cidade de São Paulo) pertencia a VASP, sendo a primeira aeronave adquirida pela empresa durante sua encampação pelo governo paulista. As duas primeiras aeronaves seriam encomendadas em Berlim pelo governo paulista no dia 24 de abril de 1936[2]. Seriam embarcadas desmontadas num navio, desembarcando no Brasil 3 meses depois e seriam montadas no Rio de Janeiro em regime SKD. Essas aeronaves seriam batizadas de Cidade de São Paulo (prefixo PP-SPD) e Cidade do Rio de Janeiro (prefixo PP-SPE).

As aeronaves fariam o voo inaugural da 1ª rota da Vasp entre São Paulo e Rio de Janeiro no dia 5 de agosto de 1936. Nessa época, a VASP veiculava campanhas publicitárias nos jornais que atestavam sua suposta pontualidade, prometendo voos de 90 minutos de duração entre o Rio e São Paulo.

Acidente[editar | editar código-fonte]

Vista do Aeroporto Santos Dumont. À esquerda encontra-se a Escola Naval, localizada na Ilha de Villegagnon. O choque de uma das asas do Junkers ocorreu com um dos prédios localizados ao norte da pequena ilha (à esquerda na foto).

No dia 27 de agosto de 1943, o Cidade de São Paulo decolou do Aeroporto de Congonhas as 7h30min, com previsão de pouso no aeroporto Santos Dumont por volta das 9h15. Transportava 18 passageiros e 3 tripulantes, sendo comandado pelo comandante Romeu Fávero. Durante a aproximação para o pouso, havia nevoeiro intenso no Rio[3] e o piloto abortou a primeira tentativa de pouso. Durante a manobra para efetuar a segunda tentativa, colidiu uma de suas asas num prédio da Escola Naval localizado no norte da ilha de Villegagnon, partindo-se em 3 pedaços (a asa cairia no mar assim como a maior parte da fuselagem,enquanto que apenas parte da cauda cairia no pátio da Escola Naval[3]), e desgovernado, acabou caindo na Baía de Guanabara, afundando poucos segundos depois[3]. Após a queda, os cadetes da escola naval iniciaram o resgate dos passageiros. Somente 3 passageiros sobreviveriam a queda. Entre os passageiros mortos, encontravam-se o arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, o jornalista Cásper Líbero, o arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar d'Afonseca e Silva e os sacerdotes que o acompanhavam: Monsenhor Alberto Teixiera Pequeno, o padre Nelson Norberto de Sousa Vieira.[3]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Esse seria o segundo acidente envolvendo a frota de Junkers da VASP, que inicialmente era composta por 8 aeronaves. Por conta da Segunda Guerra Mundial, as aeronaves alemãs passaram a voar menos por conta da falta de peças sobressalentes (apesar da VASP e da indústria paulista terem fabricado peças sobressalentes) e, após o fim do conflito, seriam gradativamente substituídos por aeronaves americanas Douglas DC-3 e C-47.[4]

Apesar do crescimento do transporte aéreo comercial nas décadas de 1940 e 1950 no Brasil, havia pouco investimento em treinamento de tripulações e na aquisição de equipamentos para permitir voos guiados por instrumentos e em condições de mau tempo, de forma que os pilotos da época voavam em condições precárias, guiando-se por estações de rádio obsoletas (que sofriam interferências magnéticas durante tempestades) enquanto tentavam observar o solo, buscando indicações e condições visuais para facilitar pousos e decolagens. Por conta desses problemas, os acidentes aéreos se tornariam frequentes nessa época.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da; O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes; Porto Alegre Editora EDIPUCRS, 2008, pp 54–60.

Referências

  1. Folha da Manhã (28 de agosto de 1943). «Grave desastre se verificou no Rio com o primeiro avião de carreira da VASP». Edição nº 5972 Ano XIX página 5. Consultado em 19 de fevereiro de 2012 
  2. Folha da Manhã (25 de abril de 1936). «Aviões Junkers para oserviço aéreo São Paulo - Rio». Edição 3711 , Ano XI, página 4. Consultado em 19 de fevereiro de 2012 
  3. a b c d Jornal do Brasil (28 de agosto de 1943). «O trágico desastre ocorrido com o avião da Vasp». Edição nº 202, Ano LIII - página 6. Consultado em 19 de fevereiro de 2012 
  4. Duque Estrada (16 de abril de 2009). «Viaje bem, viaje VASP». Consultado em 19 de fevereiro de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]