Queijo Serra da Estrela

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Queijo Serra da Estrela
Queijo Serra da Estrela.jpg
País de origem
Cidade
Origem do leite
ovelha da raça Bordaleira Serra da Estrela e Churra Mondegueira
Pasteurizado
não
Gordura láctea
29,96%
peso
0,7 a 1,5 quilogramas
Textura
semimole
Designação
Tempo de envelhecimento
60 a 120 dias
Outdoor sobre o Queijo Serra da Estrela DOP instalado em Seia

O Queijo Serra da Estrela é um queijo português feito com leite de ovelha, e com denominação de origem protegida[1]. As mais antigas menções a este queijo remontam ao século XII, tornando-o o mais antigo dos queijos portugueses. É um dos mais afamados queijos de ovelha de todo o Mundo. Esteve presente nas mesas reais e foi mesmo evocado por Gil Vicente no século XVI.

A Serra da Estrela serve de pasto às ovelhas das raças "Serra da Estrela" ou "Churra Mondegueira", que são consideradas como as de melhor aptidão leiteira. Para que o queijo atinja a qualidade desejada, deve ser feito sempre da mesma ordenha. Atualmente, o fabrico do queijo e seu ritual são feitos de forma tradicional, como há centenas de anos. Os pastores saem com o rebanho de manhã e regressam ao fim da tarde. Mulheres e filhas fazem o queijo de acordo com as técnicas que as suas antecessoras lhes legaram. O pastor deve escolher cuidadosamente o pasto das suas ovelhas, pois certas ervas dão mau gosto ao leite. Todos os dias, o pastor ordenha as ovelhas ao cair da noite, após o que a sua mulher prepara o leite para fazer o queijo.

Vulgarmente chamado Queijo da Serra, é um queijo curado, com pasta semimole, amanteigada de cor branca ou amarelada. É feito a partir de leite de ovelha, na região da Serra da Estrela. Em 1996, a União Europeia atribuiu-lhe uma Denominação de Origem Protegida (DOP)[2].

Celorico da Beira, conhecida como a "Capital do Queijo da Serra da Estrela", é uma das localidades de excelência de produção do Queijo Serra da Estrela, graças às condições naturais privilegiadas do Rio Mondego.

O Queijo Serra da Estrela foi nomeado uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal em 2011[3].

Denominação de Origem Protegida[editar | editar código-fonte]

Queijo Serra da Estrela DOP - Marca de caseína

Trata-se de um produto de Denominação de Origem Protegida (DOP) para queijo de ovelha, desde 1985 em Portugal (Decreto-Regulamentar n.º 92/85) e na União Europeia desde 1996 (Regulamento CEE 1107/96)[4]. Só o queijo produzido segundo as regras definidas no Caderno de Especificações pode trazer a designação Serra da Estrela.
A entidade gestora da Denominação de Origem é a ESTRELACOOP - Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrela, CRL, com sede em Celorico da Beira[5].

O Queijo Serra da Estrela deve apresentar os símbolos de identificação e distinção[6]:

  • Símbolo europeu de denominação de origem protegida (DOP), que permite mais fácil identificação e afirmação de qualidade nos mercados externos.
  • Holograma da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com número de série.
  • Marca de caseína, visível no fundo do queijo, com número de série (a ‘impressão digital’ do queijo).
  • Número de licenciamento da queijaria.

Área geográfica[editar | editar código-fonte]

A área geográfica da produção deste queijo denomina-se por "Região Demarcada de Produção de Queijo Serra da Estrela"[1] e abrange o seguinte território composto por 18 concelhos:

Concelho Freguesias
Carregal do Sal Todas
Celorico da Beira Todas
Fornos de Algodres Todas
Gouveia Todas
Mangualde Todas
Manteigas Todas
Nelas Todas
Oliveira do Hospital Todas
Penalva do Castelo Todas
Seia Todas
Aguiar da Beira Carapito
Cortiçada
Dornelas
Eirado
Forninhos
Pena Verde e Valverde
Arganil Anceriz
Barril do Alva
Cerdeira
Coja
Pomares
Vila Cova do Alva
Covilhã Aldeia de Carvalho
Cortes do Meio
Erada
Paul
Sarzedo
Unhais da Serra
Verdelhos
Guarda Aldeia Viçosa
Corujeira
Cavadouce
Faia
Famalicão
Fernão Joanes
Maçainhas de Baixo
Meios
Mizarela
Pêro Soares
Porto da Carne
São Vicente
Seixo Amarelo
Vale Amoreira
Trinta
Vale de Estrela
Valhelhas
Videmonte
Vila Cortês do Mondego
Vila Soeiro
Tábua Midões
Póvoa de Midões
Vila Nova de Oliveirinha
Tondela Canas de Santa Maria
Ferreirós do Dão
Lageosa
Tonda
Lobão da Beira
Molelos
Mosteiro de Fráguas
Nandufe
Parada de Gonta
Sabugosa
São Miguel de Outeiro
Tondela
Trancoso Aldeia Nova
Carnicães
Feital
Fiães
Freches
Santa Maria
São Pedro
Tamanhos
Torres
Vila Franca das Naves
Vilares
Viseu Fragosela
Povolide
São João de Lourosa
Loureiro de Silgueiros

Produção[editar | editar código-fonte]

As ovelhas pastam livres, ou seja, não são alimentadas com ração. Produzido no inverno, o êxito depende da temperatura das mãos das mulheres que o fabricavam nas frias casas de granito típicas da arquitetura da região. O leite é coalhado quando entra em contacto com sal e a flor do cardo (Cynara cardunculus), nativo da região.[7] O soro é retirado com a prensa e salga manual do coalho.[7] O tempo de cura dura cerca de 60 dias a 120 dias em câmaras com temperaturas e humidades controladas.[7] O peso varia entre 0,7 kg e 1,5 kg.

Queijo Serra da Estrela Velho DOP curado.

Certificação[editar | editar código-fonte]

Para obter a certificação DOP, é necessário verificar as seguintes condições[8]:

  • O leite deve ser proveniente apenas de ovelhas das raças Serra da Estrela e/ou Mondegueira;
  • Possuir uma queijaria com licença de laboração passada pelos Organismos Oficiais;
  • Ter o rebanho saneado, confirmado pela posse de um documento que demonstra que, após análises sorológicas, os animais estão isentos de brucelose.

Forma de servir[editar | editar código-fonte]

O Queijo Serra da Estrela DOP deve ser servido à fatia, incluindo a casca do queijo, a temperaturas inferiores a 18 graus. Por ser um queijo de pasta mole, é na casca que está todo o sabor. Deve ser evitado servir o Queijo com casca cortada no topo para saborear o interior à colher. Esta forma é incorreta uma vez que promove o desperdício do queijo pois a casca deixa de ser consumida[9].

Valor económico[editar | editar código-fonte]

Segundos dados de 2019, foram produzidos neste ano cerca de 129.603 kg de Queijo Serra da Estrela DOP, sendo o quarto queijo com DOP mais produzido em Portugal (cerca de 6,6% da produção nacional). O preço médio do queijo, incluindo IVA, foi de 17,13 euros por kg[10].

Produção[editar | editar código-fonte]

O sistema produtivo do Queijo Serra da Estrela DOP é composto por 134 explorações abastecedoras de leite e 38 queijarias certificadas (dados de 2020)[11].

Feiras do Queijo[editar | editar código-fonte]

Com a criação do Parque Natural da Serra da Estrela em 1978, considerou-se relevante criar iniciativas de divulgação do queijo Serra da Estrela junto do grande público, tais como a realização de feiras-concurso de queijo Serra da Estrela. Estes certames realizavam-se durante a época do Carnaval, altura de grandes nevões na Serra, o que contribuía para uma grande afluência de público. Em 1979 todos os concelhos do Parque possuíam um evento deste tipo, à exepção da Covilhã (mais focada no queijo de cabra)[12].
Atualmente é possível visitar as seguintes feiras do queijo[13]:

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Queijo Serra da Estrela

Referências

  1. a b «ANCOSE». Consultado em 26 de dezembro de 2015 
  2. «Vai um queijo da Serra da Estrela com flor de castanheiro?». Ciência Hoje. 30 de outubro de 2014 
  3. «7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa» 
  4. Comissão Europeia. «eAmbrosia - Queijo Serra da Estrela». Consultado em 19 de Maio de 2021 
  5. «ESTRELACOOP - Cooperativa dos Produtores de Queijo Serra da Estrela, CRL». Consultado em 19 de Maio de 2021 
  6. Vale da Estrela. «Em defesa da verdade – DOP». Consultado em 19 de Maio de 2021 
  7. a b c Fecarotta, Luiza. (27 de janeiro de 2011). Queijo de colher. Folha de S.Paulo, Caderno Ilustrada
  8. Martinho, Alberto; Matos, Fernando de, “Leite, cardo e mãos frias – o Queijo da Serra da Estrela no concelho da Guarda”; Câmara Municipal/ Núcleo de Animação Cultural, Julho de 2009
  9. «Queijo Serra da Estrela». Cozinha Técnica (em inglês). 29 de outubro de 2014. Consultado em 17 de maio de 2021 
  10. Inovcluster (2021). O Estado da Arte dos Queijos com DOP/IGP em Portugal e na Europa, Dados da DGADR
  11. Inovcluster (2021). Avaliação da Qualidade Físico-Química e Microbiológica do Leite de Pequenos Ruminantes, António Moitinho Rodrigues do Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar, Dados da DGADR
  12. Alberto Martinho (1993). O Pastoreio em Portugal (Subsídio para o seu estudo). [S.l.: s.n.] 76 páginas 
  13. «Está aberta a época das feiras do Queijo Serra da Estrela, este ano em formato digital». 10 de Fevereiro de 2021. 10 de Fevereiro de 2021. Consultado em 19 de Março de 2021 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Manteigas e queijos: Itália, Suissa, Dinamarca, Holanda, Bélgica, França, Portugal, João da Motta Prego. Lisboa: Livr. Ferin. 1906.
  • Leitaria moderna, Ad. Baptista Ramires. Lisboa: Ed. J. Rodrigues & Ca. 1931.
  • O Problema Queijeiro das Beiras, Henrique Soares Rodrigues, Lisboa: Serviço Editorial da Repartição de Estudos Informação e Propaganda, 1944.
  • Queijo: notas sobre queijos regionais das Beiras, António Gomes Rebelo ; Coord. Engo Camilo Silveira da Costa ; pref. Décia Carreira. Lisboa: Livraria Popular Francisco Franco, 1983.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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