Queijo canastra
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O Queijo Canastra é um tipo de queijo brasileiro, de origem e produção de Minas Gerais, na região da Serra da Canastra. Produzido há mais de duzentos anos, é primo distante do queijo de São Jorge, Açores, Portugal, trazido pelos imigrantes da época do ciclo do ouro, mas com particularidades típicas conferidas pelo terroir. O clima, a altitude, os pastos e as águas da Serra da Canastra conferem um sabor forte, meio picante, denso e encorpado.[carece de fontes] Desde maio de 2008, o queijo canastra é patrimônio cultural imaterial brasileiro, título concedido pelo IPHAN, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[carece de fontes]
O queijo Canastra é típico das proximidades do Parque Nacional da Serra da Canastra. A região reconhecida pelo INPI e IPHAN como produtora da iguaria engloba os municípios de Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Vargem Bonita e Tapiraí.[1]
Produção
[editar | editar código]O queijo canastra é um produto resultante da transumância, quando o gado no período invernal é levado ao alto da serra, onde as vacas alimentam-se de capim gordura.[carece de fontes] Pequenos produtores são responsáveis pela maior parte da produção desse queijo.[2]
Para produzir um queijo do tamanho tradicional, com peso de cerca de 1 kg e 300 g, são utilizados aproximadamente dez litros de leite. O leite é colocado em um tanque onde recebe o coalho e o pingo, uma espécie de fermento líquido extraído da produção do dia anterior. A massa é compactada manualmente, recebe o sal grosso e fica a escorrer o soro por 24 horas.[3]
Origem controlada
[editar | editar código]O queijo canastra é um produto de origem controlada, podendo ser produzido apenas na região da Serra da Canastra. O queijo canastra recebeu o selo de indicação geográfica em 2012, atribuído pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial.[4] Até meados de 2013 o queijo Canastra era consumido unicamente no estado de Minas Gerais, sendo proibida a sua distribuição para outras unidades da federação. Somente a partir da segunda metade de 2013 é que obteve autorização para ser distribuído para todo Brasil.[carece de fontes]
Patrimônio Imaterial
[editar | editar código]O modo de fazer o Queijo Artesanal de Minas Gerais foi inscrito em 2023 para deliberação da UNESCO. O pedido foi aprovado no ano de 2024 durante a 19° Sessão do Comitê Para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da Unesco[5], que aconteceu em Assunção, no Paraguai.
Dentro do documento foram avaliados os modos de fazer de diversas regiões de Minas Gerais, sendo elas o Serro, as Serras da Canastra e o Salitre. Os valores que legitimaram a decisão para o reconhecimento como patrimônio imaterial da humanidade estão justificados no conjunto de conhecimentos específicos das regiões sobre a fermentação, maturação e manejo do gado[6]. As técnicas de produção e venda dos queijos também foram elementos relevantes para demonstrar como a passagem de conhecimento entre gerações e a construção do senso de comunidade estão relacionados com os modos de fazer desses queijos.
Referências
- ↑ «Queijo Canastra – O Queijo Canastra tem mais de dois séculos de tradição e é conhecido por ter uma casca amarela por fora e ser macio e saboroso por dentro.». Consultado em 8 de abril de 2022
- ↑ «Grupo investiga a comunidade microbiana do queijo canastra e descreve espécies inéditas». Agência FAPESP. 12 de dezembro de 2022. Consultado em 12 de dezembro de 2022
- ↑ «Como produzir Queijo Canastra: coagulação, corte, retirada do soro, enformagem, salga e cura». CPT. Consultado em 8 de abril de 2022
- ↑ «Queijo Minas tem identidade geográfica no Estado | Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento - SEAPA». agricultura.mg.gov.br. Consultado em 8 de abril de 2022
- ↑ Costa, Gilberto (4 de dezembro de 2024). «Unesco reconhece Queijo Minas Artesanal como patrimônio imaterial». Agência Brasil. Consultado em 5 de março de 2026
- ↑ «Traditional ways of making Artisan Minas Cheese in Minas Gerais». Intangible Cultural Heritage Unesco. Consultado em 5 de março de 2026