Querubim Lapa

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Querubim Lapa
Nascimento 1925
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Pintura

Querubim Lapa de Almeida nasceu no ano de 1925 em Portimão1 e é um artista plástico português. Pintor, desenhador e gravador, efectuou também trabalhos em tapeçaria e tem desenvolvido uma vasta obra em cerâmica.

Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

Painel cerâmico, 2 espelhos; Casa da Sorte, Lisboa, 1963

Teve o seu primeiro contacto com a realidade artística pluridisciplinar ao visitar a Exposição do Mundo Português em 1940. No ano seguinte, frequentou as aulas de pintura do pintor Trindade Chagas e, em 1942 matriculou-se na Escola António Arroio. Logo nesse ano expôs, pela primeira vez, e em conjunto com os colegas Pedro Oom e Júlio Gil, desenhos e aguarelas no Instituto de Cultura Italiana. Durante esse período trabalhou como ajudante de Jaime Martins Barata e, em 1947, após realizar a série de desenhos Mendigos, integra o curso de Escultura da ESBAL, onde é aluno de Leopoldo de Almeida.

Em 1948 colabora com Manuel Guimarães na realização de um documentário sobre a obra de Soares dos Reis, O Desterrado, para o qual molda uma série de esculturas do homenageado. Inicia um período de intensa produção desenhada, pintada e gravada, em que partilha atelier na Rua Garrett com António Ayres e Lagoa Henriques. Em 1950 estabelece-se no Porto, onde passa a frequentar a ESBAP, agora orientado pelo escultor Barata Feyo. É, porém, em Lisboa que conclui, em 1953, o Curso Especial de Escultura da ESBAL e se torna professor do Ensino Secundário.

Paralelamente à docência da disciplina de desenho, começa a actividade de ceramista em 1954 na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego em Lisboa, onde lhe é concedido um atelier no qual passa a desenvolver painéis com os quais colabora em obras de arquitectos do pós-guerra como Raúl Chorão Ramalho (Centro Comercial do Restelo) e Francisco da Conceição Silva (Armazéns do Minho, Moçamedes, Angola).

Colabora ainda, em 1955, com o pintor Lino António e inicia a docência na Escola de Artes Decorativas António Arroio, cujas oficinas, onde introduz a técnica dos esmaltes sobre metal de cerâmica, passa a orientar. Em 1960, ano em que realiza a primeira exposição individual de pintura, gravura e cerâmica, na Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, faz a decoração da Loja das Meias (Lisboa), a convite do Arq. Carlos Tojal.

Na sequência da sua intervenção, no fim dos anos 50, no Hotel Ritz é convidado, em 1961, pelo arquitecto Jorge Ferreira Chaves para a realização de dois paineis de cerâmica policromada para a Pastelaria Mexicana.2

Reconhecido, sobretudo, como um dos melhores ceramistas portugueses, destacam-se os seus painéis para espaços públicos nomeadamente o da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Em 1970, a sua actividade como ceramista foi particularmente fecunda. Em 1973, recomeçou a pintar, usando uma técnica renovada, traduzida numa exuberância de cor e numa sobreposição de temas inspirados em Os Nenúfares, de Monet. A partir de 1974, a sua pintura preocupou-se com o momento vigente do país.

Exposições individuais (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • 1960 – Galeria de Arte da Gravura (exposição inaugural)

Exposição colectivas (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • 1942 – Lisboa, Instituto de Cultura Italiana
  • 1948 – 12ª Exposição de Arte Moderna. Lisboa, SNI
  • 1949 - Salão de Inverno. Lisboa, SNBA
  • 1949 - Salão da Primavera. Lisboa, SNBA
  • 1950 – Galeria da Livraria Portugália. Porto
  • 1951 – Exposição de homenagem ao pintor António Ayres.
  • 1951 - Porto, Ateneu Comercial do Porto
  • 1952 – Mostra Internacional Bianco e Nero. Lugano
  • 1953 – II Bienal de Arte Moderna de S. Paulo
  • 1953 - I Exposição de Artes Plásticas. Lisboa, caixa Económica Operária
  • 1955 – Exposição Retrospectiva da Pintura Moderna Portuguesa.
  • 1955 - Faculdade de Ciências de Lisboa
  • 1956 – Exposição Artistas de Hoje. Lisboa, SNBA
  • 1957 – I Exposição de Artes Plásticas da FCG. Lisboa, SNBA
  • 1958 – Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Bruxelas
  • 1958 - Onze Pintores Portugueses. Madrid, Galeria Abril
  • 1958 - Gravadores Portugueses. Gotemburgo
  • 1959 – II Salão de Arte Moderna. Lisboa, Casa da Imprensa 50 artistas independentes. Lisboa, SNBA

Representações[editar | editar código-fonte]

Encontra-se representado no Museu de Arte Moderna de Tóquio, no Museu do Chiado, no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Museu Nacional do Azulejo e na Fundação Calouste Gulbenkian.

Paineis Cerâmicos[editar | editar código-fonte]

Querubim Lapa executou inúmeras obras cerâmicas, de entre as quais se destacam:

  • azulejos de padrão das fachadas das galerias inferiores do Centro Comercial do Restelo em Lisboa (1954),
  • painéis para a Escola Primária de Campolide (1956),
  • relevos cerâmicos para o Pavilhão de Portugal na Feira Internacional Comptoir Suisse em Lausana (1957),
  • revestimento de coluna com peças de cerâmica policromada em relevo, no Hotel Ritz, (fim dos anos 50),
  • dois paineis de cerâmica policromada em relevo na Pastelaria Mexicana, em Lisboa (1961),
  • revestimento exterior e interior da Casa da Sorte, em Lisboa (1963),
  • baixo-relevo de grandes dimensões para a delegação do Banco Nacional Ultramarino em Lourenço Marques, actual Maputo (1963),
  • intervenções nas delegações da TAP de Luanda e Joanesburgo (1965), Copenhaga e Frankfurt (1968),
  • dois baixos-relevos cerâmicos para a Embaixada de Portugal em Brasília (1976),
  • painel para a Câmara Municipal do Cartaxo (1982),
  • painel para o Hospital de Coimbra (1984), outro para o Banco de Portugal, em Lisboa (1986),
  • painel público para a Avenida 24 de Julho, em Lisboa (1994) e o revestimento da estação Bela Vista do Metropolitano de Lisboa (1998).
  • painel de azulejos que reveste toda a base da biblioteca municipal José Saramago, Feijó (Almada) (2009)

Casa da Sorte, Lisboa, 1963[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Portim%C3%A3o
  2. TOUSSAINT, Michel. «A Mexicana e o lado expressionista da Arquitectura moderna» in Jornal Arquitectos n.º 132, fevereiro de 1993 (pgs. 20-29)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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