Quinta da Boa Vista

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Quinta da Boa Vista
Fachada monumental em estilo neoclássico do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.
Localização Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Brasil
Tipo Área verde urbana
Inauguração 1803 (215 anos)
Administração Fundação Parques e Jardins.

A Quinta da Boa Vista é um parque municipal no Bairro Imperial de São Cristóvão, localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

Constitui-se atualmente em um complexo paisagístico público de grande valor histórico. Nas dependências da Quinta localiza-se o Museu Nacional de Arqueologia e Antropologia, instalado no local do Paço da Imperial Quinta de São Cristóvão (também chamado cronologicamente de Paço de São Cristóvão (1803-1809), Palácio Real (1810-1821), Palácio Imperial (1822-1889) e atualmente também como Palácio de São Cristóvão),[1] sendo este edifício um magnífico palácio em estilo neoclássico.

O Palácio foi utilizado durante o Império do Brasil (1822-1889) como residência pela família imperial brasileira, desde a proclamação da independência do Brasil (1822) por Dom Pedro de Alcântara de Bragança, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, posteriormente, o primeiro imperador do Brasil como Dom Pedro I. Tendo antes sido utilizado como residência pela família real portuguesa, a partir de 1808, em decorrência do episódio conhecido como a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1822), seja como família real do Reino de Portugal ou do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822).

Também se localizava na Quinta o Palácio Leopoldina, demolido nos anos 1930 para dar lugar ao atual Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Em 2 de setembro de 2018, o palácio foi atingido por um incêndio de larga escala, resultando na destruição total do interior do prédio, incluindo afrescos, pinturas, estuque e trabalhos em carpintaria da decoração original, bem como na perda quase completa do acervo interno do Museu Nacional.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Vista da quinta com o Paço de São Cristóvão por volta de 1820, antes da reforma neoclássica. O edifício tinha um único torreão. O portão em frente ao paço encontra-se atualmente na entrada do Jardim Zoológico da Quinta.

Nos séculos XVI e XVII, a área onde atualmente se localiza a Quinta, integrava uma fazenda dos Jesuítas nos arredores da cidade do Rio de Janeiro. Com a expulsão da Ordem em 1759, a propriedade foi desmembrada, tendo passado à posse de particulares.

Quando da chegada da Família Real ao Brasil em 1808, a Quinta pertencia ao comerciante português Elias Antônio Lopes, que havia feito erguer, por volta de 1803, um casarão sobre uma colina, da qual se tinha uma boa vista da Baía de Guanabara – o que deu origem ao atual nome da Quinta.

Residência Real[editar | editar código-fonte]

Vista do Paço Real durante o reinado de D. João VI, 1817.

Dada a carência de espaços residenciais no Rio de Janeiro e diante da chegada da família real em 1808, Elias doou a sua propriedade ao Príncipe-regente D. João Maria de Bragança, mais conhecido no Brasil como Dom João, transformá-la na residência real. Este foi um belo golpe de estratégia de Elias pois sendo conhecido por ter a melhor casa do Rio e ao oferecer tal tesouro ao Príncipe-regente, foi recompensado com outra propriedade que, embora fosse mais simples em estrutura era bastante boa comparada com a possibilidade de não ter nenhuma caso não tivesse avançado tão habilidosamente. O Príncipe-regente sentiu-se muito honrado com o gesto e a quinta passaria a ser a sua morada permanente no Brasil.

À época, a área da quinta ainda estava cercada por manguezais e a comunicação por terra com a cidade era difícil. Mais tarde, os trechos alagadiços foram aterrados e os caminhos por terra aprimorados.

Para acomodar a família real, o casarão da quinta, mesmo sendo vasto e confortável, necessitou ser adaptado. A reforma mais importante iniciou-se à época das núpcias do Príncipe D. Pedro com Maria Leopoldina de Áustria (1816), estendendo-se até 1821. Foi encarregado do projeto o arquiteto inglês John Johnston, que, além da reforma do paço, fez instalar um portão monumental em sua entrada, presente de casamento do general Hugh Percy, 2.° Duque de Northumberland. O portão, inspirado no pórtico de Robert Adams para a "Sion House", residência daquele nobre na Inglaterra, é moldado em uma espécie de terracota denominada "Coade stone", fabricada pela empresa inglesa Coade & Sealy.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, esse portão encontra-se atualmente destacado, como entrada principal, no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, nas dependências da quinta.

É de destacar a linha arquitetônica deste paço em próxima semelhança do Palácio da Ajuda, em Lisboa, inacabado devido às invasões francesas e transferência da corte para o Brasil e mais tarde pela vitória do liberalismo em Portugal, ganhando o da Quinta da Boa Vista o relevo merecido como nova capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e do império português.

Residência Imperial[editar | editar código-fonte]

Litografia do Paço de São Cristóvão em meados do século XIX, por Jean-Baptiste Debret. Nesta época um outro torreão já havia sido acrescentado.
Vista lateral do Paço entre 1858 e 1861.
O Palácio Imperial após a intervenção neoclássica, 1862

Com a independência do Brasil, D. Pedro I encarregou das obras do agora Paço Imperial o arquiteto português Manuel da Costa (1822-1826), posteriormente substituído pelo francês Pedro José Pézerát (1826-1831), creditado como autor do projeto em estilo neoclássico do edifício.


O Paço, que tinha apenas um torreão no lado Norte da fachada principal, ganhou outro simétrico, no lado Sul, e um terceiro pavimento começou a ser erguido sobre os dois já existentes. As obras foram continuadas a partir de 1847 pelo brasileiro Manuel Araújo de Porto-Alegre, que harmonizou as fachadas do edifício, seguido pelo alemão Theodore Marx (1857 e 1868). Entre 1857 e 1861 o pintor italiano Mario Bragaldi decorou vários dos aposentos interiores.

Após o casamento em 1817, D. Pedro e a Imperatriz, D. Leopoldina, passaram a residir no Paço. Ali nasceram a futura Rainha de Portugal, D. Maria II (4 de abril de 1819), nascida Dona Maria da Glória de Bragança, princesa da Beira, mais tarde princesa imperial do Brasil, e o futuro imperador do Brasil, D. Pedro II (2 de dezembro de 1825). Também ali veio a falecer, em 1826, a imperatriz Dona Maria Leopoldina.

Próximo à Quinta, em um casarão presenteado por D. Pedro I, vivia Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, favorita do Imperador, com quem teve vários filhos. No casarão, hoje, funciona o Museu do Primeiro Reinado.

Na Quinta cresceu, foi educado e viveu D. Pedro II. Entre as reformas que este Imperador empreendeu na propriedade contam-se as enormes obras de embelezamento dos jardins, executadas por volta de 1869, com projeto do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, as quais, muitas características originais permanecem até os dias atuais, como a Alameda das Sapucaias, um lago onde hoje pode-se andar de pedalinhos e outro onde se encontra uma gruta artificial onde pode-se alugar canoas a remo.

No Paço nasceu, em 29 de julho de 1846, a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II com D. Teresa Cristina.

A República Velha[editar | editar código-fonte]

Lago da Quinta da Boa Vista, início do século XX. Acervo do Arquivo Nacional

Com o advento da República, a Quinta sediou os trabalhos da Assembleia Nacional responsável pela Constituição Brasileira de 1891. Em 1892, o então diretor do Museu Nacional, Ladislau Neto, conseguiu que a instituição fosse transferida do Campo de Santana para o Palácio. À época, os jardins conheceram um longo período de abandono mas, em 1909, o presidente Nilo Peçanha mandou restaurá-los e cercá-los, conservando as características que lhe foram dadas por Glaziou.

Por outro lado, o palácio foi desprovido de suas características internas originais, destruídas ou vendidas após a Proclamação da República.

A Quinta em nossos dias[editar | editar código-fonte]

Vista da Quinta da Boa Vista

Atualmente, a Quinta da Boa Vista funciona como um parque municipal, abrigando o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro (com o Museu da Fauna) e, no antigo paço, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. O prédio do palácio, mantido durante décadas em péssimo estado de conservação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi alvo de denúncias na imprensa sobre o risco de perda do patrimônio arquitetônico e de ameaça ao acervo em seu interior. Recentemente, foram realizadas algumas intervenções na fachada monumental e reparos de emergência em partes do telhado. No entanto, um incêndio surgido no terceiro andar o museu, na noite de 2 de setembro de 2018, confirmou as piores expectativas e destruiu quase que a totalidade do palácio, do qual restou apenas a fachada. Do acervo do Museu Nacional, avaliações preliminares realizadas no dia seguinte à tragédia deram conta da perda de mais de 90% do acervo originalmente composto por cerca de 20 milhões de itens, no que foi a maior catástrofe cultural do Brasil.

Nos jardins, o projeto original de Glaziou também vem sendo destruído, com o plantio contínuo de árvores de diversas espécies sobre os gramados da quinta pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, sem quaisquer estudos históricos ou paisagísticos para sua implantação, descaracterizando o parque. Além de alguns monumentos depredados, como o monumento em homenagem ao centenário natalício de dom Pedro II em frente ao paço, cujas inscrições encontram-se muito deterioradas.

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências