Quinto Lutácio Catulo

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Quinto Lutácio Catulo (latim: Quintus Lutatius Catulus Caesar; m. 87 a.C.), foi um general romano da gens Lutatia que ocupou o cargo de cônsul com Caio Mário em 102 a.C. O seu filho, chamado Quinto Lutácio Catulo, foi uma figura importante da política romana que chegou a cônsul em 78 a.C. [1] e a censor no final da República Romana. O seu nome foi originalmente Sexto Júlio César, e era primo do pai de Júlio César.

Sabe-se que antes de atingir o consulado fora derrotado em três tentativas prévias de obter esta magistratura, pela primeira vez ante Caio Atílio Serrano em 106 a.C., em segundo lugar, por Cneu Málio Máximo em 105 a.C. e em terceiro por Caio Flávio Fímbria em 104 a.C. Esse ano, quer não foi candidato para o consulado de 103 a.C., quer não teve sucesso[2]

Quando Catulo assumiu a magistratura, em Roma reinava uma grande consternação. Os cimbros, aos quais, na sua grande migração para oeste, se somaram os teutões, ambrões, tigurinos e outras tribos menores, após assolar o sul da Gália e o norte da Hispânia e derrotar cinco exércitos romanos (Carbo em 113 a.C., Silano em 109 a.C., Cássio em 107 a.C., Málio e Cepião em 105 a.C.) estavam prestes a entrar na Itália. Os invasores dividiram-se em duas enormes colunas. Os teutões marchavam através da Provença pela costa para o golfo da Ligúria, enquanto os Cimbros se preparavam para cruzar os Alpes para o .

Decidiu-se que Mário enfrentar-se-ia aos teutões e Catulo (com Sula como o seu tenente) foi enviado a defender a passagem dos Alpes para deter o avanço dos Cimbros, mas viu-se obrigado a retirar-se ao rio Pó quando o pânico começou a estender-se entre as suas tropas, abandonando assim toda a Gália Transpadana aos estragos do inimigo. Tão logo a notícia deste desastre, que ocorreu na Primavera de 101 a.C., chegou a Roma, Mário, que regressara recentemente à cidade, depois da sua grande vitória obtida em Águas Sextias, saiu na ajuda do seu colega; os dois exércitos reunidos cruzaram o Pó e foram para o acampamento dos Cimbros, que estava perto de Vercelas e em 30 de julho de 101 a.C. começou o combate que significou uma nova vitória romana.

Quando a honra da vitória foi outorgado a Mário de forma exclusiva, Catulo César converteu-se no seu inimigo. Catulo foi um dos que tomaram um papel ativo na morte de Saturnino, serviu com distinção na guerra social, e abraçou com entusiasmo a causa de Sula na guerra civil. Por isto, o seu nome foi incluído na lista de vítimas na proscripção de 87 a.C. Como Mário recusou perdoá-lo, Quinto Lutácio Catulo suicidou-se.

Distinguiu-se como orador, poeta e escritor em prosa, e estava instruído na literatura grega.[3] Diz-se que escreveu a história do seu consulado e da guerra contra os Cimbros seguindo o estilo de Xenofonte.[4]

Catulo César foi um homem muito rico que empregou o seu dinheiro em embelezar a cidade de Roma. Havia dois edifícios conhecidos como Monumenta Catuli: o templo à Deusa Fortuna, para comemorar a vitória em Vercelas (em Largo di Torre Argentina), e o Pórtico Catulo, construído graças à venda da pilhagem capturada aos Cimbros. Uma parte deste edifício foi destruído por Clódio quando arrasou a casa de Cícero.

A sua mãe, Popília, foi depois a mulher de Lúcio Júlio César.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Plutarco, Mário, Sula; Apiano, De bellis civilibus livro i. 74; Veleio Patérculo História romana livro ii. 21; Floro Epítome da história de Tito Lívio livro iii. 21; Valério Máximo Fatos e ditos memoráveis livro vi. 3, ix. 12; Plínio História Natural livro xxxiv. 19; Cícero, De Oratore, iii, 8, Brutus, 35.

Referências

  1. Fasti Capitolini [em linha]
  2. Cícero, Pro Planco 5
  3. Cícero de Oratore iii. 8, Brutus 35
  4. Cícero De natura Deorum i. 28, Aulo Gélio Noites Áticas livro xix. 9
Precedido por:
Caio Mário e Lúcio Aurélio Orestes
Cônsul da República Romana com Caio Mário
102 a.C.
Sucedido por:
Caio Mário e Mânio Aquílio