Rádio Morada do Sol (São Paulo)

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Rádio Morada do Sol
Rádio Mulher Ltda.
País Brasil
Frequência(s) AM 1260 kHz
Antigas frequências:
AM 730 kHz (1957-1975)
Sede São Paulo, SP
Slogan Uma voz que vai longe
Pertence a Sistema de Comunicação Roberto Montoro
Proprietário(s) Roberto Montoro
Antonio Montoro
Antigo(s) proprietário(s) Francisco Monteleone
Audiência 5.949,03 mil ouvintes por minuto (2009)[1]
Afiliações Rádio Deus É Amor
Idioma Português
Prefixo ZYK 688
Prefixo(s) anterior(es) ZYR 80[2]
Nome(s) anterior(es) Rádio Santo Amaro
Rádio Mulher

Rádio Morada do Sol é uma emissora de rádio brasileira sediada em São Paulo, capital do estado homônimo. Opera no dial AM, na frequência 1260 kHz. A rádio é integrante do Sistema de Comunicação Roberto Montoro, sediado em Araraquara, e sua programação está arrendada para a Igreja Pentecostal Deus é Amor, transmitindo a programação da Rádio Deus É Amor.

História[editar | editar código-fonte]

Fundada como Rádio Santo Amaro (originalmente Rádio Difusora Hora Certa de Santo Amaro ou Rádio Difusora de Santo Amaro) pela comunidade japonesa[3] pelos irmão Kohei e Mario Okuhara, era sediada na Avenida da Liberdade e operava na frequência 730 kHz e trouxe a ex-apresentadora do Imagens do Japão Rosa Miyake. Já foi também de propriedade de Paulo Machado de Carvalho[4] e Paulo Machado de Carvalho Filho[5]. Posteriormente, a emissora é adquirida por Francisco Monteleone e transfere-se para a Rua Granja Julieta.[6]

Foi comprada em 1969 por Roberto Montoro junto com a Rádio Voz da Araraquarense de Araraquara. Em 1970, é lançada a Rádio Mulher, uma sociedade de Roberto com o irmão Antonio Bruno Montoro. A rádio nasceu com uma proposta inovadora, sendo feita por mulheres e voltada para o público feminino.[7] A emissora contou com nomes como Hebe Camargo, apresentando programa similar ao que comandava na TV.[8] A emissora foi uma das últimas de São Paulo a se dedicar às radionovelas.[9] Em 1975, passa a operar na frequência 1260 kHz.[10]

Em 2 de julho de 1971, entra no ar sua primeira equipe esportiva inteiramente feminina, chefiada pela publicitária Helena Marques.[11] Pela equipe já passaram nomes como a locução de Zuleide Ranieri[12]; comentários de Jurema Iara e Leila Silveira; comentários de arbitragem de Léa Campos - que também era juíza; na reportagem, Germana Garili[13], Claudete Troiano[14] e Branca do Amaral; no plantão, na sede da rádio, ficavam as locutoras Liliam Loy, Siomara Nagi e Terezinha Ribeiro.[15] O objetivo era trazer mais mulheres aos estádios, onde o slogan era "A cada mulher a mais no estádio, um palavrão a menos".[16] No entanto, os baixos índices de audiência provocaram a dissolução da equipe em 1975.[15][17] Outro motivo para o fim da equipe era o preconceito por parte dos profissionais masculinos que reclamavam em ter que dividir espaço com as repórteres femininas.[18] Esta equipe foi substituída por outra, composta por 15 homens.[19] Além da equipe esportiva, havia também dificuldade em manter a equipe feminina da emissora[20], que dos 136 funcionários, 132 eram mulheres que atuavam na produção, apresentação, da parte burocrática e direção geral.[21] Em dezembro de 1980, a Rádio Mulher aparecia na décima colocação (empatada com a Rádio Gazeta) entre as rádios mais ouvidas na Grande São Paulo, com 0,09% de acordo com medição do Ibope.[22]

Por volta de 1985, era registrado que o projeto inicial já havia sido abandonado e boa parte de sua programação era comandada por homens.[23] Em 1986 e 1987, a Rádio Mulher comemorava êxito em sua programação 100% sertaneja.[24][25] Atualmente usando o nome Rádio Morada do Sol[12][1], sua programação está arrendada para a Igreja Pentecostal Deus é Amor, transmitindo a programação da Rádio Deus é Amor. A mesma emissora, na metade dos anos 1980, era repetidora do programa A Voz da Libertação.[26]

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Rádio Morada do Sol, emissora pertencente ao Sistema de Comunicação Roberto Montoro sediada em Araraquara.

Referências

  1. a b BUFARAH, Álvaro; FERREIRA, Gisele Sayeg Nunes; SILVA, Júlia Lúcia de Oliveira Albano da; VILLAÇA, Lenize; PRADO, Magaly; SERGL, Marcos Júlio; RANGEL, Patrícia (2010). «Panorama do Rádio em São Paulo» (PDF). XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Caxias do Sul, Rio Grande do Sul: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Consultado em 15 de abril de 2019 
  2. Ezio Begalli (29 de junho de 1954). «Estações de radiodifusão». Folha de S.Paulo. p. 6. Consultado em 15 de abril de 2019 
  3. Beatriz Kushnir (26 de out de 2015). Cães de guarda: Jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988. [S.l.]: Boitempo Editorial. p. 378. Consultado em 15 de abril de 2019 
  4. Adriano Barbiero (4 de maio de 2007). «Rádio Bandeirantes completa 70 anos». Bastidores do Rádio. Consultado em 15 de abril de 2019. Arquivado do original em 10 de junho de 2013 
  5. Milton Jung (2008). Jornalismo de rádio. [S.l.]: Editora Contexto. Consultado em 15 de abril de 2019 
  6. Maurício Kubrusly (24 de setembro de 1978). «O rádio de hoje». Folha de S.Paulo. p. 10. Consultado em 15 de abril de 2019. Ver coluna da lateral esquerda, começando no tópico "NACIONAL". 
  7. «Câmara dos Deputados - DETAQ, sessão 146.2.52.O, páginas 166 a 169 (06/07/2004)». Câmara dos Deputados. 6 de julho de 2004. Consultado em 15 de abril de 2019 
  8. Helena Silveira (21 de abril de 1978). «Quadra de Ases». Folha de S.Paulo. p. 40. Consultado em 15 de abril de 2019 
  9. Paulo Mayr Cerqueira (30 de dezembro de 1977). «Interior, o único mercado para nossas radionovelas». Folha de S.Paulo. p. 39. Consultado em 15 de abril de 2019 
  10. «Emissoras vão funcionar com maior potência». Folha de S.Paulo. 15 de junho de 1975. p. 34. Consultado em 15 de abril de 2019 
  11. Nelio Lima (4 de julho de 1971). «As mulheres em campo, transmitindo o jogo». Folha de S.Paulo. p. 16. Consultado em 15 de abril de 2019 
  12. a b Adriano Barbiero (17 de novembro de 2015). «Zuleide Ranieri relembra equipe esportiva feminina da Rádio Mulher». Bastidores do Rádio. Consultado em 15 de abril de 2019. Arquivado do original em 29 de julho de 2016 
  13. «Acervo de Germana Garilli, a Gêgê». Museu do Futebol. Consultado em 15 de abril de 2019 
  14. Karla Torralba (17 de novembro de 2017). «Claudete relembra vida no futebol e "empurrão" para Renata Fan na Record». UOL. Consultado em 15 de abril de 2019 
  15. a b COSTA, Maiara Helena Lourenço; CARDOSO, Lenize Villaça (2017). «A Presença de Mulheres no Radiojornalismo Esportivo de São Paulo» (PDF). XXII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste. Volta Redonda, Rio de Janeiro: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Consultado em 15 de abril de 2019 
  16. Marcelo Duarte (18 de maio de 2015). «Projeto sobre futebol feminino dá destaque para as pioneiras da Rádio Mulher». Blog do Curioso. Consultado em 15 de abril de 2019 
  17. Márcio de Oliveira Guerra (2006). «RÁDIO X TV: O JOGO DA NARRAÇÃO» (PDF). Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Consultado em 15 de abril de 2019 
  18. DA LUZ, Laura Becker (2015). «Em busca de espaço: mulheres no jornalismo esportivo em rádio e televisão» (PDF). Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultado em 15 de abril de 2019 
  19. Daiana Caroline Spier (2013). A credibilidade da mulher no jornalismo esportivo. [S.l.]: I Noite Da IniciaÇÃo CientÍfica. p. 378. Consultado em 15 de abril de 2019 
  20. «A comunicação do ângulo feminino». Folha de S.Paulo. 21 de outubro de 1975. p. 35. Consultado em 15 de abril de 2019 
  21. «Rádio Nacional vai demitir 250». O Estado de S. Paulo. 24 de abril de 1974. p. 18. Consultado em 15 de abril de 2019. Ler o tópico "Rádio Mulher". 
  22. Walter Silva (25 de dezembro de 1980). «Ibope dá números do rádio». Folha de S.Paulo. p. 26. Consultado em 15 de abril de 2019 
  23. Rinaldo Gama (8 de abril de 1986). «Ausência da mulher no AM». Folha de S.Paulo. p. 30. Consultado em 15 de abril de 2019 
  24. «Contatos». Folha de S.Paulo. 28 de setembro de 1986. p. 60. Consultado em 15 de abril de 2019 
  25. «Publicidade». Folha de S.Paulo. 17 de maio de 1987. p. C28. Consultado em 15 de abril de 2019 
  26. Noralmi Ferreira de Abreu (27 de janeiro de 1985). «Os grandes negócios do "pastor" Davi Miranda». O Estado de S. Paulo. p. 22. Consultado em 15 de abril de 2019