Récia

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Provincia Raetia
Província Récia
Província do(a) Império Romano
15295
 

Location of Récia
Nórica em 117
Capital: Augusta Vindelicoro[1]
Período : Antiguidade Clássica
 -  Anexada por Tibério e Druso 15 d.C.
 -  Anexação da Vindelícia Final do séc. I
 -  Reformas de Diocleciano 295 d.C.

Récia (Raetia ou Rhaetia, em latim) era uma antiga região do Império Romano, chamada assim por causa de seus habitantes originais, os récios (raeti). Ela fazia fronteira ao leste com país dos helvécios e a Gália Cisalpina, ao oeste com a Nórica, ao norte com a Vindelícia e ao sul com a Venécia e Ístria. Seu território abrangia distritos onde hoje se encontram as áreas centrais e orientais da Suíça (a região do alto Reno e o lago de Constança), a parte sul de Lübben e o alto Danúbio, Vorarlberg, a maior parte do Tirol e uma parte da Lombardia. A borda norte da Récia era parte do Limes Germânico, se estendendo por 166 km ao longo do rio Danúbio. A Récia era ligada à Itália através da Via Cláudia Augusta, que atravessava os Alpes pelo passo de Récia.

A região foi organizada como uma província depois da conquista de Tibério e Druso em 15 d.C.

História[editar | editar código-fonte]

Província romana[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe sobre a origem ou a história dos récios, que aparecem em registros como uma das tribos mais poderosas e guerreiras dos Alpes. Lívio nos conta que eles tinham origem etrusca[2] (uma opinião defendida também por Niebuhr e Mommsen). Uma tradição relatada por Juniano Justino[3] e Plínio, o Velho[4] afirmava que eles eram uma parte dos povos que haviam colonizado as planícies do rio Pó e foram forçados para as montanhas pelos invasores gauleses, adotando o nome de "Récios" na ocasião em honra ao nome de seu líder, Récio. No entanto, uma derivação mais provável é da palavra celta rait ("terra montanhosa"). Mesmo se sua origem etrusca for aceita, na época que a região se tornou conhecida aos romanos, tribos celtas haviam conquistado a região e se misturado de tal forma com os habitantes originais que, de forma geral, os récios dos tempos posteriores podem ser considerados como um povo celta, embora tribos não celtas (Lepontii, Euganei) viviam entre eles.

Os récios são mencionados pela primeira vez (de passagem) por Políbio,[5] e pouco se sabe sobre eles até o final da República Romana. Todavia, há pouca dúvida de que eles mantiveram sua independência até serem subjugados, em 15, por Tibério e Druso[6] .

Inicialmente, a Récia formava uma província distinta, porém, ao final do século I d.C., a região de Vindelícia foi anexada ao seu território. Por isso, Tácito (em seu livro Germânia, 41) citava Augusta Vindelicoro (Augsburgo) como a "colônia da província de Récia". A província inteira (incluindo a Vindelícia) estava inicialmente sob o comando de um prefeito militar, posteriormente sob um procurador. Nenhuma legião estava aquartelada na Récia, que tinha que confiar em suas próprias tropas nativas e em milícias alistadas para proteção até pelo menos o século II, quando, durante o reinado de Marco Aurélio, a Récia passou a ser governada pelo comandante da III Italica, que, a partir de 179, tinha sua capital em Castra Regina (Ratisbona).

Reforma de Diocleciano e anos finais[editar | editar código-fonte]

Provincia Raetia I
Provincia Raetia II
Província Récia Prima
Província Récia Secunda
Província do(a) Império Romano e Império Bizantino

295–Séc. V
Location of Récia
Diocese da Itália Anonária, ca. 400
Capital: Cauria Raetorum (Prima)
Augusta Vindelicoro (Secunda)
Governador: Praeses
Período : Antiguidade Clássica; Antiguidade Tardia
 -  Divisão da Récia 295 d.C.
 -  Conquistada por Teodorico, o Grande Séc. V

Durante a reforma administrativa do imperador romano Diocleciano (r. 284-305), passou a fazer parte da diocese do vicarius Italiae e foi subdividida em Récia Prima (Raetia Prima) ou Récia I, com um praeses em Cauria Raetorum (Chur), e Récia Secunda (Raetia Secunda) ou Récia II, também governada por um praeses em Augusta Vindelicoro. A primeira correspondia à Récia original e a última, à Vindelícia. A fronteira entre as duas não é claramente definida, mas pode ser descrita de forma geral como uma linha que passava a leste do lacus Brigantinus (Lago de Constança) em direção ao Oenus (Rio Inn).

Nos últimos anos do Império Romano do Ocidente, a região estava em péssimas condições, mas sua ocupação pelos ostrogodos no tempo de Teodorico, o Grande, que colocou-a sob a autoridade de um dux, conseguiu retomar parte de sua antiga prosperidade.

Economia[editar | editar código-fonte]

A Récia é muito montanhosa e seus antigos habitantes, quando não estavam em expedições predatórias, sobreviviam criando gado e cortando lenha, com pouca atenção voltada à agricultura. No entanto alguns vales eram ricos e férteis, produzindo cereais e vinho, este último considerado igual aos vinhos da Itália. Augusto, por exemplo, preferia o vinho da Récia a qualquer outro.

A região também produzia e vendia bens como piche, mel, cera e queijo.

Geografia populacional[editar | editar código-fonte]

A província também era atravessada por duas grandes estradas romanas: a Via Cláudia Augusta, que saía de Verona e Tridentum (atual Trento), na Itália, passava pelo passo de Reschen e pelo passo de Fern e seguia até Augusta Vindelicoro[7] ; a outra partia de Brigâncio (Bregenz), no lago de Constança, passando por Coira e Chiavenna até Como e Milão.

As principais cidades eram:

Condado da Récia (Rätien)[editar | editar código-fonte]

Carlos Magno elevou o distrito, que ainda era governado por um praeses durante o domínio franco no século VIII, ao status de Condado da Récia, preservando algo de sua origem romana no nome, Reciarum comes, "conde das récias", em 807. Ele foi absorvido pelo Ducado da Suábia no início do século X[8] .

A serra de Rätikon tem seu nome derivado de Récia (Raetia).

Referências

  1. Bertoloni 2010, p. XVII
  2. v. 33 Ab Urbe Condita
  3. xx. 5
  4. iii. 24 Naturalis Historia, 133
  5. xxxiv. 10 Histories, iS
  6. Compare Horácio, Odes iv. 4 e 14
  7. http://www.viaclaudia.org/en/introduction/
  8. Elizabeth Meyer-Marthaler, Rätien im frühen Mittelalter (Zurich: Leeman) 1948

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PC von Planta, Das alte Rätien (Berlin, 1872)
  • T Mommsen em Corpus Inscriptionum Latinarum, iii. p. 706
  • Joachim Marquardt, Römische Staatsverwaltung, 1. (2nd ed., 1881) p. 288
  • Ludwig Steub, Ueber die Urbewohner Rätiens und ihren Zusammenhang mit den Etruskern (Munich, 1843)
  • Julius Jung, Römer und Romanen in den Donauländern (Innsbruck, 1877)
  • Smith's Dictionary of Greek and Roman Geography (1873)
  • T Mommsen, The Roman Provinces (Tradução em inglês, 1886), i. pp. 16, 161, 196
  • Mary B Peaks, The General Civil and Military Administration of Noricum and Raetia (Chicago, 1907).