Rúfio Antônio Agripino Volusiano

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Inscrição dedicada por Volusiano ao imperador Honório, Fórum Romano, Roma.

Rúfio Antônio Agripino Volusiano (m. 6 de janeiro de 437) foi um aristocrata romano do século V que ostentou dois importantes postos durante o reinado do imperador Honório. Ele é mais conhecido por sua correspondência com Agostinho de Hipona.

História[editar | editar código-fonte]

Volusiano era filho de Caeionio Rúfio Albino e Albina. Sua família possuía propriedade em Tubursicubure próximo de Hipona.[1] Albina e a sobrinha de Volusiano, Melânia, a Jovem, eram devotas ao cristianismo enquanto Volusiano era um crente devoto do paganismo de seus antepassados. Peter Brown afirma que fazia parte de um círculo literário, caracterizado - usando palavras de Agostinho - por seu "estilo polido cultivado, feito notável pelo encanto da verdadeira eloquência romana".[2]

"No entanto, ele estava em uma posição desconfortável", diz Brown. "Ele já vivia em um mundo 'pós-pagão' [...] Ele foi um servo de imperadores cristãos, e assim não é livre para expressar sua opinião; e, como o filho de uma mãe piedosa, ele foi constantemente abordado por bispos tais como Agostinho, e por leigos entusiasmados, tais como Flávio Marcelino".[2] Ronald J. Weber observa que "discutir com o bispo Agostinho de Hipona sobre o dogma da Encarnação marca Volusiano entre a intelectualidade pagã capaz o suficiente para corresponder ao juízo como uma das maiores mentes do século e vontade forte o suficiente para desafiar os argumentos de Agostinho e persistentes pressões familiares para converter ao cristianismo".[3]

Agostinho trocou cartas com Volusiano por volta de 410, quando este, segundo Brown, tinha uns 30 anos.[2] Agostinho descreveu mais tarde seu encontro com Volusiano em De Civitate Dei, em que este, educadamente, se recusa a ser batizado. Não muito tempo depois da troca de cartas, Volusiano tornou-se procônsul da África, depois prefeito urbano (417-418) e finalmente prefeito pretoriano da Itália.

Apesar de suas crenças religiosas, ele foi selecionado pelo imperador do ocidente Valentiniano III e sua mãe, a imperatriz Gala Placídia, para entregar o pedido formal ao imperador do oriente Teodósio II e à imperatriz Élia Eudócia da mão da filha deles, Licínia Eudóxia, em casamento. Volusiano deixou Roma em 436, e chegou a Constantinopla onde ele entregou sua mensagem e iniciou acordos preliminares para o casamento, antes que ele caísse fatalmente doente.[4] Em seu leito de morte e sob influência de sua sobrinha Melânia, que viajou de Jerusalém para estar a seu lado, Volusiano converteu-se ao cristianismo - uma conquista que o hagiógrafo de Melânia recorda em sua Vita. "O nobre pagão infame, líder dos Caeionii, foi um dos últimos a aceitar a fé de Cristo", observou Weber sobre este evento.[3]

Referências

  1. Epigraphik-Datenbank Clauss / Slaby (em inglês). Visitado em 02-10-2012.
  2. a b c Brown 1969, p. 300
  3. a b Weber 1989, p. 479
  4. Oost 1968, p. 243

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brown, Peter. Augustine of Hippo: A Biography. [S.l.: s.n.], 1969.
  • Weber, Ronald J.. Albinus: The Living Memory of a Fifth-Century Personality. [S.l.: s.n.], 1989.
  • Oost, Stewart I.. Galla Placidia Augusta: A biographical essay. [S.l.: s.n.], 1968.