RNA interferente

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A enzima Dicer corta RNA de dupla fita, de modo a formar siRNA ou miRNA. Estes RNAs processados são incorporados no complexo RISC, o qual tem como alvo moléculas de RNA mensageiro, onde atuam impedindo o processo de tradução.[1]

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RNAi (RNA interferente, ou RNA de interferência) é um mecanismo exercido por moléculas de RNA complementares a RNAs mensageiros, o qual inibe a expressão gênica na fase de tradução ou dificulta a transcrição de genes específicos.[2] A ribointerferencia é um mecanismo de silenciamento post-transcripcional de genes específicos, exercido por moléculas de RNA que, são complementares a um RNA mensageiro,que levam a degradação do mesmo.

miRNA e siRNA[editar | editar código-fonte]

Dois tipos de pequenas moléculas de RNA podem estar envolvidas em mecanismos de RNA interferente, são elas: miRNA (microRNA) e siRNA (do inglês, small interfering RNA).[3] Os miRNA são produtos da transcrição de genes presentes em muitos eucariotos. Eles se originam de RNAs precursores, com cerca de 22 nucleotídeos de comprimento, que possuem regiões internas autocomplementares, capazes de se parear e formas estruturas do tipo hairpin ("grampo de cabelo").[4] Os siRNA são derivados de longas moléculas de RNA dupla fita de origem exógena (como aquelas provenientes de vírus de RNA).[3]

Mecanismo molecular de ação[editar | editar código-fonte]

Mecanismo de RNAi mediado por siRNA.

Mediante clivagem pela ação da enzima Dicer, estas pequenas moléculas de RNA dupla fita são geradas e se associam a um complexo protéico, formando um complexo ribonucleoprotéico conhecido como RISC (sigla do inglês: RNA-induced silencing complex). Após esta associação, uma das fitas do RNA é eliminada e a outra serve de guia para que o complexo RISC encontre fitas complementares de mRNA específicos, as quais serão alvo da ação de silenciamento gênico.[2]

Quando o pareamento entre a fita guia e o mRNA envolve diversas bases, gerando um pareamento efetivo, este mRNA será degradado pela ação catalítica de uma das subunidades de RISC: a enzima denominada Argonauta. Quando o pareamento entre a fita guia e o mRNA alvo ocorre de maneira parcial, RISC não promove a clivagem do mRNA, mas atua inibindo o processo de tradução deste. Nesta condição, o mRNA desestabilizado pode ser conduzido aos chamados corpos de processamento (corpos-P), estruturas citosólicas responsáveis pela degradação de mRNA.[2]

A RNA de interferência tem um papel importante na defesa do património genético celular contra genes parasíticos – vírus e transposões– mas também no desenvolvimento e expressão genética em geral.[carece de fontes?]

Referências

  1. Hammond S, Bernstein E, Beach D, Hannon G (2000). «An RNA-directed nuclease mediates post-transcriptional gene silencing in Drosophila cells». Nature [S.l.: s.n.] 404 (6775): 293–6. doi:10.1038/35005107. PMID 10749213. 
  2. a b c ALBERTS, B.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P.. Molecular Biology of the Cell. 5 ed. New York: Garland science, Taylor & Francis Group, 2008. 1268 p. ISBN 9780815341062
  3. a b BECKAGE, N. E.. Insect Immunology. San Diego: Elsevier, 2008. 360 p. ISBN 9780123739766
  4. NELSON, D. L.; COX, M. M.. Lehninger Principles of Biochemistry. 4 ed. W.H. Freeman & Co, 2004. 1100 p. ISBN 9780716764380
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