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Rainha da Sucata

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Se procura o edifício com esse apelido em Belo Horizonte, veja Edifício Rainha da Sucata.
Rainha da Sucata
Título original: La Reina de La Chatarra (ES)
Informações gerais
Formato Telenovela
Gêneros
Criação Silvio de Abreu
Roteiristas Alcides Nogueira
José Antônio de Souza
Direção Jorge Fernando
Elenco
Tema de abertura "Me Chama Que Eu Vou", Sidney Magal
Compositores
País de origem Brasil
Idioma original português
Episódios 179
Produção
Produtor executivo Roberto Talma
Localização São Paulo
Editores
Duração 50 minutos
Distribuição TV Globo
Formato
Formato de imagem 480i (SDTV)
Exibição original
Emissora TV Globo
Transmissão 2 de abril – 26 de outubro de 1990
Cronologia

Rainha da Sucata é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 2 de abril até 26 de outubro de 1990, em 179 capítulos.[1] Substituiu Tieta e foi substituída por Meu Bem, Meu Mal, sendo a 42ª "novela das oito" a ser transmitida pela emissora.

Criada e escrita por Silvio de Abreu, com colaboração de Alcides Nogueira e José Antônio de Souza. Conta com a direção de Fábio Sabag, Mário Márcio Bandarra e Jodele Larcher, sob a direção geral e de núcleo de Jorge Fernando.[2]

Contou com as atuações de Regina Duarte, Glória Menezes, Tony Ramos, Antônio Fagundes, Renata Sorrah, Daniel Filho, Aracy Balabanian e Claudia Raia.[1]

Ambientada em São Paulo, a trama retrata o universo dos novos-ricos e da decadente elite paulistana, contrapondo duas personagens femininas distintas: a emergente Maria do Carmo Pereira e a socialite falida Laurinha Figueroa. A empresária Maria do Carmo enriquecera com os negócios de ferro-velho do pai, o português Onofre, comprando um prédio na Avenida Paulista, no qual fundou uma concessionária, a Do Carmo Veículos, além de uma casa de shows, a lambateria Sucata. Mesmo bem sucedida, Maria do Carmo não perdeu os hábitos simples, permanecendo no bairro de Santana, na zona norte, com o pai e a mãe, Dona Neiva. Mulher de personalidade forte, mas meio grosseira no modo de agir, Maria do Carmo almeja conquistar a high society da elite paulistana, percorrendo um árduo caminho para isso.

O caminho de Maria do Carmo volta a cruzar com o de Edu, playboy que a humilhara na época do colegial e que hoje vive uma situação de falência ao lado de sua tradicional família, os Albuquerque Figueroa. Vendo nisso uma oportunidade para se vingar de Edu e adentrar na alta sociedade, Maria do Carmo propõe um acordo: um casamento de conveniência, afinal eles possuem o sobrenome e ela o dinheiro. Após o casamento, Maria do Carmo vai morar na mansão dos Figueroa, no bairro dos Jardins, mas precisará enfrentar a oposição de Laurinha. Sofisticada e ardilosa, a megera se nega a aceitar a falência da família e despreza Maria do Carmo, suportando-a apenas por conta de seu dinheiro e chamado-a pejorativamente de "sucateira". Casada com o milionário Betinho, muito mais velho que ela, Laurinha nutre uma paixão secreta e proibida por seu enteado Edu, fazendo de tudo para prejudicar a união do casal e arruinar a nova vida de Maria do Carmo.

Além das maldades de Laurinha, Maria do Carmo ainda precisará enfrentar as armações de Renato Maia, seu principal sócio e administrador de seus empreendimentos. Falso e mau caráter, Renato é psicopata e nutre uma obsessão por ela, desejando se apoderar de todos os seus negócios. Após a morte de Onofre, um caso entre ele e a vizinha Salomé vem à tona, revelando a paternidade de Caio e Mariana Szimanski, amigos de infância de Maria do Carmo. De olho em sua parte na herança, Renato seduz Mariana, uma tímida e romântica bibliotecária, com quem acaba se casando.

Já Caio é um tímido e ingênuo professor de paleontologia que sofre de gagueira e vive um romance tumultuado com a vizinha Nicinha, moça metida e fogosa. Ele acaba se apaixonando pela dançarina Adriana, filha de Laurinha e Betinho; ansiosa e desengonçada, a "bailarina das coxa grossa" vive sendo humilhada pela mãe, enquanto almeja uma carreira de sucesso dos palcos, passando a disputar o amor dele com Nicinha.

Maria do Carmo ainda precisará enfrentar a oposição de sua vizinha Dona Armênia, viúva fofoqueira, rabugenta e de origem homônima, que trata "suas três filhinhas" Gerson, Gera e Gino, como crianças. Legítima dona do terreno onde está situada a Sucata, Dona Armênia passa a querer implodir o prédio e colocá-lo "na chon" das mais variadas maneiras, após Maria do Carmo terminar seu noivado de anos com Gerson. Mesmo ainda apaixonado por ela, ele começa a disputar o coração da francesa Ingrid, sobrinha de Betinho, ao lado de seus irmãos, formando um quadrado amoroso.

Na mansão dos Figueroa ainda vive o misterioso Jonas, mordomo que passa a trabalhar de graça para a família e anota cada passo dos patrões, investigando-os secretamente, além de esconder a sete chaves um caso do passado com Isabelle, mãe de Ingrid e irmã de Betinho. A jovem jornalista Paula é outra interessada na história dos Figueroa, acabando por se apaixonar por Edu, sem nem desconfiar que é filha biológica de Jonas. Já a estudante Alaíde trabalha como arrumadeira na mansão para ajudar a mãe, a empregada Lena, a quem deseja dar um futuro melhor. Apesar de odiar Laurinha, ela acaba se apaixonando pelo filho dela, o mulherengo e inconsequente Rafael; paixão essa prejudicada após Lena revelar que ela é filha de Betinho, sem nem desconfiar que Rafael é fruto de uma traição do passado de Laurinha.

Intérprete Personagem[1]
Regina Duarte Maria do Carmo Pereira
Glória Menezes Laura Albuquerque Figueroa (Laurinha) / Laura Magalhães de Almeida
Tony Ramos Eduardo Albuquerque Figueroa (Edu)
Daniel Filho Renato Maia
Renata Sorrah Mariana Szimanski
Raul Cortez Jonas Queiroz Scott
Paulo Gracindo Alberto Albuquerque Figueroa (Betinho)
Aracy Balabanian Dona Armênia Giovanni
Antônio Fagundes Caio Szimanski
Cláudia Raia Adriana Albuquerque Figueroa (Adriana Ross)
Cláudia Ohana Paula Ramos
Patricia Pillar Alaíde Ribeiro / Beatriz Vasconcelos (Bia)
Maurício Mattar Rafael Albuquerque Figueroa
Marisa Orth Eunice Moreiras (Nicinha)
Cleyde Yáconis Isabelle de Bresson / Isabel Albuquerque Figueroa
Nicette Bruno Neiva Matias Pereira
Gianfrancesco Guarnieri Irineu Saldanha (Saldanha) / Credolfo Saldanha
Lolita Rodrigues Maria Helena Ribeiro (Lena)
Andréa Beltrão Ingrid Albuquerque Figueroa de Bresson
Gerson Brenner Gerson Giovanni
Marcello Novaes Geraldo Giovanni (Gera)
Jandir Ferrari Gino Giovanni
Flávio Migliaccio Oswaldo Moreiras (Seu Moreiras)
Mônica Torres Margarida Viana (Guida)
José Augusto Branco Dr. Ademar Rodrigues
Aldine Müller Ângela
Ivan Cândido Franklin
Paulo Guarnieri Sérgio Saldanha
Paulo Reis Gustavo Mota Mello (Guga)
André Di Mauro Manuel Muniz de Souza (Maneco)
Maria Helena Dias Samira Zaída
Dill Costa Vilmar Castro
Hilda Rebello Jorgina

Participações especiais

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Intérprete Personagem[1]
Lima Duarte Onofre Pereira
Fernanda Montenegro Salomé Szimanski
Laura Cardoso Iolanda Maia
Milton Moraes Vicente Pinheiro
Reginaldo Faria Edson Paes de Mello
Jorge Dória Alberico Cassinelli
Ilka Soares Júlia Cassinelli
Cláudio Cavalcanti Delegado Rodrigo Lambertini
Serafim Gonzalez Gianlucca Muniz de Souza
Henri Pagnoncelli Dr. Carlos Calu Aranha (Aranha)
Cláudio Correia e Castro Dr. Rogério Marques
Jorge Cherques Cyro Laurenza
Marcus Alvisi Giulliano Laurenza
Carlos Kroeber Giácomo Di Lampedusa
Moacyr Deriquém Dr. Marcelo Ramos
Mário Gomes Clóvis Castro
Ruth de Souza Juíza Elizabeth Andrade
Neuza Amaral Dalva
Mário Lago Dr. Almeida
Carlos Zara Olegário
Rosita Thomaz Lopes Estela
Felipe Wagner Detetive Lourival Fretas / Fontes
Ênio Santos Delegado Jota
Gracindo Júnior Delegado Sampaio
Sylvia Bandeira Heloísa
Edgard Amorim Fernando
Humberto Martins Osvaldinho
Inês Galvão Marisa (Manon)
Ivan Mesquita Carlos Gouveia
Claude Haguenauer Julien Sorel
Suely Franco Clotilde Matias
Beatriz Lyra Olga Matias
Neusa Borges Inês
Oswaldo Louzada Sebastião (Tião)
Dary Reis Gervásio
Carlos Gregório Osmar Maia
Nildo Parente Jaime
Nestor de Montemar Giorgio Le Blanche
Thelma Reston Odete
Jorge Fernando Diretor Rebello
Anna de Aguiar Lígia Lemos de Alcântara (Liginha)
Fernando Amaral Marcos Juarez
Gilberto Martinho Geraldo Gomes
Paulo Pinheiro Abílio
André Barros Dênis
Zeny Pereira Mãe Mercedes
Cláudia Netto Vesga
Chaguinha Genésio
Marcio Augusto Flávio
Stênio Garcia mendigo bêbado
Emiliano Queiroz diretor do colégio
Zilka Salaberry madre superiora
Tuca Andrada iluminador da Sucata
Anderson Müller asessor de Rebello
Marilu Bueno amiga dos Figueroa
Guti Fraga médico de Edu
Nelson Freitas comprador do avião
Jaime Leibovitch juiz
Ibanez Filho tabelião
Alexandre Lippiani policial
Cazarré militar
Castro Gonzaga jornalista
Gisele Fróes enfermeira
Totia Meireles prostituta
Marcelo Mansfield garçom
Adilson Barros assaltante
Norival Rizzo funcionário do cemitério
Romeu Evaristo cliente de La Bodeguita
José Steinberg juiz de paz
Anja Bittencourt vendedora da loja de chocolates
Soraya Ravenle atendente de clínica
Yaçanã Martins freira do orfanato
Duda Mamberti agente de viagens de Betinho
André Gonçalves filho do dono da vaca
Oscar Magrini figurante no enterro de Onofre
Márcio Erlisch Alexandre Vidigal (acionista da Do Carmo Veículos)
Marília Pêra ela mesma
Agnaldo Rayol ele mesmo
Sidney Magal ele mesmo
Beto Barbosa ele mesmo
Diogo Vilela ele mesmo

Produção

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Desenvolvimento

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Rainha da Sucata foi a primeira novela "das 8" escrita por Sílvio de Abreu, que até então havia assinado várias tramas apresentadas às 19 horas. Ele foi designado para escrever uma telenovela humorística para às 20 horas. A ideia era também reunir o maior número de veteranos no elenco, uma homenagem aos 25 anos da Rede Globo. Com Rainha da Sucata, o autor fazia uma sátira aos novos-ricos e a decadência das elites brasileiras.[1] Nesta época, havia uma determinação do Departamento de Teledramaturgia da Globo em evitar a apresentação de enredos excessivamente dramáticos neste horário, que começou com a exibição de O Salvador da Pátria (1989). Entretanto, esta proposta só prevaleceu no início da trama; Devido à rejeição do público à comédia excessiva (fator esse que era notado na audiência), a partir de junho de 1990, Abreu decidiu deixar a comédia em segundo plano e apostar mais no drama.[3]

Ainda no meio da trama, Silvio de Abreu precisou se afastar dos trabalhos devido o falecimento de seu irmão, Ubaldo. Ele então pediu o auxílio de seu amigo Gilberto Braga, que escreveu nove capítulos e o ajudou a reformular a história, separando a comédia do drama.[4][5]

Em junho de 1990, a trama passou a mostrar capítulos mais longos. O objetivo era amenizar o impacto que a novela Pantanal causava nos programas posteriores. Essa ação também fazia com que Pantanal perdesse publicidade, pelo fato de começar cada vez mais tarde. Além disso, a seção "cenas do próximo capítulo" também foi extinta.[6]

Para enfrentar Pantanal, a Globo tomou uma série de medidas, algumas até inéditas na emissora. A principal delas foi implementar um novo horário para novela às 22 horas, com a exibição de Araponga.

O Plano Collor, que foi um plano econômico implementado pelo então presidente brasileiro, Fernando Collor de Mello, foi incorporado à história de novela. A Globo foi acusada de saber das intenções de Collor e não ter alertado a população sobre o tal plano. Mas o que aconteceu na verdade foi que, por causa desse plano do governo, muitas cenas que já estavam prontas tiveram que ser reescritas, para se adaptarem à realidade e não ocorrer a mesma situação que houve em Cambalacho (1986), do mesmo autor, que estreou com os personagens fazendo referências a quantias em cruzeiros e a tela apresentando a legenda que convertia os valores para cruzados, unidade monetária que entrou em vigor no período entre o início das gravações da novela.[7]

No primeiro capítulo, Maria do Carmo relembra a formatura de seu colégio, onde levava um banho de lixo após ser coroada rainha da festa. A sequência foi inspirada no filme Carrie (1976).[1]

Locações e cenografia

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Os bairros de Santana e Jardim Europa foram as principais locações da trama.

Rainha da Sucata foi a primeira novela das 20h da Globo ambientada em São Paulo. As tramas anteriores se passavam no Rio de Janeiro ou em alguma cidade de Minas gerais.

Os principais cenários da história eram os bairros de Santana, na Zona Norte, onde moravam Maria do Carmo e seus vizinhos pobres, e do Jardim Europa, na Zona Sul, onde morava a rica (mas falida) família Albuquerque Figueroa. Construída em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a cidade cenográfica reproduziu um quarteirão de Santana e a mansão dos Figueroa, do Jardim Europa.[1]

O prédio que serviu de fachada para o edifício da Avenida Paulista onde, na trama, funcionava a Sucata — aquele que Dona Armênia queria “ver na chon” e de onde Laurinha Figueroa se jogou — é o Cetenco Plaza, localizado na Avenida Paulista, nº 1842, na esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo. Segundo o pesquisador Nilson Xavier, em seu site Teledramaturgia[8], o imponente edifício espelhado possui uma torre idêntica, que abriga o Tribunal Regional Federal. As cenas da novela foram gravadas no Cetenco Torre Norte, o prédio mais próximo ao restaurante Spot. Ainda é possível observar, entre o 18º e o 19º andar, na face voltada para o Spot, as marcas dos parafusos que sustentavam o icônico totem da Sucata — instalado de verdade no prédio especialmente para as gravações.

Escolha de elenco

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Originalmente, a personagem Dona Armênia seria uma mamma italiana interpretada por Nair Bello. Na época contratada do SBT, Nair não pode aceitar o convite e o papel ficou com Aracy Balabanian. Silvio de Abreu decidiu então aproveitar as origens armênias da atriz, mudando a nacionalidade da personagem. Dona Armênia e "suas três filhinhas" fizeram tanto sucesso que voltaram na novela seguinte de Abreu, Deus Nos Acuda (1992).[1]

Cláudia Ohana foi convidada para viver a jornalista Paula após seu ótimo desempenho na primeira fase da novela antecessora, Tieta. Foi a primeira novela da atriz Marisa Orth, egressa dos programas infantis e educativos da TV Cultura. Sua personagem, a puritana Nicinha, passava por uma transformação e tornava-se a "biscate" do bairro após ser trocada pelo noivo, o gago Caio, por Adriana, a "bailarina das coxa grossa". Por seu papel, Orth venceu o Prêmio APCA de melhor revelação feminina.[9]

Rainha da Sucata foi repleta de participações especiais: Lima Duarte e Fernanda Montenegro apareceram no primeiro capítulo como Onofre e Salomé Szimanski, pai e vizinha de Maria de Carmo, que descobria-se serem amantes após a morte de ambos. Lima voltou a aparecer como o personagem em cenas de flashback. Ainda no primeiro capítulo, Emiliano Queiroz aparecia como o diretor do colégio onde Edu e Maria do Carmo estudaram; Marília Pêra aparecia como ela mesma, apresentando-se com seu musical Elas por Ela na Sucata. Jorge Fernando, que além da novela, também dirigia a peça, aparecia junto com a atriz nas cenas.[1]; Já Stênio Garcia aparecia como um mendigo que desafiava Edu, bêbado, a pular do alto da Sucata.[1] No segundo capítulo, Milton Moraes vivia Vicente, homem que possuía uma dívida de jogo com o vilão Renato e acabava assassinado por ele. No capítulo 88, exibido em 17 de julho de 1990, o cantor Beto Barbosa aparecia como ele mesmo, cantando na festa de lançamento do carro de Edu. Nas últimas semanas da trama, Laura Cardoso fez uma participação como a mãe de Renato (capítulos 167 e 168[10]), enquanto Cláudio Cavalcanti viveu o delegado que investigava a morte de Laurinha e prendia Maria do Carmo. No capítulo 176, exibido em 23 de outubro de 1990, o cantor Agnaldo Rayol aparecia como ele mesmo, cantando no casamento de Nicinha e Maneco.[11] Já no último capítulo, Reginaldo Faria aparecia como Edson Paes de Mello, novo namorado de Paula.[1]

Nas cenas onde o vilão Renato aparecia tocando trompete, o ator e diretor Daniel Filho era dublado pelo músico Guilherme Dias Gomes, filho dos escritores Janete Clair e Dias Gomes.[1]

A abertura de Rainha da Sucata foi desenvolvida pelos designers Hans Donner e Nilton Nunes. As sequências exibiam uma boneca de sucata (com cabeça de ventilador, cabelos de mola, pés de ferro de passar, tórax de balde e quadril de bacia de alumínio) dançando com bailarinos reais ao som de “Me Chama que Eu Vou”, música cantada por Sidney Magal e lançada em seu disco Magal, lançado no mesmo ano.

A novela popularizou ainda mais o gênero musical lambada no país, além das chamadas "lambaterias", casas de show e boates em que o ritmo era a atração principal.[1]

Suicídio de Laurinha Figueroa

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A vilã Laurinha teve seu fim 8 capítulos antes do final da novela. No capítulo 171, exibido em 17 de outubro de 1990, ela comete suicídio, jogando-se do alto do prédio da Sucata para incriminar sua rival Maria do Carmo – não sem antes arrancar um brinco dela e deixar suas impressões digitais sobre seu corpo. Um boneco com o peso aproximado da atriz Glória Menezes foi utilizado para a queda e a gravação aconteceu sob forte esquema de segurança e sigilo, para que nenhum detalhe vazasse para a imprensa. No dia seguinte à cena, o corpo da personagem estampou a capa do jornal O Globo, afinal, era a primeira cena explícita de suicídio exibida na televisão brasileira. Três finais diferentes foram escritos para o desfecho, mantendo assim segredo sobre o destino de Maria do Carmo.[1][12]

Exibição

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Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 28 de fevereiro a 16 de setembro de 1994, em 145 capítulos, substituindo Direito de Amar e sendo substituída por sua antecessora original, Tieta.[13]

Foi reexibida na íntegra pelo Viva de 21 de janeiro a 27 de setembro de 2013, substituindo Que Rei Sou Eu? e sendo substituída por Água Viva, à 00h.[14][15]

Está sendo novamente reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo desde 3 de novembro de 2025, substituindo A Viagem. A reprise faz parte das comemorações dos 60 anos da TV Globo, coincidindo com o aniversário de 35 anos da trama.[16][17]

Outras mídias

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Em setembro de 2015, a telenovela foi lançada em formato DVD pela Loja Globo, em um box contendo 12 discos.[18]

Em 7 de outubro de 2024, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate.[19]

Exibição internacional

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A trama também fez grande sucesso no exterior, sendo vendida para Angola, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Espanha, Costa Rica, Estados Unidos, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, Uruguai entre outros países. A novela foi exibida em Portugal pela 1ª vez em 1991, na RTP1, às 20h30 de segunda a sexta feira, em horário nobre, no seu formato original, e depois na TV Globo Portugal, de 23 de novembro de 2009 a 18 de junho de 2010 às 19h30, em 148 capítulos. Na América Latina foi transmitida pela TNT de segunda a sexta as 18h (México DF), 21h (Buenos Aires), 19h (Bogotá) e 20h (Caracas).[carece de fontes?]

Repercussão

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Audiência

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Exibição original

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Na época de sua exibição, alcançou média geral de 61 pontos no IBOPE, ocupando a 6ª colocação entre as novelas de maior audiência da história da TV Globo.[20] O seu maior índice foi registrado no dia 23 de julho de 1990 com 73 pontos, média essa que nunca mais foi alcançada em produções futuras da Globo, apesar de América (2005) ter se aproximado em seu último capítulo com 68 pontos.[21]

Primeira reprise

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Estreou com 30 pontos. Seu maior índice foi registrado no último capítulo com 40 pontos e o menor foi registrado em 25 de março de 1994 com 19 pontos. Teve média geral de 26.54 pontos.[nota 1]

Segunda reprise

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Estreou com 13,85 pontos e 29,84% de share em São Paulo, ficando atrás das estreias de antecesoras e superando apenas Alma Gêmea e Paraíso Tropical. No Rio, registrou 19,31 pontos e 38,05% de share.[22] O quarto capítulo registrou 14,5 pontos e 31,4% de share.[23] Em 10 de novembro de 2025 registrou 14,8 pontos.[24]

Rainha da Sucata

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Rainha da Sucata
Rainha da Sucata
Cláudia Raia como Adriana Ross[1]
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 1990 (1990)
Gênero(s)
Duração 55:37
Idioma(s)
Formato(s)
Gravadora(s) Som Livre

Rainha da Sucata (comumente chamado de Rainha da Sucata - Nacional) foi o primeiro álbum da trilha sonora da novela. O álbum foi lançado em CD, fita cassete, e LP pela Som Livre, em 1990 no Brasil,[25] e em 1991 em Portugal, pela Columbia Records.[26] O álbum conta com uma seleção variada de canções, de vários gêneros, como MPB, música latina, pop rock, lambada, e bossanova, interpretadas por diferentes artistas brasileiros.

Lista de faixas

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Rainha da Sucata – Edição brasileira
N.º TítuloCompositor(es)Artista(s) Duração
1. "Me Chama que Eu Vou"  
Sidney Magal 3:15
2. "Foi Assim (Juventude e Ternura)"  Wanderléa 4:17
3. "Coração Pirata"  Roupa Nova 4:42
4. "Cigano"  DjavanDjavan 4:48
5. "Próxima Parada" (Texto incidental)Marina Lima 3:48
6. "A Mais Bonita"  Chico BuarqueMaria Bethânia 3:56
7. "Na Captura" (instrumental)Ary SperlingAry Sperling 3:26
8. "Coisas da Vida"  Milton Nascimento 4:59
9. "Nua Ideia (Leila XII)"  Gal Costa 3:00
10. "Meninos e Meninas"  Legião Urbana 3:20
11. "Mais Você"  
Ritchie 4:39
12. "Lanterna dos Afogados"  Herbert ViannaParalamas do Sucesso 3:06
13. "Naquela Estação (Leila L)"  
Adriana Calcanhotto 4:43
14. "Em Busca do Amor" (instrumental)SperlingAry Sperling 3:38
Duração total:
55:37
Rainha da Sucata – Edição portuguesa
N.º TítuloCompositor(es)Artista(s) Duração
1. "Foi Assim (Juventude e Ternura)"  Wanderléa 4:17
2. "Me Chama que Eu Vou"  
Sidney Magal 3:15
3. "Sabor de Pecado"  Cid GuerreiroAngel 3:08
4. "Gira Gira Pião"  Dido OliveiraDido Oliveira 3:54
5. "Naquela Estação (Leila L)"  Adriana Calcanhotto 4:43
6. "Em Busca do Amor" (instrumental)SperlingAry Sperling 3:38
7. "Coisas da Vida"  Milton Nascimento 4:59
8. "Lambança" (instrumental)Richard LupinGrupo Sucata 3:11
9. "Cigano"  DjavanDjavan 4:48
10. "Melô da Sucata" (instrumental)Richard LupinGrupo Sucata 3:12
11. "Beijo na Boca"  
  • João Guimarães
  • George Dias
Sidney Magal 3:19
12. "Na Captura" (instrumental)Ary SperlingAry Sperling 3:26
Duração total:
45:50

Rainha da Sucata - Internacional

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Rainha da Sucata - Internacional
Rainha da Sucata
Cláudia Ohana como Paula Ramos[1]
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 1990 (1990)
Gênero(s)
Duração 52:16
Idioma(s)
Formato(s)
Gravadora(s) Som Livre

Lista de faixas

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N.º TítuloCompositor(es)Artista(s) Duração
1. "Into My Life"  Colin HayColin Hay Band 4:16
2. "All Around the World"  
Lisa Stansfield 4:26
3. "Rebel in Me"  Jimmy CliffJimmy Cliff 3:46
4. "Listen to Your Heart"  Stock Aitken WatermanSonia 3:15
5. "Come Back to Me"  Janet Jackson 4:55
6. "Forever"  Kiss 4:06
7. "Inside of You"  
  • Freight
  • Robinson
Howard Thomas & Sarah Bishop 2:44
8. "My Romance"  
Carly Simon 2:32
9. "Send Me an Angel"  
  • David Sterry
  • Richard Zatorski
Real Life 3:50
10. "Vision of Love"  
Mariah Carey 3:27
11. "It Had to Be You"  Harry Connick Jr. 2:36
12. "Blue"  
  • Geoffrey Williams
  • Jody Spence
  • George Cocchini
  • Monroe Jones
Geoffrey Williams 4:07
13. "Reve d'Amour"  
  • Fernand
  • Palome
Nuages 3:00
14. "Too Many Lonely Hearts"  
Petula Clark 5:16
Duração total:
52:16

Trilha complementar: Lambateria Sucata

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Rainha da Sucata Complementar: Lambateria Sucata[1]
Rainha da Sucata
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 1990 (1990)
Gênero(s)
Duração 46:14
Idioma(s)
Formato(s)
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Coxas de uma dançarina (ilustração)[1]

N.º TítuloMúsicaPersonagem Duração
1. "Preta"  Beto BarbosaTema Geral 03:21
2. "Conversa Bonita"  Fafá de BelémTema Geral 03:41
3. "É Bom Suar"  Moraes Moreira e Pepeu GomesTema Geral 02:59
4. "Maracangalha"  GerônimoTema Geral 03:02
5. "Beijo na Boca"  Sidney MagalTema Geral 03:20
6. "Gira, Gira Pião"  Dido OliveiraTema Geral 03:55
7. "Melô da Sucata (instrumental)"  Grupo SucataTema Geral 03:13
8. "Ouro Puro (Ao Vivo)"  Elba RamalhoTema Geral 05:34
9. "Paixão e Loucura"  Jorge AltinhoTema Geral 02:38
10. "Sabor de Pecado"  AngelTema Geral 03:07
11. "Vem Lambadear Comigo"  Banana SplitTema Geral 03:21
12. "Loirinha"  José OrlandoTema Geral 02:52
13. "Marmelada (Bas Moin Laia)"  Margareth MenezesTema Geral 03:57
14. "Lambança (Instrumental)"  Grupo SucataTema Geral 03:08
Duração total:
48:16
Outras canções não incluídas nos álbuns

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t «Rainha da Sucata». Teledramaturgia. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2016 
  2. «Rainha da Sucata». Memória Globo. Consultado em 2 de junho de 2015 
  3. «Em 1990, Globo tentou inovar com Rainha da Sucata e quebrou a cara». Notícias da TV. 7 de junho de 2015. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  4. «Mortes, brigas e tragédias mudam rumo de novelas; veja exemplos». Terra. 24 de junho de 2012. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  5. LOPES, FERNANDA (26 de outubro de 2025). «Como um socorro do autor de Vale Tudo transformou Rainha da Sucata num sucesso». Notícias da TV. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  6. James Cimino (8 de julho de 2013). «Silvio de Abreu conta que Globo esticava "Rainha da Sucata" para "Pantanal" perder anunciantes». UOL. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  7. Nilson Xavier (25 de outubro de 2015). «Há 25 anos, Rainha da Sucata enfrentou Plano Collor e sucesso de Pantanal». UOL. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  8. Xavier, Nilson. «Rainha da Sucata». Teledramaturgia. Consultado em 25 de outubro de 2025 
  9. «Marisa Orth revela climão com Antonio Fagundes em bastidores: "Deu trabalho"». Ana Maria. 21 de maio de 2020. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  10. «Rainha da Sucata - cap. 168». Globoplay. 13 de outubro de 1990. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  11. «Rainha da Sucata - cap. 176». Globoplay. 23 de outubro de 1990. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  12. Redação (26 de abril de 2020). «Há 30 anos, novela da Globo exibiu cena terrível de suicídio na avenida Paulista». Notícias da TV. Consultado em 27 de outubro de 2025 
  13. «Novela que defendeu Plano Collor volta». Folha de S.Paulo. 27 de fevereiro de 1994. Consultado em 12 de novembro de 2017 
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Ligações externas

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