Ramagupta

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Ramagupta
Marajá do Império Gupta
Reinado Final do século IV
Consorte de Druvadevi
Antecessor(a) Samudragupta
Sucessor(a) Chandragupta II
 
Dinastia gupta
Religião Hinduísmo

Ramagupta (final do século IV), de acordo com a peça sânscrita Devichandraguptam, era marajá do Império Gupta no norte da Índia. Os fragmentos sobreviventes da peça, combinados com outras evidências literárias, sugerem que concordou em entregar sua esposa Druvadevi a um inimigo saca, porém seu irmão Chandragupta II matou o inimigo e depois o destronou, se casando com Druvadevi.

A genealogia oficial gupta não o menciona e a historicidade do Devichandraguptam é debatida. Várias outras fontes falam de eventos da peça, mas não citam-o pelo nome e podem ser baseadas na peça em si. Três inscrições sem data, numa variante da escrita gupta achadas na Índia Central, aludem a certo Ramagupta, podendo atestar sua existência, embora não prove precisamente a historicidade da Devichandraguptam. Algumas moedas descobertas na Índia Central também foram atribuídas a ele, mas a atribuição não foi aceita por unanimidade pelos historiadores modernos.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Moeda de Samudragupta (r. 335/350–375)

O nome de Ramagupta não aparece nos registros oficiais dos guptas.[1] Segundo a genealogia oficial, o sucessor de Samudragupta (r. 335/350–375) foi Chandragupta II (r. 375–415), cuja rainha era Druvadevi.[2] É possível que os registros omitam seu nome de listas genealógicas porque ele não era ancestral dos seus sucessores.[1] Ele é mencionado na peça em sânscrito Devichandraguptam. O texto original da peça agora está perdido, mas seus extratos sobrevivem em outros trabalhos.[3] Várias fontes literárias e epigráficas posteriores corroboram a narrativa de Devichandraguptam, embora não mencionem Ramagupta pelo nome.[4][5]

Depois que os extratos da Devichandraguptam foram descobertos por Sylvain Levi e R. Saraswati em 1923, a historicidade dele tornou-se uma questão de debate entre os historiadores. Alguns estudiosos, incluindo Levi, rejeitaram Devichandraguptam como não confiável para os propósitos da história. Outros, como R. D. Banerji e Henry Heras, colocaram que as evidências literárias adicionais eram fortes demais para desprezar Ramagupta como uma personagem fictícia, e esperavam que sua existência fosse comprovada no futuro pela descoberta de suas moedas.[6][7] Posteriormente, alguns estudiosos como K. D. Bajpai atribuíram algumas moedas de cobre do centro da Índia a Ramagupta, mas outros, como D. C. Sircar, divergiram da atribuição.[8] Então, três inscrições de estátuas jainistas referentes ao marajá Ramagupta foram descobertas em Durjanpur e foram citadas como prova da existência do rei da Devichandraguptam.[9]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Com base nas passagens sobreviventes de Devichandraguptam e outras evidências de apoio, estudiosos modernos teorizam que Ramagupta era o filho mais velho e sucessor do imperador Samudragupta.[2] De acordo com a peça, Ramagupta decidiu entregar sua esposa Druvadevi (ou Druvasuamini) a um inimigo saca, mas seu irmão mais novo, Chandragupta, foi para o acampamento inimigo disfarçado de rainha e matou o inimigo.[3] De acordo com a passagem Devichandraguptam citada no Seringara-Pracaxa de Boja, o campo inimigo estava localizado em Alipura. O Harxa-charita de Banabata chama o lugar de "Aripura" (literalmente "cidade do inimigo"); um manuscrito de Harxa-charita chama o lugar de "Nalinapura".[10]

A identidade do inimigo "Saca" (IAST: Śaka) de Ramagupta não é certa. As identificações propostas incluem:

  • O historiador V. V. Mirashi o identificou com o rei cuchano que governou no Panjabe, e que é referido como "Devaputra-Xai-Xanusxai" na inscrição do pilar de Alaabade de Samudragupta.[11]

O historiador A. S. Altekar identificou-o com Piro, filho de Quidara, que controlava o Panjabe Ocidental e Central. Altekar teorizou que Piro invadiu o Panjabe Oriental e Ramagupta tentou conter seu avanço, levando a uma guerra.[11]

  • Com base nas inscrições da estátua jainista (veja #Inscrições abaixo), o historiador Tej Ram Sharma especula que Ramagupta pode ter adotado "um estilo de vida pacífico" após sua humilhação pelo inimigo saca, o que pode explicar sua inclinação para o jainísmo.[12] Mais tarde, Chandragputa parece ter matado Ramagupta e se casado com Druvadevi,[13] que é mencionado como a rainha de Chandragupta nos registros guptas.[14]

Historicidade[editar | editar código-fonte]

भगवतोर्हतः चन्द्रप्रभस्य प्रतिमेऽयं कारिता महाराजाधिराज-श्री-रामगुप्तेन उपदेशात् पाणिपात्रिक-चन्द्रक्षमाचार्य्य-क्षमण-श्रमण-प्रशिष्य-आचार्य्य सर्प्पसेन-क्षमण-शिष्यस्य गोलक्यान्त्या-सत्पुत्रस्य चेलु-क्षमणस्येति

Inscrição de Ramagupta encontrada em Vidixá[15]

A teoria de que Ramagupta foi uma personagem histórica é sustentada pelos seguintes pontos:

  • Inscrições atribuídas a Ramagputa foram descobertas na Índia Central (veja abaixo).[16] Essas inscrições mencionam um rei homônimo, que usava o título imperial de Maarajadirajá. Além disso, as inscrições estão na escrita Gupta Brâmi dos séculos IV a V, provando que Ramagupta foi um imperador gupta histórico.[9]
  • Druvadeva e Chandragupta, os outros dois personagens principais da peça Devichandraguptam, são conhecidos por serem personagens históricas. Os registros oficiais da dinastia mencionam Chandragupta II como imperador.[2] Druvadevi é atestada por seu selo real, que a descreve como a esposa de Chandragupta e a mãe de Govindagupta.[10]
  • A inscrição Erã de Samudragupta parece mencionar que sua rainha Datadevi teve muitos filhos e netos, embora isso não possa ser dito com certeza porque a inscrição está mutilada.[2]
  • Na genealogia oficial gupta, os reis são descritos como "meditando sobre os pés" de seus pais. No entanto, num desvio dessa convenção, Chandragupta II é descrito como tendo sido "aceito por seu pai"[2] em sua inscrição no pilar de pedra de Matura, bem como nas inscrições de Biar e Bitari de Escandagupta.[17] Os estudiosos que acreditam que a peça tem uma base histórica argumentam que esta é uma forma velada de afirmar que sua ascensão ao trono foi contestada.[18]
  • Vários textos e inscrições posteriores referem-se ao episódio mencionado no Devichandraguptam,[5][19] embora essas fontes possam ser baseadas na própria peça e, portanto, não podem ser consideradas como evidência conclusiva que corrobora a historicidade da peça.[20]

Referências

  1. a b Agrawal 1989, p. 157.
  2. a b c d e Majumdar 1981, p. 46.
  3. a b Agrawal 1989, p. 153-154.
  4. Majumdar 1981, p. 48.
  5. a b Sharma 1989, p. 116-122.
  6. Sharma 1989, p. 106.
  7. Agrawal 1989, p. 154.
  8. Sircar 2008, p. 227-228.
  9. a b Agrawal 1989, p. 158.
  10. a b Sharma 1989, p. 112.
  11. a b Sharma 1989, p. 113.
  12. Sharma 1989, p. 123.
  13. Warder 1989, p. 263.
  14. Thapar 2013, p. 359.
  15. Suman 2001, p. 1–10.
  16. Gai 1969, p. 250.
  17. Sharma 1989, p. 105.
  18. Thapar 2013, p. 357.
  19. Agrawal 1989, p. 157-158.
  20. Majumdar 1981, p. 49.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Suman, Kasturchand Jain (2001). भारतीय दिगम्बर जैन अभिलेख और तीर्थ परिचय, मध्यप्रदेशः. 13वीं श. ई. तक (Bharatiya Digambar Jain Abhilekh aur Tirth Parichay, Madhya-Pradesh: 13 vi shati tak). Déli