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Maués (Amazonas)

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(Redirecionado de Ramalho Júnior (Maués))
Maués
Município do Brasil
Vista aérea da cidade de Maués em 2015
Vista aérea da cidade de Maués em 2015
Vista aérea da cidade de Maués em 2015
Hino
Gentílico maueense
Localização
Localização de Maués no Amazonas
Localização de Maués no Amazonas
Localização de Maués no Amazonas
Maués está localizado em: Brasil
Maués
Localização de Maués no Brasil
Mapa
Mapa de Maués
Coordenadas 3° 23′ 01″ S, 57° 43′ 07″ O
País Brasil
Unidade federativa Amazonas
Municípios limítrofes Ao sul: Apuí; a oeste: Borba, Nova Olinda do Norte, Itacoatiara; ao norte: Urucurituba, Boa Vista do Ramos, Barreirinha; a leste: o Pará e seus municípios: Jacareacanga, Itaituba, Aveiro, Juruti.
Distância até a capital 356 km
História
Fundação 25 de junho de 1833 (192 anos)
Administração
Prefeito(a) Macelly Veras (PDT, 2025–2028)
Características geográficas
Área total [1] 39 988,394 km²
População total (estimativa populacional - IBGE/2025 [1]) 66 336 hab.
 • Posição AM: 8º
Densidade 1,7 hab./km²
Clima Clima equatorial úmido
Altitude 25 m
Fuso horário Hora do Amazonas (UTC-4)
Indicadores
IDH (PNUD/2010 [2]) 0,588 baixo
PIB (IBGE/2021[1]) R$ 5 958 267 mil
 • Posição AM: 13º
PIB per capita (IBGE/2021[1]) R$ 9 005,98
Sítio www.maues.am.gov.br (Prefeitura)

Maués é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas. Pertencente à Região Geográfica Intermediária de Parintins e Região geográfica Imediata de Parintins, sua população é de 66 159 habitantes, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025. A cidade é reconhecida nacionalmente por possuir uma das maiores expectativas de vida do Brasil[3] e por ser a Capital Nacional do Guaraná. [4]

Etimologia

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O primeiro nome do município, Luséa, era formado a partir do nome de seus fundadores Luiz Pereira da Cruz e Jo Rodrigues Preto, com a adição de um a no final. O nome Maués por sua vez derivaria da suposta palavra tupi Mawé (do povo Sataré-Mawé) e significa "curioso e inteligente".[5] Porém, a palavra mawé pode ser desconhecida do próprio povo Sataré-Mawé, onde indigenas entrevistados em uma pesquisa da Universidade Federal do Amazonas afirmaram conhecer o nome da etnia, mas não sabiam o significado de "mawé" , e pode ser que esta teria vindo dos europeus que os perseguiam e os chamavam de maus, e que "mawé" seria um derivado de "mau é".[6][7][8]

História

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No ano de 1795, Lôbo d′Almada, então governador do Grão-Pará e Rio Negro, fundou aldeias indígenas com índios mundurucus: Canumã, Juruti e Luséa. Em 1832 os índios sateré-mawé invadiram o local eliminando soldados e civis brancos. Em decreto de 25 de Junho de 1833 foi criado o município, com Luséa sendo elevada a categoria de vila, passando a se chamar Nossa Senhora da Conceição de Luséa. Quando o Amazonas foi elevado à provincia, Luséa era um dos poucos municípios existentes. Em 1865 a sede municipal passou a se chamar Vila da Conceição, e em 1892 finalmente foi nomeada Maués. Em 1895, pela lei nº 133 de 5 de outubro, a localidade torna-se Comarca. E em 4 de maio de 1896 é considerado município pelo novo regime jurídico, com o nome de Maués, pela lei nº 137.[7][8]

Entre ganhos e perdas territoriais, Maués incorporou parte do território de Borba em 1938, e perdeu território correspondente ao município de Nova Olinda do Norte, em 1955.[7][8]

Geografia

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As temperaturas máximas chegam a 35° e as mínimas em média a 22° [9] O clima é equatorial Af, na classificação de Köppen-Geiger.

Vegetação

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Pôr do sol no rio Amazonas próximo a Maués

A vegetação do município está classificada como Floresta tropical densa.

Problemas socioambientais

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Devido aos altos índices de devastação florestal, em 9 de novembro de 2023, o município de Maués foi incluído na relação de municípios situados no bioma Amazônia considerados prioritários pelo governo federal para ações de prevenção, controle e redução dos desmatamentos e degradação florestal.[10]

Subdivisões

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O território do município de Maués possui (2012) 220 comunidades, das quais as maiores são Mucajá e Bom Jesus. Com forte presença indígena, conta ainda com 38 aldeias indígenas. Além disso, conta com 3 distritos: Maués (distrito sede, a própria cidade de Maués), Osório da Fonseca e Repartimento.[7]

O distrito sede conta com os seguintes bairros: Maresia, Mário Fonseca, Mirante do Éden, Ramalho Júnior, Donga Michiles, Santa Luzia, Santa Tereza, Senador José Esteves I e II, Tabuleiro (Centro), São Domingos, Esperança e São Lazaro.[7]

Política e administração

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Sendo um município do Brasil, Maués é administrada por dois poderes, o executivo e o legislativo, independentes e harmônicos entre si. O primeiro é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários e eleito pelo voto popular para um mandato de quatro anos, sendo permitida uma única reeleição para mais um mandato consecutivo, enquanto que o segundo é representado pela Câmara Municipal de Maués, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por vereadores também eleitos por sufrágio universal.[11]

As atuais autoridades que ocupam cargos da organização político-administrativa de Maués são as seguintes (eleitos em 2024):[12][13]

A economia do município gira, principalmente, em torno do guaraná. O município exporta cerca de 300 toneladas por ano. O município também produz em pequena escala outras culturas como, avicultura, pecuária e pescado, que também têm impacto significativo na economia.[15]

Maués é conhecida pelo apelido de "A terra do Guaraná"[16] e teria sido ela e sua produção de um suco com o fruto que serviu de inspiração para a Antactica criar seu refrigerante de guaraná, em 1921. O município até 2003 era responsável sozinho por 30% do fornecimento do fruto para fabricação do refrigerante, em âmbito nacional, produzindo até então 180 toneladas provenientes de muitos pequenos agricultores locais. O número era ainda maior nos anos 80, quando chegava a 90% da produção nacional. Em 2021, porém, o município era o terceiro maior produtor do país, perdendo para dois municípios do crescente plantio baiano. O primeiro registro sobre o fruto, dado por um missionário jesuíta, que no século XVII esteve em contato com nativos Sateré-Mawé e observou que os mesmos consumiam. Foram os Sateré-Mawé que domesticaram o fruto e são conhecidos como "os filhos do guaraná" dentro de um mito próprio. [17][18]

Por conta da cultura e história de Maués com o guaraná, o município foi nomeado em 23 de Setembro de 2025 a Capital Nacional do Guaraná, pela Lei nº 15.216 que foi assinada neste dia por Geraldo Alckmin (vice-presidente e presidente em exercício na data), Carlos Fávaro (Ministro da Agricultura e Pecuária) e Margareth Menezes (Ministra da Cultura).[4]

Festas e Festivais

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São datas festivas municipais:

Festa do Guaraná

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O guaraná faz parte da história e da cultura de Maués, onde o governo do Amazonas em parceria com a Ambev realiza anualmente a "Festa do Guaraná" (que existe há quase 50 anos), atraindo cerca de 50 mil pessoas para o município durante os três dias de festa na Praia da Maresia (ponto turístico do município). Nesta festa realiza-se também o concurso "Rainha do Guaraná" que é quem indica a mulher mais linda da temporada no município.[19]

O município tem um estádio municipal, o Estádio Manoel Baraúna, inaugurado em 27 de Fevereiro de 1983, funcionando como centro esportivo e cultural. O estádio tem capacidade para 6 mil torcedores e geralmente recebe partidas do Campeonato Municipal e da Seleção de Maués por competições intermunicipais. [20] Após reformas em 2013, o estádio foi reinaugurado em 18 de Novembro daquele ano com duas partidas: uma da Seleção local enfrentando um time master do Flamengo, outra entre as seleções de Parintins e Boa Vista do Ramos. Com o estádio superlotado, o jogo principal entre Maués e o clube carioca terminou empatado em 1 a 1.[21]

O município conta com o Centro de Esportes Professor Ricardo Macedo, onde está anexado o Complexo Esportivo Glauber Mafra, que conta com campo de futebol society, duas quadras de areia para vôlei de praia e futevôlei, quadra de basquete, quadra de futsal e handebol, quadra de vôlei, pista de skate e pista de caminhada.[22] Possui também o Centro de Esporte e Lazer Tonicão. Há ainda os ginásios poliesportivos Dr. Deodato de Miranda Leão, Pe. Leão Martineli e o da Escola Estadual Walton Rodrigues Bizantino. O SESC também tem seu próprio clube na cidade.

Demografia

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Segundo o censo de 2022, a população de Maués cresceu em 8.968 habitantes em comparação ao censo de 2010, somando a população de 61.204 pessoas. Destes, 32.043 eram homens e 29.161 eram mulheres. A idade mediana da população era de 22 anos, com 21.044 habitantes com a idade de 14 anos ou menos e 5.351 com a idade de 60 anos ou mais.[23]

Cor ou Raça

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De acordo com o censo de 2022, os grupos, a auto declaração de raça ou cor entre os munícipes de Maués foi a seguinte:

Censo IBGE 2022[23]
Raça ou cor Declarações %
Parda 46.630 76,19
Indigenas 8.105 13,24
Brancos 5.030 8,22
Negros 1.405 2,30
Amarelos 34 0,06

Além dos 8.105 que apontaram "indígena" como sua raça ou cor, outros 3.294 habitantes apontaram que se consideram indígenas.Destes, 6.120 moravam em terras indígenas, enquanto 5.279 moravam fora de terras indígenas.[23]

Infraestrutura

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Transporte

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Até 2024, o principal meio de transporte na sede do município é a motocicleta, com 3.841 mais 2.486 motonetas (exemplo: Honda Bizz) e 8 cilomotores, somando 6.335 veículos motorizados de duas rodas. Ademais, o município possuía 506 automóveis, 267 caminhonetes e 51 camionetas. No total, somando também 1 reboque, 62 caminhões, 27 ônibus, 5 micro-ônibus, 13 utilitários e 34 triciclos, Maués possuía 7.301 veículos.[23]

Pelo município passa a BR-230, mais conhecida como Rodovia Transamazônica, embora longe da cidade, passando na sua parte mais ao sul. A rodovia encontra-se em estado de abandono, e apenas recebe terraplanagem.

Religião

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Não existem dados recentes (último intervalo censitário) sobre aspecto religioso no município.

Referências

  1. a b c d «Maués». IBGE. 2023. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  2. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 9 de setembro de 2013 
  3. «Folha de S.Paulo - Dieta amazônica aumenta longevidade - 09/10/2010». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 20 de setembro de 2019 
  4. a b «Maués, no Amazonas, é reconhecida como a Capital Nacional do Guaraná». Site Oficial do Governo Brasileiro (GOV). 23 de setembro de 2025. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  5. «Maués, Amazônia». Guaraná Antarctica. 2025. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  6. João Bosco Botelho; Valéria Augusta C.M. Weigel. «Comunidade sateré-mawé Y'Apyrehyt: ritual e saúde na periferia urbana de Manaus». Consultado em 13 de fevereiro de 2013 
  7. a b c d e PLANSAM (2012). «Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos» (PDF). SEMA. 2024. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  8. a b c Biblioteca Virtual do Amazonas (2012). «Maués». https://cidades.ibge.gov.br/brasil/am/maues/historico. Cidades IBGE. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  9. «AccuWeather». AccuWeather. 2012. Consultado em 22 de fevereiro de 2012 
  10. Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (10 de novembro de 2023). «PORTARIA GM/MMA Nº 834, DE 9 DE NOVEMBRO DE 2023». Diário Oficial da União. Consultado em 12 de novembro de 2023 
  11. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito municipal brasileiro. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2017.
  12. «Maués (AM): Apuração e Resultados | Eleições 2024 | 1º turno». UOL. Consultado em 11 de junho de 2025 
  13. «Apuração das Eleições em Maués (AM) | Eleições 2024». G1. Consultado em 11 de junho de 2025 
  14. «Organizacional - Portal da Transparência Câmara Maués». 17 de janeiro de 2021. Consultado em 11 de junho de 2025 
  15. «A Cidade». Prefeitura Municipal de Maués. Consultado em 20 de setembro de 2019 
  16. Iara Siqueira (26 de dezembro de 2022). «Brasil é o maior produtor comercial de guaraná do mundo». AgroLink. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  17. Gabriel Zanlorenssi; Giovanna Hemerly; Mariana Froner (28 de dezembro de 2023). «De onde vem o guaraná. E onde ele é produzido». Nexo Jornal. 2023-12-28. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  18. Cátia Luz (4 de agosto de 2003). «Maués: a cidade do guaraná». Guaraná Tibiriçá. Revista Época. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  19. «Festa do Guaraná movimenta economia de Maués». AmazonasTur. 6 de dezembro de 2018. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  20. Larissa Dias (2024). «Estádio Manoel Baraúna Filho: centro dos eventos esportivos em Maués». No Ar Portal. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  21. Redação do GE (18 de novembro de 2013). «Máster do Fla leva sete mil pessoas em reabertura de estádio no AM». Globo Esporte/AM. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  22. «Prefeitura de Maués Inaugura neste sábado (22) o maior Complexo Esportivo do AM». Folha de Maués. 22 de junho de 2024. Consultado em 24 de setembro de 2025 
  23. a b c d IBGE (2022). «Maués». Consultado em 24 de setembro de 2025