Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota

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Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota
Sereníssima Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota
Brasão de armas da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota
Estado Reino de Portugal
Título Rei de Portugal e do Algarve
Origem
Fundador D. Maria II de Portugal
Fundação 1836
Casa originária Casa de Bragança
Casa de Saxe-Coburgo-Gota
Atual soberano
Último soberano D. Manuel II de Portugal
Dissolução 1910
Linhagem secundária
Ramo de Saxe-Coburgo e Bragança

A Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota[1] (também chamada Casa de Bragança-Coburgo[2] e de Casa de Bragança-Wettin[3] ) foi a última casa real que reinou em Portugal e resultante de ramo dinástico germânico-português que teve a sua origem na união matrimonial da rainha D. Maria II de Portugal, da Casa de Bragança, com o príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Koháry, da Casa de Saxe-Coburgo-Gotadinastia Wettin.

A consideração da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota como um ramo separado da original Casa de Bragança foi adoptada, recentemente, por historiadores que seguem as doutrinas de países estrangeiros onde se aplicava a lei sálica, que impedia as mulheres de ser herdeiras de casas dinásticas e de ascender, por si próprias, ao trono. Segundo essa teoria, a Casa de Bragança teria sido interrompida em D. Maria II, por esta ser mulher. Os filhos da rainha D. Maria II seriam apenas herdeiros da dinastia do marido, a Casa de Saxe-Coburgo-Gota (da dinastia Wettin).

No entanto, em Portugal, as mulheres sempre puderam ser herdeiras e ascender ao trono. Seguindo as leis hereditárias tradicionais portuguesas considera-se que a legitimidade dinástica dos Bragança passou para D. Maria II e para os seus herdeiros, continuando a existir a original Casa de Bragança e não um ramo dinástico separado. Sendo assim, a maioria dos historiadores portugueses não reconhece a existência de uma Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota, embora aos últimos Reis de Portugal, sucessores de D. Maria II, fosse recorrentemente dado o nome de Braganças-Coburgo[4] ou Braganças-Wettin.

Considerando-se a existência do ramo de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota, este teria ocupado o trono português desde a ascensão do Rei D. Pedro V, em 1853, até ao exílio do rei D. Manuel II, devido à implantação da República a 5 de Outubro de 1910. O ramo principal desta Casa Real extinguiu-se em 1932 devido à morte de D. Manuel II e ao facto do rei não ter deixado descendência directa.

Ramo principal[editar | editar código-fonte]

Árvore genealógica dos reis de Portugal da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota (em azul). Incluem-se os dois últimos monarcas da Casa de Bragança (em amarelo).

D. Maria II e D. Fernando II[editar | editar código-fonte]

D. Maria II (1819-1853), reinou em Portugal entre 1826-1828, sucedendo ao seu pai D. Pedro IV, e entre 1834-1853, sucedendo ao seu tio D. Miguel. Casou em primeiras núpcias com D. Augusto de Beauharnais, em 1835, tendo este falecido pouco depois de se ter casado e sem deixar descendência. Tornou a casar em segundas núpcias, com D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Koháry (II de Portugal), em 1836. D. Fernando II e D. Maria II tiveram onze filhos:

D. Pedro V[editar | editar código-fonte]

D. Pedro V (1837-1861), reinou em Portugal entre 1853-1861, sucedendo à sua mãe, D. Maria II. Casou com D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, em 1858, tendo esta falecido cerca de um ano depois. D. Pedro V não teve filhos, sucedendo-lhe o irmão, D. Luís I.

D. Luís I[editar | editar código-fonte]

Bandeira de Portugal durante o reinado da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota.

D. Luís I (1838-1889), reinou em Portugal entre 1861-1889, sucedendo ao seu irmão, D. Pedro V. Casou com D. Maria Pia de Saboia, em 1862, com a qual teve dois filhos:

D. Carlos I[editar | editar código-fonte]

D. Carlos I (1863-1908), reinou em Portugal entre 1889-1908, sucedendo ao seu pai D. Luís I. Casou com D. Amélia de Orleães, em 1886, com a qual teve três filhos:

O rei terá tido, ainda, uma relação extra-conjugal com D. Maria Amélia de Laredó e Murça[5] , com quem teve uma filha:

D. Manuel II[editar | editar código-fonte]

D. Manuel II (1889-1932), reinou em Portugal entre 1908-1910, sucedendo ao seu pai D. Carlos I. O seu reinado acabou em 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República, tendo este e a restante família real, partido para o exílio na Inglaterra. Casou, já no exílio, com D. Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, em 1913. D. Manuel II não teve filhos, extinguindo-se assim este ramo da Casa Real.

Reivindicações pós-Monarquia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Questão dinástica portuguesa
Retrato de D. Maria Pia de Bragança junto dos membros da Família Real da Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota.

Em 1932, após a morte do último rei de Portugal, uma alegada filha legitimada do rei D. Carlos I[6] e, portanto, alegadamente, meia-irmã do rei D. Manuel II, conhecida como D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gota e Bragança,[7] sustentando-se no texto das Cortes de Lamego[8] que definiam que «se el Rey falecer sem filhos, em caso que tenha irmão, possuirá o Reyno em sua vida», reclamou a titularidade do Ducado de Bragança (pela Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gota) e defendeu ser a legítima Rainha de Portugal.[9]

D. Maria Pia de Bragança (1907-1995) deixou a seguinte descendência:

  • Fátima Francisca Xaviera Íris de Saxe-Coburgo Gota e Bragança (filha de D. Maria Pia de Bragança), freira católica
  • Maria Cristina Amélia Blais de Saxe-Coburgo Gota e Bragança (filha de D. Maria Pia de Bragança)
    • Carlos Miguel Berrocal de Saxe-Coburgo Gota e Bragança (neto de D. Maria Pia de Bragança)
    • Beltrão José Berrocal de Saxe-Coburgo Gota e Bragança (neto de D. Maria Pia de Bragança)
  • Rosario Poidimani (herdeiro por cooptação nomeado por D. Maria Pia de Bragança)
    • Soraia Lúcia Poidimani (filha de Rosario Poidimani)
    • Simão Poidimani (filho de Rosario Poidimani)
    • Cristal Isabel Poidimani (filha de Rosario Poidimani)

Por sua vez, por meio do alegado Pacto de Dover, Duarte Nuno de Bragança e, posteriormente, seu filho Duarte Pio, descendentes do ex-infante D. Miguel e pretendentes à chefia da Casa de Bragança, passaram a reivindicar a sucessão dinástica pertencente à Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota, uma vez que, segundo eles, esta se teria extinto com D. Manuel II. Contudo, devido à inexistência de provas documentais sobre a existência efetiva do referido "Pacto", essa mesma alegada legitimidade do Ramo Miguelista permanece bastante contestada.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Almanach de Gotha (175th ed.). Justus Perthes. 1938. pp. 112.
  2. PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, 1883. Página 313
  3. Maclagan, Michael (2002). Lines of Succession Time Warner Books [S.l.] p. 187. ISBN 0316724289. 
  4. PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva, 1883. Página 313
  5. "…a brasileira D. Maria Amélia de Laredó e Murça, de cujas relações com D. Carlos nasceu, em 1907, D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, ainda hoje viva, e desde há algum tempo em conflito nos tribunais com o alegado pretendente ao trono português, D. Duarte Pio. Veja-se o destacável que o Expresso de 7-V-1983 dedicou ao assunto: «O "caso Maria Pia" e a herança polémica dos últimos reis de Portugal». (J.M.)" in Afonso, Aniceto (co-autor); Medina, João (direcção); História contemporânea de Portugal (2º Volume) – Monarquia Constitucional: das origens do liberalismo à queda da realeza. Lisboa: Multilar, D.L. 1990, pág. 213.
  6. PAILLER, Jean; Maria Pia: A Mulher que Queria Ser Rainha de Portugal. Lisboa: Bertrand, 2006.
  7. "...aquela que se conhecia por S.A.R. Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo Gota e Bragança, Princesa herdeira de Portugal" (Pailler, 2006, p.12).
  8. Segundo Alexandre Herculano as Cortes de Lamego nunca existiram nem foram convocadas, sendo uma invenção do século XVII com vista a melhor defender a legitimidade da independência de Portugal face a Espanha.
  9. SOARES, Fernando Luso; Maria Pia, Duquesa de Bragança contra D. Duarte Pio, o senhor de Santar. Lisboa: Minerva, 1983.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PINTO, Albano Anthero da Silveira; VISCONDE, Augusto Romano Sanches de Baêna e Farinha; Resenha das familías titulares e grandes de Portugal (Volume 1). Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva (1883). Pág. 313
  • McCULLOCH, John Ramsay; A Dictionary, Geographical, Statistical, and Historical: of the various Countries, Places, and Principal Natural Objects in the World (Volume 4). Longmans: Green (1866). Pág. 14
  • Almanach de Gotha. Justus Perthes Publishing House in Gotha; 175th ed.
  • American Annals of Education (Volume 18). Otis: Broaders (1869).
  • ROBINSON, James Harvey; BEARD, Charles Austin; The development of modern Europe: an introduction to the study of current history. Ginn & Company (1908). Pág. 27.
  • The British Almanac: Containing Astronomical, Official and Other Information Relating to the British Isles, the Dominions Oversea and Foreign Countries. Stationers Company (1909). Pág. 457
  • W.H. De Puy; The Century Reference Library of Universal Knowledge (Volume 8). National Newspapers Company (1909).
  • ROLT-WHEELER, Francis; DRINKER, Frederick E.; The World War for Liberty: A Comprehensive and Authentic History of the War by Land, Sea and Air. C.H. Robinson Company (1919). Pág. 382
  • COLENBRANDER, Herman Theodoor; deel. Algemeene koloniale geschiedenis. M. Nijhoff (1925). Pág. 26.
  • Current History (Volume 38). New York Times Company (1933). Pág. 239.
  • The Catholic Encyclopedia: Laprade-Mass. Appleton (1950). Pág. 282.
  • FRANCIS, John Michael (Editor); Iberia and the Americas: Culture, Politics, and History (Transatlantic Relations), 3 Volumes Set. ABC-CLIO (November 21, 2005). Págs. 724 e 1112.
  • OLIVEIRA, Barradas de; Quando os cravos murcham (Volume 2). Edições FP (1984). Pág. 41.
  • FIGUEIREDO, Fidelino de; Revista de História (Volumes 10-11). Emprêsa Literária Fluminense (1921). Pág. 220.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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