Ravidas

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Ravidas
रविदास
Outros nomes Raidas
Conhecido(a) por Venerado como guru, tendo hinos incluídos no Guru Granth Sahib
Fundação da religião ravidassia
Nascimento c. 1450[1][2]
Varanasi, Sultanato de Déli
Morte c. 1520[1][2]
Varanasi, Sultanato de Déli
Progenitores Mãe: Mata Ghurbinia
Pai: Raghuram
Religião Budismo, Ravidassia

Ravidas (em hindi: रविदास; Varanasi, ca. 1450 — Varanasi, ca. 1520)[1][2] foi um santo-poeta místico indiano do movimento Bhakti durante os séculos XIV a XVI.[3][4] Venerado como guru (professor) na região de Punjab, Uttar Pradesh, Rajastão, Maharashtra e Madhya Pradesh, as canções devocionais de Ravidas tiveram um impacto duradouro sobre o movimento bhakti. Ravidas era um poeta-santo, reformador social e uma figura espiritual.

Os detalhes da vida dos Ravidas são incertos e contestados. Os estudiosos acreditam que ele nasceu em 1371 EC[1] em uma família que trabalhava com peles de animais mortos para produzir produtos de couro, mais conhecidos na Índia como "intocáveis".[3][4] Na tradição e nos textos da era medieval, afirmam que Ravidas foi um dos discípulos do santo poeta brâmane bhakti Ramananda e do poeta-santo contemporâneo do movimento bhakti, Kabir.[5][6]

As canções devocionais de Ravidas foram incluídas nas escrituras siques Guru Granth Sahib.[4][7] O texto Panch Vani da tradição Dadupanthi no hinduísmo também inclui numerosos poemas de Ravidas.[4] Ravidas ensinou a remoção de divisões sociais de casta e gênero, e promoveu a unidade na busca de liberdades espirituais pessoais.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Os detalhes da vida de Ravidas não são bem conhecidos pois ele era de uma família de casta inferior e naquela época os membros do nascimento de sua casta não eram registrados pelos estudiosos brâmanes. Estudiosos afirmam que ele nasceu em 1450 EC e morreu em 1520 EC.[1][2]

Ravidas nasceu na aldeia de Seer Goverdhanpur, perto de Varanasi, no que hoje é Uttar Pradesh, na Índia. Seu local de nascimento é agora conhecido como Shri Guru Ravidas Janam Asthan. Mata Ghurbinia era sua mãe e seu pai era Raghuram.[8] Sua ocupação original era trabalho com couro, no entanto ele passava a maior parte de seu tempo em atividades espirituais na margem do rio Ganges.[8] Depois disso, passou a maior parte de sua vida na companhia de santos sufi, sadhus e ascetas.[8]

O texto Ananta Das Parchai, uma das primeiras biografias de vários poetas do Movimento Bhakti, introduz o nascimento dos Ravidas da seguinte forma:[9]

Em Benares, aquela melhor das cidades, nenhum mal jamais visita homens.
Ninguém que morre vai para o inferno, o próprio Shankar vem com o Nome de Ram.
Onde Shruti e Smriti têm autoridade, lá Raidas renasceu,
na casa de um Shakta de casta baixa, seu pai e sua mãe eram ambos Chamars.

Em seu nascimento anterior, ele era um brâmane,
ele ouviu o tempo todo a recitação religiosa, mas não desistiu da carne.
Por esse pecado, ele nasceu em uma família de castas baixas,
mas ele se lembrou de seu nascimento anterior.

— Anantadas Parcai, 1600 CE, Traduzido para o inglês por Winnand Callewaert[9]

Textos da época medieval, como o Bhaktamal, sugerem que Ravidas não era o discípulo do bhakti-poeta Brâmane Ramananda.[5][6] Ele é tradicionalmente considerado o contemporâneo mais jovem de Kabir.[3]

Suas ideias e fama aumentaram ao longo de sua vida, os textos sugerem que os brâmanes (membros da casta superior sacerdotal) costumavam se curvar diante dele.[4] Ele viajou extensivamente, visitando locais de peregrinação hindu em Andra Pradexe, Maharashtra, Guzerate, Rajastão e no Himalaia. Ele abandonou a forma de seres supremos saguna (com atributos, imagem) e focalizou a forma nirguna (sem atributos, abstrata) de seres supremos.[8] Como seus hinos poéticos em línguas regionais inspiraram outros, pessoas de várias origens buscaram seus ensinamentos e orientações.[8]

A maioria dos estudiosos acreditam que Ravidas conheceu o Guru Nanak Dev Ji, o fundador do siquismo.[4] Ele é reverenciado na escritura sikh e 41 dos poemas de Ravidas estão incluídos no Adi Granth. Estes poemas são uma das mais antigas fontes de suas ideias e obras literárias.[3][4] Outra fonte substancial de lendas e histórias sobre a vida de Ravidas é a hagiografia da tradição sikh, chamada Premambodha.[10] Este texto, criado a mais de 150 anos após a morte de Ravidas, em 1693, inclui-o como um dos dezessete santos da tradição religiosa indiana.[10] O Bhaktamal (um (poema com biografias de mais de 200 bhaktas) de Nabhadas (um santo pertencente à tradição de Ramananda) do século XVII e o Parcais de Anantadas contêm capítulos sobre Ravidas.[9] Além disso, as escrituras e os textos da tradição sikh e as tradições Hindu Dadupanthi, a maioria das outras fontes escritas sobre a vida de Ravidas, incluindo pelos Ravidasi (seguidores de Ravidas), foram compostas no início do século XX, ou cerca de 400 anos depois de sua morte.[10]

Referências

  1. a b c d e Arvind Sharma (2003), The Study of Hinduism, The University of South Carolina Press, ISBN 978-1570034497, page 229
  2. a b c d e Phyllis G. Jestice (2004). Holy People of the World: A Cross-Cultural Encyclopedia. [S.l.]: ABC-CLIO. 724 páginas. ISBN 978-1-57607-355-1 
  3. a b c d James Lochtefeld (2002), The Illustrated Encyclopedia of Hinduism: N-Z, Rosen Publishing, ISBN 978-0823931804, page 569
  4. a b c d e f g «Bhagat Ravidass Ji (Indian mystic and poet) – Britannica Online Encyclopedia». Britannica.com. Consultado em 10 de agosto de 2009 
  5. a b Rekha Pande (2014), Divine Sounds from the Heart—Singing Unfettered in their Own Voices, Cambridge Scholars Publishers, ISBN 978-1443825252, páginas 76-77
  6. a b David Lorenzen (1996), Praises to a Formless God: Nirguni Texts from North India, State University of New York Press, ISBN 978-0791428054, page 268
  7. Callewaert and Friedlander, The Life and Works of Ravidass Ji, Manohar, Delhi, 1992, quoted in Gavin Flood, An Introduction to Hinduism, Cambridge 1996.
  8. a b c d e Hardev Bahri. Harbans Singh; et al., eds. «Ravidas». Encyclopaedia of Sikhism. Punjabi University Patiala. Consultado em 11 de fevereiro de 2017 
  9. a b c Winnand Callewaert (2000), The Hagiographies of Anantadas: The Bhakti Poets of North India, Routledge, ISBN 978-0700713318, páginas 307, 1-23
  10. a b c Peter Friedlander (1996), Myth and Mythmaking: Continuous Evolution in Indian Tradition (Editor: Julia Leslie), Routledge, ISBN 978-0700703036, páginas 106-114
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