Reaganomics

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Conferência do presidente Reagan, no Salão Oval, em julho de 1981, descrevendo seu plano de redução de impostos

Reaganomics (uma palavra-valise resultante de fusão de Reagan e economics, cuja criação é atribuída ao radialista Paul Harvey[1]) refere-se à política econômica adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, durante a década de 80, cujos quatro pilares eram:[2]

  1. Redução do gasto público
  2. Redução do imposto sobre a renda e sobre os ganhos de capital
  3. Redução da regulação da economia
  4. Controle da oferta de moeda para reduzir a inflação

Em sua intenção declarada de cortar os gastos domésticos enquanto reduzia as taxas, a abordagem de Reagan divergiu de seus predecessores imediatos. Embora seus registros ainda sejam debatidos, Reagan obteve sucesso com alíquotas baixas em conjunto com impostos sobre renda simplificados, e desregulação continuada. Entretanto, os gastos do governo e os déficits subiram durante sua administração, assim como a disparidade entre ricos e pobres.[3]

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Antes do governo de Reagan, os Estados Unidos viveram uma década de estagnação econômica e inflação, conhecida como estagflação. Pressão política favoreceram estímulos, resultando em uma expansão da oferta de dinheiro. O controle de salário e preço de Nixon foi abandonado.[4] Sob a administração de Ford, os problemas continuaram. As reservas nacionais de petróleo foram criadas para facilitar qualquer impacto futuro de curto prazo. Carter começou a eliminar o controle de preço sobre o petróleo, mas criou o Departamento de Energia. Muito do crédito para a resolução da estagflação é dado a duas causas: três anos de contração regulada[5] da oferta de dinheiro pelo Banco Central americano sob a direção de Paul Volcker,[4] a facilitação de longo prazo do fornecimento e o controle de preço do petróleo. No momento que Reagan assumiu a presidência, a estagflação estava próxima do fim e durante o resto de sua presidência a economia andou bem.[carece de fontes?]

Política interna e confronto geopolítico com a União Soviética[editar | editar código-fonte]

A administração de Reagan teve como sua principal fonte doutrinária o pensamento produzido pelo grupo de intelectuais neoconservadores, que tinham em Irving Kristol seu mentor. Vários deles ocuparam posições importantes no seu governo. Essa doutrina determinou as posições do governo Reagan, tanto em sua política interna, quanto em sua política internacional. No plano interno, a redução dos impostos e dos gastos governamentais e a desregulação dos mercados marcaram a materialização das ideias neoconservadoras adotadas por Reagan. No Plano externo, o confronto geopolítico com a União Soviética, a questão da proliferação dos armamentos nucleares, o fim da Guerra Fria, com a queda da União Soviética, foram os temas enfrentados.[6]

Até o governo anterior, toda a ação no plano internacional seguia a doutrina da détente, uma crença de que a melhor estratégia no plano internacional seria estabelecer uma distensão nas relações com a União Soviética por meio de uma aproximação política, que poderia evoluir para relações comerciais, evitando, assim, o risco de um conflito militar e até nuclear. No plano bélico, certo poder militar nuclear instalado em território de países aliados, geralmente próximo às fronteiras da União Soviética, seria suficiente para impor uma contenção aos soviéticos em seus objetivos de hegemonia militar e geopolítica na região da Europa. na era Reagan, por sua vez, a posição americana se alterou para a imposição de uma política internacional com maior exibição de força, com os projetos de defesa do governo - como um escudo aéreo, cuja tecnologia previa a destruição de mísseis disparados em direção ao território dos Estados Unidos, ou de seus aliados, ainda no ar, durante o percurso, antes que se aproximassem dos territórios protegidos, o que veio a ser conhecido popularmente como "guerra nas estrelas" - ou mesmo a pressão exercida sobre os soviéticos a partir da decisão de fabricar e instalar uma grande quantidade de mísseis nucleares nas regiões de fronteira, apontando para pontos estratégicos no território soviético. Essa política colocou grande pressão econômica sobre a União Soviética, que não fora capaz de suportar o volume de gastos militares para fazer frente à possível escaladas bélica imposta pelos Estados Unidos. A incapacidade econômica soviética de fazer frente a ressa pressão é apontada como uma das causas do colapso da ex-superpotência e do fim do período da Guerra Fria.[7] A doutrina neoconservadora conduziu o governo Reagan a essa resolução no plano internacional e lhe deu suporte para as políticas internas de desregulamentação de mercados e redução da carga tributária e, também, para a rediscussão do sistema de assistência social construído no contexto da criação do Estado de bem-estar social, plataforma encampada pelos governos democratas que o antecederam.[8]

Fim da Reaganomics[editar | editar código-fonte]

A Reaganomics continuou após o fim do mandato de Reagan, em 20 de janeiro de 1989, com seu sucessor, George Bush, e terminou oficialmente nos primeiros meses de 1993, já no governo de Bill Clinton, que reverteu as decisões da era Reagan-Bush, que, apesar de terem propiciado o crescimento econômico dos Estados Unidoso, levaram o país ser uns dos maiores devedores no mundo.

Referências

  1. «Paul Harvey, pioneiro da radialismo americano, morre aos 90 anos». Folha de S.Paulo. 1 de Março, 2009. Consultado em 1 de Março, 2009. 
  2. William A. Niskanen. «Reaganomics». The Concise Encyclopedia of Economics. 
  3. "The Sad Legacy of Ronald Reagan". Página acessada em 3 de setembro de 2015.
  4. a b Alan Greenspan (2007), Age of Turbulence, Penguin Press
  5. http://www.nytimes.com/2009/10/21/business/21volcker.html?_r=2&em& Volcker Fails to Sell a Bank Strategy]
  6. Bueno, José Luiz (2011). Gertrude Himmelfarb - Modernidade, Iluminismo e as virtudes sociais É Realizações [S.l.] p. 53. ISBN 978-85-8033-222-3. 
  7. Oleg Kalugin (1994). SpyMaster - My 32 years in Intelligence and Espionage against the West (em inglês) (Great Britain: Butler and Tanner Ltd.). pp. 109 e 110. ISBN 1 85685 071 4. 
  8. Bueno, José Luiz (2011). Gertrude Himmelfarb - Modernidade, Iluminismo e as virtudes sociais É Realizações [S.l.] p. 54. ISBN 978-85-8033-222-3. 

Ver também[editar | editar código-fonte]