Recreio dos Bandeirantes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Recreio dos Bandeirantes
—  Bairro do Brasil  —
Vista desde o começo do bairro, a partir do Barra World Shopping
Vista desde o começo do bairro, a partir do Barra World Shopping
Distrito Barra da Tijuca e Jacarepaguá [1]
Município Rio de Janeiro
Criado em 23 de julho de 1981[2]
Área
 - Total 3.065,56 ha (em 2003)[3]
População
 - Total 82,240 (em 2 010)
 - IDH 0,894[4](em 2000)
Domicílios 38.705 (em 2010)
Limites Grumari, Barra de Guaratiba, Guaratiba,
Vargem Grande, Vargem Pequena,
Camorim e Barra da Tijuca[5]
Subprefeitura Barra da Tijuca e Jacarepaguá [1]
Fonte: Não disponível

Recreio dos Bandeirantes é um bairro nobre da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. É um dos bairros mais jovens da cidade, localizado na região administrativa da Barra da Tijuca, Possui uma área territorial de 30.655 km² e uma população de 82.240 habitantes divididos em 38.705 domicílios, sendo conhecido pelo ambientalismo, organização, segurança, praias e a prática de esportes aquáticos.

Faz divisa a leste com Barra da Tijuca, a norte com Camorim, Vargem Pequena e Vargem Grande, a oeste com Barra de Guaratiba, Grumari e Guaratiba, e a sul com o oceano atlântico.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Sua vegetação nativa é composta de restingas, de muito areal e pântano, e também por isso esta região permaneceu isolada durante muito tempo.

Já no século XX houve a aquisição das terras por Joseph Weslley Finch, da denominada Gleba B, e pelo Banco de Crédito Móvel, da área da Gleba A.

A formação do Recreio se daria a 11 de fevereiro de 1953 com o lançamento do Projeto de Urbanização do Recreio dos Bandeirantes (PA 6028), de autoria do engenheiro e urbanista José Otacílio Saboya Ribeiro, num projeto urbano que prevê a integração ambiental e comunitária, inspirado nos ideais anglo-americanos da Cidade Jardim, conciliando a topografia local a um traçado reticular segmentado com diversas praças e parques de floresta nativa.

Entre os anos de 1958-59 a Companhia Recreio dos Bandeirantes foi responsável pela implementação do projeto e venda dos lotes recém-desmembrados que compunham a chamada Gleba B. O senador potiguar Georgino Avelino, então presidente do Banco do Distrito Federal, esteve entre os que acreditavam na expansão da cidade em direção ao Sudoeste, pressionando pela urbanização da área e sua venda aberta à sociedade, contratando o então jovem corretor de imóveis Sergio Castro, que promoveu a venda em lançamento da Gleba B, desde um barracão localizado junto à Pedra do Pontal, que posteriormente, ao fim do lançamento, foi vendido por Sergio Castro a um famoso restaurante.

Historicamente, todos os bairros da região da Barra da Tijuca desde sua ocupação inicial sofreram com a falta de atuação do poder público, que sempre privilegiou áreas mais densamente povoadas da cidade e integradas ao seu centro. Com isso, tanto o Recreio quanto a Barra não tiveram implementadas várias obras públicas fundamentais ao seu desenvolvimento apropriado. A Barra da Tijuca, porém, conseguiu remediar tal questão por ser um bairro construído majoritariamente pela iniciativa privada, empresas de construção e incorporação que abriram e pavimentaram vias para a implementação dos seus famosos condomínios de ruas fechadas. Já o Recreio, pela sua própria estrutura urbana (formado majoritariamente por ruas de acesso livre nas quais a iniciativa privada não tem poder) é dependente da atuação do governo local.

O abastecimento de água só foi implementado de forma abrangente na década de 1990 no governo de Marcello Alencar. O fornecimento de energia tinha uma infra-estrutura precária, e eram frequentes as quedas de energia, que causavam enormes prejuízos materiais aos moradores; a região só tinha uma subestação de energia, e só na década de 2000 foram implantadas outras subestações, diminuindo consideravelmente o problema. O problema da pavimentação das ruas, por sua vez, constituiu um grande entrave ao desenvolvimento do bairro nos anos 1990, e somente na década seguinte foi erradicado. Em relação à falta de saneamento, a região recentemente investimentos da prefeitura, sendo inaugurada uma estação elevatória da Cedae em 2009, todavia o despejo de esgoto nos canais e lagoas da região continua até os dias atuais sem a atuação mais efetiva do poder público.

Características[editar | editar código-fonte]

Edifício residencial típico no Recreio.

Localizado a oeste do bairro da Barra da Tijuca e a leste de Guaratiba, o Recreio dos Bandeirantes é o bairro do Rio de Janeiro que tem crescido mais rapidamente nos últimos anos. Em 1980 tinha 5.276 habitantes, e em 1991, tinha 14.344 habitantes. Sofreu uma explosão populacional a partir da década de 2000, passando de 37.572 habitantes em 2000 para 82.240 habitantes em 2010. É dos bairros que mais se valorizam na cidade, atraindo as classes média-alta e alta, vindas de bairros nobres já saturados, e a classe média emergente, vinda de bairros mais humildes.

Parte da região da Barra da Tijuca, o Recreio faz divisa com os bairros da Barra da Tijuca, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Grumari e Barra de Guaratiba e possui área total de 3065,56 ha, o equivalente ao tamanho da Zona Sul carioca. É habitado por pessoas de bom padrão financeiro. Na maior parte do bairro prevalece o gabarito de construção residencial limitado a 3 pavimentos.

O Pontal de Sernambetiba marca o início da Praia do Pontal e tornou-se uma referência, em parte devido à música "Do Leme ao Pontal" de Tim Maia, muito famosa no Rio de Janeiro.

Mapa da região administrativa da Grande Barra, que inclui o Recreio.

Na Praia do Pontal existe também uma formação rochosa que lembra o Arpoador, chamada "Pedra de Villegaignon", por onde os franceses, no passado colonial, iniciaram uma das duas invasões ao Brasil.

O Recreio, bairro com explícita vocação ambiental, conta também com bons e amplos parques e reservas ambientais, como Parque Chico Mendes, Parque Marapendi, Parque Municipal da Prainha, bosques e praças bem arborizadas, entre elas a Praça Tim Maia localizada próxima a Pedra do Pontal. Suas ruas também são muito arborizadas e seus prédios, via de regra, apresentam belos jardins. Nele também encontra-se uma grande extensão de ciclovias.

O Recreio é muito famoso entre surfistas, skatistas, hippies e ecologistas, tanto pelas ondas e clima tranquilo quanto pela flora e fauna. O bairro ainda permite grande contato e convívio harmônico com a fauna local, não sendo rara a presença de jacarés-de-papo-amarelo, capivaras, biguás, saguis, jacutingas, tiês-sangue em seus canais, parques e eventualmente em suas ruas.

O bairro tem apresentado avanços e melhorias. Hoje, atrai grandes empresas e já possui uma rede extensa e diversificada de comércio, com grandes shoppings e hipermercados, colégios e universidades tradicionais, opções de lazer, inúmeros bares, cafés, churrascarias, steakhouses, pizzarias, restaurantes, além dos quiosques localizados no maior cartão postal do bairro, a praia.

Além disso, o setor de construções de alto padrão continua em alta no bairro, que já é considerado um dos mais nobres da cidade. A rede de transportes já é mais avançada do que antigamente, com a presença da Linha Amarela e aumento de linhas de ônibus, devendo melhorar ainda mais com a chegada do metrô até a Barra pela Linha 4. A integração geográfica direta com a Barra da Tijuca também é positiva para os moradores do bairro, que podem contar com os inúmeros serviços da Barra a poucos minutos de distância.

Possui características como o elevado padrão das construções e a presença constante de praças, bosques e parques; ciclovias cruzando o bairro e o interligando à Barra; e a arborização das ruas.

Muitos artistas também têm optado por morar no bairro. Foi o bairro que mais avançou no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), passando de 0,794 em 1991 para 0,894 em 2000, o 31º melhor da cidade do Rio de Janeiro (índice já defasado) [7]. O Recreio, ao contrário do bairro da Barra da Tijuca, que tem arranha-céus residenciais, possui principalmente prédios baixos com grandes varandas. É considerado um dos bairros mais seguros da cidade.[carece de fontes?]

Seu clima é dos mais amenos da cidade graças à proximidade com o mar, presença de vários canais e lagoas, distanciamento entre as construções de poucos andares, e presença abundante de vegetação.

Praias[editar | editar código-fonte]

Vista da Praia do Recreio.
Vista da Praia do Pontal.
Recreio Shopping

O litoral do Recreio é formado por quatro praias: Macumba, Pontal, Recreio e Reserva. O bairro possui praias mais limpas, reservadas e bonitas que a média da cidade, no sentido leste-oeste são a Praia do Recreio, Praia do Pontal e Praia da Macumba. Além disso 30% da extensão da Praia da Reserva está localizada em áreas contíguas ao bairro; no total o bairro apresenta quase oito quilômetros de litoral.

Praia do Recreio[editar | editar código-fonte]

A maior e mais agitada praia do bairro, possui ondas mais fortes e as águas mais limpas do litoral carioca. Possui diversas escolas de surf e vôlei de praia. Tem o tamanho aproximado de 3 quilômetros. É muito frequentada por surfistas e é palco de muitos campeonatos de bodyboard e gravações de televisão. Pela limitação do gabarito dos prédios em 3 andares, o sol não é bloqueado atrás das grandes construções. Seu limite vai da praia da Barra da Tijuca até a pedra do Pontal. Já a praia do Pontal é caracterizada por águas mais calmas e prédios de gabarito mais alto localizados no próprio calçadão da praia. A praia da Macumba por sua vez é mais agitada e é comum a destruição de seus aparatos urbanos que é destruído pelas ondas fortes. No Carnaval os quiosques da orla promovem o desfile de bandas.

Praia do Pontal[editar | editar código-fonte]

É a segunda maior e mais importante praia, caracterizada por não haver separação entre o calçadão e os prédios, que possuem aqui um gabarito maior de construção. Estende-se da Pedra do Pontal até a Pedra de Itapuã.

Praia da Macumba[editar | editar código-fonte]

Praia de pouco mais de 1 quilômetro localizada entre a Pedra de Itapuã e o Canal de Sernambetiba. É cercada por rochas e de ondas fortes. Muito procurada para a prática de surf.

Bairro do Surf[editar | editar código-fonte]

Foi criado pela prefeitura o Bairro Temático do Surfe entre Prainha e Pontal com vista a incentivar competições na área e incrementar a estrutura para prática da modalidade.

Urbanização[editar | editar código-fonte]

O Recreio se destaca pelo urbanismo diferenciado em relação ao restante da Barra da Tijuca: gabarito de construção majoritariamente limitado a poucos pavimentos, ruas com cortes semi-hipodâmicos que ajudam a reduzir a velocidade dos automóveis e com um grande número de praças. A sua divisão inicial se deu entre as chamadas Gleba A, Gleba B e Gleba C (Pontal). As áreas das glebas A e B, entre as vias Balthazar da Silveira e Gilka Machado, são as mais ocupadas e seguiram o planejamento inicial, enquanto a Gleba C,na região do Pontal, área entre as vias Gilka Machado e Estrada Vereador Alceu de Carvalho,foram feitas invasões irregulares - favelas do Terreirão e do Parque Chico Mendes. Ainda na Gleba C há a Barra Bonita, área em que há os maiores gabaritos de construção de todo o Recreio, ao redor do Recreio Shopping. Já no interior do Recreio - entre a Avenida das Américas e o bairro das Vargens - estão localizados os condomínios fechados que seguem o mesmo modelo urbano do bairro da Barra da Tijuca.

O Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Recreio dos Bandeirantes, tornou-se num centro de peregrinação.

Um grandes problemas do bairro ainda hoje é o transporte público para as demais regiões da capital fluminense. O Recreio não possui metrô e conta com poucas linhas de ônibusA prefeitura vem tentando resolver a questão com a implantação do sistema Bus Rapid Transit, que ligará o bairro à futura estação de metrô do Jardim Oceânico. A linha TransOeste, bem como ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, através da linha TransCarioca, além de fazer a ligação a outros bairros da zona oeste do Rio de Janeiro.

Devido ao excessivo uso de carros, o trânsito da região era intenso. A Avenida das Américas, no trecho do Recreio, apresentava sinais de saturamento crescentes, já que possuía apenas duas pistas em cada sentido, contra seis no trecho da Barra da Tijuca. Em 2010, a Prefeitura iniciou as obras de duplicação da Avenida das Américas. Em 2012 ficaram prontas as obras da TransOeste, do Túnel da Grota Funda e do viaduto Orlando Raso, que conseguiram conter o problema de tráfego temporariamente.

A favelização se expõe no bairro principalmente com o Terreirão, a maior favela do bairro, que é dominada por milicianos mas não possui tráfico de drogas; e a Favela do Beira Rio, no interior do Recreio. Os principais problemas agregados a elas são a prática da construção irregular, invasão e desmatamento de florestas protegidas, uso ilegal de áreas públicas e a poluição do Canal das Taxas e do Canal do Cortado, assim como serem base de milicianos.

Construção do viaduto ligando a Barra ao Recreio na Avenida das Américas

A maioria dos eventos dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 foram realizados em áreas vizinhas ao Recreio, assim como a Vila Olímpica no Camorim, que fica a cinco minutos do bairro. Devido a isso estão sendo realizadas diversas obras públicas que visam a melhoria do transporte, saneamento e urbanização do Recreio dos Bandeirantes.

Bairros próximos[editar | editar código-fonte]

Sub-bairros[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Categoria no Commons

Sites da Região[editar | editar código-fonte]