Rede Ex Aequo

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rede ex aequo
(rea)
Tipo Associação de Jovens LGBTI e apoiantes
Fundação 5 de Abril de 2003
Sede Lisboa
Presidente Isaac Rodrigues
Fundador(a) Rita Paulos
Voluntários +100
Sítio oficial http://www.rea.pt

A rede ex aequo é uma associação[1] portuguesa de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans[2], intersexo e apoiantes com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos[3] e atuando tanto em Portugal Continental como nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores[4].

A rede ex aequo está inscrita no Registo Nacional do Associativismo Jovem e é uma organização membro do Conselho Nacional de Juventude[5], da IGLYO – International Gay, Lesbian, Bisexual, Transgender and Queer Youth and Student Organization e da EPOA – European Pride Organisers Association.

Foi criada com o objectivo de apoiar[6] a juventude LGBTI[7] e de educar mentalidades contra a discriminação e o preconceito[8] em função da orientação sexual, identidade de género, expressão de género e características sexuais.[9][10][11]

História[editar | editar código-fonte]

A rede ex aequo surgiu através do Projecto Descentrar da Associação ILGA Portugal[12], projecto apoiado pelo Instituto Português da Juventude, que trabalhou para criar grupos de jovens LGBT pelas principais cidades de Portugal, tendo iniciado as suas actividades informalmente desde Janeiro de 2002. Foi constituída como associação de jovens a 5 de Abril de 2003[13] e legalizada a 15 de Setembro do mesmo ano. Os seus estatutos mais recentes foram publicados na Série III do Diário da República a 25 de Maio de 2004.

A associação tem núcleos de jovens locais de apoio para jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e apoiantes a funcionar em Lisboa, Coimbra, Porto, Madeira e São Miguel.

Atuação[editar | editar código-fonte]

A rede ex aequo tem como principais objetivos:

  • a educação da juventude para as questões de orientação sexual, identidade e expressão de género, características sexuais e não-discriminação, através de educação não-formal e entre pares;[14]
  • a quebra do isolamento sentido pela juventude lésbica, gay, bissexual, trans e intersexo, através de eventos e iniciativas que promovam a criação e manutenção de redes de apoio informais.

Tem como manifestação online um fórum de discussão com mais de 11000 membros e um website com informação dirigida a jovens e pais.

Projetos[editar | editar código-fonte]

Entre os seus projectos desenvolvidos destacam-se:

Projecto Educação LGBTI[editar | editar código-fonte]

O Projeto Educação LGBTI surgiu em 2005 com o objetivo de intervir na sociedade para combater a falta de conhecimento sobre os temas de orientação sexual, identidade e expressão de género, e características sexuais. No âmbito do projeto são feitas sessões de debate em escolas e universidades[15], entre outros contextos, chegando anualmente a cerca de 5.000 jovens. O Projeto Educação LGBTI atua ao longo de todo o país.

Estas sessões[16] baseiam-se nos princípios da educação não-formal, interativa e informativa e entre pares com o fim de cativar a atenção dos jovens e de permitir que se sintam mais à vontade para discutir[17] verdadeiramente o assunto. Adicionalmente, têm um formato adaptável ao público em questão, abordando temas de acordo com a necessidade e o nível de conhecimento do público, variando também a profundidade da discussão e a abordagem em si[18]. Desta forma, são fornecidos conhecimentos base a partir dos quais os jovens são incentivados a criar as suas próprias opiniões informadas sobre o tema.[19][20][21]

Núcleos LGBTI Locais[editar | editar código-fonte]

Desde a criação da rede ex aequo, esta veio a dinamizar núcleos de jovens LGBTI em 19 locais de norte a sul do país, incluindo ilhas. Atualmente existem 7 núcleos ativos, situados em Lisboa, Porto, Coimbra, Almada, Esposende, Madeira e São Miguel. Os Núcleos LGBTI são grupos de jovens LGBTI e apoiantes que, na sua localidade, organizam eventos tal como tertúlias, reuniões temáticas e atividades lúdicas como passeios, piqueniques[22] e convívios direcionados para a juventude LGBTI. Deste modo, pretendem quebrar o isolamento da juventude LGBTI, promover a criação de redes de apoio e criar um espaço aberto onde possam discutir sobre assuntos que normalmente lhes estão vedados devido à sociedade homo/bi/transfóbica em que vivemos.[23]

Núcleo Nacional de Jovens Trans, Não-Bináries e em Questionamento Identitário[editar | editar código-fonte]

São organizadas atividades online para jovens trans, não-binários e em questionamento identitário de Portugal inteiro de modo a criar um espaço de partilha, convívio e debate sobre temas relevantes à juventude trans. Tem como principal objetivo a quebra do isolamento de jovens trans e a disponibilização de informação sobre saúde e o mundo legal.[24]

Acampamento de Verão LGBTI[editar | editar código-fonte]

Um acampamento anual com a duração de uma semana cheia de atividades, convívio, tertúlias, workshops e diversão que constitui um momento de descontração e de partilha entre jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e em questionamento. Este conta com pessoas convidadas que vêm moderar conversas sobre diversos assuntos. O Acampamento conta já com 17 edições realizadas.[25]

Encontro Nacional de Jovens Trans, Não-Bináries e em Questionamento Identitário[26][editar | editar código-fonte]

Tem como principal objetivo ir de encontro às necessidades específicas da juventude trans, oferecendo um espaço em que possam explorar as suas identidades, criar redes de apoio e aprender ferramentas para melhor navegarem o mundo médico e legal. Este proporciona à juventude trans ao longo de Portugal a oportunidade de participação independentemente das suas capacidades financeiras e localização geográfica, sendo os custos cobertos ou reembolsados de modo a não deixar estas barreiras impedirem o acesso ao projeto. O Encontro conta já com 6 edições.[27]

Encontros Locais de Jovens Trans, Não-Binários e em Questionamento Identitário[editar | editar código-fonte]

Semelhantes ao Encontro Nacional, mas decorrem em várias localidades do país. Os Encontros Locais contam já com 2 edições.

Escolas ex aequo[editar | editar código-fonte]

Formações de voluntariado aprovadas pela CIG[28] para os projetos da associação, nomeadamente para as pessoas oradoras do Projeto Educação LGBTI e coordenadoras dos Núcleos LGBTI. Nestes eventos, a rede ex aequo capacita as pessoas participantes para integrarem estas iniciativas e educa-las sobre questões de orientação sexual, identidade e expressão de género e características sexuais.[29][30]

Fórum[editar | editar código-fonte]

Um dos projetos primordiais da rede ex aequo. Consiste num fórum online onde desde 2002, jovens LGBTI ou em questionamento encontram um espaço para discutirem variados tópicos. Este permite a quebra do isolamento de jovens sem limitações geográficas e o acesso a informação sobre questões LGBTI, relacionamentos, saúde, entre outros.

Outros[editar | editar código-fonte]

  • Brochura Sermos Nós Própri@s: para jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo ou com dúvidas, publicada pela primeira vez em 2005. Esta brochura inclui adicionalmente um capítulo exclusivamente dedicado aos pais e familiares.[31]
  • Campanha Digital Contra o Preconceito: iniciada em 2003 com banners e postais virtuais que contêm frases que pretendem levar o cibernauta não só a pensar sobre as mesmas e a reflectir sobre o preconceito[32] existente para com as pessoas LGBT.[33]
  • Ciclos de Cinema LGBTI: organizados desde 2004 com o objectivo sensibilizar os jovens e adultos portugueses para questões relacionadas com a homossexualidade, bissexualidade e questões trans, especialmente no que diz respeito à fase do "assumir-se para si próprio".[34]
  • Observatório de Educação LGBT: projecto que fornece um formulário online para reportar todas as situações de discriminação[35], de qualquer cariz, respeitantes ao tema da orientação sexual e identidade de género que tenham ocorrido em estabelecimentos escolares em Portugal. Foram já publicados dois relatórios[36] desde 2006.[37]
  • prémios ex aequo: evento que homenageou anualmente de 2005 a 2015 as figuras da comunicação social, artes e espectáculo, que através do seu trabalho dão visibilidade de modo correcto e positivo a questões LGBT.[38][39][40][41]
  • Projecto Inclusão: Entre outros objectivos, o Projecto Inclusão prevê uma campanha de cartazes contra o bullying homofóbico a arrancar neste ano lectivo nas escolas do 3º Ciclo do Ensino Básico, Ensino Secundário e Ensino Universitário em Portugal. À semelhança da campanha de cartazes contra o bullying homofóbico, será também lançada uma campanha de sensibilização através da PostalFree, com 100 mil postais distribuídos pelos circuitos de ensino, cinema e lazer. O Projecto Inclusão prevê ainda o planeamento e realização de formações para profissionais que trabalhem com jovens. As formações vão realizar-se em 6 distritos diferentes, pretendendo chegar-se a todo o território nacional. Em cada formação, será abordado o tema do Bullying Homofóbico na Escola, bem como a realidade da juventude LGBTI.[42]
  • Guia sobre Saúde e Leis Trans em Portugal: recurso publicado em 2021 sobre legislação e questões clínicas da população trans.[43]
  • Tenho Voto na Matéria: Guia realizado Comité Português para a UNICEF com o apoio da rede ex aequo para a realização de sessões de discussão com crianças e jovens.[44]

Intervenção cívica e política[editar | editar código-fonte]

Como parte do trabalho da rede ex aequo pela não-discriminação de pessoas LGBTI com foco nas especificidades da juventude[45], esta intervém com outros parceiros[46] e junto de entidades governamentais[47][48]. A rede ex aequo organiza também vários eventos de cariz ativista[49] e centrados na reivindicação de direitos, entre estes, co-organiza várias marchas de orgulho LGBTI, nomeadamente em Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra e Madeira[50]. Adicionalmente organiza um Dia de Abraços Contra a Discriminação[51] em várias regiões de Portugal durante o dia 17 de maio — Dia Internacional contra a Homo-bi-trans-interfobia.[52]

Referências

  1. «Legalização da Rede Ex Aequo». sabiasque.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  2. «Associações/grupos/coletivos portugueses e questões Trans |». Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  3. «Rede ex aequo». Cidadania em Portugal. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  4. «rede ex aequo cresce para os Açores». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  5. «rede ex aequo – Associação de Jovens LGBTI e Apoiantes | CNJ». Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  6. «Emergency numbers in Portugal». Expat Guide to Portugal | Expatica (em inglês). Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  7. Costa, Duarte. «Catarina Furtado: "Fiz questão de tentar não deixar ninguém para trás"». Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  8. «Campanha. Não são direitos LGBTI, são direitos humanos». www.dn.pt. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  9. «Homofobia em meio escolar é causa de abandono precoce e de tentativas suicidas». Jornal Público. Consultado em 22 de agosto de 2010 
  10. «Dia Mundial contra Homofobia celebrado em Portugal». Jornal Expresso. Consultado em 22 de agosto de 2010 
  11. Portugal, Rádio e Televisão de. «Rede Ex Aequo - Príncipes do Nada - Documentários - RTP». www.rtp.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  12. ILGA Europe (2020). «ANNUAL REVIEW OF THE HUMAN RIGHTS SITUATION OF LESBIAN, GAY, BISEXUAL, TRANS, AND INTERSEX PEOPLE IN PORTUGAL» (PDF) 
  13. «Rede ex-aequo celebra 15 anos numa festa com "drag queen" madeirense». Funchal Notícias. 6 de abril de 2018. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  14. «Rede ex aequo promove ações sobre Bullying Homofóbico e Transfóbico». apav.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  15. «Semana da Psicologia». www.ulusofona.pt. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  16. «Escola básica do Barreiro pede donativo para associação LGBTI». Jornal SOL. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  17. «PSD contesta palestras de associações LGBT nas escolas». ionline. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  18. «UMAR acusa Ministério da Educação de 'desrespeitar' Constituição». Jornal SOL. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  19. «Associação rede ex aequo divulga Relatório do Projeto Educação LGBTI 2019». CIG. 12 de dezembro de 2020. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  20. «Quase 80% dos jovens já assistiu a bullying homo-bi-transfóbico». www.sabado.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  21. «Visão | Rede ex-aequo: Há cinco anos a esclarecer as dúvidas dos adolescentes sobre sexualidade». Visão. 8 de maio de 2011. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  22. «Pic Nic de Outono | CM Almada». www.cm-almada.pt (em inglês). Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  23. «Primeiro grupo local da rede ex aequo na Madeira». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  24. «Encontro nacional de jovens trans no Porto em Março». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  25. «Acampamento de jovens LGBTI regressa em Agosto». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  26. «rede ex aequo cria novo núcleo de jovens trans». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  27. «Transgéneros querem pôr fim a isolamento e discriminação». www.dn.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  28. «CIG». CIG. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  29. «rede ex aequo dá formação em Lisboa». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  30. «rede ex aequo realiza formação para jovens LGBTI na Madeira». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  31. «Recursos | cidadania». cidadania.dge.mec.pt. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  32. «ISEL: praxe homofóbica leva aluno a apresentar queixa». Esquerda. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  33. Branco, Sofia. «Rede Ex Aequo lança campanha digital contra o preconceito sexual». PÚBLICO. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  34. «13º Ciclo de Cinema LGBTI da rede ex aequo arranca no Porto». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  35. «Cinco jovens tentaram suicidar-se depois de agressões homofóbicas na escola - Rede ex aequo». www.cmjornal.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  36. CARVALHO, Micaela (2012). «Orientação Sexual, Homofobia e Educação» (PDF). Repositório Comum 
  37. Borja-Santos, Romana. «Homofobia dentro das escolas na base da maioria das denúncias recebidas pela ex aequo». PÚBLICO. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  38. Jornalistas, Por Sindicato. «Prémio Média da Rede Ex-aequo para São José Almeida – Sindicato dos Jornalistas». Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  39. «Já são conhecidos os premiados da rede ex aequo». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  40. «Câncio distinguida com prémio gay». www.cmjornal.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  41. «Rita Redshoes na Gala dos Prémios Media da "Rede Ex-Aequo" | Rita Redshoes». Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  42. «Projecto Inclusão Rede Ex Aequo». Partido Comunista Português. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  43. rede ex aequo. «Consulta o Guia Trans». rede ex aequo. Consultado em 23 de março de 2022 
  44. Comité Português para a UNICEF (2021). «Tenho Voto na Matéria» (PDF). UNICEF 
  45. «Rede ex Aequo – Técnico Lisboa». tecnico.ulisboa.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  46. «GAT Checkpoint LX». GAT Portugal. Consultado em 18 de fevereiro de 2022 
  47. «Rede Ex-Aequo e CMF assumem compromisso contra homofobia e transfobia». JM Madeira. 16 de maio de 2018. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  48. «Madeira já era destino turístico 'gay' mas "à socapa"». www.cmjornal.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  49. «Arco-Íris em Almada: Porque marchamos? | Orgulho LGBTI+ | CM Almada». www.cm-almada.pt (em inglês). Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  50. «REDE EX AEQUO». EPHEMERA - Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira 
  51. «Portuenses abraçam-se contra preconceito (com vídeo)». dezanove.pt. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  52. «Rede ex aequo distribui abraços grátis pela tolerância». JM Madeira. 17 de maio de 2018. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]