Redenção da Serra
Redenção da Serra | |
|---|---|
| Município do Brasil | |
| Hino | |
| Gentílico | redencense |
| Localização | |
| Localização de Redenção da Serra no Brasil | |
| Mapa de Redenção da Serra | |
| Coordenadas | 23° 16′ 01″ S, 45° 32′ 13″ O |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | São Paulo |
| Região metropolitana | Vale do Paraíba e Litoral Norte |
| Municípios limítrofes | Taubaté, São Luiz do Paraitinga, Natividade da Serra, Paraibuna, Jambeiro e Caçapava |
| Distância até a capital | 165 km |
| História | |
| Fundação | 8 de maio de 1877 (148 anos) |
| Administração | |
| Prefeito(a) | Jucimar Ferreira da Silva (PL, 2021–2024) |
| Características geográficas | |
| Área total [1] | 309,441 km² |
| População total (estimativa IBGE/2021[1]) | 4,494 hab. |
| Densidade | 0 hab./km² |
| Clima | subtropical |
| Altitude | 830 m |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| Indicadores | |
| IDH (PNUD/2000[2]) | 0,736 — alto |
| PIB (IBGE/2008[3]) | R$ 29 290,846 mil |
| PIB per capita (IBGE/2008[3]) | R$ 6 924,55 |
Redenção da Serra é um município brasileiro do estado de São Paulo, que integra a Região Imediata de Taubaté-Pindamonhangaba. Sua população, conforme estimativa do IBGE para 2021, era de 3 827 habitantes.[1]
História
[editar | editar código]A história de Redenção da Serra, tem início no começo do século XIX. Com o esgotamento do ouro nas Minas Gerais, a economia brasileira se deslocou para o Vale do Paraíba movida pelo fenômeno do ciclo do café. A monocultura do café trouxe a expansão cafeeira na região, ocupando vales e montanhas, possibilitando o surgimento de cidades e vilarejos, dinamizando e enriquecendo importantes centros urbanos na época como, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena e Bananal.
Visando ampliar a extensão das lavouras cafeeiras em territórios ainda desconhecidos, o governador da província de São Paulo nomeou o sertanista e grande desbravador capitão-mor, Francisco Ferraz de Araújo, juntamente com sua esposa Maria Leite Galvão de França, moradores da então Vila Real de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, filho do ilustre paulista Miguel Godoy Moreira, um importante e rico proprietário de terras, que ocupou cargos de confiança no governo da Capitania de São Paulo.
Cumprindo a determinação do governador e alimentados pelo sonho de fazer fortuna com o ciclo do café que ganhava forças na região, o casal de desbravadores seguiram rumo aos sertões da Serra do Mar acompanhados de um grande número de escravos a procura de territórios e terras férteis para o cultivo de café.
Se instalaram às margens do rio Paraitinga num pequeno vale entre as montanhas da região no que hoje é conhecido como sertão da Samambaia, em terras outrora pertencentes a Taubaté e construíram ali uma fazenda.
Após a instalação e o início das lavouras, um dos melhores escravos do capitão, ao abrir por entre a mata trilhas e caminhos de acesso à fazenda, morreu picado por uma cobra. O bravo escravo desbravador, foi sepultado em um local aos arredores da fazenda e a sepultura foi assinalada por uma grande cruz de madeira em sua memória.
Com início do povoamento nas proximidades da fazenda, Ferraz de Araújo, a todos que lhe solicitavam terras, mandava que fosse usadas as terras próximas à cruz, sendo esta a única condição e consequentemente o caminho da cruz se tornou popular entre as pessoas que ali vinham morar.
Mais tarde com o declínio do café no Vale do Paraíba, o vilarejo passou a sobreviver somente da agricultura de subsistência, destacando o cultivo de linho. Por esse motivo recebeu popularmente o nome de Paiolinho (paiol + linho), referência direta à plantação de linho feita pelos moradores e às fibras secas recolhidas que eram depositadas em uma cabana de madeira chamada paiol destinadas ao armazenamento.
O vilarejo crescia e por volta do ano de 1850, no lugar da antiga cruz de madeira, foi construída uma pequena capela que possuía duas torres e um sino com ajuda dos moradores e de fazendeiros da região, sendo chamada de capela de Santa Cruz pelo vigário Padre João Alves Coelho Guimarães. O vilarejo ganhava assim a sua primeira paróquia, a paróquia de Santa Cruz do Paiolinho.
Em 24 de março de 1860 o povoado foi elevado a freguesia em terras do município de Taubaté. A população cresceu e a produção agrícola dava bons lucros, o que levou Paiolinho a ser elevada à categoria de município segundo Lei Provincial nº 33, de 8 de maio de 1877.
O município possuía sede na povoação de Paiolinho e seus territórios foram desmembrados do município de Taubaté tendo sua instalação a 1 de dezembro de 1877.
Em 1882, inspirados pelo progresso na região, deu-se início a construção da nova igreja matriz de Santa Cruz, com a ajuda de escravos e pedreiros. Porém antes do término das obras, em 1890, o idealizador do projeto, vigário padre José Grecco, deixou a paróquia, paralisando sua construção e após onze anos, as obras foram reiniciadas, com a posse do Padre Francisco Filipe em 1904, a Igreja Matriz finalmente foi inaugurada

Redenção da Serra esteve diretamente ligada ao abolicionismo da década de 1880, sendo esse movimento representado na região pela Carta da Ponte Alta, um manifesto assinado por fazendeiros do município de Paiolinho em 10 de fevereiro de 1888, libertando todos os escravizados locais, antecipando-se em quase 3 meses em relação à Lei Áurea e tornando a cidade a pioneira na abolição da escravidão no Vale do Paraíba paulista. Em um contexto de fortalecimento do abolicionismo em todo o país e possivelmente inspirados pelo exemplo de outras regiões paulistas, como Ribeirão Preto e Rio Claro, que aboliram localmente a escravidão entre agosto de 1887 e fevereiro de 1888, respectivamente,[4] a Carta da Ponte Alta reuniu as assinaturas de 10 fazendeiros da cidade, liderados por Maria Augusta Lopes d'Almeida, irmã do proprietário da Fazenda Ponte Alta, libertando, assim, todos os escravizados locais – ocasião em que a cidade foi renomeada como Redenção da Serra.[5] Entre os signatários do manifesto, além de Maria Augusta, estão o Major Gabriel Ortiz Monteiro, Joaquim A. Camargo Ortiz, Antônio A. da Palma e seu irmão, Monsenhor João Alves Coelho Guimarães, Antônio A. Palma Guimarães, José Lopes Leite de Abreu, Joaquim Antônio dos Santos e Lourenço Ottoni de Gouvêa e Castro.[6] Na praça central de Redenção há uma placa comemorativa a respeito da ocasião, nomeada "Monumento da Abolição"[7] e inaugurada em 1960, quando do centenário do município, destacando que os escravizados da cidade foram libertos por iniciativa de seus senhores, “continuando no trabalho mediante salário convencional”.[8] Embora a história oficial do município tenha tratado Redenção da Serra como a pioneira na abolição da escravidão no estado de São Paulo, o fato é que a cidade foi a terceira localidade da região a libertar seus cativos, sendo seguida pelos municípios de Pindamonhangaba e Taubaté.[5]
Em 21 de maio de 1934, Redenção deixou de ser município e voltou à condição de distrito pela Lei nº 6448, sendo incorporada ao município de Jambeiro, do qual se separou em 5 de julho de 1935 e passou a pertencer a comarca de Taubaté, sendo reinstalado novamente o município em 1 de janeiro de 1936.
Em 30 de novembro de 1944, numa reunião do quadro administrativo, territorial e judiciário do estado de São Paulo, segundo o Decreto-Lei nº 14.334, discutiu-se que Redenção sendo o primeiro local paulista a libertar seus escravos, nada mais justo do que designá-lo com um nome que eternizasse o feito grandioso, assim o antigo povoado de Santa Cruz do Paiolinho, chamada de Redenção, passou a se chamar Redenção da Serra, também devido a sua situação geográfica entre os contrafortes da Serra do Mar.
No começo da década de 1970, por uma necessidade de atendimento sócio-econômico regional, o estado deu início à construção da Usina Hidrelétrica de Paraibuna, represando os rios Paraibuna e Paraitinga e formando a Represa de Paraibuna ou represa da Companhia Energética de São Paulo (CESP).
A construção porém de inusitadas implicações, determinou o desaparecimento de Natividade da Serra e Redenção da Serra. Da velha Redenção da Serra, cheia de tradições e fatos históricos, restou na parte mais alta do município que não foi atingida pelas águas a Igreja Matriz, o sobrado com sacadas de ferro que sediava a prefeitura e outros poucos sobrados e residenciais da rua Capitão Alvim. A parte mais baixa porém foi totalmente invadida pelas águas.
Na zona rural, o represamento das águas afetou as terras férteis, eliminando grande parte da agricultura de subsistência. A industrialização da “Calha do Vale” (Taubaté, Pindamonhangaba e Tremembé) e a inundação de parte do município, contribuíram para o êxodo rural de grande parte da população produtiva.
Em 25 de agosto de 1974 de acordo com o decreto de implantação nº 190, nasce a nova Redenção da Serra, onde numa colina era erguida pelo povo redencense o cruzeiro que simbolizaria o renascimento do município.
Geografia
[editar | editar código]Hidrografia
[editar | editar código]
- Rio Paraitinga
- Rio Una (ou Rio das Almas)
- Ribeirão das Antas
- Ribeirão Taberão
- Ribeirão dos Afonsos
- Ribeirão dos Venâncios
- Ribeirão Turvinho
- Corrego do Fonsecada
- Corrego dos Hilários
- Corrego dos Potes
- Corrego dos Bastos
- Corrego Três Mojolos
- Corrego Santo Antônio
Rodovias
[editar | editar código]Demografia
[editar | editar código]População
[editar | editar código]
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dados demográficos
[editar | editar código]- Dados do censo de 2022[1]
- População total: 4.494
- População Urbana: 3.030
- População Rural: 1.464
- Densidade demográfica (hab./km²): 14,54
- Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,736
- IDH-M Renda: 0,629
- IDH-M Longevidade: 0,778
- IDH-M Educação: 0,802
- (Fonte: IPEADATA)
Infraestrutura
[editar | editar código]Comunicações
[editar | editar código]O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1977 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1988 com o código de área (0122).[14] Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP).[15]
Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (012), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.[16]
Religião
[editar | editar código]O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:[17]
Igreja Católica
[editar | editar código]- A igreja faz parte da Diocese de Taubaté.[18]
Igrejas Evangélicas
[editar | editar código]Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:[19][20]
Ver também
[editar | editar código]- Lista de municípios de São Paulo por data de criação
- Lista de municípios de São Paulo por população (2022)
- Lista de municípios de São Paulo por domicílios
- Lista de municípios de São Paulo por área (2023)
- Lista de municípios de São Paulo por CEP
- Lista de municípios de São Paulo por DDD
Referências
- ↑ a b c d «Redenção da Serra». IBGE Cidades. IBGE. Julho de 2021
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
- ↑ a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
- ↑ CARMO, Ana Néri do (2024). Redenção de Todos os Tempos - 164 anos de História. Redenção da Serra - SP: Instituto Cultural Santa Cruz do Paiolinho. p. 26
- ↑ a b «Livro revela detalhes de 164 anos da história de Redenção da Serra». www.meon.com.br. Consultado em 12 de fevereiro de 2025
- ↑ «IBGE | REDENÇÃO DA SERRA - SÃO PAULO: HISTÓRICO». IBGE | Biblioteca. Consultado em 12 de fevereiro de 2025
- ↑ «O Guaruçá - Redenção da Serra guarda tradições do interior». ubaweb.com. Consultado em 12 de fevereiro de 2025
- ↑ «Câmara Municipal de Redenção de Serra: A Cidade». www.camaraderedencaodaserra.sp.gov.br (em inglês). Consultado em 12 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 24 de julho de 2024
- ↑ «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação (2024) | IBGE». www.ibge.gov.br
- ↑ «Censos Demográficos (1991-2022) | IBGE». ibge.gov.br
- ↑ «Censos Demográficos (1872-1980) | IBGE». biblioteca.ibge.gov.br
- ↑ «Evolução da população segundo os municípios (1872-2010) | IBGE» (PDF). geoftp.ibge.gov.br
- ↑ «Biblioteca Digital Seade | Fundação Seade». bibliotecadigital.seade.gov.br
- ↑ «Área de operação da Telesp em São Paulo». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
- ↑ «Convênio de incorporação da COTESP pela TELESP em 25 de outubro de 1973». camara.gov.br. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
- ↑ «Telesp - Código DDD e Prefixos». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
- ↑ O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
- ↑ «Sul 1 Region of Brazil [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ Cross, F. L.; Livingstone, E. A., eds. (1 de janeiro de 2009). «The Oxford Dictionary of the Christian Church». Oxford University Press (em inglês). ISBN 978-0-19-280290-3. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Tabela 2094: População residente por cor ou raça e religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Campos Eclesiásticos». CONFRADESP. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Arquivos: Locais». Assembleia de Deus Belém – Sede. Consultado em 18 de maio de 2025
- ↑ «Localidade - Congregação Cristã no Brasil». congregacaocristanobrasil.org.br. Consultado em 18 de maio de 2025



