Região do Centro

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Portugal Região do Centro

Centro de Portugal

 
  Região  
Simbólica da Região do Centro, a Serra da Estrela é a maior cordilheira/serra de Portugal Continental
Simbólica da Região do Centro, a Serra da Estrela é a maior cordilheira/serra de Portugal Continental
Localização
Localização da Região do Centro em Portugal
Localização da Região do Centro em Portugal
Administração
Capital Coimbra
Características geográficas
Área total [1] 28 200 km²
População total (2019) [1] 2 217 285 hab.
Densidade 78,6 hab./km²
Clima Mediterrânico (Csa e Csb)
Fuso horário UTC+0 (WET)
Horário de verão UTC+1 (WEST)
NUTS II PT16
Indicadores
IDH (2018) [2] 0,842 muito alto
 • Posição 2.º entre 7
PIB (2018) [3] 38,2 biliões
PIB per capita (2018) 20 600 (PPC)
Sítio www.centerofportugal.com
Estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat)

A Região do Centro é uma das regiões estatísticas de Portugal. Os municípios com grande estatuto administrativo nesta região são Coimbra, Aveiro, Viseu, Caldas da Rainha, Leiria, Castelo Branco, Covilhã, Torres Vedras e Guarda. É uma das sete regiões de Portugal (NUTS II). É também uma das regiões da Europa, tal como a União Europeia tem para fins estatísticos, demográficos e geográficos. A sua área totaliza 28 200 quilómetros quadrados. Segundo uma estimativa de 2019, a sua população totalizava 2 217 285 habitantes,[1] com uma densidade populacional de 78,6 habitantes por quilómetro quadrado.[1]

A região é limitada a norte pela Região do Norte, a leste pela Espanha, a sul pela Região do Alentejo, a sudoeste pela Área Metropolitana de Lisboa e a oeste pelo Oceano Atlântico. Desta região fazem parte as serras e montanhas do Sistema Montejunto-Estrela, do qual se inclui o Maciço Calcário Estremenho, e também o conjunto das famosas aldeias do Xisto e aldeias históricas de Portugal.[4][5][6]

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) é a agência que coordena as políticas ambientais, o ordenamento do território, as cidades e o desenvolvimento global desta região, apoiando os governos e associações locais.[7][8]

História e turismo[editar | editar código-fonte]

As antigas ruínas de Conímbriga, as ruínas mais bem preservadas na antiga província romana da Lusitânia.

Habitada pelos lusitanos, um povo indo-europeu que viveu na Península Ibérica ocidental, os romanos instalaram-se na região e colonizaram-na como parte da província romana da Lusitânia.[9][10][11] A cidade romana de Conímbriga, perto de Coimbra, está entre os restos mais notados e bem preservados desse período.[12][13] Após a queda do Império Romano Ocidental, os visigodos foram os principais governantes e colonizadores do século V ao VIII.[14] No século VIII, a conquista muçulmana da Ibéria transformou a região num território dominado pelos muçulmanos.[15]

Nos primeiros anos da Reconquista Cristã, pouco antes da ascensão de uma identidade nacional portuguesa, a região foi um local de batalha para mouros muçulmanos e cristãos das Cruzadas. Uma vez que os mouros foram expulsos, os reis e senhorios cristãos fizeram da região um concelho, chamado de Condado de Coimbra. Foi integrado no recém-criado Condado Portucalense, o precursor da nação moderna de Portugal.[16]

A região moderna coincide aproximadamente com os limites da histórica Província da Beira, bem como o oeste na antiga Estremadura e Médio Tejo no antigo Ribatejo. Beira foi uma província histórica de Portugal e o seu nome foi usado pelos herdeiros do trono português durante o período da monarquia, antes de 1910.[17] Os príncipes eram conhecidos como os Príncipes da Beira.

Aldeias históricas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Aldeias Históricas de Portugal
Monsanto, conhecida como "a aldeia mais portuguesa de Portugal".

Ao longo da fronteira montanhosa da região com a Espanha estão uma série de fortalezas e castelos que outrora protegeram o país dos seus muitos invasores. Ao longo dos séculos, mouros, cristãos, espanhóis e portugueses tentaram tomar estas aldeias, mas as suas altitudes mais elevadas normalmente deram-lhes uma vantagem distinta. Nessa fronteira, as mais de uma dezena de aldeias fronteiriças fortificadas acenam aos visitantes de hoje para virem explorar uma história de 900 anos — cheia do heroísmo, das batalhas épicas e do romance sobre os quais Portugal lutou para se tornar uma nação. Hoje, Portugal tem a fronteira mais antiga de toda a Europa.[18][19]

Nestas aldeias fronteiriças rurais, rituais antigos e festivais religiosos continuam populares. Os visitantes podem prová-los e provar dos alimentos tradicionais daquela área, como queijo, salsichas e mel da montanha.[20]

Na cidade-fortaleza de Almeida, um passeio pelas ruas estreitas de paralelepípedos pode levar um visitante às ruínas de uma fortaleza outrora poderosa de doze pontas. Uma das muitas Pousadas de Portugal, uma propriedade histórica transformada numa pousada, está localizada em Almeida.[21]

Na cidade de Castelo Rodrigo, uma pedra memorial marca o lugar de uma batalha feroz em 1664, e os visitantes podem ver os restos do castelo e sua fortaleza, bem como um palácio. A cidade também tem uma pequena igreja gótica. Perto de Castelo Mendo ergue-se uma intrincada ponte de pedra construída pelos romanos.[22]

Castelos fronteiriços[editar | editar código-fonte]

A maioria dos castelos desta região fronteiriça do Centro são classificados como monumentos nacionais. Estas fortalezas de pedra remontam aos séculos XI, XII e XIII. Castelos, ou partes de castelos, ainda estão em Alfaiates, Sortelha, Vilar Maior, Sabugal, Castelo Mendo, Castelo Bom, Castelo Rodrigo, Penamacor, Monsanto, Pinhel e Almeida. Uma rota de vinte castelos foi delineada pelo governo português, dos quais Sortelha, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo e a vila fortificada de Almeida são consideradas joias preciosas entre todos eles.[23]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Centro é uma região de paisagens diversificadas. O interior é montanhoso com alguns planaltos, dominados pela Serra da Estrela. A região é abundante em florestas de pinheiros e castanheiros. A paisagem verde e acidentada desta região é atravessada por rios. Vários vales fluviais no sopé das montanhas têm um charme encorpado que atrai para atividades ao ar livre como caminhadas, pesca, ténis e canoagem. Na temporada de inverno, o esqui na Serra da Estrela é uma atividade popular, mas em alguns lugares, como perto da cidade de Seia, o esqui antes da temporada de inverno é possível devido a infraestruturas artificiais de neve.[24]

A planície costeira tem várias praias, como as praias de Mira, Figueira da Foz, Ílhavo, Nazaré (famosa por suas ondas), Peniche e São Martinho do Porto. Os marcos naturais desta região são a Serra da Estrela (a maior e mais alta de Portugal Continental), com o Parque Natural da Serra da Estrela, o rio Mondego (o rio mais longo localizado exclusivamente em território português), a Lagoa de Aveiro (Ria de Aveiro) e as praias costeiras.[25][26][27]

Clima[editar | editar código-fonte]

A Serra da Estrela coberta de neve.

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, a região tem predominantemente um clima mediterrânico de verão quente (Csa) no interior e um clima mediterrânico de verão ameno (Csb) no litoral e nas zonas mais altas.[28][29]

As temperaturas mais baixas ocorrem nas montanhas no interior da região, no inverno, onde podem cair abaixo de –10 °C ou em raras ocasiões abaixo de –15 °C, particularmente nos picos mais altos da Serra da Estrela.[30] A temperatura oficial mais baixa na região, foi de –16 °C nas Penhas da Saúde e ocorreu em 4 de fevereiro de 1954.

Os verões na Região do Centro são amenos nas terras altas e na região do litoral.[28]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Coimbra e rio Montego.

Com 2 217 285 habitantes e cerca de 28 200 quilómetros quadrados,[1] a Região do Centro é a terceira região mais populosa de Portugal, atrás da Área Metropolitana de Lisboa e da Região do Norte, e a segunda maior em área, apenas atrás da Região do Alentejo.[1]

Em termos administrativos, a Região Centro é composta por 100 municípios. Os municípios encontram-se organizados em oito Comunidades Intermunicipais (CIM), de acordo com a Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, as quais constituem o nível III da Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS), aprovada pela Comissão Europeia.[31]

As cidades mais populosas da região do Centro, a partir de 2018, são Coimbra (133 724 habitantes), Leiria (124 857), Viseu (96 991), Aveiro (77 916), Figueira da Foz (58 866), Castelo Branco (52 192), Covilhã (47 127), Caldas da Rainha (51 540), Guarda (39 103) e Torres Vedras (34 970).[32][33] O maior centro turístico e religioso é a cidade de Fátima.

Sub-regiões[editar | editar código-fonte]

Mapa de sub-região da Região Centro. (antes da adição das sub-regiões do Médio Tejo e Oeste)

A região está dividida em oito sub-regiões:[31]

Economia[editar | editar código-fonte]

Universidade de Coimbra, uma das universidades mais antigas do mundo ainda em operação, sendo a mais antiga e uma das maiores de Portugal.[34]

O Produto Interno Bruto (PIB) da região foi de 38,2 mil milhões de euros em 2018, representando 18,8% da produção económica de Portugal. O PIB per capita ajustado para o poder de compra foi de 20 100 euros ou 67% da média da UE27 no mesmo ano. O PIB por trabalhador era de 68% da média da UE.[35]

Uma das regiões mais ricas de Portugal pela abundância de correntes naturais de água, florestas, terra arável e sua longa linha costeira, a Região do Centro tem alguns dos concelhos economicamente mais dinâmicos e densamente povoados do país. Excelentes ligações de transporte com a Área Metropolitana de Lisboa a sul e a Área Metropolitana do Porto a norte, tornando possível o acesso ao oceano, ferroviário e autoestrada através de contentores, contribuíram todos para fazer da indústria transformadora a principal indústria, encontrada principalmente na faixa litoral, que é uma das maiores áreas industrializadas de Portugal. São aí produzidos produtos importantes como veículos a motor, alimentos, aparelhos elétricos, máquinas, produtos químicos e papel.[36]

O ensino superior, a investigação e o desenvolvimento, os cuidados de saúde, as tecnologias da informação, a biotecnologia, a silvicultura, a agricultura, as pescas e o turismo são todas as principais indústrias da região. As regiões vitivinícolas do Dão DOC e da Bairrada DOC estão entre as mais reputadas em Portugal. Os principais centros industriais, de comércio e de serviços situam-se em Coimbra, Aveiro, Viseu, Leiria, Covilhã, Castelo Branco e Figueira da Foz. Importante indústria ligeira e agricultura também se baseia em Guarda, Torres Novas, Torres Vedras e Caldas da Rainha.[36]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «Portugal: Regions and Cities - Population Statistics, Maps, Charts, Weather and Web Information». www.citypopulation.de. Consultado em 26 de fevereiro de 2021 
  2. «Sub-national HDI - Area Database - Global Data Lab». hdi.globaldatalab.org (em inglês). Consultado em 13 de setembro de 2018 
  3. Nferreat (20 de julho de 2010). «Centro Region of Portugal». ec.europa.eu (em inglês). Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  4. Crispim, J.A. (2008) - Património geológico da Serra de Montejunto. Sociedade Portuguesa de Espeleologia. Lisboa. ISBN 978-989-95897-0-4
  5. «Maciço Calcário Estremenho». www.infopedia.pt. Consultado em 30 de Julho de 2015 
  6. «Rede das Aldeias Históricas de Portugal» (PDF). Provere. Consultado em 2 de Abril de 2014 
  7. CCDRC. «Os números da região». www.ccdrc.pt. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  8. «CCDRC - DataCentro». datacentro.ccdrc.pt. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  9. Garcia, José Manuel (1989). História de Portugal: Uma Visão Global. Lisboa: Editorial Presença. pp. 32, 33, 38. ISBN 9722309897 
  10. Guerra, Amílcar (2010). A PROPÓSITO DOS CONCEITOS DE “LUSITANO” E “LUSITÂNIA” (PDF). Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. pp. pp 83. ISSN 1578-5386. Consultado em 27 de agosto de 2019 
  11. Alan W. Ertl (2008). Toward an Understanding of Europe: A Political Economic Précis of Continental Integration. [S.l.]: Universal-Publishers. ISBN 9781599429830. Consultado em 12 de agosto de 2012 
  12. Soldado, Camilo. «As invasões que salvaram Conímbriga». PÚBLICO. Consultado em 13 de abril de 2017 
  13. Serrão, Joel. «Conímbriga». Dicionário de História de Portugal. 2. Porto: Livraria Figueirinhas e Iniciativas Editoriais. p. 156. 3500 páginas 
  14. Ribeiro, Ângelo; Hermano, José . (2004). História de Portugal I — A Formação do Território. [S.l.]: QuidNovi. ISBN 989-554-106-6. 
  15. Enciclopédia Britânica (ed.). «Al-Andalus». Consultado em 10 de novembro de 2019 
  16. Barroca, Mário Jorge (Agosto 2017). «No tempo de D. Afonso Henriques» (PDF). Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. p. 237. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  17. Serrão, Joel. «Beira». Dicionário de História de Portugal. 1. Porto: Livraria Figueirinhas e Iniciativas Editoriais. p. 322. 3500 páginas 
  18. Herculano, Alexandre, "História de Portugal, Volume", p. 391, Volume 3 Herculano, Alexandre, 1853
  19. Brian Jenkins, Spyros A. Sofos, "Nation and identity in contemporary Europe", p.145 Routledge, 1996, ISBN 0-415-12313-5
  20. «Turismo Centro Portugal – Um país dentro do país». Turismo Centro Portugal. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  21. «Almeida – Portugal – Patrimônios da Humanidade». Portugal - Patrimônios da Humanidade. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  22. «Castelo Mendo». Aldeias Históricas de Portugal. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  23. «Castelos do Centro de Portugal: outrora para vigiar, hoje para contemplar». Turismo Centro Portugal. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  24. «Estância de Ski - Estância de Ski». www.skiserradaestrela.com. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  25. «Serra da Estrela». Visit Portugal 
  26. «Turismo do Centro quer acesso alternativo à Torre da Serra da Estrela». Observador. 2 de fevereiro de 2015 
  27. «Estrela Mountain upper Plateau and upper Zêzere River | Ramsar Sites Information Service». rsis.ramsar.org. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  28. a b «Clima de Portugal Continental». IPMA. Consultado em 13 de setembro de 2017 
  29. Instituto de Meteorologia (1961–1990). «Clima de Portugal Continental». Instituto de Meteorologia - Área Educativa - Clima em Portugal. Consultado em 21 de abril de 2010. Cópia arquivada em 19 de dezembro de 2011 
  30. Rodrigues, Arinda (2004). Novas Viagens — O Meio Natural 1.ª ed. Lisboa: Texto Editora. pp. 32 e 32a. ISBN 972-47-2357-7 
  31. a b CCDRC. «Mapas da Região Centro». www.ccdrc.pt. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 
  32. «População residente (N.º) por Local de residência; Anual - INE, Estimativas anuais da população residente». INE. 14 de Junho de 2019. Consultado em 8 de Outubro de 2019 
  33. «Densidade populacional (N.º/ km²) por Local de residência; Anual - INE, Estimativas anuais da população residente». INE. 19 de Junho de 2019. Consultado em 8 de Outubro de 2019 
  34. «Universidade de Coimbra candidata a património mundial da UNESCO - Expresso.pt». expresso.sapo.pt. 2012. Consultado em 16 de abril de 2012 
  35. «Regional GDP per capita ranged from 30% to 263% of the EU average in 2018» (PDF). Eurostat 
  36. a b «A dinâmica da indústria na Região Centro». Lucília Caetano & Rui Gama. A dinâmica da indústria na Região Centro. Consultado em 28 de fevereiro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]