Região do Norte

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Portugal Região do Norte

Norte de Portugal

 
  Região  
Região Vinhateira do Alto Douro
Região Vinhateira do Alto Douro
Localização
Localização da Região do Norte em Portugal
Localização da Região do Norte em Portugal
Administração
Capital Porto
Características geográficas
Área total [1] 21 284 km²
População total (2021) [1] 3 588 701 hab.
Densidade 168,6 hab./km²
Clima Mediterrânico (Csa e Csb)
Fuso horário UTC+0 (WET)
Horário de verão UTC+1 (WEST)
NUTS PT11
Indicadores
IDH (2018) [2] 0,835 muito alto
 • Posição 3.º entre 7
PIB (2019) [3] 63,524 mil milhões
PIB per capita (2019) 20 200 (PPC)
Estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat)

A Região do Norte é a região mais populosa de Portugal e a terceira região mais extensa por área. Nos censos de 2021, foram registados na região 3 588 701 habitantes[4], e a sua área é de 21 284 quilómetros quadrados, com uma densidade de 173,4 habitantes por quilómetro quadrado.[1] É uma das sete regiões de Portugal (subdivisões NUTS II), compreende 86 municípios e 1 426 freguesias, além das sub-regiões do Alto Minho, Alto Tâmega, Área Metropolitana do Porto, Ave, Cávado, Douro, Tâmega e Sousa e Terras de Trás-os-Montes. O seu principal centro populacional é a Área Metropolitana do Porto, com cerca de 1,7 milhões de habitantes.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) é a agência que coordena as políticas ambientais, o ordenamento do território, as cidades e o desenvolvimento global desta região, apoiando os governos e associações locais.[5][6]

O Norte de Portugal é uma região culturalmente variada. É uma terra de vegetação densa e profunda riqueza histórica e cultural. O que hoje é a Região do Norte foi inicialmente habitada por várias tribos pré-célticas e célticas antes de ter relações comerciais e ser visitada, atacada e conquistada por várias povos, incluindo gregos, cartagineses, romanos, germânicos, mouros e vikings.[7][8][9][10]

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

O território do Norte de Portugal actual foi originalmente habitado por populações que se desenvolveram localmente no Paleolítico, que produziram as Gravuras Rupestres do Vale do Côa. Os celtas são o povo que em meados de 500 a.C., emigrou desde a Europa Central para estas paragens, desenvolvendo uma cultura conhecida como cultura castreja. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação.[11] Esta organização social e a sua natural belicosidade, permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores romanos. Décimo Júnio Bruto Galaico, após a conquista do último reduto peninsular ainda resistente à ocupação romana, toma o cognome de Callaicus (o Galego).[11] O território a sul do rio Douro até ao mar, Galiza, era conhecida como Gallaecia Bracarense.[11] Da província romana com o mesmo nome faziam parte ainda a Gallaecia Lucense e a Gallaecia Asturicense. Os suevos fundaram a Gallicense Regnum, cuja capital era Bracara Braga, englobando a Galiza e tendo como limite o rio Tejo na sua extensão máxima; os visigodos conquistaram politicamente este reino em 580, gozando no entanto de grande autonomia dentro do espaço visigótico peninsular. Mais tarde invadido pelos mouros, a reconquista das terras perdidas para estes rapidamente (em 750) foram recuperadas e incorporadas no Reino da Galiza. O Condado de Portugal ou Condado Portucalense veio a ser estabelecido depois da reconquista do Porto por Vímara Peres, em 868, como parcela deste reino.[11]

Formação e consolidação do reino[editar | editar código-fonte]

Embora a existência da povoação na foz do rio Douro durante o período romano se encontre confirmada, o mesmo não acontece para a sua localização exacta; o Paroquial Suévico de São Martinho de Dume, estudado por Pierre David após a sua identificação pelo Professor Avelino de Jesus da Costa, refere-se, séculos depois, a um povoado que designava como Portvcale Castrvm Antiqvvm, na margem esquerda, e outro, o Portvcale Castrvm Novvm, na direita.[11]

Quando do domínio dos suevos, Portucale foi palco de vários acontecimentos, contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão de Teodorico (457), a revolta do seu governador Agiulfo, que pretendia ser aclamado rei e foi executado, e a última batalha (585) de Andeca, último rei suevo, vencido por Leovigildo.[11]

Quando da Invasão Muçulmana da Península Ibérica, Portucale era já, desde a segunda metade do século VI, a sede da diocese Portucalense, situada na província da Galécia, e tendo por metropolita o Bispo de Braga. Após a invasão, a diocese não sobreviveu, tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto, em 868.[11]

Portugal constituiu-se como reino independente com D. Afonso I a partir do Norte de Portugal, durante o seu reinado se conquistou grande parte do território, com o apoio das aguerridas populações nortenhas.[11] A língua portuguesa evoluiu a partir desta área, e hoje tem dialetos modernos específicos (os dialetos portugueses setentrionais), depois expandiu-se para sul à medida que o Reino Português se expandiu, nomeadamente após a era Afonso Henriques. Na sequência, deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.[12]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Norte de Portugal é uma zona montanhosa. Os seus picos conhecidos como serras incluem Serra do Gerês (1 544 m),[13] Peneda (1 416 m), Marão (1 415 m) e Soajo (1 415 m).[14] Alguns dos quais formam parques naturais: o Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Alvão.[15]

A costa, conhecida como Costa Verde, é uma faixa plana de terra fechada por praias arenosas e colinas, a maior das quais é a planície costeira entre o Cávado e os rios Ave. A área é conhecida pela longa extensão de dunas de areia pitorescas que se acumularam durante a Pequena Idade do Gelo, parte da qual está protegida no Parque Natural do Litoral Norte.[16]

Os rios Minho, Lima, Neiva, Cávado, Ave e Douro são os rios mais proeminentes que fluem para o Oceano Atlântico. No interior, o Tâmega é um grande afluente que esvazia o rio Douro. O Douro é o rio mais proeminente, e um dos rios mais importantes da Península Ibérica. O rio Minho marca a fronteira noroeste luso-espanhola e é o segundo rio mais importante.[17]

Clima[editar | editar código-fonte]

A área do Vale do Douro interior está exposta a verões quentes e arididade sazonal.

A região tem, predominantemente, um clima mediterrânico de verão ameno (Csb) na costa e um clima mediterrânico de verão quente (Csa) ao longo do Vale do Douro. O noroeste de Portugal tem verões temperados e invernos amenos, influenciados pelo Oceano Atlântico e a variação da temperatura diurna raramente atinge os 10 °C, enquanto no interior o nordeste de Portugal tem verões quentes e invernos frios e longos, daí características continentais, e a variação da temperatura diurna pode chegar aos 20 °C.[18]

A precipitação é muito irregular, uma vez que a topografia e a distância do mar influenciam fortemente os níveis de precipitação, mesmo a curtas distâncias.[19] As zonas montanhosas interiores do noroeste em torno dos picos da Peneda, Gerês e Marão têm a maior precipitação em todo o país.[20] O vale do Douro, no entanto, está entre as zonas mais secas de Portugal.[21] Algumas cidades chuvosas incluem Vila Real, Braga e, no litoral, Viana do Castelo. O litoral tende a ter mau tempo, elevada irradiação solar e menor precipitação numa faixa do Cabo Santo André para a zona urbana do Porto.[22][18]

Demografia[editar | editar código-fonte]

População[editar | editar código-fonte]

Com cerca de 3,6 milhões de habitantes, a Região do Norte concentra quase 35% da população residente em Portugal. Em termos administrativos, o Norte de Portugal é composto por 86 municípios e 1 426 freguesias. Os municípios encontram-se organizados em oito comunidades inter-municipais (CIM), também conhecidas como sub-regiões, as quais constituem o nível III da Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos (NUTS), aprovada pela Comissão Europeia.[23]

Evolução do número de habitantes da Região Norte
Ano Habitantes Variação
1981 3.435.810 x
2001 3.696.333 +7,6%
2008 3.712.554 +0,4%
2009 3.705.980 -0,2%
2010 3.693.585 -0,4%
2011 3.687.224 -0,2%
2012 3.666.234 -0,6%
2013 3.644.195 -0,6%
2014 3.621.785 -0,6%
2015 3.603.778 -0,5%
2016 3.584.575 -0,5%
2017 3.576.205 -0,2%
2018 3.572.583 -0.1%
2019 3.575.338 +0,1%
2020 3.566.374 -0,3%
2021 3.588.701 +0,6%

Entre 2001 e 2008, a população residente na Região Norte cresceu em mais de 18 mil habitantes, subindo de 3,696 milhões em 2001 para 3,712 milhões de habitantes em 2008. Depois da crise financeira entre 2009 até 2016, a região registou uma descida de 121 mil habitantes, baixando de 3,705 milhões de habitantes em 2009 para 3,584 milhões de habitantes em 2016. A partir de 2017, o número de residentes na Região Norte consegui se estabilizar e cresceu para 3,588 milhões de habitantes em 2021, quando em 2017 ainda só se registava 3,576 milhões de habitantes, um aumento de 12 mil habitantes.[24]

Municípios[editar | editar código-fonte]

Um município é uma divisão administrativa, que é constituída por uma ou mais fregesias. Com 86 municípios, a Região Norte tem municípios no litoral, no interior, urbanas e rurais.

Municípios mais populosos do Norte[editar | editar código-fonte]

Dado aos censos de 2021, os 20 municípios mais populosos da Região Norte contabilizam 2.470.770 habitantes. Dos 20 municípios mais populosos da região, todos ultrapassam os 50 mil habitantes, 14 municípios ultrapassam os 80 mil habitantes, 10 municípios ultrapassam os 100 mil habitantes, Porto ultrapassa os 200 mil habitantes e Vila Nova de Gaia ultrapassa os 300 mil habitantes, e com 304.149 habitantes é o município mais populoso da Região Norte.[25]

Lista dos municípios mais populosos da Região Norte
Município Habitantes (2021) Sub-região
1 Vila Nova de Gaia 304 149 Área Metropolitana do Porto
2 Porto 231 962 Área Metropolitana do Porto
3 Braga 193 333 Cávado
4 Matosinhos 172 669 Área Metropolitana do Porto
5 Gondomar 164 255 Área Metropolitana do Porto
6 Guimarães 156 852 Ave
7 Santa Maria da Feira 136 720 Área Metropolitana do Porto
8 Maia 134 959 Área Metropolitana do Porto
9 Vila Nova de Famalicão 133 590 Ave
10 Barcelos 116 777 Cávado
11 Valongo 94 795 Área Metropolitana do Porto
12 Viana do Castelo 85 864 Alto Minho
13 Paredes 84 414 Área Metropolitana do Porto
14 Vila do Conde 80 921 Área Metropolitana do Porto
15 Penafiel 69 687 Tâmega e Sousa
16 Santo Tirso 67 785 Área Metropolitana do Porto
17 Oliveira de Azeméis 66 212 Área Metropolitana do Porto
18 Póvoa de Varzim 64 320 Área Metropolitana do Porto
19 Felgueiras 55 883 Tâmega e Sousa
20 Paços de Ferreira 55 623 Tâmega e Sousa

Através da tabela consegue-se viabilizar, 12 dos 20 municípios mais populosos da Região Norte encontram-se na Área Metropolitana do Porto, 3 no Tâmega e Sousa, 2 no Cávado, 2 no Ave e um município no Alto Minho.

Município mais populoso por sub-região[editar | editar código-fonte]

Das oito sub-regiões, que se localizam na Região Norte, o número de habitantes do "município mais populoso de cada sub-região" diferença-se muito. Por exemplo, Vila Nova de Gaia é o município mais populoso da Área Metropolitana do Porto com mais de 300 mil habitantes, comparado com Terras de Trás-os-Montes, aonde o município mais populoso é Bragança com 30 mil habitantes, dez vezes menos que Vila Nova de Gaia.

Município mais populoso por sub-região
Município Habitantes (2021) Sub-região
1 Vila Nova de Gaia 304 149 Área Metropolitana do Porto
2 Braga 193 333 Cávado
3 Guimarães 156 852 Ave
4 Viana do Castelo 85 864 Alto Minho
5 Penafiel 69 687 Tâmega e Sousa
6 Vila Real 49 623 Douro
7 Chaves 37 623 Alto Tâmega
8 Bragança 34 580 Terras de Trás-os-Montes

Economia[editar | editar código-fonte]

Comparação com o resto do país[editar | editar código-fonte]

A Região Norte representa cerca de 39% das exportações nacionais e 29% da economia nacional.[26] Graças às boas infraestruturas de comunicação e de internacionalização tornou-se uma região competitiva e conta com uma rede qualificada de equipamentos de ciência e tecnologia. A Região Norte tem, a seguir da Área Metropolitana de Lisboa, a segunda maior economia regional de Portugal. Mesmo que seja a segunda região mais rica do país, é hoje a região aonde às pessoas tem o menor poder de compra e o menor rendimento de todas as sete regiões nacionais. Em 2019, a diferença entre os rendimento por habitante da Região Norte, comparado com a Área Metropolitana de Lisboa, existe uma diferença de cerca de 9.000 €.

Crise financeira[editar | editar código-fonte]

Mesmo que tenha sido atingida pela recessão global em 2009 e pela Crise da Zona Euro em 2011 e 2012, foi a única região de toda a Península Ibérica a aumentar o PIB per capita nas normas de poder de compra (PPC) em relação à média dos 28 países da União Europeia, por regiões NUTS-2, entre 2007 e 2015. Enquanto o PIB da região ultrapassou pela primeira vez os 50 mil milhões de € em 2010, baixou em 2012 para 48,3 mil milhões de €, graças à crise. A região só conseguiu recuperar os 50 mil milhões de € em 2014, e com um forte crescimento económico atingiu os 60 mil milhões de € em 4 anos. Em termos de PIB per capita reduziu de 13.700 € em 2010 para 13.149 € em 2012, mas graças ao forte crescimento económico conseguiu atingir os 17.000 € em 2018, aumentando assim o rendimento de cada habitante em 4.000 €, com uma duração de 6 anos.

Produto Interno Bruto[editar | editar código-fonte]

Ao longo dos anos, o Produto Interno Bruto da Região Norte cresceu com a entrada na União Europeia, com os investimentos feitos na indústria, no turismo, na educação e nas infra-estruturas.

Evolução do PIB da Região Norte[editar | editar código-fonte]

Os dados dos anos de 2009 e 2019 mostram, que o PIB da Região Norte cresceu 29%, dos registados 49,2 mil milhões de € em 2009 para 63,5 mil milhões de € em 2019. Ao longo dos anos o PIB da região baixou, por exemplo em 2011 e 2012, aonde foi registado um decrescimento perto dos 5%. As razão para o decrescimento económico foi a crise financeira. Comparado aos dados do PIB nacional, a economia regional do Norte ganhou ao longo dos anos cada vez mais importância. Em 2016, a riqueza produzida em Portugal veio da Região Norte com 26,7%. Desde aí, as outras seis regiões de Portugal tem cada vez mais relevância no PIB nacional e tornaram-se mais competitivas entre elas.[27]

PIB da Região Norte (em mil milhões de €)
Ano 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020
PIB 49,2 50,7 49,8 48,3 49,4 50,8 52,8 55,1 57,6 60,9 63,5 60,3
Crescimento - +3% -1,8% -3% +2,2% +2,8% +3,9% +4,3% +4,5% +5,7% +4,2% -5%
% do PIB nacional 20,4% 21,3% 20,3% 22,3% 21,8% 22,1% 26,5% 26,7% 26,1% 25,1% 26,5% 26,1%

Estatística da evolução do PIB da Região Norte (em mil milhões de €)

PIB por sub-região[editar | editar código-fonte]

A Produto Interno Bruto (PIB) da Região Norte situava-se em 2019 nos 63,524 mil milhões €[28], sendo a segunda região com a maior PIB de Portugal, atrás da Área Metropolitana de Lisboa com 77,349 mil milhões de €.[29] As maiores economias da Região Norte localizam-se na Área Metropolitana do Porto, Cávado e Ave.

Lista do PIB por sub-região na Região Norte
Lugar Sub-região PIB (2019)
1. Área Metropolitana do Porto 34,442 mil milhões €
2. Cávado 7,277 mil milhões €
3. Ave 7,054 mil milhões €
5. Alto Minho 3,718 mil milhões €
4. Tâmega e Sousa 5,264 mil milhões €
6. Douro 2,916 mil milhões €
7. Terras de Trás-os-Montes 1,702 mil milhões €
8. Alto Tâmega 1,148 mil milhões €
PIB da Região Norte 63,521 mil milhões €

PIB per capita por sub-região[editar | editar código-fonte]

O Produto Interno Bruto por habitante (PIB per capita) da Região Norte situava-se em 2019 nos 17.774 €[30], sendo a região com o PIB per capita mais baixo de Portugal. As regiões com o maior PIB per capita em Portugal é a Área Metropolitana de Lisboa, o Algarve e o Alentejo.[31]

Lista do PIB per capita por sub-região na Região Norte
Lugar Sub-região PIB per capita (2019)
1. Área Metropolitana do Porto 19.963 €
2. Cávado 18.006 €
3. Ave 17.110 €
4. Alto Minho 16.120 €
8. Tâmega e Sousa 12.634 €
6. Douro 15.272 €
7. Alto Tâmega 13.309 €
5. Terras de Trás-os-Montes 15.810 €
PIB per capita da Região Norte 17.774 €

Indústria e exportação[editar | editar código-fonte]

Apresentando-se como a quinta região mais industrializada da União Europeia-15, e detentora de uma forte vocação industrial e exportadora, a Região do Norte assenta numa balança comercial regional positiva, representando cerca de 45% das empresas exportadoras nacionais. O têxtil é, seguramente, o principal sector que contribui para esta afirmação, sendo também notória o sector das máquinas e material elétrico, a indústria de calçado, e simultaneamente, as áreas de negócio de base tecnológica com um forte potencial de internacionalização.[32]

Aeroporto Francisco Sá Carneiro

A Região do Norte destaca-se igualmente por ter a fachada atlântica da Península Ibérica com maior tráfego internacional de mercadorias de e para a União Europeia, a partir do cais do Porto de Leixões. A distinção estende-se ainda à existência nesta região de um dos melhores aeroportos da Europa – Aeroporto Francisco Sá Carneiro, considerado como o mais importante aeroporto do Norte da Península Ibérica, atendendo ao volume de tráfego, área de influência e conectividade. Com capacidade para seis milhões de passageiros por ano, oferece cerca de 70 destinos. Nas fronteiras terrestres, o Norte de Portugal lidera o tráfego de passageiros entre Portugal e Espanha com ligação à vizinha Galiza, registando-se um crescimento da saída e entrada de mercadorias no espaço regional.[32]

O empreendedorismo do Norte de Portugal é ainda inseparável das suas empresas que, em alguns casos, alcançaram um patamar de projeção internacional.[32]

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

Entrada do INL

A Região do Norte apresenta hoje polos de excelência e referência internacional em Investigação & Desenvolvimento nas mais diversas áreas científicas e tecnológicas, que resultam da especialização dos seus quadros superiores e da criação de capital crítico nas suas universidades e centros de investigação. Esta tendência advém dos mais de 100 mil alunos do ensino superior, remetendo para uma elevada capacidade de formação de capital humano, que aliada às capacidades empreendedora e criativa, fazem do Norte de Portugal uma fonte de recursos humanos de excelência.[32]

Há centros de investigação que já conquistaram a acreditação internacional e que são objeto da preferência de investigadores estrangeiros. No campo das Ciências da Saúde, destacam-se como polos de excelência o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), o Instituto de Engenharia Biomédica (INEB), o Instituto de Patologia e Imunologia da Universidade do Porto (IPATIMUP) e o Instituto Internacional e Ibérico de Nanotecnologia (INL). Ao nível da Engenharia, a Investigação & Desenvolvimento atingem um patamar de referência no Instituto de Polímeros e Compósitos e 3B’s Research Group – Biomaterials, Biodegradables and Biomimetics – e no Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI). O Instituto de Engenharia e Sistemas e Computadores do Porto (INESC do Porto) diferencia-se pela excelência na área das Tecnologias da Informação e Comunicação.[32]

Euro-região Norte-Galicia[editar | editar código-fonte]

O Norte de Portugal e a Galiza formam uma eurorregião baseada em semelhanças históricas, culturais, linguísticas e económicas comuns, a Eurorregião da Galiza-Norte de Portugal. A eurorregião tem origem na Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal,[33] criada em 1991. Esta eurorregião conta ainda com o apoio do Eixo Atlântico, um lobby das cidades e municípios galegos e norte de Portugal.[33]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Vista panorâmica do exterior da Casa da Música

O Norte de Portugal é rico em cultura e criação artística. Um conjunto de centros criativos e culturais emergem como marcas internacionais. É exemplo disso a Casa da Música, um dos exemplos mais claros de centro de excelência no domínio das artes e do espetáculo, democratizando o acesso à cultura e à música. Prestigiada internacionalmente, a Fundação de Serralves é outro dos centros de referência cultural na região e no país, através da oferta do seu Museu de Arte Contemporânea. Também o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e a Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão, têm-se distinguido no acolhimento, programação e promoção de diversos eventos artísticos e culturais de relevo nacional e internacional.[32]

Teatro de Vila Real.

A vitalidade cultural deve-se também ao importante papel de teatros públicos como o renovado Teatro Circo de Braga, o Teatro Nacional S. João, no Porto, o Teatro Municipal de Vila Real e o Teatro Municipal de Bragança. A criação artística e literária é uma das marcas mais perenes da região. Na literatura, entre os muitos escritores, estão nomes como Miguel Torga e Agustina Bessa-Luís, e mais recente, o galardoado com o Prémio Camilo Castelo Branco, Manuel Jorge Marmelo, e Valter Hugo Mãe, distinguido com o Prémio José Saramago.[32] No campo da pintura, distinguem-se, entre outros artistas, Júlio Resende e Graça Morais. Na música, os pianistas Rui Massena, Maria Helena Sá e Costa e Pedro Burmester. Na arquitetura, a “Escola do Porto” foi celebrizada, entre outros, por Fernando Távora, Alcino Soutinho, Souto Moura e Siza Vieira, tendo estes dois últimos recebido já o Pritzker, o maior galardão mundial na área da arquitetura.[32] No cinema, o realizador portuense Manoel de Oliveira é um dos autores mais prestigiados e influentes da cinematografia europeia dos séculos XX e XXI, tendo nas suas obras inscritas a memória e a imagem do Porto e do Alto Douro e Trás-os-Montes.[32] A Moda, com assinatura nortenha, tem alcançado grande prestígio com nomes como Maria Gambina, Nuno Gama, Ana Sousa, Luís Onofre, Katty Xiomara e Micaela Oliveira. Um prestígio sustentado também pela promoção de dois grandes eventos na região – Portugal Fashion e Modtissimo, que têm contribuído para o lançamento de criadores portugueses, nomeadamente, para as passarelas dos principais palcos da moda europeia.[32]

Região Vinhateira do Alto Douro

A Galiza e o Norte de Portugal têm vindo a promover a candidatura oficial ao reconhecimento ao Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, para a valorização de áreas urbanas, históricas e naturais com forte potencial de internacionalização e procura turística. Estendendo-se a riqueza desta região aos distintos espaços culturais e desportivas, como às suas gentes que, nas mais diversas áreas, têm internacionalizado e levado o nome da Região Norte, mas também de Portugal, além-fronteiras.[32] O projeto é apoiado pelo governo galego, várias instituições e associações galegas, juntamente com governos e instituições locais e regionais do Norte de Portugal. O nome oficial é "Candidatura de Património Imaterial Galego-Português".[34]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Norte de Portugal é um dos destinos turísticos que apresenta um elevado potencial de crescimento interno e externo. Tem sido distinguido, por diferentes entidades estrangeiras, e por anos consecutivos, como o Melhor Destino Europeu, registando-se um aumento crescente de visitantes.[32]

Largo da Oliveira, no Centro histórico de Guimarães

Dos vários polos de atração turística, distinguem-se os locais classificados pela UNESCO como Património da Humanidade. Primeiro, o Centro Histórico do Porto, em 1996, pela preservação de edifícios milenares com tradição cultural e comercial. Em 1998, as Gravuras Rupestres de Foz Côa,[35] também distinguidas pela UNESCO por serem a maior coleção mundial de gravuras pré-históricas em espaço livre. Já em 2001 foi a vez de serem reconhecidos o Centro Histórico de Guimarães e o Alto Douro Vinhateiro, como “paisagem cultural evolutiva viva”, onde nasceu um dos vinhos mais marcantes da história da humanidade: o Vinho do Porto, e considerada a mais antiga região demarcada do mundo.[32]

No Norte, a oferta turística inclui ainda a descoberta do número crescente de produtos com um certificado de denominação de origem. Além dos vinhos, há o azeite, o fumeiro, o mel e outros produtos agroalimentares, bem como as rendas de bilros e a filigrana, entre outros bens artesanais com forte marca de qualidade e autenticidade. O grande valor do património e da cultura associada a estes produtos levou inclusivamente à criação de instrumentos promocionais temáticos, como são o caso da Rota do Vinho do Porto, da Rota dos Vinhos Verdes e da Rota do Azeite de Trás-os-Montes.[32]

Um turismo de qualidade em crescimento contínuo, alicerçado pela rica gastronomia e pela panóplia de atividades ao ar livre de cariz lúdico e desportivo, contribuindo para uma maior oferta do turismo de aventura, ambiental e de natureza. Nesta linha, a região é detentora de dois geoparques – Geopark Arouca e Geopark Terras de Cavaleiros, reconhecidos pelo seu excecional património geológico de relevância internacional, aliado a toda uma estratégia de desenvolvimento sustentável. A existência de uma significativa percentagem de território abrangido por um estatuto de proteção da natureza, definem igualmente a região. É o caso do Parque Nacional da Peneda-Gerês e dos parques naturais como os de Montesinho, Alvão e Douro Internacional.[32]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Auto-estradas[editar | editar código-fonte]

A Região Norte tem várias auto-estradas, que ligam todas as capitais de sub-regiões (Braga, Bragança, Chaves, Guimarães, Penafiel, Porto, Viana do Castelo e Vila Real), o interior norte com o litoral e as zonas urbanas com zonas rurais, com uma extensão total de 978 km. Através de três ligações de auto-estrada (A3, A4, A24) liga o país vizinho Espanha no norte e leste e através de três ligações (A1, A24, A29) a Região Centro no sul.[36]

Lista de Auto-estradas da Região Norte
Numeração Autoestrada Sub-regiões Inauguração Concessão Total Extensão Extensão no Norte
A1 Autoestrada do Norte AP 1960 Brisa 301,6 km 39 km
A3 Autoestrada do Minho AP-CA-AM 1988 Brisa 112 km 112 km
A4 Autoestrada Trasmontana AP-TS-DO-TM 1990 Brisa 222,8 km 222,8 km
A7 Autoestrada do Gerês AP-CA-AV-AT 1994 Ascendi 103,9 km 103,9 km
A11 Autoestrada do Baixo Minho CA-AV-TS 1996 Ascendi 70,6 km 70,6 km
A20 (CRIP) Circular Regional Interior do Porto AP 1989 IP 16,6 km 16,6 km
A24 Autoestrada do Interior Norte DO-AT 1998 NorScut 160,6 km 116 km
A27 Autoestrada do Vale do Lima AM 2001 IP 24,7 km 24,7 km
A28 Autoestrada do Litoral Norte AP-CA-AM 2000 IP 94,1 km 94,1 km
A29 Autoestrada da Costa da Prata AP 1995 Ascendi 53,3 km 16 km
A32 Autoestrada Entre-Douro-e-Vouga AP 2011 AEDL 32,6 km 32,6 km
A41 (CREP) Circular Regional Exterior do Porto AP 2002 AEDL 61,8 km 61,8 km
A42 Autoestrada do Douro Litoral AP-TS 2005 Ascendi 24 km 24 km
A43 Autoestrada Radial de Gondomar AP 2005 AEDL 15,5 km 15,5 km
A44 Autoestrada de Vila Nova de Gaia AP 2000 Ascendi 8,2 km 8,2 km
VRI Via Regional Interior AP 2006 Ascendi 2,9 km 2,9 km
Total Extensão de Auto-estradas na Região Norte 960,7 km

As sub-regiões foram reduzidos para duas letras.

Extensão entre as capitais de sub-regiões da Região do Norte
Braga Bragança Chaves Guimarães Penafiel Porto Viana do Castelo Vila Real
Braga 217 km 127 km 25 km 64 km 57 km 60 km 105 km
Bragança 217 km 109 km 198 km 173 km 207 km 274 km 118 km
Chaves 127 km 109 km 107 km 129 km 153 km 182 km 70 km
Guimarães 25 km 198 km 107 km 45 km 55 km 81 km 85 km
Penafiel 64 km 173 km 129 km 45 km 39 km 106 km 60 km
Porto 57 km 207 km 153 km 55 km 39 km 72 km 97 km
Viana do Castelo 60 km 274 km 182 km 81 km 106 km 72 km 162 km
Vila Real 105 km 118 km 70 km 85 km 60 km 97 km 162 km

A maior extensão se encontra entre as capitais de Viana do Castelo e Bragança, com 274 km, passando pelo Porto, Penafiel e Vila Real. A viagem de carro percorre-se em 2 horas e 51 minutos, passando pelas auto-estradas A28 e A4. Todas as ligações entre capitais são feitas mais rápidas via auto-estrada, menos a ligação entre as capitais de Chaves e Bragança. O problema são 66 km, que se tem que percorrer, se a viagem é feita pela auto-estrada. Para fazer a viagem tens que fazer a ligação em Vila Real entre a A24, vindo de Chaves e a A4, vindo de Bragança. A viagem mais rápida é através da N213 entre Chaves e Mirandela e depois entrar na A4, com uma duração de uma hora e 30 minutos e uma extensão de 111 km, enquanto a viagem pela autoestrada demora uma hora e 52 minutos, passando pela A24 e A4, com uma extensão de 177 km. A viagem mais curta entre capitais é entre Braga e Guimarães, com uma extensão de 25 km e uma duração de 20 minutos, através da A11.

A1 – Autoestrada do Norte[editar | editar código-fonte]

A A1 é a auto-estrada principal do Norte, que liga o Porto com a Região Centro e com a Área Metropolitana de Lisboa. A auto-estrada liga o centro do Porto, através da Ponte da Arrábida, com Vila Nova de Gaia, atravessando assim o Rio Douro. No centro do Porto, a auto-estrada acaba com o quilometro 303, aonde passa uma ponte do Metro do Porto, e começa a A20. Com a última saída ser para a A28, a auto-estrada liga várias zonas habitacionais e empresariais, com o NorteShopping ao pé. Depois de ter atravessando o Rio Douro, a auto-estrada entra igualmente numa zona extremamente urbana de Vila Nova de Gaia, aonde atravessa dois grandes centros comerciais (Árrabida Shopping e GaiaShopping). Com a ligação da A44, a A1 faz um círculo sobre o centro da cidade do Porto com as ligações A1 x A20 x A44, mais conhecido como a Via de Cintura Interna (VCI). Passando Vila Nova de Gaia entra num triângulo, aonde interfere com a autoestrada A29, que liga a costa litoral desde Vila Nova de Gaia até Aveiro, com uma extensão de 53 km e a auto-estrada A32, que liga o interior da Área Metropolitana do Porto (Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Vale de Cambra). Passando o triângulo, a auto-estrada atravessa uma zona urbana com muitas casas "espalhadas". Perto de Espinho, a autoestrada tem uma das maiores praças de portagens, a Praça de Portagem de Grijó. Daí, a A1 liga a Circular Regional Exterior do Porto, a A41, que faz um círculo sobre o exterior do Grande Porto. Uns quilómetros mais para a frente, direção a Lisboa, chega-se a Santa Maria da Feira e a última cidade antes da fronteira entre as regiões do Norte e Centro, antes da fronteira entre as sub-regiões da Área Metropolitana do Porto e da Região de Aveiro.

A3 – Autoestrada do Minho[editar | editar código-fonte]

A A3 é a autoestrada que liga as duas maiores cidades da Região Norte (Porto e Braga) com a Espanha, passando por grande áreas urbanas e industriais. A auto-estrada liga o centro do Porto, através da ligação com a A20. Passando ao lado da FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) e do Hospital São João, o hospital mais importante da Região Norte, chega ao primeiro laço com a A4 em Águas Santas, no município de Maia. Continuando a cerca de 5 quilómetros a norte, chega-se à Praça de Portagens de São Pedro Fins. Aí existe um laço com a A41. Desde do começo da autoestrada do centro do Porto até à praça de portagens, a autoestrada tem um perfil de 8 vias com 4 vias de circulação para cada sentido. A seguir da praça de portagem, segue-se 12 quilómetros passando pelo monte até chegar a próxima saída, que liga os municípios da Trofa e de Santo Tirso. Depois da autoestrada passar o Rio Ave existe uma ligação com a A7 perto de Vila Nova de Famalicão, que liga Póvoa de Varzim com Guimarães e Vila Pouca de Aguiar. A seguir do nó em Vila Nova de Famalicão, faltam 17 quilómetro para chegar a Braga. Em Braga, a autoestrada tem um nó com a A11, que liga Esposende com Penafiel e com autoestrada Circular Sul de Braga (CSB), que liga o sul da cidade. Passando a capital do Cávado e o rio com o mesmo nome, a autoestrada segue 30 quilómetros até Ponte de Lima, aonde liga a A27, que segue até Viana do Castelo, a capital do Alto Minho e o IC28, que liga Ponte da Barca. Desde Ponte de Lima, faltam 40 quilómetros até chegar a Valença e a fronteira com a Espanha.

A4 – Autoestrada Transmontana[editar | editar código-fonte]

A A4 é a autoestrada com a maior extensão na Região Norte com 223 km e a principal autoestrada, que liga o litoral com o interior da Região Norte. A autoestrada liga o Porto com Penafiel, Vila Real, Bragança e Espanha. Começando no Porto, a autoestrada tem a sua nascente em Matosinhos, tendo um nó com a A28, que liga o Porto com Viana do Castelo. A seguir com o nó do VRI, a autoestrada tem uma ligação com o Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]