Regime de informação

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O termo "regime de informação" (régime of information) foi originalmente apresentado pelo filósofo da informação Bernd Frohmann para "chamar qualquer sistema ou rede mais ou menos estável em que a informação flui através de canais determinados de produtores específicos, via estruturas organizacionais específicas, para consumidores ou usuários específicos"[1]. Posteriormente, a filósofa Maria Nélida González de Gómez define "regime de informação" como "um modo de produção informacional dominante em uma formação social, conforme o qual serão definidos sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação e distribuição"[2].

[[Categoria:conceito]]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Revisões bibliográficas sobre o uso do conceito de regime de informação na área da Ciência da Informação[3][4] apontam que Frohmann apresentou o conceito, em 1995, como uma forma de criticar a falta de atenção de pesquisadores da área à dimensão efetivamente política dos estudos sobre políticas de informação. Ciente do clamor de diversos pesquisadores por uma maior qualificação do debate – avaliado pelo autor como superficial e ingênuo – sobre o tema na literatura científica, Frohmann argumenta que, para identificar os múltiplos pontos que permitem intervenções inteligentes e socialmente responsáveis nas políticas de informação, é necessário empreender uma análise rica sobre o desenvolvimento, a estabilidade e a manutenção daquilo que chamou de “regime de informação”. Para Frohmann, “descrever um regime de informação significa mapear os conflituosos processos que resultam em estabilizações provisórias e inquietas de conflitos entre grupos sociais, interesses, discursos e até mesmo artefatos científicos e tecnológicos”[1]. Com isso, o autor deseja fugir de uma visão instrumental que se preocupa apenas com a eficiência de fluxos informacionais, sem considerar a mútua implicação e dependência entre ciência, tecnologia, relações sociais e discursos.

A partir de 1999, o conceito passa a ser desenvolvido por Maria Nélida González de Gómez mediante a incorporação das abordagens de Mark Poster e Sandra Braman sobre, respectivamente, as expressões “modo de informação” e “emergente regime global de políticas de informação”, bem como as ideias de “cadeia de produção de informação” (voltada para a projeção de ações administrativas e políticas) e “infraestrutura de informação” (focada na transversalidade econômica, social e cultural das ações de informação e comunicação). A autora também traz à baila a perspectiva de “regimes de valor”, que o cientista da computação iraniano Hamid Ekbia, por sua vez, toma emprestado dos sociólogos franceses Luc Boltanski e Laurent Thévenot para considerar a existência de diferentes regimes de informação, correspondentes a diferentes regimes de valor. Em 2012, a autora escreve que "o regime de informação remete à distribuição do poder formativo e seletivo entre atores e agências organizacionais, setores de atividades, áreas do conhecimento, regiões locais e redes internacionais e globais, seja pela definição e construção de zonas e recursos de visibilidade informacional, seja pela sonegação e/ou substituição de informações de outro modo socialmente disponíveis ou acessíveis, seja por efeitos não totalmente intencionais da agregação de ações e meios, sobre aquilo que se define, propicia e mobiliza como valores de informação"[5].

Uma abordagem recente aplicada a partir do regime de informação foi a de Alexandre de Souza Costa no livro "O regime de informação: um olhar sobre o marco regulatório da indústria de petróleo e gás natural no Brasil"[6]. Costa desenvolve o seu arcabouço teórico-metodológico baseando-se em Bernd Frohmann, Maria Nélida González de Gómez, Sandra Braman, Hamid Ekbia e revisita alguns autores que ajudam na compreensão sobre o regime de informação, tais como: Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari e Bruno Latour. Costa desenvolve ao logo do livro uma abordagem onde parte-se do pressuposto que há um regime de informação associado às formas de regulação na indústria de petróleo e gás natural, no Brasil e no mundo.

Referências

  1. a b Frohmann, Bernd. «Taking information policy beyond information science: applying the actor network theory». Connectedness: Information, Systems, People, Organizations. (em inglês) 
  2. Gomez, Maria Nélida González de (2002). «Novos cenários políticos para a informação». Ciência da Informação. 31 (1). ISSN 1518-8353 
  3. Bezerra, Arthur Coelho (dezembro de 2017). «Vigilância e cultura algorítmica no novo regime global de mediação da informação». Perspectivas em Ciência da Informação. 22 (4): 68–81. ISSN 1413-9936. doi:10.1590/1981-5344/2936 
  4. «Alves». conferencias.ufsc.br. Consultado em 14 de novembro de 2019 
  5. Gómez, Maria Nelida González de (2012). «As ciências sociais e as questões da informação». Revista Morpheus - Estudos Interdisciplinares em Memória Social. 8 (14). ISSN 1676-2924 
  6. COSTA, Alexandre de Souza (2021). O regime de informação: um olhar sobre o marco regulatório da indústria de petróleo e gás natural no Brasil. Curitiba: Appris. p. 149