Reino Zulu
| Reino Zulu (KwaZulu) | ||||
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Reino independente (1816-1879) | ||||
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| Bandeira | ||||
| Capital | Ulundi | |||
| Língua oficial | Zulu | |||
| Religião | Religião Tradicional Zulu | |||
| Governo | Monarquia | |||
| Reis | ||||
| • 1816-1828 | Shaka Zulu | |||
| • 1828-1840 | Dingane | |||
| • 1840-1872 | Mpande | |||
| • 1872-1884 | Cetshwayo | |||
| • 1884-1897 | Dinuzulu | |||
| Período histórico | Neocolonialismo e Idade Contemporânea | |||
| • 1816 | Fundação | |||
| • 1897 | Dissolução | |||
| Moeda | Gado | |||
Reino Zulu ou Zululândia (também chamado de Império Zulu) foi um estado pré-colonial africano localizado na África Austral. O mesmo dominou grande parte da porção oriental da atual África do Sul, desde o sul do rio Tugela ao norte do rio Pongola. O extinto Reino Zulu seria atualmente o equivalente à chamada Nação Zulu, ou seja, o povo zulu, grupo que geograficamente vive em territórios correspondentes à África do Sul, Lesoto, Essuatíni, Zimbábue e Moçambique e que tem como líder um sub-monarca, sendo o atual o rei Misuzulu Zulu.[1]
História
[editar | editar código]Em meados do século XVIII começaram a culminar guerras entre centros de poder africanos, na região da atual África do Sul, pela posse de terras, principalmente entre a cordilheira do Drakensberg e o mar. Os rios que descem da cordilheira formavam fronteiras naturais, por conseguinte formaram-se três grandes grupos de populações angunes: os suázis, comandados por Sobuza, os anduandués, comandados por Zwide, e os mtétuas, comandados por Cetshwayo. As lutas entre estas populações eram frequentes, principalmente em busca do controle do comércio de marfim e gado com o litoral, na região da Baía de Maputo.[2][3][4]
Por volta de 1787 nasce entre os zulus Shaka, filho do Príncipe Senzangakhona e da Princesa Nandi da família real Mhlongo, fruto de uma gravidez antecedente ao casamento e ao lobolo, algo proibido entre os zulus. Por isto ele não foi considerado herdeiro do trono e acabou, na adolescência, sendo incorporado ao exército de Cetshwayo, onde tornou-se o guerreiro favorito do rei e passou a comandar um regimento do exército. A posição de Shaka no exército de Cetshwayo fez com que o grande chefe expansionista dos mtétuas o ajudasse a tomar o trono pela força, após morte de seu pai em 1816.[3][5]
Dois anos mais tarde, em 1818, houve uma grande batalha entre Cetshwayo e Zwide e o chefe dos mtétuas foi morto, levando Shaka a tomar conta do poder e dar início a reformas militares, incluindo novas táticas de guerra e o uso de novas ferramentas, como uso do escudo que protegia o corpo inteiro e implantou a substituição a lança que se atirava por uma lança mais curta, qual funcionava como uma espada. Shaka instituiu a técnica de combate "corpo-braço-cabeça" em que o corpo era a grande concentração de esquadrão central e a única que os inimigos podiam ver.[6][3][7][4]
Foi graças a esta organização militar que os zulus expandiram sua influência política sobre uma vasta região ao norte do rio Thukela.[3]
Reino Zulu
[editar | editar código]A ascensão do reino Zulu deu-se pela vitória sobre o exército anduandué na chamada "batalha de Gokoli". Após conflitos envolvendo os anduandué, sendo informado que Sikuniana planejava o atacar, Shaka ordena um um ataque aos anduandué, dando origem a um grande massacre no qual cerca de 40 mil anduandués morreram. Com isto, os anduandués deixaram de existir como uma chefatura independente.[3]
O reino Zulu cresceu para dominar grande parte do que hoje é o Cuazulo-Natal e a África Austral. A expansão política do Reino Zulu envolveu ações militares, mas também outras formas de assujeitamento voluntário de comunidades linhageiras e chefaturas que passaram a ocupar a esfera de influência política zulu[8].
Entretanto, quando o reino Zulu entrou em conflito com o Império Britânico na década de 1870 durante a Guerra Anglo-Zulu, foi derrotado e dominado pelo Império Britânico em 1879 e se tornou um protetorado do mesmo em 1883[9]. Em 1897 o reino foi dissolvido e anexado à Colônia de Natal até 1910, quando a mesma se tornou parte da União Sul-Africana. Foi finalmente convertido em província da República da África do Sul em 1993 como a província de Cuazulo-Natal.
Situação atual
[editar | editar código]Atualmente o antigo reino é uma monarquia subnacional que pertence a África do Sul onde a família real Zulu é reconhecida como patrimônio cultural sul-africana e o rei Misuzulu Zulu, tem assento no parlamento regional.[10][11]
Leia também
[editar | editar código]Ligações externas
[editar | editar código]- Shaka Zulu: Pai fundador da nação zulu, Deutsche Welle
Referências
[editar | editar código]- ↑ Fibla, Carla (7 de maio de 2021). «A dura batalha pela sucessão no trono zulu». El País Brasil (em espanhol). Consultado em 15 de outubro de 2021
- ↑ SILVA, Evander Ruthieri (2023). Entre o escudo e a azagaia: uma história política do Reino Zulu no século XIX. Rio de Janeiro: EDUERJ. p. 45-55. ISBN 978-85-7511-625-8
- 1 2 3 4 5 «VII». www.macua.org. Consultado em 12 de junho de 2018
- 1 2 Santos, Marco Antonio Dos (21 de maio de 2005). «MARCO NEGRO: SHAKA ZULU - O GENERAL AFRICANO». MARCO NEGRO. Consultado em 12 de junho de 2018
- ↑ Welle (www.dw.com), Deutsche. «Shaka Zulu: Pai fundador da nação zulu | DW | 30.06.2020». DW.COM. Consultado em 15 de outubro de 2021
- ↑ Omer-Cooper, John D. (1966). The Zulu aftermath: a nineteenth-century revolution in Bantu Africa (em inglês). [S.l.]: Northwestern University Press
- ↑ Morris, Donald R. (1994). The Washing of the Spears: A History of the Rise of the Zulu Nation Under Shaka and Its Fall in the Zulu War of 1879 (em inglês). [S.l.]: Pimlico. ISBN 9780712661058
- ↑ SILVA, Evander Ruthieri (2023). Entre o escudo e a azagaia: uma história política do Reino Zulu no século XIX. Rio de Janeiro: EDUERJ. p. 82-83
- ↑ SILVA, Evander Ruthieri (2025). Guerra Anglo-Zulu: colonialismo, poder e resistências no sul da África. Curitiba: Juruá
- ↑ Novo rei zulu é oficialmente reconhecido pelo governo da África do Sul. Agência Brasil. Pesquisa em 27 de abril de 2025
- ↑ Novo rei zulu é reconhecido na África do Sul; coroação é a primeira em mais de 50 anos, veja fotos. G1. Acesso em 27 de abril de 2025
