Reino de Leão
| Reino de León (galego) / Reinu de Llión (leonês) Reino de Leão | |||||
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Reino | |||||
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| Continente | Europa | ||||
| Região | Península Ibérica | ||||
| País | Espanha/Portugal | ||||
| Capital | León | ||||
| Língua oficial | Latim, Astur-leonês e galego-português. Também Castelhano e Moçárabe. | ||||
| Religião | Catolicismo (min. Paganismo germânico) | ||||
| Governo | Monarquia | ||||
| História | |||||
| • 910 | Fundação | ||||
| • 1833 | Dissolução | ||||
O Reino de Leão foi um dos antigos reinos ibéricos surgidos no período da reconquista cristã sendo independente durante três períodos: de 910 a 1037 (sob domínio da casa Leonesa), de 1065 a 1072 (sob o domínio da casa de Navarra) e de 1157 a 1230 (sob o domínio da casa da Borgonha).
A sua primeira constituição deu-se em 910, com a divisão do Reino das Astúrias pelos filhos do Rei Afonso III, o Grande; o primogénito Garcia ficou com o Reino de Leão, Ordonho com a Galiza e Fruela com as Astúrias.[1]
Mais tarde Leão e Galiza acabaram por ser herdados pelo rei das Astúrias, dada a morte sem descendentes dos seus soberanos, tendo o rei Fruela passado a controlar toda a vasta área do Noroeste Peninsular cristão.
Embora a divisão de 910 marque a transição formal para a monarquia leonesa, não houve uma rutura na continuidade dinástica com o anterior Reino das Astúrias. A fundação do novo reino foi um processo gradual impulsionado pela expansão territorial para sul. Desde a segunda metade do século IX, o reino asturiano havia-se estendido à custa dos seus vizinhos galegos e bascos, alcançando o Planalto da Meseta. Essa expansão para regiões fronteiriças, em rápida colonização, tornou politicamente e economicamente desejável a deslocação do centro da autoridade real para um local mais próximo e melhor posicionado para supervisionar esses novos territórios. Como resultado, a principal residência real e centro administrativo foi transferida de Oviedo, nas Astúrias, para Leão, um antigo assentamento legionário romano, sendo esta mudança um símbolo da deslocação do centro de gravidade político do reino. A mudança, que pode ter ocorrido efetivamente apenas no reinado de Ordoño II (914-924), também indicava uma maior sensação de segurança militar, beneficiada pela dissolução do poder central do Emirado Omíada de Córdoba durante as décadas de 880 a 920[2].
Em 1037, o rei Bermudo III foi derrotado, morto e substituído no trono por Fernando I conde de Castela, o qual se julgava com pretensões legítimas ao trono de Leão, já que era casado com a irmã de Bermudo, a rainha Sancha.
Foi novamente destacado após a morte de Fernando Magno (1065), cujas possessões foram repartidas entre os seus filhos Sancho, que ficou com Castela, Afonso, que ficou com Leão, e Garcia, que recebeu a Galiza.
Após intensas lutas fratricidas com os seus irmãos, Afonso VI de Leão acabou por conseguir dominar também Castela e a Galiza, e proclamou-se "Imperador de toda a Espanha" (Imperator totus Hispaniæ). Ficou a capital sediada na velha cidade de Leão.
Esta situação manteve-se ao longo dos reinados da sua filha Urraca e o seu neto Afonso VII, o qual viria também a proclamar-se, tal como o avô, Imperador de Espanha. Apos a sua morte, Leão ganhou de novo, por um breve período, a sua independência; em 1157 os extensos territórios que compunham o seu Estado foram repartidos entre os seus filhos Sancho, que ficou com Castela, e Fernando, que recebeu Galiza e Leão.
Apesar de a monarquia leonesa se manter nas mãos de uma única dinastia, a sua estrutura governamental era mínima e inerentemente frágil. A autoridade real efetiva, fora da capital, dependia da manutenção de um corpo de apoio suficiente entre os grandes proprietários de terras regionais. A sucessão ao trono não era automática, mas envolvia tipicamente um processo de seleção pelos principais magnatas leigos do reino, com todos os membros masculinos da casa real considerados elegíveis. Neste contexto, a alta nobreza ocupava o cargo de conde, cujos deveres incluíam a administração de tribunais locais de justiça e a responsabilidade de mobilizar recursos militares nos seus distritos, sendo obrigatória a participação de todos os homens livres em expedições militares. Através da liderança militar e da expansão das suas propriedades nas fronteiras, as aristocracias regionais estabeleceram bases de poder locais consideráveis. Consequentemente, a partir da década de 930, os cargos de conde, embora formalmente outorgados pela realeza, tornaram-se hereditários, representando um desafio crescente à autoridade central leonesa[2].
O reino de Leão acabaria ser tomado uma última vez pelo rei de Castela em 1230, quando Fernando III de Castela, filho de Afonso IX de Leão através do seu casamento com Berengária de Castela, se apropriou do trono que pertencia, segundo as disposições testamentárias do pai, às suas meias-irmãs e legítimas herdeiras, as rainhas Sancha e Dulce; Para manter a independência do Reino de Leão, Afonso IX no seu testamento aplicou o direito galego de herança, que igualava na sucessão homens e mulheres, deixando suas filhas como futura rainhas de Leão. Porém, Fernando III com o auxílio da mãe Berengária e da mãe das herdeiras, a rainha Teresa Sanches de Portugal, conseguiu-se proceder à unificação definitiva das duas coroas, passando Castela a deter o predomínio no conjunto dos Estados do centro peninsular - a capital doravante estaria em Toledo, a velha capital goda, e não em Leão; a língua leonesa entrou em significativo declínio, sendo gradualmente substituída pelo castelhano. No século XVI, com a absorção de Aragão e Navarra, Leão manteve-se como uma capitania-geral do reino, figurando o seu título entre os vários que os reis de Espanha possuíam; só em 1833 desapareceu de jure e de facto o velho reino, transformando-se na região leonesa formada por Salamanca, Zamora e Leão. Esta região passou a formar com parte da Castela velha a comunidade de Castela e Leão no ano 1983; contudo, partes significativas do antigo reino integram hoje as comunidades autónomas de Castela e Leão, Estremadura, Galiza e Astúrias.

Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Suárez Fernández 1976, p. 253.
- ↑ a b McKitterick, Rosamond; Reuter, Timothy; Abulafia, David (1995). The New Cambridge Medieval History: Volume 3, C.900-c.1024 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. Consultado em 1 de novembro de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- Suárez Fernández, Luis (1976), Historia de España: Antigua y Media, ISBN 978-84-321-1882-1 (em espanhol), Tomo I, Madrid: Ediciones Rialp, consultado em 3 de junho de 2022
- McKitterick, Rosamond; Reuter, Timothy; Abulafia, David (1995). The New Cambridge Medieval History: Volume 3, C.900-c.1024 (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. Consultado em 1 de novembro de 2025
