Relações entre Estados Unidos e Reino Unido

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Relações entre Reino Unido e Estados Unidos
Bandeira dos Reino Unido   Bandeira do Estados Unidos
Mapa indicando localização dos Reino Unido e do Estados Unidos.

As relações entre Estados Unidos e Reino Unido são as relações diplomáticas estabelecidas entre os Estados Unidos da América e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

O Reino Unido é um dos "aliados mais próximos" dos Estados Unidos, e a política externa britânica enfatiza uma estreita coordenação com os norte-americanos. A cooperação bilateral reflete o idioma em comum, os ideais e as práticas democráticas das duas nações.[1]

Estas relações se fortaleceram pela aliança do Reino Unido com os Estados Unidos durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, Guerra da Coreia, Guerra do Golfo, na Guerra do Iraque e na Guerra do Afeganistão, bem como através do seu papel como membros fundadores da OTAN.[2] Os dois países constantemente se consultam sobre questões de política externa e os problemas globais, e compartilham os objetivos de suas políticas externas de segurança.[3]

As relações entre os dois países é tão intensa, que o Reino Unido chega inclusive a compartilhar ou até mesmo a conceder aos Estados Unidos algumas das bases militares que se encontram localizadas nos territórios britânicos ultramarinos. Dentre elas, destacam-se as Bases Britânicas Soberanas, localizadas na ilha de Chipre, a Base Aérea da Ilha de Ascensão e a Base Aeronaval de Diego Garcia.

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Massachusetts Hall, construído em 1720, exemplar mais antigo da arquitetura georgiana em solo estadunidense.[4]

Após várias tentativas fracassadas, a primeira colônia inglesa permanente na América do Norte continental foi estabelecida em 1607 em Jamestown, na Colônia e Domínio da Virgínia.[5] Em 1624, a Colônia e Domínio da Virgínia deixou de ser uma colônia corporativa administrada pela Virginia Company of London e tornou-se uma colônia da coroa.[6] Em 1630, os puritanos fundaram a Colônia da Baía de Massachusetts, enfatizando não apenas uma religiosidade pura, mas também um alto nível de educação e o empreendedorismo.[7]

Colônias menores seguiram na Província de Maine (1622), Província de Maryland (1632), Colônia de Rhode Island e Plantações de Providence (1636) e Colônia de Connecticut (1636). Mais tarde, ocorreu a fundação da Província da Carolina (1663) (dividida entre Província da Carolina do Norte e Província da Carolina do Sul a partir de 1729). A Província de Nova Hampshire foi fundada em 1691. Em 1732, foi fundada a Província da Geórgia e passou a ser administrada pelo inglês James Oglethorpe.[8]

Os britânicos estabeleceram a Província de Nova Iorque a partir da antiga colônia holandesa da "Nova Holanda".[9] Em 1674, a Província de Nova Jérsei foi desmembrada de Nova Iorque. Em 1681, William Penn foi premiado com uma carta régia de Carlos II da Inglaterra que lhe permitiu fundar a Província da Pensilvânia.[10] Penn atraiu seus companheiros quacres, bem como muitos fazendeiros alemães e camponeses escoceses-irlandeses.[11]

As colônias se reportavam individualmente a Londres. Houve um esforço fracassado de agrupar as colônias no Domínio da Nova Inglaterra entre 1686 e 1689.

Revolução Americana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Revolução Americana
A Festa do Chá de Boston, em 1773, foi o primeiro ato organizado de protesto dos cidadãos americanos contra o domínio inglês.

As Treze Colônias gradualmente obtiveram maior autoridade política. As políticas mercantilistas britânicas tornaram-se mais rigorosas, beneficiando a metrópole, o que resultou em restrições comerciais, limitando assim o crescimento da economia colonial e restringindo artificialmente o potencial de ganhos dos comerciantes coloniais. As somas eram pequenas, mas o Parlamento da Grã-Bretanha insistiu na política de cobrança impostos. As tensões aumentaram de 1765 a 1775 por questões de tributação sem qualquer representação americana no Parlamento. A partir do Massacre de Boston de 1770, quando sete homens do 29º Regimento de Infantaria abriram fogo contra uma multidão de americanos revoltoso, as ideias revolucionárias se espalharam pelas colônias. O Parlamento britânico impôs uma série de impostos, como a Lei do Selo e, mais tarde, a Lei do Chá de 1773, contra a qual uma multidão enfurecida de colonos protestou na Festa do Chá de Boston despejando carregamentos de chá da Companhia Britânica das Índias Orientais no Porto de Boston. No ano seguinte, o Parlamento britânico reagiu aprovando o que os colonos chamaram de "Atos Intoleráveis", um conjunto de medidas rígidas cuja finalidade era de desestruturar o poder colonial em Massachusetts. As Treze Colônias se uniram politicamente para um eventual conflito separatista que acabou por eclodir em 1775 nas Batalhas de Lexington e Concord.

Os Patriotas, então, lentamente assumiram o controle de todas as Treze Colônias, expulsando todos os oficiais britânicos em meados de 1776. Enquanto a independência era o ideal de uma maioria de Patriotas, uma minoria de Lealistas desejava permanecer como súditos da Coroa britânica.[12] Em maio de 1775, o Segundo Congresso Continental se reuniu na Filadélfia e, com as deliberações conduzidas por figuras notáveis ​​como Benjamin Franklin, Thomas Jefferson e John Adams, decidiu pela independência total. Mais de um ano depois, o grupo emitiu a Declaração da Independência dos Estados Unidos, ratificada por unanimidade em 4 de julho de 1776, oficializando a sua independência com relação ao Reino Unido. Os Estados Unidos da América tornaram-se a primeira colônia do mundo a alcançar com sucesso a independência na era moderna.[13] No entanto, a Guerra Revolucionária Americana continuou até a rendição do general britânico Charles Cornwallis ao general George Washington, em 19 de outubro de 1781.

A rendição de Charles Cornwallis na Batalha de Yorktown, em 1781, consolidou a vitória dos americanos na Guerra de Independência.

Em 1775, os Patriotas estabeleceram o Exército Continental como uma força de defesa. O Exército britânico voltou em força em agosto de 1776 e capturou a cidade de Nova Iorque, que foi mantida como base de operações inglesas até o fim da guerra em 1783. Os britânicos, usando sua poderosa Marinha Real, capturaram os principais portos americanos, mas 90% dos cidadãos americanos viviam em áreas rurais onde detinham controle total do território. Após a Campanha de Saratoga de 1777, a França adentrou o conflito como aliada dos Estados Unidos e trazendo ainda o apoio indireto da República Holandesa e da Espanha. A Grã-Bretanha sofreu baixas que não pôde substituir e não tinha grandes aliados na Europa, passando então a reorientar suas campanhas para o Sul em busca de maior apoio de americanos lealistas. Em outubro de 1781, ao tentar reagrupar-se em Nova Iorque, os britânicos foram derrotados por tropas sob o comando de George Washington na Batalha de Yorktown.

O Reino Unido reconheceu oficialmente a independência americana com a assinatura do Tratado de Paris, em 1783. Um membro do Parlamento Britânico, David Hartley, representando o rei George III, assinou o tratado juntamente com a delegação norte-americana de John Adams, Benjamin Franklin e John Jay em 3 de setembro de 1783.

Guerra de 1812[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Anglo-Americana de 1812
A Batalha de Baltimore em 1814 inspirou Francis Scott Key a compor "The Star-Spangled Banner", o hino nacional dos Estados Unidos.

Em 1807, os Estados Unidos impuseram um embargo comercial em retaliação ao bloqueio britânico à França, que envolveu a visita e busca de mercadores neutros, e resultou na supressão do comércio franco-americano durante o período Napoleônico. A Marinha Real também revistou navios americanos e deteve marinheiros suspeitos de serem desertores britânicos. A expansão para o Centro-Oeste (mais especificamente para Ohio e Wisconsin) foi dificultada por tribos nativas americanas que receberam munições e apoio de agentes britânicos. De fato, o objetivo da Grã-Bretanha era a criação de um Estado indígena independente para refrear a expansão territorial norte-americana.

Finalmente, em junho de 1812, o Presidente estadunidense James Madison declarou guerra contra os britânicos e superou a oposição dos interesses comerciais no Nordeste. A estratégia dos Estados Unidos exigia um bloqueio do transporte marítimo britânico e, especialmente, o corte de remessas de alimentos para as plantações de açúcar britânicas nas Índias Ocidentais. Por sua vez, os britânicos buscavam derrotar a França através de uma guerra principalmente defensiva.

Casa Branca em ruínas após a Batalha de Washington, em 1814.

No primeiro estágio da guerra, as forças britânicas e canadenses resistiram repetidamente as invasões das forças estadunidenses, que estavam inadequadamente preparadas e em menor quantidade. Ainda assim, os estadunidenses assumiram o controle do Lago Erie em 1813 e minaram as habilidades ofensivas das tropas de nativos aliados aos britânicos no noroeste e no sul. Em 1814, os britânicos contra-atacaram invadindo a Baía de Chesapeake e liderando a Queima de Washington.

As duas nações iniciaram negociações de paz em 1814 que culminaram no Tratado de Ghent, restaurando o status quo ante bellum. Não houve ganhos territoriais de nenhuma das partes e o Reino Unido suspendeu a iniciativa de estabelecer uma nação indígena independente dentro do território estadunidense. Apesar de uma ruptura nas relações durante a Guerra anglo-americana de 1812, e as tensões sobre a possibilidade do reconhecimento britânico dos Estados Confederados da América durante a Guerra de Secessão, os Estados Unidos e o Reino Unido mantiveram relações estáveis e de modo geral consistentes desde o fim do conflito.[14]

Século XIX: disputas regionais[editar | editar código-fonte]

Visconde Palmerston, Primeiro-ministro britânico, foi defensor de uma política de neutralidade durante a Guerra Civil Americana e os conflitos continentais subsequentes.

Nas décadas seguintes, os estadunidenses estabeleceram uma série de orientações diplomáticas que ficaram conhecidas como Doutrina Monroe. Entre tais princípios políticos, havia a oposição norte-americana a qualquer intervenção europeia em países da América. Na década de 1840, vários estados estadunidenses cessaram o pagamento de títulos públicos a investidores britânicos. Os banqueiros ingleses, por sua vez, evitaram títulos títulos públicos e investiram pesadamente nas ferrovias americanas. Sob a liderança do General Winfield Scott, veterano da Guerra de 1812, os Estados Unidos alcançaram termos de relativa paz com o Reino Unido na "Questão Caroline" e na Guerra de Aroostook em 1837 e 1839, respectivamente. Em 1848, a disputa pela fronteira do Oregon foi resolvida através de um compromisso no qual a Colúmbia Britânica ficou em posse da Grã-Bretanha e os territórios de Washington, Idaho, e Oregon foram anexados aos Estados Unidos. Ambos os países voltaram a se chocar diplomaticamente durante a Guerra Civil Americana, no Caso Trent (1861).

A partir de 1848, a descoberta de ouro na Califórnia atraiu grandes multidões para as minas de ouro californianas que passavam por rotas pelo Panamá ao invés de cruzar lentamente a América do Sul. Os Estados Unidos construíram uma ferrovia para o transporte dos mineiros, mas ainda havia a alta mortalidade por doenças tropicais. Como alternativa, empresários estadunidenses decidiram financiar a construção do Canal da Nicarágua ao que os britânicos reagiram negativamente bloqueando rotas importantes na Costa dos Mosquitos. A crise diplomática e militar só foi solucionada em 1850 com a assinatura do Tratado Clayton-Bulwer que garantia igualdade de controle do canal para os dois países e sob a condição de desmilitarização da região. No entanto, o Canal da Nicarágua nunca veio a ser construído.

No final da década de 1890, a Grã-Bretanha sentiu a necessidade de reorientar sua política internacional e aprimorar as relações com os Estados Unidos. Ambos os países concordaram em colaborar na construção de um canal na América Central e o local escolhido foi o Panamá. Em 1901, o Tratado Hay-Pauncefote entrou em vigor e permitiu o início da construção do Canal do Panamá, que foi inaugurado em 1914.

A "Grande Aproximação"[editar | editar código-fonte]

"A Grande Aproximação" (1898). Tio Sam e John Bull se cumprimentam ladeados por Colúmbia e Britânia.

A "Grande Aproximação" foi um período de alinhamento de objetivos sociais e políticos entre Londres e Washington que se estendeu de 1895 até o início da Primeira Guerra Mundial. As duas nações ampliaram suas relações bilaterais após o apoio britânico durante a Guerra Hispano-Americana e a garantia estadunidense de que permitiriam a Independência de Cuba.[15] Em contrapartida, os norte-americanos apoiaram a Grã-Bretanha durante a Guerra dos Bôeres.[16]

Com a vitória na Guerra Hispano-Americana, os Estados Unidos ampliaram sua influência imperialista para as demais regiões do globo. As duas nações apoiaram uma Política de Portas Abertas na China, freando as intenções imperialistas de outros países, e forneceram tropas e armamentos à Aliança das Oito Nações que veio a suprimir a Rebelião dos Boxers em 1900.[17]

Século XX: Guerras Mundiais[editar | editar código-fonte]

Desde o início do século XX, os Estados Unidos mantinham uma política de estrita neutralidade e buscava comercializar livremente com qualquer país. A Alemanha não podia importar produtos norte-americanos devido ao bloqueio e controle britânico sobre as exportações para países da Europa. O comércio norte-americano voltou-se para as Potências Aliadas, especialmente em produtos agrícolas.

Um doughboy estadunidense sendo condecorado pelo Rei Jorge V em 1918.

Entretanto, a opinião pública estadunidense voltou-se contra a Alemanha após as atrocidades belgas em 1914 e o naufrágio do RMS Lusitania em 1915. A partir de 1917, Berlim insistiu com a guerra submarina irrestrita sabendo que levaria a um conflito contra os Estados Unidos e a situação foi agravada com o convite formal dos alemães ao México através do Telegrama Zimmermann. Em abril de 1917, os Estados Unidos declararam guerra contra a Alemanha e passaram a apoiar os britânicos com envio de tropas, armamentos e suprimentos alimentares. A cooperação entre as duas nações ocorreu principalmente durante os confrontos na Frente Ocidental.

Em dezembro de 1918, após a vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, o Presidente estadunidense Woodrow Wilson disse a um oficial britânico:[18]

No fim de 1918, os líderes Wilson e David Lloyd George realizaram a primeira conferência entre os dois países. No ano seguinte, voltariam a se reunir na Conferência de Paz de Paris como parte dos Quatro Grandes. Juntos e apesar das diferenças ideológicas, Wilson e George relativizaram as ideias do primeiro-ministro francês Georges Clemenceau de enfraquecer permanentemente a nova República de Weimar.

Embora muitos norte-americanos fossem simpáticos à Grã-Bretanha em detrimento da Alemanha Nazista, havia uma ampla oposição à intervenção estadunidense nos assuntos europeus. Isso se refletiu em uma série de "Atos de Neutralidade" ratificados pelo Congresso dos Estados Unidos em 1935, 1936 e 1937. No entanto, a política de cash-and-carry de Franklin D. Roosevelt permitia que a Grã-Bretanha e a França adquirissem armamentos dos Estados Unidos. Enquanto embaixador britânico nos Estados Unidos, Lorde Lothian apoiou o programa "Lend-Lease" e incentivou o Primeiro-ministro Winston Churchill a cooperar com Roosevelt.

Após a eleição de Churchill como Primeiro-ministro britânico, uma série de acordos foram firmados com os Estados Unidos permitindo o fornecimento prolongado de armamentos estadunidenses aos britânicos e franceses e o uso de bases militares norte-americanas em locais estratégicos dos teatros de operação do conflito. A partir de 1941, com a entrada efetiva dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Churchill e Roosevelt passaram a realizar conferências pessoais regulares como a que originou a Carta do Atlântico.

Guerra Fria[editar | editar código-fonte]

Pós-Guerra Fria[editar | editar código-fonte]

Tony Blair e George W. Bush durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em 2004.

Ao alcançar uma supremacia política como superpotência mundial após a dissolução da União Soviética, Estados Unidos entrou em choque de interesses com as demais nações da OTAN. A partir de janeiro de 1991, Estados Unidos e Reino Unido passaram a fornecer apoio bélico ao exército de coalizão que rompeu com o domínio de Saddam Hussein sobre o Kuwait durante a Guerra do Golfo.[19] Nas eleições gerais de 1997, o Partido Trabalhista britânico elegeu Tony Blair, que passou a colaborar diretamente com as estratégias diplomáticas de Bill Clinton na configuração política que ficou conhecida como "Terceira via".[20] Ao longo de 1998 e 1999, os dois países enviaram tropas para a Guerra do Kosovo.[21]

Um Royal Marine sendo entrevistado pela NBC no Iraque, 2003.

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, no qual morreram 67 cidadãos britânicos, o Reino Unido declarou apoio total às incursões norte-americanas contra a Al-Qaeda e o Talibã no que ficou conhecido como Guerra ao Terror.[22][23][24] O estreitamento das relações entre os dois países neste período levou George W. Bush a afirmar que "a América não possui aliado mais verdadeiro do que o Reino Unido".[25][26] Nos anos seguintes, forças britânicas participaram destacadamente da Guerra do Afeganistão e da Invasão do Iraque.[27]

Wikileaks[editar | editar código-fonte]

De acordo com telegramas diplomáticos confidenciais, recém-divulgados pelo site Wikileaks e pelo jornal The Guardian, destacou-se o que é descrito como "paranóia" do Reino Unido sobre o chamado "relacionamento especial" com os Estados Unidos. Em um destes arquivos, um diplomata sênior dos Estados Unidos descreve a "especulação excessiva no Reino Unido", depois que Barack Obama se tornou presidente, com diversas mensagens questionando sobre a continuação deste relacionamento especial entre os dois países.

Relações comerciais[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Todas as três principais companhias aéreas americanas, American Airlines, United Airlines e Delta Airlines mantém voos diretos entre os Estados Unidos e o Reino Unido, principalmente entre Londres e Nova Iorque, embora todas as três companhias voem para o Aeroporto de Heathrow partindo de vários hubs, bem como para outros grandes aeroportos britânicos como o Aeroporto de Manchester, o Aeroporto de Edimburgo e o Aeroporto de Glasgow. Além disso, a Delta compartilha codeshare com a Virgin Atlantic, com participação de 49%. As companhias aéreas de baixo custo JetBlue e Southwest Airlines possuem voos entre o leste dos Estados Unidos e os Territórios Ultramarinos Britânicos das Bermudas, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Cayman e Ilhas Turcos e Caicos. A British Airways, por sua vez, interliga o Reino Unido a mais de vinte destinos nos Estados Unidos.

Tanto a American Airlines quanto a British Airways são co-fundadoras da aliança aérea Oneworld. British Airways, TUI Airways e Virgin Atlantic são os principais compradores de aeronaves Boeing fabricadas nos Estados Unidos. O Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque é o destino internacional mais popular para as voos que partem do Aeroporto de Heathrow. Em 2008, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas deixam Heathrow e chegam a Nova Iorque em voos diários sem escalas.[28] Concorde, o avião supersônico da British Airways, iniciou o serviço transatlântico para o Aeroporto Internacional Washington Dulles em 24 de maio de 1976. A rota transatlântica entre Heathrow e JFK em menos de 3 horas e meia teve seu primeiro voo operacional entre em 19 de outubro de 1977 e o último em 23 de outubro de 2003.[29]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Mais de 4,5 milhões de britânicos visitam os Estados Unidos anualmente, gastando cerca de 14 bilhões de dólares. Cerca de 3 milhões de estadunidenses visitam o Reino Unido anualmente, gastando cerca de 10 bilhões de dólares.[30]

Relações culturais[editar | editar código-fonte]

Bandeiras dos Estados Unidos e do Reino Unido ao longo do The Mall. As bandeiras nacionais de ambos os países compartilham as mesmas cores.

Os Estados Unidos e o Reino Unido compartilham uma profunda herança cultural e histórica. Como o inglês é o idioma principal tanto dos britânicos quanto dos estadunidenses, ambas as nações pertencem à Anglosfera.[31][32] A língua em comum apresenta apenas relativas divergências na ortografia, pronúncia e significado de algumas palavras.[33][34][35]

O sistema legal norte-americano é profundamente baseado no direito comum inglês da mesma forma que o sistema de governo local estadunidense possui raízes no governo local e regional inglês, como a estruturação de tribunais de condado e xerifes.[36][37] Embora os norte-americanos sejam mais religiosos do que os britânicos segundo dados estatísticos, as principais denominações protestantes em solo estadunidense são oriundas de movimentos cristãos britânicos, como os batistas, metodistas, congregacionais e episcopais.

O Reino Unido e os Estados Unidos praticam o que é comumente referido como uma economia anglo-saxônica na qual os níveis de regulamentação e impostos são relativamente baixos e o governo fornece um nível baixo a médio de serviços sociais em troca.[38]

A tradicional torta de maçã estadunidense é uma das mais relevantes e simbólicas heranças culturais anglo-americanas.

O Dia da Independência, celebrado anualmente em 4 de julho, é o principal feriado nacional estadunidense e comemora a ratificação da Declaração de Independência em 1776. O sentimento de cisão com a Grã-Bretanha é expresso no hino nacional "The Star-Spangled Banner", escrito durante a Guerra de 1812 sobre uma melodia comemorativa britânica.[39]

Estima-se que entre 40,2 milhões e 72,1 milhões de estadunidenses hoje possuam ascendência britânica, ou seja, entre 13% e 23,3% da população dos Estados Unidos.[40] No Censo dos Estados Unidos de 1980, 61.311.449 americanos relataram ascendência britânica, o que corresponderia a 32,56% da população na época.[41]

Missões diplomáticas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «U.S. Relations With United Kingdom». Departamento de Estado dos Estados Unidos. 2 de junho de 2022. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  2. Wesley 2017, p. 28.
  3. Departamento de Estado dos Estados Unidos - Background Note: Reino Unido
  4. Traughber, Rachel (Maio de 2018). «Historic Massachusetts Hall to undergo renovation, preserving legacy». Universidade Harvard. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  5. Jeffery 2012, p. 27.
  6. Jeffery 2012, p. 24.
  7. Jeffery 2012, p. 25.
  8. Jeffery 2012, p. 53.
  9. «Centennial Weekend». The New York Times. 19 de junho de 1998. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  10. Jeffery 2012, p. 148.
  11. Jeffery 2012, p. 149.
  12. Immerwahr 2019, p. 233.
  13. Immerwahr 2019, p. 30.
  14. História das relações entre Estados Unidos e Reino Unido
  15. Immerwahr 2019, p. 65.
  16. Immerwahr 2019, p. 74.
  17. Immerwahr 2019, p. 63.
  18. Arthur S. Link (1986). The Papers of Woodrow Wilson: vol. 53 1918-1919. [S.l.: s.n.] p. 574. ISBN 9780691047317 
  19. Wesley 2017, p. 20.
  20. Burns, Catherine; Morrison, Hannah (21 de setembro de 2021). «UK-US special relationship: A short history». BBC News 
  21. Naughtie, James (2005). The Accidental American: Tony Blair and the Presidency. [S.l.]: Pan Macmillan 
  22. «A list of the 77 countries whose citizens died as a result of the attacks on September 11, 2001». Departamento de Estado dos Estados Unidos. 8 de abril de 2013. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  23. Wesley 2017, p. 62.
  24. Coates, Sam (10 de novembro de 2005). «After all the fuss dies down, what really happened». The Times. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  25. «George W Bush meets Tony Blair in 2001». BBC News. 25 de janeiro de 2001 
  26. «Former PM Tony Blair: 'You can count on us'». BBC News. 21 de janeiro de 2011 
  27. Wesley 2017, p. 97.
  28. «UK Airport Statistics» 
  29. «Concorde». Super 70's 
  30. «USA and UK relations». Foreign, Commonwealth and Development Office 
  31. «The Anglosphere and its Others: The 'English-speaking Peoples' in a Changing World Order». Academia Britânica. 16 de junho de 2017. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  32. Mycock, Andrew; Wellings, Ben (Julho de 2019). «The UK after Brexit: Can and Will the Anglosphere Replace the EU?» (PDF). Cicero Foundation. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  33. Allan A. Metcalf (2000). How We Talk: American Regional English Today. [S.l.]: Houghton Mifflin Harcourt. p. 90. ISBN 0618043624 
  34. «British English and American English». British Council. Consultado em 3 de setembro de 2022 
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  36. King, Kimi L.; Leuzinger, Julie A. (2019). «Introduction to the Law and the American Legal System» (PDF). Universidade do Norte do Texas. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  37. Robert D. Putnam; David E. Campbell; Shaylyn Romney Garrett (2010). American Grace: How Religion Divides and Unites Us. [S.l.]: Simon and Schuster. p. 316. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  38. «The two types of capitalism». Innovation Zen. 19 de outubro de 2006. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  39. Estrella, Espie (2 de setembro de 2018). «Who Wrote "America the Beautiful"? The History of America's Unofficial National Anthem». ThoughtCo. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  40. «Table B04006 - People Reporting Ancestry - 2020 American Community Survey 5-Year Estimates». Departamento do Censo dos Estados Unidos. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  41. «United States 1980 Census» (PDF). Departamento do Censo dos Estados Unidos. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  42. Department of State. «Websites of U.S. Embassies, Consulates, and Diplomatic Missions» (em inglês). Consultado em 13 de setembro de 2009 
  43. «US embassy moving to south London». BBC News. 2 de outubro de 2008 
  44. «U.S. Relations With United Kingdom». Departamento de Estado dos Estados Unidos. 2009 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]