Religião em São Tomé e Príncipe

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Sé de São Tomé

As manifestações religiosas são imensamente complexas em São Tomé e Príncipe. Elas têm origem nos mais variados credos, pois se atendermos a gama de indivíduos de varias origens, vindos para São Tomé e Príncipe, facilmente se encontra a explicação deste facto.

Distinguem-se contudo, duas tendências religiosas acentuadas: a animista e a católica.

A primeira se funda num culto verdadeiramente fetichista. Nesta tendência não existe a concepção de Um só Deus. Deus segundo ela tanto pode ser Jehovah, como Zambi, como qualquer outro ser.

A segunda tendência, uma interpretação Cristã do mundo (catolicismo), não fez sentir tanto a sua influência nos primeiros séculos da colonização. É certo que grande parte da população não se furtava a este credo, não por o ter aceite em consciência, mas apenas por nele ver mais uma forma de evasão espiritual que bem se ajustava a sua noção de Universo.

Como para todos os Povos do mundo, a religião era para estes homens uma tentativa para a explicação dos fenómenos, que para eles tinha sempre algo de misterioso e de sobrenatural. Eis a razão porque facilmente aceitam qualquer credo sem oferecer obstáculos. O Catolicismo não os satisfazia, embora o respeitassem, daí que tivessem a necessidade de consultar os Manes e os espíritos dos mortos.

O mal e o bem são atribuídos ao feitiço. Segundo eles o corpo é feito de barro e se desfaz, e a alma é invisível e aspira a bem aventurança eterna. Têm por isso um sacro respeito pelos mortos.

Embora constituídos por uma amálgama de crenças, são bem característicos os ritos funerários que constituem um verdadeiro culto aos mortos.

Na altura do falecimento os indivíduos que estão de vigília, saem do quarto em grande gritaria para não interromperem a saída da alma do defunto. Diziam eles que sempre que alguém morresse era bom queimar-lhe a cama para que não voltasse a esse mundo. Algum tempo depois começam a entrar no quarto, feito em câmara ardente, pessoas que enquanto vão comer do cola e bebendo genebra põem-se a fazer o elogio fúnebre, que consiste em ressaltar as boas qualidades do morto.

O cadáver é lavado e vestido, e na parede é colocado um pano preto sob um crucifixo, ante o qual todos se ajoelham e rezam. Na altura de se transportar o morto, que é metido num caixão, a sua família despede-se beijando-lhe o . Após a retirada do caixão do quarto para o quintal, toda a gente rapidamente e em gritos dirige-se a igreja. Voltam em seguida e formam um grupo à retaguarda do caixão, que é levado e sepultado, agora em grande silêncio por vezes cortado por espremidos soluços. Nessa mesma noite começa o nojo que se prolonga por trinta dias. Após o regresso as pessoas que forem entrando no quarto mortuário, não pronunciam uma única palavra às que aí estão, senão depois de ajoelharem diante do crucifixo e rezarem por alma do defunto. 0 sétimo dia do falecimento e conhecido pelo de "funeral", porque nesse dia se celebra uma missa de sétimo dia pela alma do falecido. O nojo nesse dia assemelha-se a uma grande festa.

Essa mística religiosa manifesta-se em muitos actos da vida; assim temos que quando nasce uma criança empregam-se todos os meios para a livrar do feiticeiro, que a noite costuma ir à cama chupar-lhe o sangue.

Nos três primeiros dias do nascimento, é uma vizinha quem amamenta a criança, porque o primeiro leite da mãe teria efeitos malignos no filho.

São amarrados ao pescoço da criança pedacinhos de paus e folhas que afugentam os feiticeiros. A criança e passada de colo em colo toda a noite, porque se estivesse na cama um momento entraria logo o feitiço nela. Debaixo do leito é colocada uma panela de barro cheia de azeite de palma, para que as bruxas em vez de sangue de criança chupem o azeite.


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