Religião na Islândia

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Religião na Islândia (2013)[1]
Religião Porcentagem
Igreja da Islândia
  
76,2%
Outros luteranos
  
5,8%
Católicos
  
3,4%
Outros cristãos
  
2,8%
Sem filiação religiosa
  
5,2%
Outras religiões
  
6,6%
Igreja de arquitetura tradicional em Hellnar, Snæfellsnes

A religião na Islândia começou com o paganismo nórdico que era uma crença comum entre os escandinavos medievais, até a conversão cristã. Mais tarde, o país tornou-se meio cristão e, em seguida, quase que plenamente cristão. Esta cristianização crescente culminou no pietismo, período em que atividades não-cristãs eram desencorajadas. Atualmente, a população é esmagadoramente, se nominalmente, luterana. No entanto, batistas, católicos, Testemunhas de Jeová e outras minorias cristãs existem. A segunda maior religião após o cristianismo é o neopaganismo germânico. Uma pesquisa da Gallup realizada em 2011 constatou que 60% dos islandeses consideram a religião algo não importante em suas vidas diárias, uma das mais altas taxas de irreligião do mundo.[2]

A Reforma[editar | editar código-fonte]

Durante a Reforma, a Islândia aprovou o luteranismo no lugar do catolicismo romano. Dois homens locais, Oddur Gottskálksson e Gissur Einarsson, tornaram-se discípulos de Lutero e logo conseguiram seguidores, especialmente após o rei Cristiano III da Dinamarca e Noruega declarar sua conversão para o luteranismo e começar a impor a mudança no seu reino.

A Reforma mostrou-se mais violenta na Islândia que na maioria das terras governadas pela Dinamarca, em parte devido à resistência de dois bispos católicos proto-nacionalistas, Jón Arason e Ögmundur Pálsson, que quase fizeram o país chegar ao ponto de uma guerra civil; tudo isso contra os esforços de Cristiano em promover a Reforma na Islândia. Ögmundur foi deportado pelas autoridades dinamarquesas, em 1541, mas Arason decidiu lutar. A oposição à Reforma efetivamente terminou em 1550, quando Arason foi capturado depois de ser derrotado na Batalha de Sauðafell por forças leais em Dadi Guðmundsson. Arason foi posteriormente decapitado em Skálholt em 7 de novembro de 1550.

Com o luteranismo fixado no país, o catolicismo foi proibido, e as propriedades da Igreja Católica foram assumidas pelos governantes da Islândia. Apesar de o latim permanecer como língua oficial da Igreja da Islândia até 1686, e boa parte da antiga terminologia católica e outros fatores foram mantidos, a Igreja Luterana e a Católica diferem consideravelmente em suas doutrinas. Os católicos que se recusaram a se converter tiveram de fugir, sendo que a maioria foi para a Escócia. Nenhum sacerdote católico era autorizado a pisar em solo islandês por mais de três séculos.

A Igreja Católica retomou atividades missionárias na Islândia em 1850, e hoje cerca de 5.500 islandeses seguem essa fé.

Pietismo[editar | editar código-fonte]

A partir do século XVIII, o pietismo cresceu em importância devido à sua atividade na Dinamarca. Os pietistas expandiram a impressão de livros e a literatura para a Islândia. No entanto, a educação e alfabetização para os pietistas foi principalmente (ou exclusivamente) para ter uma função religiosa e desencorajaram qualquer outra coisa que não tivesse ligação religiosa.[3] Isso levou a incentivar uma certa rigidez na Islândia pelo desencorajamento da dança ou de outros entretenimentos.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Por volta de 283.000 islandeses (89,3% da população) são membros de congregações cristãs, dos quais a maioria (251.331 pessoas, ou 79,1%) são membros da Igreja da Islândia. De acordo com uma pesquisa de 2004,[4] 69,3% da população disse ser "religiosa", enquanto 19,1% disseram que não eram "religiosos" e 11,6% não foram capazes de dizer se eram ou não religiosos. Dos que disseram que eram religiosos, 76,3 por cento disseram que eles eram cristãos, enquanto 22,4 por cento disseram que eles "acreditavam à sua própria maneira".[5]

Tal como nos outros países nórdicos, a frequência à igreja é relativamente baixa, apenas 10% dos islandeses vão à igreja uma vez por mês ou mais, 43% dizem que nunca vão à igreja e 15,9% dizem que vão à igreja uma vez por ano.[6] No entanto ainda assim a frequência à igreja é maior que nos demais países nórdicos, o que faz da Islândia o país mais religioso do norte da Europa.

Quando perguntado para selecionar uma alternativa que melhor representou a sua opinião, 39,4% dos islandeses disseram acreditar na existência de um deus benevolente a quem se pode orar; 19,2% disseram que Deus deve existir ou então a vida seria sem sentido; 19,7% disseram que é impossível saber se Deus existe ou não; 26,2% disseram que nenhum deus existe; 9,45% disseram que Deus criou o universo e o presidiu; e 9,7% disseram que nenhum dos referidas demonstrações representou a sua opinião.[7]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Oficialmente, a nação é religiosamente homogênea. Quase todos os seguidores religiosos islandeses são cristãos, e grande maioria destes são luteranos. A frequência à igreja, no entanto, continua baixa.[6] Ao nascer, cada criança é automaticamente inserida no grupo religioso a que a mãe pertence.

Luteranos[editar | editar código-fonte]

Estatísticas oficiais mostram os luteranos como esmagadora maioria. A igreja principal é a Igreja da Islândia que representa 76,8% da população (2012). A Igreja da Islândia é também a religião do Estado, mas a liberdade religiosa é permitida. Existem várias igrejas luteranas "livres", que assim totalizam 5,8% da população. Nos últimos anos, tem havido um aumento na proporção de fiéis ligados a essas igrejas. No total, cerca de 83% da população afirmam-se de alguma forma luteranos. No entanto, essas estatísticas são consideradas enganosas por alguns, uma vez que a maioria das pessoas são automaticamente registrados como membros da Igreja da Islândia. Estimativas indicam que 11% da população frequenta serviços religiosos regularmente e 44% nunca vão.

Católicos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Catolicismo na Islândia

O catolicismo romano é a maior religião não luterana na Islândia, que permanece praticada por uma pequena minoria (2,5% da população). Há uma diocese no país, a diocese de Reykjavík com Pierre Bürcher como bispo.[8] Estima-se que metade dos católicos do país são de origem estrangeira, sendo os principais grupos filipinos e poloneses. No entanto, mesmo que estes estejam excluídos, os católicos são ainda cerca de 1% dos islandeses nativos, um valor mais elevado do que para todas as outras etnias escandinavas (exceto se consideramos os escandivo-americanos).

No século XX, a Islândia teve algumas notáveis, mesmo que às vezes temporárias, conversões ao catolicismo. Por um tempo, Laxness Halldór foi católico. Embora isso não durou, seu período católico é de importância, devido a sua posição na literatura islandesa moderna. Um escritor mais resolutamente católica em islandês foi Jón Sveinsson. Ele se mudou para a França aos 13 anos e tornou-se um jesuíta, permanecendo na Companhia de Jesus para o resto de sua vida. Ele era muito querido, como autor de livros infantis (escritos em alemão) e até apareceu em selos postais.[9]

Pentecostais[editar | editar código-fonte]

Os pentecostais são o terceiro maior grupo religioso da Islândia. Há igrejas pentecostais em Keflavík, Akureyri e na capital.

Anglicanos[editar | editar código-fonte]

O anglicanismo está em uma posição incomum na Islândia. Embora significativa como uma fé a nível mundial (com 80 milhões de membros), tem uma presença limitada na Islândia e sua expansão futura pode ser limitada por sua entrada em um "acordo de plena comunhão" com a Igreja da Islândia, conhecida como o Comunhão de Porvoo[necessário esclarecer]. Assim, anglicanos podem efetivamente se considerarem luteranos, enquanto na Islândia, e os dois corpos têm um pleno reconhecimento entre fé e prática, a vida sacramental, e ministério um do outro[necessário esclarecer]. No entanto, uma única congregação anglicana se reúne mensalmente em Reykjavik, usando a igreja luterana Hallgrímskirkja para celebrar no idioma inglês, de acordo com os ritos da [Igreja [da Inglaterra]][necessário esclarecer].

Adventistas do sétimo dia[editar | editar código-fonte]

Os adventistas do sétimo dia têm algumas organizações na Islândia, e também têm uma conferência local. Gavin Anthony é uma figura de proa no adventismo na Islândia.[10]> O crescimento, contudo, tem sido estático nos ultimos 10 anos e os adventistas alegam que isso é causado pelo secularismo generalizado da nação. O grupo representa menos de 0,3% da população.

Batistas independentes[editar | editar código-fonte]

De acordo com o registro nacional da Islândia, há duas igrejas batistas: a Fyrsta Baptista Kirkjan (Primeira Igreja Batista) e Emmanúels Baptistakirkjan (Igreja Batista Emanuel).

Em 2001, os missionários Jeremy Gresham e Ben Wharton começaram um trabalho para tentar implementar uma igreja batista na área de Reykjavík, uma base de população de 200.000, que é um terço da população da Islândia. A Igreja tem crescido ao longo dos anos e agora está registrada no governo islandês. O missionário Robert Hansen está atualmente liderando a Igreja.

Outros cristãos[editar | editar código-fonte]

De acordo com as Testemunhas de Jeová, a organização tem 348 membros na Islândia, em cinco congregações.[11]

Já a Ortodoxia Oriental, especialmente as Igrejas Ortodoxas Sérvia e Russa, têm uma pequena presença na ilha. Várias outras denominações cristãs estão representados com menos de 1.000 adeptos registados.

Não cristãos[editar | editar código-fonte]

Participação em religiões não-cristãs registradas na Islândia. A linha vermelha representa a fé Bahá'í, a linha verde representa o neopaganismo, a linha azul escuro representa o budismo, e a linha azul representa o Islã.

Uma pequena minoria pratica uma grande variedade de religiões não cristãs, das quais, o total de membros fica em torno de 1% da população.

Paganismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ásatrúarfélagið

A partir da década de 1970, verificou-se um reavivamento do neopaganismo na Islândia, relacionado ao paganismo nórdico. Em dezembro de 2012, a Ásatrúarfélagið tinha 2167 membros registados, correspondendo a 0,68% da população total.

Fé Bahá'í[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fé Bahá'í na Islândia

A Fé Bahá'í na Islândia (em islandês: Bahá'í samfélagið á Íslandi) começou quando a estadunidense Amelia Collins visitou a Islândia em 1924, e o primeiro islandês Bahá'í foi Hólmfríður Arnadottir. A religião foi reconhecida pelo governo em 1966 e a primeira Assembleia Espiritual Nacional Bahá'í foi eleita em 1972.[12] Atualmente, há cerca de 400 bahá'ís no país, governados por 8 Assembleias Espirituais Locais. O número de assembleias tem a maior porcentagem, pela população, em toda a Europa.[12] A estudiosa dinamarquesa de religião, Margit Warburg, especula que o povo islandês é culturalmente mais aberto à inovação religiosa.[12]

Budismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Budismo na Islândia

O budismo existe na Islândia desde final dos anos 70. Em 17 de junho de 1989, a Soka Gakkai International (SGI-Islândia) foi oficialmente formada e, desde então, o budismo no país alcançou quase 200 membros. Na década de 1990 outras seitas budistas foram trazidas ao país por imigrantes provenientes da Tailândia. Em 2009, havia três organizações budistas na Islândia oficialmente reconhecidas como organizações religiosas pelo governo islandês. Coletivamente, eles constituem 0,3% da população desde 2012.

Islã[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Islã na Islândia

A Islândia tem 351 membros da Associação de Muçulmanos na Islândia (2009). A maioria dos muçulmanos do país vive em ou perto de Reykjavík, mas há um pequeno número de refugiados muçulmanos provenientes do Kosovo em Dalvík.[13]

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História dos judeus na Islândia

O número de judeus é estimade em cerca de 90 membros. A população judaica não é grande o suficiente para ser registrado como um grupo religioso separado, e está listado como não especificadas / outros grupos. Não há sinagoga ou casa de oração.

Não havia população judia significativa ou emigração para a Islândia até o século XX, apesar de alguns comerciantes judeus viverem na Islândia temporariamente, por algumas vezes, durante o século XIX. A atitude e tratamento dos islandeses para com os judeus variou de simpatia por sua situação, até o ponto de acusá-los de "bolchevismo", dentre outras coisas. Embora a maioria dos islandeses lamentou a perseguição, eles geralmente recusaram a entrada dos judeus que estavam fugindo da Alemanha nazista, para que a população judia não subisse muito durante a Segunda Guerra Mundial.[14]

Hoje os judeus continuam a ser um grupo menor da Islândia. Em média, 60 pessoas frequentam as festas judaicas ocasionais ou palestras por imigrantes judeus, mas isso não reflete necessariamente a população real judaica. O Congresso Judaico Mundial não tinha números para a Islândia até 1998, sugerindo que os números eram menores que 120[15] O site da diocese católica indicou que há apenas 30 judeus na Islândia,[16] No entanto, quando o rabino Chabad realizou uma pesquisa para os judeus do país, eles entraram em contato com mais de 100 judeus que vivem na Islândia. Ainda assim, parece que a Islândia pode ter a menor população judaica do que qualquer outra nação europeia.

Apesar da pequena população, a primeira-dama da Islândia, Dorrit Moussaieff, é uma judia Bukharian e é provável que ela seja a mulher mais importante na história dos judeus islandeses. Moussaief nasceu em Israel e possui cidadanias israelense e islandesa. Ela ainda segue alguns aspectos da Judaísmo - como acender o Menorá na véspera do Chanucá e ensinar o marido sobre o feriado. Ela introduziu a cultura judaica para o país de forma positiva, a fim de combater o antissemitismo.[17]

Sem religião ou secularismo[editar | editar código-fonte]

11% dos islandeses "não acreditam em qualquer tipo de espírito, Deus ou força da vida", de acordo com um estudo do Eurobarômetro de 2004 estudo.[18] Este número é menor do que na Noruega e no Reino Unido, enquanto a crença em Deus foi expressa sobre o mesmo na Islândia como no Reino Unido e maior do que na maioria dos países da Escandinávia. Quase a maioria dos islandeses expressaram a crença em uma "força de espírito ou da vida", e não em Deus ou uma descrença generalizada.

Siðmennt[19] é a maior organização promotora do secularismo no país. É semelhante à Associação Humanista Norueguesa, da Noruega (norueguês: Human-Etisk Forbund (HEF)), embora só reivindique uma adesão de "mais de 200" membros (0,06% da população islandesa), uma proporção muito menor da nação do que a organização norueguesa. Ao contrário do HEF, o Siðmennt não é reconhecida como uma comunidade religiosa por parte do Estado e, portanto, não recebe verbas do governo, como organizações religiosas registradas recebem. As pessoas de fora das organizações religiosas ainda pagam o "imposto da igreja", mas o dinheiro vai para o estado (anteriormente era destinado à Universidade da Islândia).

Há outras instituições islandesas para os ramos seculares da sociedade, como o Samfélag trúlausra (SAMT). E há também o Vantrú, que é uma associação ateísta, que critica todas as coisas sobrenaturais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Populations by religious organizations 1998-2013». Reykjavík, Iceland: Statistics Iceland  Parâmetro desconhecido |width= ignorado (ajuda)
  2. [1] World View Gallup
  3. http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:kDBFs836DksJ:www.ennenjanyt.net/2-01/olafsson.pdf+Pietism+in+Iceland&hl=en
  4. Trúarlíf Íslendinga: Viðhorfskönnun (2004), p. 26.
  5. Trúarlíf Íslendinga: Viðhorfskönnun (2004), p. 28.
  6. a b Trúarlíf Íslendinga: Viðhorfskönnun (2004), p. 56.
  7. Trúarlíf Íslendinga: Viðhorfskönnun (2004), p. 30.
  8. Cf. Holy See Press Office, Daily Bulletin of 30.10.2007, Rinunce e nomine, Rinuncia del Vescovo di Reykjavik (Islanda) e nomina del successore (em italiano)
  9. «Jon Sveinsson, SJ (Nonni)». Manresa-sj.org. Consultado em 6 de fevereiro de 2010 
  10. [2][ligação inativa]
  11. [3]
  12. a b c Hassall, Graham; Fazel, Seena. «100 Years of the Bahá'í Faith in Europe». Bahá’í Studies Review. 1998 (8). pp. 35–44 
  13. International Religious Freedom Report 2006
  14. [4][ligação inativa]
  15. «Jews by country. Definition, graph and map». Nationmaster.com. 3 de março de 2005. Consultado em 6 de fevereiro de 2010 
  16. [5][ligação inativa]
  17. «וואלה!». News.walla.co.il. Consultado em 6 de fevereiro de 2010 
  18. «Inquéritos Especiais Eurobarómetro». Ec.europa.eu. 20 de janeiro de 2010. Consultado em 2010-02 -06  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  19. Siðmennt

Outras fontes[editar | editar código-fonte]