Religião tradicional chinesa

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Estátuas vestidas de Mazu/Matsu, deusa chinesa do mar.

Religião tradicional chinesa ou religião popular chinesa (chinês tradicional: ou chinês simplificado: 中国民间宗教 or 中国民间信仰, pinyin: Zhōngguó mínjiān zōngjiào ou Zhōngguó mínjiān xìnyăng) e shenismo,[1] (神教; pinyin: Shénjiào),[2][3][4] são termos utilizados para descrever o conjunto de tradições étnicas e religiosas que têm sido o principal sistema de crenças da China e dos grupos étnicos chineses han por boa parte da história desta civilização até os dias de hoje. O shenismo abrange a mitologia chinesa, e inclui o culto dos shens (神, shén; "divindades", "espíritos", "consciências", "arquétipos), que podem ser divindades naturais, Taizu ou divindades clânicas, divindades urbanas, divindades nacionais, heróis nacionais e semideuses, dragões e ancestrais. O termo "shenismo" foi utilizado pela primeira vez por A. J. A Elliot, em 1955.[5]

A designação "religiões tradicionais chinesas" é muito vulgar e usada para designar um vasto conjunto sincretizado de crenças, práticas e valores de diferentes religiões orientais com expressão na China. Este conjunto, chamado também de crenças populares chinesas ou crenças tradicionais chinesas, foi adaptado e desenvolvido pelos chineses ao longo de séculos e revela o carácter altamente sincrético e prático mas espiritual dos chineses, que conseguiram criar uma unidade compatível com tanta diversidade entre religiões diferentes.

Neste conjunto chinês, pode-se encontrar vários elementos e valores do budismo, do confucionismo, do taoismo, da mitologia chinesa e de outros costumes, crenças, superstições e práticas tradicionais chinesas, sendo o culto aos antepassados considerado fundamental pelos chineses. Estas religiões e crenças populares são tão importantes na vida cotidiana de muitos chineses que são até considerados por eles como uma parte integrante da tradição e da cultura chinesa. A religião tradicional chinesa costuma ser confundida com o taoismo, já que durante séculos o taoismo institucional vem tentando assimilar ou administrar as religiões locais. Mais especificamente, o taoísmo pode ser definido como um ramo do shenismo, já que suas origens estão na religião popular e na filosofia chinesa. A religião popular chinesa por vezes é vista como parte constituinte da religião tradicional chinesa, porém, com frequência, ambas são vistas como sinônimas. Com cerca de 454 milhões de seguidores, cerca de 6,6% da população mundial,[6] a religião tradicional chinesa é uma das principais tradições religiosas do mundo. A República Popular da China atual, mais de 30% dos habitantes seguem ou o shenismo ou o taoísmo.[7]

Apesar de ter sido reprimida com força durante os últimos dois séculos da história da China, desde o Movimento Taiping até a Revolução Cultural, a religião popular chinesa vem passando por um período de renascimento nos dias de hoje, tanto na China continental quanto em Taiwan.[8][9] Diversas de suas manifestações, como o mazuismo, do sul da China (oficialmente, 160 milhões de chineses são mazuistas),[10] o culto de Huangdi,[11][12] o culto ao dragão negro em Shaanxi,[13][14][15] e o culto de Caishen,[16] recebem apoio do governo chinês.

Síntese[editar | editar código-fonte]

O professor W. E. Soothil fez uma síntese da religião popular chinesa, que era a religião oficial da China até ao fim da monarquia chinesa (1911):

Cquote1.svg Qual é, ou qual era a religião oficial? Seu centro era o culto de Shang Ti (ou Tian), o ser supremo, o coordenador universal. Na circunferência, situava-se o culto e o império dos demónios. Entre o centro e a circunferência, ficavam, em círculos concêntricos, as diversas divindades, os sábios, os antepassados e os homens deificados. O acto supremo do culto nacional era o sacrifício imperial a Shang Ti. Só o Imperador, o grão sacerdote do mundo, o filho do Céu, podia oferecer esse sacrifício que remontava à maior antiguidade, e que permaneceu até à queda do Império.[17] Cquote2.svg

O católico chinês John Wu Ching Hsiung, citando e desenvolvendo esta síntese, explicou que esta religião popular não permite os chineses de prestarem directamente culto a Shang Ti, o Deus supremo chinês, porque os próprios crentes achavam-se demasiado pequenos e humildes diante de Shang Ti. Só o Imperador podia prestar culto a Shang Ti, que é demasiado grande, desconhecido e distante dos homens. Por isso, os crentes comuns prestavam culto e homenagem aos antepassados, às divindades menores e aos homens deificados (como Confúcio, Lao Zi e Buda), para que estes possam ajudá-los na sua vida quotidiana e transmitir a sua mensagem e fervor religioso a Shang Ti. Eles encaravam as suas inúmeras divindades como seres superiores encarregados por Shang Ti de velar e cuidá-los. No fundo, com todas estas estratificações, os crentes chineses acreditavam que o reino do Céu era uma sociedade feudal, tal e qual como a sociedade humana que eles pertenciam até à queda da monarquia.[17]

Confucionismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Confucionismo

Budismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Budismo
Ver artigo principal: Budismo na China

Taoismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Taoismo

Deuses e deusas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Almeida e Carmo, António Duarte de, A igreja católica na China e em Macau no contexto do sudeste asiático: que futuro?, p. 407. Fundação Macau, 1 de janeiro de 1997.
  2. «Reinventing Chinese Syncretic Religion: Shenism». 23 de fevereiro de 2007. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  3. «How we came to 'pai shen'». Blogs.straitstimes.com. 7 de setembro de 2009. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  4. «Religious Diversity in Singapore». 11 de setembro de 2001  Texto "acessodata 20-11-2011" ignorado (ajuda)
  5. http://www.highbeam.com/doc/1G1-126163460.html
  6. Religion. (2011). In Encyclopædia Britannica.
  7. ChartsBin (16 de junho de 2009). «Chinese Folk Religion Adherents by Country». Chartsbin.com. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  8. «Roundtable before the Congressional-Executive Commission on China» (PDF). Consultado em 20 de novembro de 2011 
  9. «The Upsurge of Religion in China» (PDF). Consultado em 20 de novembro de 2011 
  10. «China's Leaders Harness Folk Religion For Their Aims». Npr.org. 23 de julho de 2010. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  11. «Over 10,000 Chinese Worship Huangdi in Henan». China.org.cn. 1 de abril de 2006. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  12. Compatriots across the strait honor their ancestry
  13. «Return to folk religions brings about renewal in rural China». Wwrn.org. 14 de setembro de 2001. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  14. The Policy of Legitimation and the Revival of Popular Religion in Shaanbei, North-Central China
  15. «Miraculous response: doing popular religion in contemporary China». Consultado em 20 de novembro de 2011 
  16. «苍南金乡玄坛庙成华夏第八财神庙». Blog.voc.com.cn. Consultado em 20 de novembro de 2011 
  17. a b JOHN WU. Para além do Oriente e do Ocidente (em português). São Paulo: Flamboyant, 1956. 155-156 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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