Remexido

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José Joaquim de Sousa Reis
Nome completo José Joaquim de Sousa Reis
Nascimento 19 de outubro de 1786
Estômbar, Lagoa, Portugal Portugal
Morte 2 de agosto de 1838 (51 anos)
Faro
País Portugal
Força Flag of Portugal (1640).svg Exército Português
Anos em serviço Flag of Portugal (1640).svg 1828 - 1838
Hierarquia Marechal de Campo
Comandos Capitão de ordenanças, General e marechal de Campo
Batalhas/Guerras Guerra Civil Portuguesa
Outros Serviços Capitão de ordenanças

Remexido ou Remechido (como se escrevia no século XIX), nome por que ficou conhecido José Joaquim de Sousa Reis (Lagoa, Estômbar, 19 de Outubro de 1797 - Faro, 2 de Agosto de 1838) foi um célebre guerrilheiro algarvio, que nasceu no Algarve em 1797, em Estômbar.

História[editar | editar código-fonte]

Casou-se em São Bartolomeu de Messines. Era um homem de posses, Capitão de ordenanças, além de exercer a função de Recebedor do Concelho. Servindo D. Miguel, e lado a lado com o brigadeiro Cabreira, derrotou o famoso Sá da Bandeira na batalha de Sant’ Ana. Estava-se na época da guerra civil portuguesa, entre de miguelistas e liberais de qual ele era acérrimo defensor dos primeiros.

Quando o 1.º duque da Terceira invadiu o Algarve, no decurso da Guerra Civil portuguesa, o Remexido escondeu-se na serra algarvia,[1] onde, recorrendo a uma táctica de guerrilha e apoiado por serranos, venceu sistematicamente as tropas invasoras. Segundo lenda criada posteriormente pelos liberais victoriosos, diversos crimes foram cometidos em seu nome e rapidamente a má fama se teria espalhado pelo Alentejo. Contudo, estudos recentes parecem ilibá-lo de tais crimes e acções ignominiosas.

Em 26 de Julho de 1833, na então vila de Albufeira, é o responsável pelo massacre aos presos liberais, deixando simplesmente o processo das sevícias e outros actos violentos seguir o seu curso. Devido a este massacre inqualificável, a vila fica sendo conhecida por «Vila Negra».

De facto, no final da guerra, em lugar de lhe concederem o perdão a que, nos termos da Convenção de Évora-Monte, tinha direito, as novas autoridades liberais queimaram-lhe a casa, açoitaram-lhe publicamente a mulher com a palmatoria (castigo comum na época atribuído às prostitutas) por não revelar onde ele se encontrava escondido e, por fim, mataram-lhe um filho de 14 anos. Acalorado mais ainda contra tal crueldade, lutou com outros portugueses fiéis ao regime absolutista como podia e jamais se entregou, mantendo a sua acção de guerrilha ainda durante vários anos. Procurava castigar os que os perseguiam, mas perdoava aos soldados que lhe caíam nas mãos, porque desempenhavam um serviço que eram obrigados a fazer.

Em 26 de novembro de 1836, D. Miguel nomeou simbolicamente Governador do Reino do Algarve e Comandante em Chefe Interino de Todas as Tropas Realistas, Regulares e Irregulares do Exército de Operações do Sul o chamado "Remexido", líder de um grupo de guerrilheiros e ex-soldados, que se manteve fiel à causa miguelista e fez acesa resistência no território compreendido entre o Algarve e o norte do Alentejo durante mais de quatro anos após a Concessão.[2] O que não foi caso isolado, já que se conhecem vários outros focos de luta de guerrilha ao longo de todo o país nesta época, com especial destaque no Norte de Portugal, apoiados nomeadamente pelo célebre Zé do Telhado, no Douro, e pelo conde de Almada, no Minho.

Por fim, foi capturado, levado a Conselho de Guerra e fuzilado em Faro. Julgado por um Conselho liberal, portanto pouco simpatizante da "causa miguelista" e avesso ao Tradicionalismo, e mesmo tendo-lhe a rainha D. Maria II concedido o perdão, tal ordem não foi cumprida.

Referências

  1. No Buraco do Remechido, de acordo com uma lenda local.
  2. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome David_Birmingham_2008.2C_p.117

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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