Renascença macedónica

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Renascença macedónica (português europeu) ou Renascença macedônica (português brasileiro) é um termo frequentemente usado para denominar um período cultural na História do Império Bizantino contemporâneo com o governo da dinastia macedónica (867-1056), sobretudo ao longo do século X, durante o qual prosperaram as artes visuais, a literatura, arquitetura e artes decorativas.[1][2].

A arte macedônica faz referência a este período. O período também é chamado de Renascimento macedônico e não deve ser confundido com o Renascimento paleólogo, um breve período de prosperidade no Império Bizantino no século XIII.

Bizâncio[editar | editar código-fonte]

O termo "bizantino" é derivado da cidade da Bizâncio, fundada no século VIII a.C. no local onde futuramente seria fundada a "Nova Roma" de Constantino, Constantinopla, atualmente a capital da Turquia, Istambul. Localizada na porção oriental do império e tendo o grego como língua corrente, a capital imperial era o local ideal para o desenvolvimento da Renascença macedônica. Enquanto o latim era a língua da lei e do governo, o grego antigo era a língua da literatura e da religião[3].

Enquanto o Império Romano do Ocidente desaparecia, a porção oriental, já conhecida como Império Bizantino, conseguiu se sobreviver, florescendo por mais mil anos. Os motivos principais foram a sua localização estratégica para o comércio e também a sua capacidade de se defender dos inimigos nas vizinhanças. Basílio I (r. 867-886), o fundador da dinastia macedônica, nasceu na Trácia em uma família camponesa e é possível que tivesse ascendência armênia. Ele ascendeu rapidamente durante o governo de Miguel III, o Ébrio e acabou sendo nomeado co-imperador[4]. Depois de algumas manobras políticas, ele conseguiu assegurar seu futuro como imperador e rapidamente iniciou campanhas militares e diplomáticas para garantir a segurança do império. Basílio conseguiu recuperar o controle de Creta e Chipre enquanto se defendia dos avanços búlgaros. Durante seu reinado e no de seus descendentes, a paz interna, apesar das guerras constantes nas fronteiras, permitiu que economia, filosofia, arte e cultura vivessem um período de grande prosperidade.

Foi neste período que houve uma mudança na abordagem em relação à pintura, da proibição total da representação de figuras humanas (iconoclastia) a uma tendência de pintar os ícones para refletir influências mais clássicas e naturalísticas da arte na cultura. Mosaicos como o do Virgem e o Menino em Santa Sofia ainda podem ser vistos in situ (vide imagem). Este novo estilo artístico inspirou artistas italianos como Cimabue e Giotto[5] no período anterior ao Renascimento na Europa e na Itália.

O período também assistiu à proliferação da literatura, como a obra De Ceremoniis, que trata de governança, interações diplomáticas com nações vizinhas e outros costumes da época. A educação também se tornou novamente uma prioridade e a Universidade de Constantinopla produziu acadêmicos como Miguel Pselo, autor da Chronographia, uma história de quatorze imperadores bizantinos. Em paralelo a tudo isso, reformas no direito bizantino buscaram limitar o poder e conter o avanço dos grandes proprietários de terra com a formação de guildas comerciais que davam o controle ao estado, como descrito no "Livro do Eparca".

A Magnaura já havia se transformado numa escola em 849 e era liderada por Leão, o Matemático (c. 790 - depois de 869), um prolífico filósofo cuja maior parte das obras infelizmente se perdeu[6].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Dumbarton Oaks. «The Macedonian Dynasty (862-1056)». Consultado em 20 de setembro de 2013 
  2. Maguire, Henry (1994). «Epigrams, Arts and the Macedonia Renaissance». Dumbarton Oaks Papers. 48: 105-115. Consultado em {{subst:CURRENTDAY2}} de {{subst:CURRENTMONTHNAME}} de {{subst:CURRENTYEAR}}  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. The Oxford Handbook of Byzantine Studies edited by Elizabeth Jeffreys with John Haldon and Robin Cormack. Published 2008 by Oxford University Press.
  4. "Basil I". Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica Online.Encyclopædia Britannica Inc., 2012. Web. 13 May. 2012 <http://www.britannica.com/EBchecked/topic/55030/Basil-I>.
  5. Arte bizantina
  6. macedonian-heritage.gr: Leão, o Matemático