Renda de bilros

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Renda de bilros de Peniche.

A renda de bilros é um tipo de artesanato típico de Portugal e Brasil.

Execução[editar | editar código-fonte]

É realizada sobre uma almofada (Brasil) dura, o rebolo (nome dado à almofada em Portugal), cilindro de pano grosso, cheio com palha ou algodão, cujas dimensões dependem da dimensão da peça a realizar, coberto exteriormente por um saco de tecido mais fino.

A almofada fica sobre um suporte de madeira, ajustável, de forma a ficar à altura do trabalho da rendilheira.

No rebolo, é colocado um cartão perfurado, o pique (Portugal) - pinicado (Brasil), onde se encontra o desenho da renda, feito com pequenos furos.

Nos furos da zona do desenho que está a ser realizada, a rendilheira (Portugal) - rendeira (Brasil) espeta alfinetes, que desloca à medida que o trabalho progride.

Os fios são manejados por meio de pequenas peças de madeira torneada (ou de outros materiais, como o osso), os bilros ou Birros (Brasil).

Uma das extremidades do Bilro - Birro tem a forma de pêra ou de esfera, conforme a região. O fio está enrolado na outra extremidade.

Os Bilros - Birros são manejados aos pares pela rendilheira (Portugal) - rendeira (Brasil) que imprime um movimento rotativo e alternado a cada um, orientando-se pelos alfinetes.

O número de Bilros (Birros) utilizado varia conforme a complexidade do desenho.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Almofada de renda de bilros, Peniche.

Em Portugal a arte da renda de bilros tem especial expressão nas zonas piscatórias do litoral, com maior relevo para Caminha, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Azurara, Setúbal, Lagos, Olhão e Peniche, tendo existido ainda em Silves, Sines e Sesimbra, onde esta arte é antiquíssima. Também se encontra o fabrico de rendas de bilros em Nisa, no Alentejo e Farminhão, perto de Viseu.
Devido ao elevado nível em arte e produção atingido em Peniche, toda e qualquer renda de bilros portuguesa é conhecida, simplesmente, por renda de Peniche. Em meados do século XIX, existiam em Peniche quase mil rendilheiras e, segundo Pedro Cervantes de Carvalho Figueira, eram oito as oficinas particulares onde crianças a partir dos quatro anos de idade se iniciavam na aventura desta arte.
Em 1887, com a fundação da escola de Desenho Industrial Rainha D. Maria Pia (mais tarde Escola Industrial de Rendeiras Josefa de Óbidos), sob a direcção de D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro, que as rendas de Peniche atingiriam um grau de perfeição e arte difíceis de igualar.[1]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Rendeira de bilro(s), Ceará.

No Brasil a renda está e esteve presente em quase todos os estados brasileiros com maior incidencia nas regiões litoraneas.

No Brasil o Bilro é também chamado Birro pelas rendeiras tradicionais. Não se sabe onde foi criada a Renda de Bilros (Birros), nem quem criou o primeiro Bilro (Birro).

Referências

  1. HENRIQUES, Ana Carolina Rolo dos Santos Afonso - No princípio estava o mar : Peniche : o património cultural, o turismo e o mar. Coimbra : [s.n.], 2010