República islâmica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book-4.svg
Este artigo ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, comprometendo a sua verificabilidade (desde agosto de 2011).
Por favor, adicione mais referências inserindo-as no texto. Material sem fontes poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

República islâmica (em árabe: الجمهورية الاسلامية‎; em persa: جمهوری اسلامی‎) é o nome dado à república que constitui seu corpo instituicional de maneira compatível com os preceitos do islamismo. Na prática, cada um dos países que adota o republicanismo islâmico tem sua maneira própria de aplicar os preceitos islâmicos às instituições republicanas. Entre os países no mundo que adotam o regime incluem as repúblicas islâmicas do Irã, Paquistão, Afeganistão e a Mauritânia.

Desde a Revolução Iraniana, a criação de repúblicas islâmicas é uma das aspirações políticas de grupos militantes religiosos radicais, nas nações com grandes populações de muçulmanos.

Teoricamente, para diversos líderes religiosos, a república islâmica é um Estado submetido a uma forma de governo teocrática. Representaria um meio-termo entre um califado puramente islâmico, e um nacionalismo e republicanismo secular. Algumas repúblicas islâmicas exigem que o código penal passe a ser compatível com as leis da Xariá, e deixe de ser uma monarquia (como muitos dos Estados do Oriente Médio ainda são atualmente). Já em outros casos a república islâmica representa apenas um símbolo de identidade cultural, como foi o caso quando o Paquistão adotou o título, em sua constituição de 1956.

Afeganistão[editar | editar código-fonte]

O Afeganistão adotou oficialmente o título de República Islâmica do Afeganistão após a queda do regime do Taliban, em 2001.

Irã[editar | editar código-fonte]

Na República Islâmica do Irã (denominação oficial do país desde 1979), por exemplo, o voto direto dos cidadãos permite a eleição do presidente, os membros do poder legislativo e a Assembléia de Anciões, ainda que os candidatos precisam obter uma aprovação especial por parte do clero. Embora seja definido comumente como uma teocracia, alguns estudiosos já classificaram o regime iraniano com os termos "eclesiocracia" ou "hierocracia", que foram utilizados por Max Weber em sua análise da sociologia da dominação, para se referir à ordem política onde o poder é exercido institucionalmente por uma casta sacerdotal.

Weber estabeleceu três distinções na relação entre o poder político e o eclesiástico:

  1. A legitimação do soberano, como encarnação de Deus ou um ser ungido por Ele, através do sacerdócio
  2. O sacerdote-soberano (que se definirá como teocracia per se)
  3. O soberano temporal, com suma autoridade em assuntos religiosos (ex.: cesaropapismo)

Líbia[editar | editar código-fonte]

Até 2011, quando o regime de Muammar al-Gaddafi foi derrubado pelo então Conselho Nacional de Transição, a Líbia, ainda que não tivesse oficialmente o nome de "república islâmica", se denominou de maneira similar, embora com conotações mais socialistas, com um nome que poderia ser traduzido como "República do Povo Árabe". A CIA, serviço de inteligência norte-americano, traduzia o nome em sua forma comprida convencional, como "Grande Jamahiriya Socialista Popular Líbio-Árabe"[1]

Mauritânia[editar | editar código-fonte]

A partir de 2008 a Mauritânia passou a ser considerada pela organização norte-americana Freedom House como a única "democracia eleitoral" entre as repúblicas islâmicas.[2] No entanto, este status do país provavelmente foi alterado com o golpe militar de 2008, que derrubou o governo eleito democraticamente.

Paquistão[editar | editar código-fonte]

Numa situação distinta, o Paquistão, formalmente uma república islâmica desde 1956, mantém uma posição mais tolerante a respeito da vinculação das normas legais com os preceitos corânicos. O seu sistema político variou ao longo dos anos, da negação pura e simples dos direitos políticos (tanto sufrágio ativo como passivo) até um modelo democrático mais ou menos estável e amplo.

Referências

  • Ankerl, Guy (2000). Global communication without universal civilization. INU societal research (em inglês). Vol.1: Coexisting contemporary civilizations: Arabo-Muslim, Bharati, Chinese, and Western. Geneva: INU Press. ISBN 2-88155-004-5 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]