Requiem (Mozart)

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"Réquiem"
Primeira página do manuscrito do Réquiem
Composição Wolfgang Amadeus Mozart
Época de composição 1971-1972
Tonalidade ré menor
Tipo Réquiem
Catalogação K.626
Duração 55 minutos
Instrumental 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompetes, 3 trombones (alto, tenor e baixo), tímpanos, instrumentos de cordas: violinos (primeiros e segundos), violas, violoncelos e contrabaixos, órgão.
Andamentos

O Réquiem em ré menor (K. 626) é uma missa fúnebre do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, de 1791, encomendada pelo Conte Franz von Walsegg, foi deixada incompleta devido à morte de Mozart em 5 de Dezembro de 1791, sendo completada posteriormente pelos amigos e discípulos de Mozart: Franz Xaver Süßmayr, Joseph Leopold Eybler e Franz Jacob Freystädtler.

Sua última composição é talvez uma de suas melhores e mais famosas obras, não apenas pela música em si, mas também pelos debates em torno de até qual parte da obra foi preparada por Mozart antes de sua morte.

Essa obra também se destaca pelo enorme número de completações e revisões feitas à versão de Süßmayr desde o século XX[1].

História[editar | editar código-fonte]

Em 14 de Fevereiro de 1791, Anna, esposa de Franz von Walsegg falece aos seus 20 anos. Em Julho do mesmo ano, bateu à porta de Mozart um desconhecido (provavelmente Franz Anton Leitgeb ou Johann Nepomuk Sortschan) a mando de Walsegg, este queria uma missa para o memorial de sua falecida esposa, mas diria que fora ele quem compôs a obra (por isso o anonimato). Recusando-se a se identificar, o mensageiro deixa Mozart encarregado da composição de um Réquiem em Ré menor. Deu-lhe um adiantamento de 25 ducats e avisou que retornaria em um mês com os outros 25 restantes.[2]

Mas pouco tempo depois, o compositor é chamado para Praga com o pedido de que ele escrevesse a ópera A clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II na comitiva de compositores de Antonio Salieri.[3] Quando subia com sua esposa Constanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido ter-se-ia apresentado outra vez, perguntado por sua encomenda. Mozart lhe promete que a completaria assim que voltasse de sua viagem, dizendo-lhe que ficou mais interessado na missa.

Todavia, quando Mozart morre em Dezembro, conseguiu terminar apenas poucas partes do Réquiem: Toda a orquestração da Réquiem Aethernam, um rascunho detalhado da Kyrie, trechos instrumentais, o coro e o baixo cifrado da Sequentia até a Lacrymosa, esta que apresenta apenas 8 compassos. Também havia todas as vozes e baixos cifrados do Domine Jesu e da Hostias. Wolfgang também deixou alguns rascunhos de músicas, dentre eles uma fuga Amém e outros papéis perdidos.

Cinco dias após sua morte, em 10 de Dezembro de 1971, a Introit foi tocada em um serviço memorial para o próprio Mozart na Igreja de Miguel Arcanjo em Vienna, tendo sua orquestração completada por Franz Xaver Süßmayr e Franz Jacob Freystädtler, embora a participação de Freystädtler não seja uma certeza.

Em 21 de Dezembro de 1971, o jovem Joseph Eybler foi encarregado por Constanze de terminar a obra, afinal, Mozart deixou dívidas enormes para Constanze, fazendo com que ela precisasse dos outros 25 ducats. No entanto, após completar todas as partes dos instrumentos de cordas da Sequentia e toda a orquestração do Dies Irae e do Confutatis, além de ter adicionado dois compassos na linha do soprano da Lacrymosa, Eybler desiste por razões desconhecidas.

Após tentar com que vários compositores terminassem a obra, Constanze enfim se aproximou de Süßmayr, este que coletou diversos rascunhos e finalizou a orquestração da obra, além de compôr o resto da Lacrymosa, todo o Sanctus, Benedictus e Agnus Dei, e repetir parte do Réquiem Aethernam para a Lux Aetherna e a Kyrie para o Cum Sanctis Tuis.[4]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Estrutura do Réquiem
Seção Título Tempo (Mozart) Tempo (Süßmayr) Tonalidade Compasso
Introit Réquiem Aethernam Adagio Adagio Ré Menor 4/4
Kyrie Allegro Allegro 3/4
Sequentia Dies Irae Allegro assai Allegro assai Ré Menor 4/4
Tuba Mirum Andante (Eybler?) Andante Si♭ Maior 2/2
Rex Tremendae Sol Menor – Ré Menor 4/4
Recordare Fá Maior 3/4
Confutatis Andante (Eybler?) Andante Lá Menor – Fá Maior 4/4
Lacrymosa Ré Menor 12/8
Offertorium Domine Jesu Andante con moto Sol Menor 4/4
Quam olim Abrahae 3/4
Hostias Andante Mi♭ Menor 4/4
Quam olim Abrahae (da capo) Andante con moto Sol Menor 3/4
Sanctus Sanctus Adagio Ré Maior 4/4
Hosanna Allegro 3/4
Benedictus Andante Si♭ Maior 4/4
Hosanna (da capo) Allegro 3/4
Agnus Dei &

Communio

Agnus Dei Ré Menor – Si♭ Maior 3/4
Lux Aetherna Adagio Si♭ Maior - Ré Menor 4/4
Cum sanctis tuis Allegro 3/4

Completações Modernas[editar | editar código-fonte]

Para a primeira performance do Réquiem no Rio de Janeiro, Sigismund von Neukomm compôs um "Libera me" se utilizando de partes dos movimentos anteriores com o intuito de "completar liturgicamente" a obra. Quem também faz isso é Ignaz von Seyfried, que compôs o seu próprio "Libera me" para a performance do Réquiem no funeral de Ludwig van Beethoven.[5]

Na década de 1960, um rascunho de uma fuga Amém foi descoberta, o que levou muitos musicólogos (tais como Robert Levin, Richard Maunder e Duncan Druce)[1] a crer que tal rascunho deveria deveria ser uma fuga que seria utilizada para finalizar a Sequentia após a Lacrymosa. Todavia, H. C. Robbins Landon argumentou que tal fuga pertenceria à Kyrie K. 341.[6]

No entanto, a pesquisa de Alan Tyson no papel em que tal rascunho foi escrito chegou à conclusão de que tal fuga só foi escrita em um papel de tipo II, este que só foi ser utilizado por Mozart em Setembro de 1971, não sendo, portanto, da Kyrie K. 341 de 1780.[2] Vale também ressaltar que a fuga possui a inversão do tema do Réquiem, além de que toda grande seção da obra (Intoitus, Sequentia, Offertorium, Sanctus e Agnus Dei), com exceção da Sequentia, acabam em fugas, permitindo uma finalização estável para a seção, enquanto Süßmayr preferiu um simples "Amém" de dois compassos para finalizar a Sequentia.

As completações atuais têm vários tipos de aproximações para se completar o Réquiem. Marguerre, Flothuis, Beyer e Abigaña[7] fazem poucas modificações, mantendo boa parte do que Süßmayr compôs. Maunder, Druce, Levin, Simon Andrews, Clemens Kemme[8], Letho Kostoglou, Benjamin Cohrs[2], Timothy Jones, Michael Ostrzyga e Pierre-Henri Dutron fazem modificações mais críticas à versão de Süßmayr. Por outro lado, H. C. Robbins Landon e Masato Susuki tentam fazer um embate entre Süßmayr e Eybler, mantendo aquilo que fosse de Eybler e que Süßmayr não utilizou em sua orquestração. Hans-Josef Irmen, Knud Vad e R.C. Keitamo substituem o Sanctus, Benedictus e Agnus Dei por paródias de outras obras de Mozart. Já Michael Finnissy e Gregory Spears tentam explorar períodos posteriores ao clássico em suas completações do Sanctus, Benedictus, Agnus Dei e Lux Aetherna.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b author., Keefe, Simon P., 1968-. Mozart's Requiem : reception, work, completion. [S.l.: s.n.] ISBN 9781107532953. OCLC 928082795 
  2. a b c Cohrs, Benjamin Gunnar (2013). «MOZART, REQUIEM KV 626 (NEW VERSION BY BENJAMIN-GUNNAR COHRS, 2013)» (PDF). Consultado em 6 de outubro de 2018. 
  3. E.,, Freeman, Daniel. Mozart in Prague. Minneapolis, Minnesota USA: [s.n.] ISBN 9780979422317. OCLC 881318113 
  4. Keefe, Simon P. «Appendix: original text of Franz Xaver Süssmayr's letter to Breitkopf & Härtel (1800)». Cambridge: Cambridge University Press: 249–250. ISBN 9781139027021 
  5. Wolff, Christoph (1991-10). «: Wolfgang Amadeus Mozart. Requiem . Alfred Schnerich. ; Wolfgang Amadeus Mozart. Requiem, K. 626 . Gunter Brosche.». 19th-Century Music. 15 (2): 162–165. ISSN 0148-2076. doi:10.1525/ncm.1991.15.2.02a00070  Verifique data em: |data= (ajuda)
  6. Landon, H.C. Robbins (1992). Requiem, KV 626, Mozarts Fragment mit der Ergänzungen von Joseph Eybler und Franz Xaver Süßmayr, completed and edited by H.C. Robbins Landon. [S.l.]: Breitkopf & Härtel.  line feed character character in |título= at position 82 (ajuda)
  7. Abigaña, Brett (2012). «Completing Mozart's Requiem: A Description and Defense of the Process». Boston University Academy. Consultado em 6 de outubro de 2018. 
  8. Kemme, Clemens (2009). «The Domine Jesu of Mozart's Requiem: Theory and Practice of its Completion» (PDF). Dutch Journal of Music Theory, Volume 14, Number 2. Consultado em 6 de outubro de 2018.