Requiem for a Dream

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Requiem for a Dream
A Vida Não É um Sonho (PT)
Réquiem para um Sonho (BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
2000 •  Cor •  102 min 
Direção Darren Aronofsky
Produção Eric Watson
Palmer West
Roteiro Darren Aronofsky
Hubert Selby, Jr.
Baseado em Requiem for a Dream de Hubert Selby, Jr.
Elenco Ellen Burstyn
Jared Leto
Jennifer Connelly
Marlon Wayans
Género Drama
Música Clint Mansell
Direção de fotografia Matthew Libatique
Edição Jay Rabinowitz
Distribuição Artisan Entertainment
Thousand Words
Idioma Inglês
Orçamento US$ 4 500 000
Receita US$ 7 390 108[1]
Página no IMDb (em inglês)

Requiem for a Dream (Réquiem para um Sonho (título no Brasil) ou A Vida Não É um Sonho (título em Portugal)) é um filme norte-americano do gênero drama psicológico lançado em 2000 dirigido por Darren Aronofsky. O filme é baseado na história original de mesmo nome de Hubert Selby, Jr., publicada em 1978, com quem Aronofsky escreveu o roteiro. É estrelado por Ellen Burstyn, Jared Leto, Jennifer Connelly e Marlon Wayans. O filme descreve quatro diferentes formas de dependência de drogas, que levam à prisão dos personagens em um mundo de ilusão e desespero que é subsequentemente tomado e devastado pela realidade.

A produção ficou por conta da Thousand Words juntamente com a Protozoa Pictures, e foi distribuído pela Artisan Entertainment. O orçamento da obra ficou cerca de 4.5 milhões de dólares. O desenvolvimento ocorreu durante o período de um ano, a trama foi filmada em Coney Island, Brooklyn e Red Hook, em Nova Iorque. A trilha sonora do filme foi composta por Clint Mansell com o quarteto de cordas do Kronos Quartet, e a harmonia pelo compositor premiado com o Pulitzer, David Lang. A trilha sonora tem sido amplamente elogiada e tem sido posteriormente utilizada em vários trailers em outros filmes, incluindo The Da Vinci Code, Sunshine, Lost, The Giver, I Am Legend, Babylon A.D. e Zathura. Uma versão da trilha foi re-orquestrada para o trailer do filme O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.

Lançado no Festival de Cinema de Cannes em 14 de maio de 2000, seguido pelo seu lançamento nacional em 27 de outubro, Requiem for a Dream recebeu críticas positivas dos críticos cinematográficos.[2] Comercialmente, arrecadou mais de 3.6 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, e um total de 7.4 nas bilheterias ao redor do mundo. Entrou na lista dos 400 melhores filmes estadunidenses segundo o American Film Institute em 2007 e também o elegeu um dos dez melhores filmes americanos do ano.[3][4] Recebeu 32 prêmios e 62 indicações ao todo, Burstyn foi nomeada para vários prêmios por seu desempenho, incluindo o Oscar de Melhor Atriz, Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático e o Screen Actors Guild de melhor atriz principal em cinema. Aronofsky recebeu elogios por sua direção elegante, e foi nomeado para um Independent Spirit Awards de Melhor Diretor e ganhou o National Board of Review por "Reconhecimento Especial pela Excelência em Cinema".[5]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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O filme se desenvolve em três estações do ano das vidas de mãe e filho, Sara (Ellen Burstyn) e Harry Goldfarb (Jared Leto), a namorada de Harry, Marion Silver (Jennifer Connelly) e o amigo de Harry, Tyrone C. Love (Marlon Wayans).

A história começa no verão. Sara Goldfarb, uma senhora viúva que vive sozinha em seu apartamento em Brighton Beach, passa o tempo assistindo infomerciais na TV. Após um telefonema que lhe diz que ela será convidada para ser uma participante de um programa de TV, torna-se obcecada em recuperar a aparência que tinha em uma fotografia sua, da época da formatura do 2º grau da escola de Harry, seu momento de maior orgulho. Para caber no antigo vestido vermelho, o favorito de seu falecido marido, ela começa a fazer um regime com pílulas de anfetamina durante o dia e sedativos à noite. As pílulas alteram seu comportamento, mas ela passionalmente insiste que a chance de aparecer na TV lhe deu uma razão para viver, e que o fato fez com que ela passasse a ser admirada pelas vizinhas de prédio. Até o outono, entretanto, seu convite não chega, e ela começa a aumentar a dosagem, o que lhe provoca alucinações onde ela é a principal estrela do programa de TV.

Seu filho Harry é um irresponsável viciado em heroína. Junto com seu amigo Tyrone e sua namorada Marion, todos viciados, ele se envolve com o narcotráfico em uma tentativa para realizar seus sonhos. Com o dinheiro que ganham durante o verão, Harry e Marion sonham em abrir uma loja de roupas para os desenhos de Marion, enquanto o sonho de Tyrone é escapar das ruas e deixar sua mãe orgulhosa. Entretanto, no início do outono, Tyrone se vê no meio do assassinato entre gangues de traficantes e acaba preso mesmo sendo inocente. Harry usa a maior parte do dinheiro deles para pagar a fiança e tirá-lo da cadeia. A partir daí, por causa das prisões e dos tiroteios entre os traficantes, torna-se difícil conseguir drogas, levando Harry, Marion e Tyrone a um estado de privação. Cada vez mais desesperados, Harry convence Marion a fazer sexo com seu psiquiatra em troca de dinheiro, o que acaba por causar um desconforto entre eles. O grupo continua a se deteriorar à medida que Marion começa a se prostituir e o braço de Harry fica severamente infeccionado e começa a desenvolver gangrena em decorrência de sucessivas injeções feitas de forma imprópria.

Com o inverno ocorre o arco final da espiral descendente dos personagens. A sanidade de Sara se vai e ela acaba internada em um hospital psiquiátrico contra sua vontade . Lá passa por tratamento de eletroconvulsoterapia. Harry e Tyrone viajam para a Flórida, acreditando poder recomeçar lá, mas a condição cada vez pior do braço de Harry o força a ir ao hospital, onde eles são presos após o médico se espantar com o estado de seu braço e reconhecer a situação como típica de um viciado. Harry é conduzido a outro hospital onde seu braço é amputado. Tyrone precisa lidar com guardas prisionais racistas e hostis, trabalho forçado e abstinência das drogas sozinho. Harry tem um sonho recorrente onde Marion o aguarda em um pier, mas acorda e vê que ela se foi e ele perdeu seu braço. Marion vai se degradando em orgias em troca de cocaína, enquanto Sara torna-se catatônica em um asilo para doentes mentais. Perdidos e na miséria, cada um dos personagens curva-se em posição fetal. No sonho de Sara, ela ganha o grande prêmio do programa de TV e encontra Harry lá, o qual aparece como um bem-sucedido homem de negócios, casado com Marion. Mãe e filho se abraçam e dizem o quanto amam um ao outro enquanto são aplaudidos pela platéia imaginária e ofuscados pelas luzes do palco.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

150
Ellen Burstyn (intérprete de Sara Goldfarb)
80
Jared Leto (intérprete de Harry Goldfarb)
Jennifer Connelly (intérprete de Marion Silver)
Marlon Wayans (intérprete de Tyrone C. Love )

Na ordem dos créditos:[6]

Produção[editar | editar código-fonte]

Inicialmente quando Burstyn leu o roteiro oferecido por Aronofsky, ela ficou horrorizada com ele e rejeitou o papel. Até que depois de assistir a um vídeo de Pi (1998) - filme anterior de Aronofsky - que ela mudou de idéia e aceitou o papel.[7] Leto perdeu 20kg para interpretar Harry.[8]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Aronofsky também desenvolveu várias novas ferramentas para criar cenas realistas e credíveis, como em seu filme anterior, π, utiliza montagens de planos extremamente curtos ao longo do filme (às vezes chamado de montagem de hip hop). Na média, um filme de cem minutos possui entre seiscentos e setecentos cortes, já Requiem apresenta mais de dois mil[9]. Outros recursos usados são a divisão de tela e a anáfora cinematográfica, que consiste na repetição de cenas, para dar ênfase. Cenas longas (incluindo aquelas com um aparelho que amarra uma câmera a um ator, chamada Snorricam) e fotografia Time-lapse também são dispositivos estilísticos proeminentes.[10]As cenas intensas do filme são alternadas rapidamente, e acompanhadas por uma trilha sonora que cresce em intensidade. Após o clímax, há uma breve serenidade até o final retratando quatro vidas devastadas.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Requiem for a Dream estreou na 53ª edição do Festival de Cannes[11] em 14 de maio de 2000 e no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 13 de setembro, antes de um lançamento nos cinemas dos Estados Unidos em 27 de novembro.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos, o filme foi originalmente classificado como NC-17 pela MPAA, mas Aronofsky pediu a mudança da classificação, alegando que cortar qualquer parte do filme iria reduzir sua mensagem. O pedido foi negado e Artisan decidiu lançar o filme sem classificação.[12] Uma versão R-rated foi lançada em vídeo, com a cena do sexo editada, mas o resto do filme idêntico à versão sem classificação.

No Reino Unido, o filme recebeu um certificado 18 da BBFC pela "representação de drogas, linguagem vulgar e sexo".[13]  Na Austrália, o filme foi classificado R18+ pela OFLC por "uso de drogas e temas adultos".[14]

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Ellen Burstyn recebeu um amplo elogio da crítica por seu papel como Sara Goldfarb, foi nomeada à diversos prêmios incluindo o Oscar de melhor atriz.[15]

Requiem for a Dream recebeu críticas positivas dos críticos e tem uma pontuação "Certified Fresh" de 78% no Rotten Tomatoes com base em 133 avaliações com uma avaliação média de 7.4 de 10. O consenso crítico do site diz: "Embora o filme pode ser muito intenso para alguns estômagos, as performances maravilhosas e as imagens sombrias são difíceis de esquecer."[2] Metacritic, que determina uma avaliação normalizada em 100 a partir das opiniões dos críticos convencionais, calculou uma pontuação de 68 com base em 32 comentários, indicando "avaliações favoráveis".[16]

O crítico de cinema James Berardinelli considerou Requiem for a Dream o segundo melhor filme da década, atrás da trilogia de filmes O Senhor dos Anéis.[17] Roger Ebert deu ao filme 3 1/2 estrelas em quatro, afirmando que "O que é fascinante em Requiem for a Dream, é o quão bem ele descreve os estados mentais dos seus viciados. Quando eles usam drogas, uma janela se abre brevemente em um mundo onde tudo está certo. Então a janela se fecha, e a vida reduz-se a uma busca por dinheiro e drogas para então abri-la novamente. Nada mais é remotamente tão interessante.[18] Elvis Mitchell, escrevendo para The New York Times, deu ao filme uma revisão positiva, afirmando que "Depois da estreia fenomenal do jovem diretor com Pi, que era como assistir a um boxeador de peso médio ganhar uma luta apenas com seus reflexos, ele volta com um filme que mostra sua maturação.[8]

Peter Bradshaw, do The Guardian, elogiou o filme. "Seu retrato agonizante e inflexível do abuso de drogas, tirado de um romance de Hubert Selby Jr (com quem Aronofsky co-escreveu o roteiro), é um trabalho formalmente agradável - se agradar pode ser a palavra certa".[19] Peter Travers, da Rolling Stone, deu ao filme quatro estrelas em quatro e escreveu que "ninguém interessado no poder e na magia dos filmes deve perdê-lo".[20] Owen Gleiberman, escrevendo para Entertainment Weekly, classificou o filme com um "A" e afirmou que "o filme é hipnoticamente angustiante e intenso, um mergulho visual e espiritual na sedução e terror da dependência de drogas".[21] IGN deu ao filme uma nota 9 de 10, dizendo "A razão pela qual ele funciona tão bem como um filme sobre o vício é que, em cada quadro, o filme em si é viciante. É absolutamente implacável a bravura de Aronofsky com técnicas cinematográficas (Telas divididas, esquemas complexos de corte transversal, visuais alucinatórios), e para ajudar, a trilha sonora composta por Clint Mansell (realizada pelo Quarteto Kronos), obriga-o a vê-lo."[22]

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Recipiente Resultado
2001 Oscar Melhor Atriz Ellen Burstyn Indicado
2001 Golden Globe Awards Melhor Atriz - Drama Indicado
2001 Screen Actors Guild Awards Melhor Atriz Indicado
2000 Satellite Awards Melhor Atriz Venceu
2000 Saturn Awards Melhor Atriz Indicado
Melhor Filme - Terror Indicado
2000 Independent Spirit Awards Melhor Filme Indicado
Melhor Diretor Darren Aronofsky Indicado
Melhor Atriz Ellen Burstyn Venceu
Melhor Atriz Coadjuvante Jennifer Connelly Indicado
Melhor Fotografia Matthew Labatique Venceu

Referências

  1. «Requiem for a Dream (2000) - Box Office Mojo» (em inglês). Box Office Mojo. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  2. a b (em en) Requiem for a Dream, http://rottentomatoes.com/m/requiem_for_a_dream, visitado em 2017-01-21 
  3. «AFI's 100 Years...100 Movies (10th Anniversary Edition) Ballot» (PDF) (em inglês). American Film Institute. Consultado em 21 de janeiro de 2017 
  4. «American Film Institute». www.afi.com. Consultado em 21 de janeiro de 2017 
  5. «2000 Archives - National Board of Review». National Board of Review (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  6. «Requiem for a Dream - Movie - Cast, Crew & Credits | Moviefone». AOL Moviefone (em inglês). Consultado em 23 de janeiro de 2017 
  7. Burstyn, Ellen; Leto, Jared; Connelly, Jennifer; Wayans, Marlon (2000-12-15), Requiem for a Dream, http://www.imdb.com/title/tt0180093/trivia, visitado em 2017-01-22 
  8. a b «"Movie Review: Requiem for a Dream". The New York Times.». www.nytimes.com (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  9. AdoroCinema, Réquiem para um Sonho: Curiosidades, http://www.adorocinema.com/filmes/filme-26602/curiosidades/, visitado em 2017-01-22 
  10. Powell, Anna (2007). Deleuze, Altered States and Film. Edinburgh: Edinburgh University Press. p. 75. ISBN 0-7486-3282-4 
  11. "Official Selection2000" (em en). Festival de Cannes.
  12. Indiewire. «DAILY NEWS: Artisan Backs Unrated "Requiem"; San Sebastian Lineup Shaping Up | IndieWire». www.indiewire.com (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  13. «REQUIEM FOR A DREAM | British Board of Film Classification». www.bbfc.co.uk. Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  14. LLC, Revolvy,. «"Requiem for a Dream" on Revolvy.com». www.revolvy.com (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  15. Lyman, Rick. (4 de março de 2001). "OSCAR FILMS/ACTORS: An Angry Man and an Underused Woman; Ellen Burstyn Enjoys Her Second Act". The New York Times. ISSN 0362-4331.
  16. Requiem for a Dream, http://www.metacritic.com/movie/requiem-for-a-dream, visitado em 2017-01-22 
  17. Berardinelli, James. «Closing out the Decade with Another Top 10 | Reelviews Movie Reviews». Reelviews Movie Reviews (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  18. Ebert, Roger. «Requiem for a Dream Movie Review (2000) | Roger Ebert». www.rogerebert.com (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 
  19. Bradshaw, Peter. (18 de janeiro de 2001). "Living in oblivion" (em en-GB). The Guardian. ISSN 0261-3077.
  20. "Requiem for a Dream". Rolling Stone.
  21. (13 de outubro de 2000) "'Requiem for a Dream': EW review" (em en-US). EW.com.
  22. Brake, Scott (20 de outubro de 2000). «Review of Requiem for a Dream». IGN (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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