Resolução 4K

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A resolução 4K existe em televisão digital e cinema digital. O termo refere-se à dispositivos que tenham resolução ao redor de 4000 pixels na horizontal e 2000 na vertical. Tal resolução é apontada como a resolução limite para um televisor doméstico.[1] [2] Segundo o oftamologista Paulo Schor, a resolução pode ter superado o limite para o olho humano.[3]

Essa resolução, a partir do negativo de 35 mm, existe desde 1889, mas só foi patenteada pela Sony a partir de 2003.

Amostra de cinema 4K (4096 × 2304 pixels x), para visualizar na resolução total 4k, o arquivo precisa ser baixado e visualizado em um monitor de alta contagem de pixels.
Resoluções 16:9 em comparação

Resoluções[editar | editar código-fonte]

4K Ultra HD[editar | editar código-fonte]

4K UHD Criada pela SONY em 2003, dispõe de uma resolução de 3840 × 2160 pixels (8,3 megapixels) e é uma das duas resoluções da Televisão de ultra-alta definição (UHDTV). Também desenvolvida, a 8K UHD, criada pela SONY em parceria com SHARP especialmente para cinemas do Japão e cinemas da SONY em Hollywood, possui 7680 pixels × 4320 pixels (33,2 megapixels). 4K UHD tem o dobro da resolução horizontal e vertical do formato 1080p HDTV, com quatro vezes mais pixels em geral.[4]

Cinema digital[editar | editar código-fonte]

O Digital Cinema Initiatives estabeleceu um padrão de resolução de 4096 × 2160 (com proporção de tela de 256:135) para projeção de filmes 4K. Esta é a resolução nativa DCI compatível 4K para projetor digital e monitores; pixels são cortados a partir do topo ou dos lados, dependendo do formato do conteúdo que está sendo projetado. O DCI 4K padrão tem o dobro da resolução horizontal e vertical do DCI 2K, com quatro vezes mais pixels em geral.

Filmes digitais 4K podem ser produzidos, digitalizados ou armazenados em um certo número de outras resoluções dependendo de qual formato de armazenamento é utilizado.[5] [6]

A produção do conteúdo 4K/UltraHD profissional é feita a partir da película cinematográfica capturada por digitalizadores 8K (7680x4320 pixels) ou câmeras de sensores 8K (7680x4320 pixels) ou 4K CGI (4096px X 2160px). Conteúdo produzido a partir de câmeras digitais 2K usando lentes "4K" não possuem resolução 4K, mas sim 2K.

Vídeo Streaming (transmissão de vídeo)[editar | editar código-fonte]

O YouTube permite uma resolução máxima de upload de 4096 × 3072 (12,6 megapixel, com aspecto 4:3).[7] [8] Entretanto o player de video do YouTube é limitado ao máximo de apenas 2048 × 1536 (3.1 megapixels). Videos 4K do Youtube podem ser baixados na sua resolução original utilizando-se um programa para download de videos. High Efficiency Video Coding deve permitir o streaming de conteúdo com uma resolução de 4K com uma largura de banda entre 20 a 30 Mbps.[9] O VP9 também foi sendo desenvolvido para streaming 4k.

O Netflix e a Amazon.com também possuem conteúdo 4K.[10]

Formato físico[editar | editar código-fonte]

Atualmente são estudados dois formatos para distribuição de vídeo 4K no formato físico, o Archival Disc, considerado o sucessor do disco blu-ray, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2015 e o BDXL (outra versão do blu-ray) sem previsão de lançamento.

Bitrate[editar | editar código-fonte]

A resolução 4K em 30fps com profundidade de cor de 48 bits (em 4:4:4 RGB ou com sampleamento de imagem 4:4:4 YCbCr) e aspecto de tela de 16:9, ocupa espaço de 1320 Megabit por segundo (Mbps) (165 Megabytes por segundo) em constant bitrate (CBR) usando compressão sem perda de dados. Esta bitrate é destinada ao uso profissional com o codec Apple ProRes.[11]

Para uso doméstico, a maior bitrate da resolução 4K encontra-se disponível com compressão de vídeo com perdas de dados em câmeras digitais (4:2:0 YCbCr) ocupando espaço de 100 Mbps (12.5 Megabytes) em variable bitrate (VBR) através do codec H.265.[12]

Através do streaming por internet, o Netflix utiliza bitrate de 15 Mbps (1.8 Megabytes) e o YouTube de 10 Mbps (1.25 Megabytes).[13] [14]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Geoffrey Morrison em análise para o CNET disse que os "quádruplos pixels não fazem diferença na qualidade da imagem e não valem a pena o preço extra". Ele criticou as baixas bitrates de transmissão da Netflix e Amazon, também disse que a indústria já sabia que havia e seria lançada a resolução 4K ou maior, mas mesmo assim lançou previamente resoluções inferiores. Citou também que a OLED seria melhor em comparação com as baixas taxas de contraste e "borrões" dos televisores LCD 4K e achou desnecessário ter que se sentar mais próximo da TV, já que a maioria do público prefere sentar mais distante.[15]

Geoffrey Fowler do Wall Street Journal também analisou a resolução 4K, dizendo que "Chegamos a um limite onde as melhorias de resolução de tela estão ficando mais difíceis de apreciar a menos que a tela seja muito grande ou você sente-se muito mais perto, como com o novo iMac da Apple com display Retina 5K." Sobre o aumento virtual de uma resolução inferior para a 4K, ele disse "Eu tentei o streaming de "Crouching Tiger, Hidden Dragon" da Netflix em 4K, e parecia horrível. A TV desajeitadamente reforçava a película para transferir para o digital do filme de uma forma que fez os atores parecerem com os vampiros brilhantes daqueles filmes "Crepúsculo".[16]

A sensação de "profundidade", mesmo sem uso do recurso 3D foi elogiada. Brian Lam, do site TheWirecutter disse que é "impressionante o que se obtém de detalhes em telas maiores. Por exemplo, cabelos e texturas."[17] [18]

Pedro Cipoli para o CanalTech publicou uma avaliação negativa dizendo: "A mudança da qualidade digital padrão para o HD foi cara e demorada, isso é inegável. (...) Os vendedores não precisavam falar nada: era só olhar uma TV comum ao lado de uma com resolução HD para entender que a mudança de padrão era não só necessária, mas extremamente bem vinda. (...) Não é o que acontece com o 4K. Ou essas TVs chamam a atenção pelo tamanho ou os vendedores precisam apontar para um ponto específico da tela e dizer "está vendo a ponta do fio do cabelo da atriz X? É melhor do que o Full HD ou não é?". Mas é claro que é, neste caso estamos a 20 centímetros da TV! No conforto de nossa casa, sentado no sofá e assistindo um filme sem se preocupar em ficar contando pixels, é difícil dizer que há uma diferença. A não ser que você seja um ninja, é claro." [19]

Cipoli também criticou a indústria de TVs, citando: "Os fabricantes dizem que os consumidores devem comprar modelos 4K para popularizar a tecnologia. Isso é conhecido como inversão do ônus. (...) Os fabricantes e os estúdios devem convencer você que a troca vale a pena. Imagine Hollywood e fabricantes como Samsung, LG e Sony em um esforço conjunto para a diminuição de preços dos aparelhos e criação de conteúdo em 4K. Seria diferente, não?"[19]

Resolução dos formatos comuns[editar | editar código-fonte]

Formato Resolução Proporção Pixels
4K Televisão de ultra-alta definição 3840 × 2160 1.78:1 (16:9) 8,294,400
Digital Cinema Initiatives 4k resolução nativa 4096 × 2160 1.90:1 (256:135)/(21:9) 8,847,360
DCI 4K (CinemaScope cortado) 4096 × 1714 2.39:1 7,020,544
DCI 4K (Widescreen) 3996 × 2160 1.85:1 8,631,360
Academy Ratio 4K (formato de armazenamento) 3656 × 2664 1.37:1 9,739,584
Fullscreen 4K (formato de armazenamento) 4096 × 2160 1.90:1 (256:135)/(21:9) 8,847,360

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Com resolução até 16 vezes maior que Full HD, novas TVs desafiam olho humano» (em inglês). Tecnologia.uol. Consultado em 2 de agosto de 2014. 
  2. «Resolu 4K faz diferença para o olho humano?». OlharDigital.com. Consultado em 2 de agosto de 2014. 
  3. «A resolução 4K das TVs pode 'superar' o olho humano; entenda». TechTudo. Consultado em 17 de fevereiro de 2015. 
  4. «Ultra High Definition Television: Threshold of a new age» ITU [S.l.] 2012-05-24. Consultado em 2012-08-18. 
  5. «Pixar.com» (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2014. 
  6. «4K resolution Definition from PC Magazine Encyclopedia». PC Magazine. 1994-12-01. Consultado em 2010-05-28. 
  7. Ramesh Sarukkai (2010-07-09). «What's bigger than 1080p? 4K video comes to YouTube». Arquivado desde o original em 16 July 2011. Consultado em 2011-08-20. 
  8. «You Tube Support» (em inglês). Consultado em 9 de janeiro de 2014. 
  9. «Next-Gen Video Format H.265 Is Approved, Paving The Way For High-Quality Video On Low-Bandwidth Networks» (em inglês). TechCrunsh. Consultado em 17 de fevereiro de 2015. 
  10. «Amazon Will Stream in Ultra-High Def 4K by January» (em inglês). Time. Consultado em 17 de fevereiro de 2015. 
  11. «Black Magic Products» (em inglês). BlackMagicDesign. Consultado em 6 de março de 2015. 
  12. «Sony FDR AX-100 4K Handycam» (em inglês). bhphotovideo. Consultado em 6 de março de 2015. 
  13. «Netflix 4K Streaming (House of Cards Season 2) Has Gone Live» (em inglês). HDTVtest. Consultado em 6 de março de 2015. 
  14. «Test video quality 720p 1080p 1440p 2160p max bitrate which compresses youtube» (em inglês). AnimaFelina. Consultado em 6 de março de 2015. 
  15. Geoffrey Morrison (28 de janeiro de 2013). «Why Ultra HD 4K TVs are still stupid». CNET (em inglês). Consultado em 12 de junho de 2015. 
  16. Geoffrey Fowler (11 de novembro de 2014). «4K on the Cheap: Ultra HD TV Is Almost Ready for Mainstream» (em inglês). Wall Street Junior. Consultado em 12 de junho de 2015. 
  17. Geoffrey Morrison (6 de janeiro de 2013). «4K ou OLED: Qual tecnologia tem mais futuro?». Revista Home Theater. Consultado em 12 de junho de 2015. 
  18. Airton Lopes e Lucas Agrela (4 de fevereiro de 2014). «Review: TV 4K Sony XBR-65X905A». Info Abril. Consultado em 12 de junho de 2015. 
  19. a b Pedro Cipoli. «Por que você não deve comprar um televisor 4K». CanalTech. Consultado em 20 de novembro de 2015.