Revenido

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O revenimento (português brasileiro) ou revenido (português europeu) na metalurgia é um tipo de tratamento térmico efetuado em aços. O processo de revenimento consiste em aquecer o material a partir da temperatura ambiente até uma certa temperatura, mantendo-o por determinado tempo nesta temperatura alvo, e então resfria-se ao ar. O revenimento tem como um de seus objetivos aliviar tensões residuais, amolecendo o material e aumentando sua tenacidade. Os parâmetros de temperatura alvo e o tempo de manutenção nesta temperatura influenciam em o quanto deseja-se aliviar de tensão no material, afetando as propriedades finais do material. Portanto, deve-se estudar e definir qual a temperatura e o tempo de tratamento para cada material analisado. Este tratamento térmico normalmente é utilizado após tratamento de têmpera.[1] Entende-se que o processo de revenimento é feito a partir de uma microestrutura inicial de bainita e/ou martensita.

Introdução[editar | editar código-fonte]

O tratamento térmico de revenimento usualmente é aplicado em ligas ferrosas, tais como aços ou ferros fundidos. O processo de revenimento acarreta em um alívio de tensões residuais do material levando usualmente à uma diminuição em sua dureza.[2] Este alívio de tensões é acompanhado de um aumento na ductilidade do material, um aumento em sua tenacidade, e uma redução da fragilidade. O revenimento (tempering em inglês) normalmente é feito após o tratamento térmico de têmpera (quenching em inglês), sendo a combinação destes dois conhecida como tratamento Q&T por sua sigla em inglês.[3][4] Primeiramente, o processo de têmpera é obtido com um resfriamento rápido, por exemplo em água, obtendo assim uma condição extremamente dura, com diversos defeitos cristalinos sendo introduzidos na estrutura, e composta com uma alta quantidade de discordâncias na microestrutura.[2] Então, nessa configuração de alta dureza (ou temperada) realiza-se o revenimento de modo a reduzir a dureza e aliviar a estrutura do material. O revenimento aplicado, portanto, reduz essa alta dureza associada à uma microestrutura temperada. O revenimento pode ser realizado como subcrítico, quando é realizado abaixo da temperatura crítica, ou intercrítico, quando é realizado dentro do campo de temperaturas de críticas. Usualmente não se realiza revenimento acima da faixa superior do campo intercrítico.[2]

Processo de revenimento[editar | editar código-fonte]

A têmpera deixa o aço mais frágil (com menor resistência ao choque) e cria tensões internas, o que é corrigido pelo revenimento, que consiste em reaquecer a peça temperada a uma temperatura muito inferior à da têmpera (zona crítica-fase austenítica).[5][6][7]

A temperatura de revenimento e o tempo de manutenção desta temperatura influem decisivamente nas propriedades finais obtidas no aço: tanto maior o tempo e/ou tanto maior a temperatura, mais dúctil se tornará o aço. Os elementos de liga do aço também influem no revenimento, mudando o seu comportamento no processo (endurecimento secundário).

A temperatura de revenimento normalmente situa-se entre 150°C e 600°C e o tempo de processo entre 1h e 3h. Todavia, quanto maior a temperatura empregada, mais o revenimento tenderá a reduzir a dureza original obtida na têmpera.

O revenimento aumenta a ductilidade e a elasticidade do aço e é usado especialmente na fabricação de molas.

Esse tratamento é efectuado logo após a têmpera, para atenuar estes efeitos negativos.

Referências

  1. FORTIS, C.; KISS, F.J. Metalografia e Tratamentos Térmicos de Aços e Ferros Fundidos. 1 a. Ed. 2009.
  2. a b c André Luiz V. da Costa e Silva, Paulo Roberto Mei. Aços e Ligas Especiais. 2021 — 4ª edição.
  3. George Krauss. Steels: Processing, Structure, and Performance. Second Edition. ASM International-2015.
  4. H. K. D. H. Bhadeshia, R. W. K. Honeycombe. Steels - Microstructure and Properties. Fourth edition. Elsevier Ltd. 2017.
  5. Chiaverini, V. Aços e Ferros Fundidos. ABM, São Paulo, 5a. ed., 1987, pp. 75-81
  6. Chiaverini, V. Tecnologia Mecânica. McGraw-Hill, São Paulo, 2a. ed., 1986, pp. 240-244.
  7. CALLISTER JR, W. D. Fundamentos de Ciência e Engenharia dos Materiais, 1a Edição, Rio de Janeiro: LTC, 2006.
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