Revolta dos Perdidos

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A Revolta dos Perdidos, também denominada de Guerra dos Perdidos ou Segunda Guerrilha do Araguaia, foi um conflito armado que ocorreu entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980.[1] O acontecimento se desenvolveu na área municipal de Piçarra no Pará, na mesma região onde, até 1974, havia ocorrido a Guerrilha do Araguaia. Por isso, a revolta é considerada a "II Guerrilha do Araguaia", um desdobramento do conflito anterior.

Moradores da região, que acompanharam os confrontos anteriores ou apoiaram a guerrilha do PC do B, organizaram uma revolta contra o Incra, que, sob a pressão de grileiros, decidiu refazer a ocupação na área, deslocando os posseiros locais.[2]

Os posseiros, contrariados com a decisão do órgão governamental, se reuniram em uma cabana de palha, em 26 de outubro de 1976. O grupo formado por 173 homens decidiu interromper o trabalho de remarcação de lotes de terras com a realização de uma marcha até o acampamento onde estavam os funcionários do Incra. Mas, no momento da incursão, apenas 36 posseiros apareceram.[3]

Dois dos integrantes do grupo traíram o movimento e avisaram a polícia sobre plano de ataque, que começaria na manhã do dia 27. Os posseiros mudaram a estratégia e se camuflaram na mata. Mesmo assim, a polícia percebeu os movimentos e fez os primeiros disparos. Quando cessaram os tiros, os posseiros se levantaram e atacaram.[4]

Um relatório militar confirma as mortes dos soldados Claudiomiro Rodrigues e Ezio Araújo. O documento 'Incidente em São Geraldo do Araguaia', do extinto Serviço Nacional de Informações, destaca que o Exército reconhecia a truculência da polícia e acusava a força armada de conivência com os policiais corruptos. Após o confronto, policiais cercaram povoados em busca dos revoltosos, retirando famílias de suas casas à força e violentando mulheres.[5]

A principal personagem feminina da Revolta do Perdidos foi Edna Rodrigues de Souza, a Dina, que foi torturada em 1976. Ela recebeu o mesmo apelido da mais famosa integrante da guerrilha do Araguaia, Dinalva Teixeira, que também havia sido torturada dois anos antes. Em três ocasiões, Edna sofreu choques elétricos e abusos sexuais de agentes encapuzados. A primeira vez foi à beira do Araguaia, onde foi presa e ficou quatro meses. Na ocasião, Edna estava grávida.[6]

Referências

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