Revolta siciliana

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Revolta siciliana
Parte das Guerras civis romanas
Data 44 – 36 a.C.
Local Sicília
Desfecho Vitória romana
Mudanças
territoriais
Nenhuma; a Sicília foi tomada pelas forças de Sexto, mas foi retomada pela República
Combatentes
República Romana Forças de Sexto Pompeu
Principais líderes
Otaviano
Marco Vipsânio Agripa
Marco Antônio
Lépido
Sexto Pompeu
Menas (almirante)
Forças
Mais de 200,000 homens

A Revolta siciliana foi uma revolução contra o Segundo Triunvirato da República Romana, que ocorreu entre 44 e 36 a.C. A revolta foi liderada por Sexto Pompeu, e terminou com a vitória do triunvirato.

Contexto[editar | editar código-fonte]

O pai de Sexto, Pompeu, havia sido um inimigo de Júlio César por muitos anos, e esta inimizade finalmente transbordou em 49 a.C. em uma guerra civil com César. Pompeu foi assassinado em 48 a.C. pelos egípcios, mas Sexto e seu irmão Cneu Pompeu o Jovem continuaram lutando até 45 a.C., quando era claro que César era o vencedor. Depois da Batalha de Munda, o irmão de Sexto foi executado, mas Sexto escapou para a Sicília.

Quando Júlio César foi assassinado em 15 de março de 44 a.C., o nome de Sexto foi colocado em uma lista de proscrição criada por Lépido, Marco Antônio e Otaviano, os membros do Segundo Triunvirato. A lista foi criada não só para preencher a tesouraria de Roma, mas para ajudar na guerra do segundo triunvirato contra as famílias de Bruto e Cássio, e outros inimigos listados de César.

Primeiras vitórias[editar | editar código-fonte]

Ao encontrar seu nome na lista, Sexto decidiu continuar onde seu pai havia parado. Ele selecionou a ilha da Sicília como sua base, capturando várias cidades, incluindo Tyndaris, Mylae e a capital da província, Messina. Outras cidades, como Siracusa, cedeu à revolta de Sexto e juntou suas forças. Sexto logo se tornou uma força significativa na guerra civil após o assassinato de César. Ele acumulou um formidável exército e uma grande frota de navios de guerra. Muitos escravos e amigos de seu pai juntaram-se a sua causa, na esperança de preservar a República Romana, que estava rapidamente se transformando em um império. As multidões de escravos que se uniram a Sexto vieram muitas vezes das casas de patrícios e, esta deserção feriu os romanos tanto que as Vestais rezavam para ele parar.

Com sua grande frota de navios tripulados por marinheiros sicilianos e comandados por almirantes capazes como Menas, Menecrates e Democares, Sexto deteve todos os embarques (especialmente de grãos) para Roma e bloqueou a Itália, a fim de desativar o comércio com outras nações pelo mar. Este bloqueio incapacitou severamente o exército romano, bem como a península itálica. Finalmente, com o início de tumultos em Roma, os triunviros decidiram reconhecer Sexto como o governante da Sardenha, Córsega e Sicília, desde que ele concordasse em cessar o bloqueio e começar a enviar remessas de grãos novamente. Sexto concordou, e também concordou em parar de aceitar escravos fugitivos para a sua causa. Este tratado foi chamado de Pacto de Miseno, após ser negociado em Miseno.

Luta principal[editar | editar código-fonte]

Em 42 a.C., o triunvirato derrotou Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino na Batalha de Filipos. Uma vez que o bloqueio foi encerrado (após uma curta paz rochosa), o Triunvirato, especialmente Otaviano e seu braço-direito, Agripa, foram capazes de transformar e focar suas energias em Sexto, e começaram uma agressiva ofensiva. Otaviano tentou invadir a Sicília em 38 a.C., mas os navios foram obrigados a voltarem por causa do mau tempo.

Agripa cortou parte da Via Ercolana e cavaram um canal para ligar o Lago Lucrino com o mar, a fim de transformá-lo em um porto, chamado Portus lulius (Porto Júlio). O novo porto foi usado para treinar os navios para as batalhas navais. Uma nova frota foi construída, com 20,000 remadores entre escravos libertos. Os novos navios foram construídos muito maiores, a fim de abrigar muitas unidades de infantaria, que estavam sendo treinadas ao mesmo tempo. Além disso, Antônio pegou 20,000 homens da infantaria com 120 navios, sob o comando de Tito Estatilío Tauro. Em julho de 36 a.C., as duas frotas partiram da Itália, e outra frota, fornecida pelo terceiro triunviro, Lépido, partiu da África para atacar o reduto de Sexto na Sicília.

Em agosto, Agripa finalmente foi capaz de derrotar Sexto em uma batalha naval perto de Mylae (atual Milazzo); o mesmo mês em que Otaviano sofreu uma derrota e foi gravemente ferido em uma batalha perto de Taormina.

Em Nauloco, Agripa reuniu a frota de Sexto. Ambas as frotas compostas de 300 navios, todos com artilharia, mas Agripa comandou unidades mais pesadas, armado com arpax e corvus. Agripa conseguiu bloquear os navios mais manobráveis de Sexto e, depois de uma luta longa e sangrenta, derrotou seu inimigo. Agripa perdeu três navios, enquanto 28 navios de Sexto foram afundados, 17 fugiram e outros queimados ou capturados.

Cerca de 200,000 homens foram mortos e 1,000 navios de guerra foram destruídos durante o conflito que se seguiu, com muitas das vítimas que haviam sido tomadas por Sexto para o seu exército e marinha. Tyndaris e Messina foram particularmente atingidos e a área foi devastada.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Em 36 a.C., Sexto fugiu da Sicília (terminando efetivamente a revolta), para Mileto, onde em 35 a.C., foi capturado e executado por Marco Tito, um dos asseclas de Marco Antônio, sem julgamento. Isto foi ilegal, já que ele era um cidadão romano e, portanto, tinha direito a um julgamento. Esta negligência foi captada por Otaviano, quando a relação entre ele e Marco Antônio ficou frágil.

Um lance político mal julgado por Lépido, deu a Otaviano a desculpa que precisava para Lépido ser acusado de usurpar o poder na Sicília pela tentativa de uma rebelião. Lépido foi forçado a se exilar em Circeii e todos os seus títulos foram retirados exceto o de pontifex maximus. Suas ex-províncias foram concedidas para Otaviano.

Grande parte da terra na Sicília, ou foi arruinada ou devastada, e muitas destas terras foram distribuídas para os membros das legiões que lutaram na Sicília. Isto gerou um efeito duplo: serviu para encher a ilha com pessoas, gratos habitantes, e prometeram trazer novamente a ex-fertilidade da Sicília.

Aproximadamente 30,000 escravos foram capturados e devolvidos aos seus donos, com outros 60,000 sendo empalados em cima de estacas de madeira como exemplo.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

48 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • Pompeu foi assassinado pelos egípcios

45 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • A guerra civil de César termina

44 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • Júlio César é assassinado
  • A revolta siciliana começa, assumido o controle da ilha da Sicília com uma poderosa marinha

39 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • O bloqueio terminou pelo Pacto de Miseno

37 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • Vitória para Sexto sobre Otaviano, batalha ocorre na costa de Messina

36 a.C.[editar | editar código-fonte]

35 a.C.[editar | editar código-fonte]

  • Sexto é capturado e executado em Mileto

Referências[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]