Revolução de Abril

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Coreanos protestando durante a Revolução de Abril.

A Revolução de Abril (conhecido na Coreia como 4·19 혁명), também chamada de Revolução de 19 de Abril ou Movimento de 19 de Abril, foi uma insurreição popular que aconteceu em abril de 1960, liderada por grupos trabalhistas e estudantis, que derrubou o governo autocrático de Syngman Rhee, encerrando a Primeira República da Coreia do Sul. A renúncia de Rhee possibilitou a transição do país para uma Segunda República.[1]

A revolução começou de fato após a descoberta do corpo de um estudante no porto de Masan. Ele havia participado dos protestos de 15 de março de 1960. A agitação popular local estava acontecendo devido a denúncias de corrupção nas eleições regionais. O governo afirmou que a causa de sua morte havia sido afogamento, mas a população rejeitou esta explicação. O regime de Syngman Rhee tentou censurar o que havia ocorrido e também tentou reprimir os protestos. Em 18 de abril, as manifestações chegaram a capital Seul. Este protesto também foi reprimido.[2]

No dia 19, em Seul, milhares de estudantes foram as ruas e marcharam até a Casa Azul, a residência oficial do presidente. Estima-se que 100 mil pessoas estivessem marchando para pedir a renúncia de Rhee do poder. A polícia que protegia o palácio presidencial abriu fogo e matou 180 pessoas. O governo então declarou lei marcial.[3]

A 25 de abril de 1960, professores, líderes trabalhistas e civis de todas as idades se juntaram aos estudantes e as manifestações se tornaram gigantestas. Em um sinal de ruptura com o governo, o exército e a polícia se recusaram a obedecer ordens de reprimir os manifestantes. Os protestos ganhavam força devido a denúncias de corrupção e má gestão da economia por parte do regime, que na última década se tornava cada vez mais autoritário.[4]

Perdendo apoio político e com as manifestações populares ficando cada vez maiores, o presidente Rhee não teve escolha se não renunciar (a 26 de abril de 1960). No dia seguinte, Lee Ki-Poong, o vice presidente do país que havia sido usado como bode expiatório dos escândalos de corrupção, cometeu suicídio, junto com sua família. O ministro do interior e chefe da segurança, Choi In-Kyu, que havia comandado a repressão em Masan, também renunciou.[1]

A renúncia de Rhee levou ao fim do governo do Partido Liberal. A Coreia do Sul passou então a ser uma república parlamentarista, com o Parlamento assumindo o controle da nação, sob a direção do primeiro-ministro Chang Myon. Em 13 de agosto, Yun Bo-seon foi eleito o novo presidente.[1]

O país, contudo, permaneceu instável politicamente, levando a um golpe de estado pelo exército e colocando o general Park Chung-hee no poder, em maio de 1961. A Coreia do Sul ficou sob comando de uma junta militar até que a igualmente autocrática Terceira República foi proclamada em 1963.[5]

Referências

  1. a b c "April 19th student revolution in South Korea 1960". Página acessada em 15 de agosto de 2015.
  2. "Remembering April 19, 1960 Student Revolution". Página acessada em 15 de agosto de 2015.
  3. Rhee, Moon Young (18 de abril de 2011). «4·19때 경찰이 계엄사령관에 총탄 10만발 빌려달라 요청». Hankyoreh. Consultado em 25 de maio de 013  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Brazinsky, Gregg. Nation Building in South Korea. [S.l.]: The University of North Carolina Press. ISBN 978-0807861813 
  5. Seuk-Ryule, Hong. 2002. "Reunification Issues and Civil Society in South Korea: The Debates and Social Movement for Reunification during the April Revolution Period, 1960–1961." Journal of Asian Studies 61, no. 4: 1237.