Rino Lupo

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Rino Lupo
Nome completo Cesare Rino Lupo
Nascimento 15 de Fevereiro de 1888
Roma,  Itália
Nacionalidade  Itália
Morte 1934 (0 anos)
Ocupação Realizador
IMDb: (inglês)

Cesare Rino Lupo (Roma, 15 de fevereiro de 18881934) foi um realizador italiano que realizou filmes por toda a Europa. Seduzido pelas belezas de Portugal, trabalhou neste país na segunda década do século XX, na época do cinema mudo.

O historiador de cinema M. Félix Ribeiro dá-lhe erradamente o nome de Vitaliano Lino Rupo, resultado de uma gralha de imprensa dos jornais da época. Georges Sadoul, na Histoire du Cinéma Mondial, faz outra gralha e chama-lhe Enio Lupo. Surge por vezes referido como Cezar Lupo. Na Polónia, onde esteve, seria conhecido como Caesar Lupow e em Espanha como Cesarino.

No fim da vida, depois do Som ter entrado no Cinema, tentou a sua sorte em diferentes capitais, acabando por trabalhar como figurante em produções sonoras alemãs. Faleceu em parte incerta, provavelmente em 1934.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Italiano de nascimento, começou a actividade cinéfila em Paris, entre 1908 e 1910. De seguida, deambulou pela Europa, fazendo filmes em Berlim, Copenhaga, Moscovo, de onde saiu com a Revolução Russa de 1917 e na Polónia, onde fundou a Academia Cinematográfica de Varsóvia. Chegou a ser dirigente da revista polaca Kinema. Entre os seus primeiros filmes, consta Wenn Volker streiken (Quando os Povos Lutam), filme alemão de propaganda de guerra.

No início dos anos dez, Lupo, esse «camaleão do cinema europeu», foi contratado pela produtora francesa Léon Gaumont. O responsável técnico e artístico da empresa era então Louis Feuillade, anti-academista encarniçado que se opunha ao Film d'Art, cultivado por elementos afectos à Comédie Française, que desenvolveram um conceito académico e elitista de cinema, decalcado da prática teatral, desprezando o uso do cinema como «espectáculo de feira» feito por Georges Méliès. Conciliando tendências, Feuillade teorizou uma ideia nova, a do Film Esthétique, que se propunha ser «bem mais uma obra pictórica que de teatro» (1910).

A partir desse ano, até 1917, a segunda figura emblemática da companhia Gaumont é Léonce Perret, realizador de sucesso, que opta por começar a fazer filmes ao ar livre, na província, o que Lupo em Portugal também faria. Nas palavras de Georges Sadoul, «Perret utilizou com brio todos os recursos da montagem, diferenciações de planos, contra-luzes, a belíssima fotografia do seu operador Specht ». Todo um grupo representativo de realizadores iria explorar no cinema, cada um deles a seu modo, esta forma de linguagem e este gosto pela imagem.

Lupo chega a Portugal em Agosto de 1921. Ainda em Varsóvia, ouviu falar dos progressos da Invicta Film por um jovem português, um tal António da Silveira, e daí veio directamente para Portugal. Seduzido pelo sol do país, ofereceu os seus préstimos à Invicta Film. Foi aceite por reconhecido mérito. A decisão foi tomada por Georges Pallu, dirigente da firma e também realizador, que integrava o grupo de técnicos franceses que, com a colaboração da firma Pathé Frères, daria início ao relançamento industrial da Invicta.

Rino Lupo explorou o melodrama rural e verista enquadrado em décors naturais da província, com fortes traços pictóricos, na mais pura linha do Film Esthétique. Mulheres da Beira (adaptação de um conto de Abel Botelho) é o seu primeiro trabalho. O segundo será Os Lobos (filme), ambos lançados em 1923.

São estas as suas obras de referência. Lupo abandonará a Invicta Film por desentendimentos, questões de dinheiro e incumprimento de prazos.

Vem para Lisboa em 1922, cidade onde abre a chamada «Escola de Arte Cinematográfica», com sede no nº 182 da Rua da Palma. Instável, volta pouco depois para o Porto onde funda a «Escola de Cinema», da qual sairão formados os actores da melhor das suas obras, entre os quais Manoel de Oliveira: Os Lobos (1923), produção da Ibéria Film, que, com nova montagem, será depois aceite pela Gaumont para distribuição internacional (1924).

Sem trabalho em Portugal, Lupo tenta a sua sorte em França, provavelmente no seguimento da remontagem da segunda versão de Os Lobos na Gaumont (segundo semestre de 1923, inicio de 1924?). Sem sucesso em França, Lupo ruma até Madrid, onde reencontra um antigo aluno, António Teixeira Porto, como ele frequentador do café Maison Doré, conhecido pela tertúlia da comunidade cinematográfica madrilena. Parece ter sido graças a Teixeira Porto e a Manuel Fernandes Júnior, outro português frequentador do mesmo café, que Lupo viria a obter os contactos necessários para realizar o filme Carmiña, Flor de Galicia, rodado os exteriores na Galiza no final de 1925 e os interiores no Porto, na Invicta Filme.

Rino Lupo dirigirá ainda em Portugal mais quatro filmes: Carmiña, Flor de Galicia, versão espanhola de Mulheres da Beira (1926), uma obra inacabada, O Diabo em Lisboa (1927) - onde se estreou como actriz em cinema Beatriz Costa -, Fátima Milagrosa (1928) com um pequeno papel de um jovem Manoel de Oliveira - e uma primeira versão do José do Telhado (1929).

Lupo deixa Portugal em 1931, já na época do sonoro. Após uma suposta passagem por Espanha, uma estadia em Paris e Roma, instala-se em Berlim, em 1932. Depois disso, perde-se o seu rasto. Nem a sua mulher, Aida de Oliveira (Aida Lupo, seu nome de casada), que o acompanhou no trabalho desenvolvido na escola do Porto, soube o que lhe aconteceu.

Novas investigações permitem concluir que faleceu misteriosamente por volta do ano de 1934, em parte incerta, sendo que nem um linha foi escrita acerca dele aquando da sua morte.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Enquadramento histórico[editar | editar código-fonte]

Enquadrar o agente humano na paisagem, situá-lo no seu espaço próprio, confere-lhe verdade. Mostra-o na sua condição universal: ligado à terra, preso ao local onde mora. Apesar de se servir do cinema como montra, Lupo esforça-se por dar a ver o lado humano da coisa, o Portugal profundo. Com isso abre caminho a uma tradição que perdurará. Tradição que, praticando a antropologia visual sem método, tanto no documentário como na ficção, descobre a etnoficção: um “fraquinho nacional” que tocará Leitão de Barros, desde Maria do Mar, e que marcará muitos dos futuros filmes, tornando-se uma das particularidades do cinema português. O improviso no momento da filmagem, sem prévio guião, dá realismo aos momentos e dá verdade aos actores, sobretudo quando são ao mesmo tempo actores e personagens reais. Rino Lupo, desleixado mas inventivo, pondo de lado a planificação, praticava o espontâneo, tirando um certo partido disso.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]