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Rio Cuiabá

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Rio Cuiabá
Comprimento980 km
NascenteSerra Azul
FozRio Paraguai
Afluentes
principais
Ribeirão Pari
Rio Manso
Rio São Lourenço
Rio Coxipó
País(es) Brasil
País da
bacia hidrográfica
 Brasil  Paraguai
Pescador saudando o rio Cuiabá.

O rio Cuiabá é um curso de água que fica no estado de Mato Grosso, Brasil, e possui grande importância histórica em seu estado,[1] e onde já foi servido como principal fonte de ligação do Mato Grosso para o centro-sul do Brasil. O rio Cuiabá banha inúmeros municípios de Mato Grosso, dentre os quais a capital, à qual cede o topônimo. Um dos principais tributários do rio Paraguai é o Cuiabá, que deságua na sua margem esquerda, em pleno Pantanal de Mato Grosso.[2] Levando águas de chuvas do Planalto para a Planície, o Cuiabá é formado pelo encontro dos rios Cuiabá da Larga e Cuiabá do Bonito, que tem suas nascentes a cerca de 500m de altitude, nos vales da Serra Azul, no município de Rosário Oeste. [3]

História da ocupação das margens

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Na história da consolidação do território mato-grossense, o rio Cuiabá sempre foi protagonista. De fonte de sustento dos indígenas Paiaguás a principal destino do esgoto de uma cidade com 800 mil habitantes, o rio conta com três séculos de invasão, conquista, vida e morte. Segundo o historiador Lenine de Campos Póvoas, autor de História Geral de Mato Grosso, toda a conformação territorial do oeste brasileiro está ligada aos rios. Dois séculos antes da chegada das bandeirantes a Mato Grosso, já havia espanhóis explorando a região, em busca de rotas mais seguras rumo ao território peruano, e o caminho que eles utilizavam era o fluvial.

O rio Cuiabá foi essencial para a ocupação de Mato Grosso, atuando como a principal rota fluvial para bandeirantes que buscavam ouro e escravizados. O primeiro relato sobre a região veio de Antônio Pires de Campos em 1718, embora a ocupação tenha se intensificado com descobertas de ouro posteriores. Em 1722, Miguel Sutil encontrou grandes jazidas de ouro nas margens do rio, consolidando o povoamento definitivo e a fundação de núcleos urbanos na área. Como espinha dorsal da região, o rio viabilizou o comércio de mantimentos e a agricultura fértil, garantindo a sobrevivência física e econômica dos colonos. Sem esse recurso hídrico, a tentativa de povoar o oeste teria resultado em desastre, sendo o rio o fator determinante para a unidade territorial brasileira.

A Questão do Trabalho no Século XIX

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A região pantaneira do Rio Cuiabá abaixo transformou-se, após a abertura da navegação platina, em sede de grandes usinas açucareiras, pois muitos dos antigos proprietários de engenhos importaram maquinaria européia. Os estabelecimentos açucareiros, montados industrialmente, não eram de grande porte, mas contavam com equipamentos importados especialmente da Inglaterra e eram movidos à vapor. A produção destas fábricas abastecia apenas o estado de Mato Grosso, não tendo sido registrada exportação para outros estados ou estrangeiro. [4]

Ademais, considerando que a implementação de usinas no Rio Cuiabá abaixo veio a se concretizar no final do século XIX, período em que a abolição da escravatura já era uma realidade no Brasil, a mão-de-obra era africana inicialmente, e mais tarde pôde contar com a maior colaboração de um grande número de trabalhadores livres pobres. Nesse sentido, os trabalhadores das usinas de Mato Grosso, em sua maioria, ainda continuaram a receber um tratamento escravista. As fugas eram constantes, e a perseguição também. Quando capturado, o trabalhador voltava à usina, tendo sofrido perdas financeiras e submetido à castigos similiares aos da escravatura. Os trabalhadores das usinas mantinham um ritmo intenso de jornada trabalhada, especialmente por ocasiões da safra. [4]

O Rio Cuiabá como Espaço de Cultura e Tradição

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Festividades como a de São Gonçalo, as lavações de São João, as festas de São Pedro, padroeiro dos pescadores, a honra ao São Benedito e ao Senhor Divino, bem como as tradicionais danças de Siriri, não são simples tradições aos cuiabanos, são vivências. Comer peixe, os mais nobres em sua maioria, como Pacu assado, a mojica feita do Pintado com a mandioca, a Pacupeva cozida e acompanhada do arroz sem sal, o Bagre ensopado, e a Piraputanga recheada com farofa de banana-da-terra não são apenas pratos típicos da cultura cuiabana, são pratos do dia a dia, vindo das famílias ribeirinhas. Cultuar Santos como Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, São João, São Gonçalo e Senhor Divino, festejá-los, lavá-los nas águas do Rio Cuiabá, ou, até mesmo em suas fontes, chafarizes e bicas não são folclores, mas costumes que marcam relações profundas dos córregos e das águas com os moradores locais, num encontro de vida com as águas doces potáveis sagradas e profanas. [5]

Etimologia

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Ver também: Topônimos de origem tupi no Brasil Dentre as várias versões existentes para a origem do nome "Cuiabá", estão:

  • Pode ter origem na palavra bororo para "lugar da ikuia": ikuia (flecha para pescar) + (lugar); já que os bororos costumavam caçar e pescar com essa flecha na região.[6][7]
  • Pode ter origem no guarani para "rio da lontra brilhante": cuyaverá / cuiavá / cuiabá.[7]
  • Pode ter origem na união das palavras cuia (vasilha) e abá (criador), pois existem muitas árvores produtoras de cuia na beira do rio Cuiabá.[7]
  • Pode ter origem na palavra tupi kuîaba, utilizada para uma variedade específica de cuia.[carece de fontes]?
  • Pode ter origem nos índios bororos, que também eram chamados de "cuiabá".[7]

Ver também

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Referências

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  1. «O eterno protagonista da História». Diário de Cuiabá. Consultado em 10 de Setembro de 2015. Cópia arquivada em 2 de setembro de 2019
  2. Ferreira, João Carlos Vicente (1 de abril de 2022). Hilton Campos, História Vivida, História Contada: Narrativa da criação e ocupação da cidade de Juína, no seio da Amazônia mato-grossense, descrita por parte de seus protagonistas. Cuiabá-MT, MT: Editora Memoria Brasileira. ISBN 978-65-994181-5-0
  3. Ferreira, João Carlos Vicente (1 de abril de 2022). Hilton Campos, História Vivida, História Contada: Narrativa da criação e ocupação da cidade de Juína, no seio da Amazônia mato-grossense, descrita por parte de seus protagonistas. Cuiabá-MT, MT: Editora Memoria Brasileira. ISBN 978-65-994181-5-0
  4. 1 2 SIQUEIRA, Elizabeth Madureira (1997). A ocupação pioneira da região do Rio Cuiabá abaixo. Cuiabá: Safra Fértil. p. 67. 106 páginas
  5. Barreto, Neila Maria Souza (19 de agosto de 2022). Água de beber: Abastecimento e uso no espaço urbano de Cuiabá (1790-1886). Cuiabá, MT: Entrelinhas Editora. ISBN 978-65-86328-63-9
  6. «Mato Grosso: Cuiabá - histórico» (PDF)
  7. 1 2 3 4 «Bororo - Povos Indígenas no Brasil»

Ligações externas

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