Rio Muriaé

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura outros significados de Muriaé, veja Muriaé (desambiguação).
Rio Muriaé
Comprimento 250 km
Nascente Serra da Mantiqueira
Altitude da nascente 900 m
Caudal médio 118 m³/s
Foz Rio Paraíba do Sul
Área da bacia 8 292 km²
Afluentes
principais
Rio Glória, Rio Carangola, Rio Gavião

O rio Muriaé é um rio que banha os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, no Brasil.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome do rio não é de origem tupi. Há a possibilidade de ser um nome com origem na língua puri, pois corta uma região que era habitada, antes da chegada dos descendentes de europeus, por índios puris.[1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Nasce no município de Miraí, na Zona da Mata Mineira, e deságua no rio Paraíba do Sul na altura do município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Tem, como principais afluentes, os rios Glória e Carangola, sendo o rio Carangola o maior entre os dois. As maiores cidades localizadas às suas margens são Muriaé, em Minas Gerais e Itaperuna, no Rio de Janeiro. Considerando toda a bacia do Rio Muriaé, são três as maiores cidades: Carangola e Muriaé, em Minas Gerais e Itaperuna, no Rio de Janeiro.[2]

Rio Carangola
Vista aérea de Itaperuna

Desmatamento, mineração e desastres ambientais[editar | editar código-fonte]

O processo de desmatamento desencadeado na Zona da Mata para o cultivo do café desde o século XIX foi implacável na bacia do rio Muriaé, afetando inclusive suas cabeceiras.

Em 2006, o vazamento de aproximadamente 400 milhões de litros de lama de argila, misturada com óxido de ferro e sulfato de alumínio - rejeitos do beneficiamento da bauxita - ocorreu em Miraí, chegou ao rio Fubá, que deságua no rio Muriaé, o qual, por sua vez, é um dos afluentes do rio Paraíba do Sul, que, portanto, também foi atingido. A lama chegou às cidades de Miraí, Muriaé, Laje do Muriaé, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira, Campos dos Goytacazes e Paraíba do Sul. Cerca de 100 mil pessoas tiveram o abastecimento de água interrompido. A mancha de lama causou grande mortandade de peixes e inutilizou áreas agricultáveis e de pastagens. A Mineradora Rio Pomba Cataguases (atual Bauminas Mineração), responsabilizada pelo vazamento, que durou 72 horas, foi multada em 75 milhões de reais. [3]

No dia 10 de janeiro de 2007, ocorre mais uma vez o rompimento da barragem de rejeitos da Mineradora Rio Pomba Cataguases, que era, então, terceira maior produtora brasileira de bauxita (principal fonte mundial de alumina, insumo para a produção de alumínio). A barragem da Fazenda São Francisco encontrava-se no seu limite. Com as fortes chuvas que caíram em janeiro de 2007, sobre a região, cerca de 2 milhões de de lama, contendo água e argila, vazaram.A grande quantidade de lama lançada no rio Fubá chegou novamente aos rios Muriaé e Paraíba do Sul, atingindo as cidades de Miraí, Muriaé e Patrocínio do Muriaé, em Minas Gerais, e Laje do Muriaé, Itaperuna, São José de Ubá, Italva e Cardoso Moreira, no estado do Rio de Janeiro. Vários afluentes do rio Muriaé transbordaram, na maior cheia desde 1979. Além do colapso no abastecimento d'água, o acidente teve outros efeitos imediatos: a deposição de argila no leito dos rios intensificou o processo de assoreamento dos cursos d´água, favorecendo a ocorrência de inundações no futuro. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado pelos Ministérios Públicos Federal e dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, a Mineradora Rio Pomba Cataguases e os órgãos ambientais mineiros. Ficou acordado que seriam adotadas medidas emergenciais para minimizar os danos e os riscos à população e ao meio ambiente decorrentes do rompimento da barragem. Um dos compromissos assumidos foi o encerramento da exploração de bauxita na área da Fazenda São Francisco dentro de 180 dias. Em junho de 2007, o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) suspendeu o embargo à Rio Pomba Cataguases e deu o seu aval para a construção de uma nova barragem, usada para extrair e lavar bauxita, no mesmo curso d'água da represa que havia rompido naquele ano. A população ficou indignada com a decisão, principalmente porque ainda recebera qualquer indenização pelo acidente. A mineradora recorreu da multa, a maior já estipulada pelo governo de Minas Gerais na área ambiental. Até março de 2011, a multa ainda não havia sido paga.[4]

Grandes inundações[editar | editar código-fonte]

2008[editar | editar código-fonte]

No dia 17 de dezembro de 2008, o Rio Muriaé voltou a encher e, desta vez, muitíssimo além dos limites de sua calha, ocasionando a pior inundação da história de Muriaé, segundo muitos moradores. Foi pior do que a de 10 de janeiro de 2007, quando 2 bilhões de litros de lama, proveniente de rejeitos de bauxita, vazaram da barragem São Francisco, no município de Miraí, pertencente a empresa de mineração Rio Pomba Cataguases (atual Bauminas Mineração).[5] [6]A inundação de 2008 foi comparável às de 1925 e 1945 - as piores já registradas.

O motivo da enchente foi um altíssimo volume pluviométrico decorrente de chuvas ininterruptas, durante uma semana, nas cabeceiras do Rio Muriaé e seus afluentes. Esse descomunal volume de água atingiu também a cidade de Patrocínio do Muriaé e atravessou os limites do estado de Minas Gerais,chegando ao estado do Rio de Janeiro, e causando destruição em várias cidades, como Laje do Muriaé, Itaperuna, Italva e Cardoso Moreira.

2011-2012[editar | editar código-fonte]

Já no final de 2011, houve vários dias de chuvas, na cidade de Muriaé e região. Com isso, o rio, que já se encontrava assoreado, aumentou rapidamente seu nível. Em 23 de dezembro de 2011, o rio transbordou atingindo principalmente, as ruas ribeirinhas da cidade, nos bairros de José Cirilo, Napoleão e Barra. O nível das águas permaneceu oscilante e afinal houve recuo. Mas o calor exacerbado e a alta umidade do ar resultaram em mais chuvas fortes. Na noite de 1º de janeiro de 2012, a cidade recebeu uma quantidade de chuva jamais registrada, desde que a estação automática do INMET foi instalada. Em consequência, no dia 2 de janeiro, a inundação ocorreu com velocidade incomum.[7] Em cerca de 4 horas, a água do rio invadiu a rodoviária e a garagem da prefeitura, avançando cerca de 300 m e atingindo locais que nunca haviam sido inundados. A cidade parou por dois dias. Foi a última e mais poderosa enchente, desde 1979, quando grandes aterros foram feitos nas margens do rio, para permitir a expansão urbana. O agravante é que, desde o rompimento da barragem São Francisco, em 2007, um grande depósito de lama e rejeitos de mineração permaneceu no fundo do leito. Outras cidades banhadas pelo rio também foram afetadas, principalmente Laje do Muriaé, no estado do Rio de Janeiro. Em Itaperuna, a enchente não causou tão grandes danos, pois a calha do rio, no trecho que atravessa a cidade, é maior. Na BR 356, nas proximidades da cidade de Campos dos Goytacazes, a estrada funcionou temporariamente como dique para as águas o rio, mas o volume foi tão grande que a pista cedeu, e grande quantidade de água foi liberada para regiões de cultivo e distritos próximos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 589.
  2. Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul
  3. Agência Nacional de Águas - ANA. Superintendência de Usos Múltiplos e Eventos Críticos – SUM; Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos – SPR. Engecorps. Elaboração de estudos para concepção de um sistema de previsão de eventos críticos na bacia do Rio Paraíba do Sul e de um sistema de intervenções estruturais para mitigação dos efeitos de cheias nas bacias dos rios Muriaé e Pomba e investigações de campo correlatas. R 02 - Coleta de dados Brasília: ANA, 2010; p. 95.
  4. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. CETEM - Centro de Tecnologia Mineral. Rompimento de barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases afeta qualidade da água em MG e no RJ. 18 de julho de 2012.
  5. Zona da Mata ainda se recupera de rompimento de barragem há 9 anos. G1, 7/11/2015
  6. Dano de 2007 não foi pago Por Angélica Diniz. O Tempo, 24 de novembro de 2015
  7. MEDEIROS, V.S.Análise estatística de eventos críticos de precipitação relacionados a desastres naturais em diferentes regiões do Brasil. Escola Politécnica da USP, 2013; pp 2-3
Ícone de esboço Este artigo sobre Hidrografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.