Riodinidae

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Ancyluris é um dos gêneros neotropicais mais conhecidos da família Riodinidae. A denominação inglesa Metalmarks, "marcas metálicas", provém de marcações em suas asas[1] e nas asas de outros gêneros da mesma família.[2]

Ancyluris é um dos gêneros neotropicais mais conhecidos da família Riodinidae. A denominação inglesa Metalmarks, "marcas metálicas", provém de marcações em suas asas[1] e nas asas de outros gêneros da mesma família.[2]
A borboleta Hamearis lucina é o único Riodinidae na Europa. É conhecida como Duke of Burgundy, em inglês.[3]
A borboleta Hamearis lucina é o único Riodinidae na Europa. É conhecida como Duke of Burgundy, em inglês.[3]
Classificação científica
Reino: Animal
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Lepidoptera
Superfamília: Papilionoidea
Família: Riodinidae
Grote, 1895[4]
Tribos
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Borboletas neotropicais do gênero Helicopis apresentam múltiplas caudas. Nesta espécie, Helicopis gnidus, vista por baixo, a mancha alar posterior, juntamente com as caudas, possui a semelhança com uma aranha, o que lhes fez ser denominadas Spider-wing Cupid, em inglês.[5]

Riodinidae (ex família Nemeobidae; denominadas popularmente, em inglês, como Metalmarks ou Judies)[2][6][7] é uma família de insetos da ordem Lepidoptera, classificada por Augustus Radcliffe Grote no ano de 1895[4] e quase exclusivamente restrita à região neotropical das Américas[2][6] (até a Patagonia)[8], com alguma representação na América do Norte[9], Ásia tropical (região indo-malaia) e na Nova Guiné, Austrália (gêneros Dicallaneura, Praetaxila), África (gêneros Abisara, Saribia - este último em Madagáscar)[4]; e com uma espécie, Hamearis lucina, europeia.[3] São mais de mil espécies catalogadas de borboletas, chegando a quase duas mil espécies.[2][6]

Características principais de borboletas Riodinidae[editar | editar código-fonte]

Esta família possui espécies muito variáveis em padrões de coloração e de formato de asas[2][10], com algumas lembrando borboletas e mariposas pertencentes a outros grupos da ordem Lepidoptera.[11] Suas envergaduras variam de 2 a 6.5 centímetros e seus padrões de coloração podem ser discretos, como é o caso da monotípica Styx infernalis[12][13], até padrões de coloração absolutamente metálica[2][14] ou com reflexos iridescentes.[2][15] Em poucos gêneros, como Chorinea e Ithomiola, as asas podem ser translúcidas.[2][6][16][17] Outros, como Cartea[18] e Stalachtis, apresentam o padrão alar de borboletas aposemáticas da tribo Heliconiini e de outros grupos miméticos sul-americanos.[19][20] Há ainda os gêneros com ocelos em suas asas dianteiras, como Eurybia[21], Mesosemia, Semomesia[2], Perophthalma[22], Mesophthalma[23] e Teratophthalma[24], podendo apresentar padrões de linhas[23] e reflexos metálicos em suas asas.[2][6][25] Por fim, existem as espécies apenas com padrões de linhas[26], faixas[27] e pontuações[28] sobre as asas, sem ocelos. Algumas podem apresentar caudas curtas (Euselasia thucydides, e espécies dos gêneros Dodona e Ancyluris), retas e longas (gêneros Rhetus, Chorinea e Barbicornis) ou longas, múltiplas e retorcidas (gêneros Helicopis e Syrmatia).[2][6][29]

Difração[editar | editar código-fonte]

Assim como ocorre com o gênero Pierella, da família Nymphalidae, alguns Riodinidae apresentam o curioso fenômeno óptico conhecido como difração de cor na superfície de suas asas. Graças à microestrutura de suas escamas alares, estas borboletas difratam a luz, mudando de coloração quando vistas em diferentes ângulos. Isto é particularmente visível em espécies de Eurybia[21] e de Ancyluris.[1]

Dimorfismo sexual[editar | editar código-fonte]

O dimorfismo sexual ocorre nesta família em alguns gêneros como Euselasia[31], Rhetus[32] e Semomesia.[2] Também, nesta família, os machos possuem as patas dianteiras reduzidas, não sendo usadas para caminhar, enquanto suas fêmeas as têm para a caminhada.[9]

Ovo, lagarta e crisálida[editar | editar código-fonte]

O formato dos ovos, em espécies de Riodinidae, varia bastante[9], sendo geralmente hemisféricos e com depressões regulares.[2] Suas lagartas são tipicamente em forma de lesma[9][33] e geralmente de cor verde ou esbranquiçada, com finas cerdas e, algumas, com protuberâncias coloridas sobre o corpo[2]; estando envolvidas em uma miríade de comportamentos alimentícios (comendo detritos, folhas, néctar e na predação de insetos menores). Elas também podem formar relacionamentos simbióticos com formigas (mirmecofilia[34]; assim como em Lycaenidae)[35], explorando e estabelecendo interações entre formigas e plantas com nectários extraflorais.[34] As crisálidas apresentam grande variedade de formas; com algumas suspensas livremente pela cauda, enquanto outras são fechadas com seda na superfície das folhas, à semelhança de espécies de Lycaenidae.[2] Em regiões de clima temperado as lagartas e crisálidas aguardam a passagem do inverno para se desenvolver.[9]

Habitat, hábitos e alimentação do adulto[editar | editar código-fonte]

Riodinidae geralmente habitam áreas sombrias de floresta tropical e subtropical úmida e o seu principal centro de espécies se localiza em florestas pluviais na região da bacia do rio Amazonas, América do Sul.[6] Os adultos costumam pousar com as asas abertas ou inclinadas ligeiramente para cima.[9] Espécies do gênero Symmachia pousam de maneira excêntrica, com suas asas dianteiras sobre as de trás, à semelhança de uma mariposa, ou traça.[36][37] Geralmente pousam embaixo de uma folha[6][9], com suas antenas encaminhadas para a frente[6][38] e os olhos espiando na margem da folha, observando atentamente. Por vezes voam abertamente de flor em flor, buscando néctar e espalhando suas asas ao sol.[6][8] Também são avistadas sugando substâncias animais ou vegetais que possam se depositar sobre as folhas[39][40] ou, mais raramente, em outros locais, como excrementos e no solo úmido.[41]

Erycinidae[editar | editar código-fonte]

Além de Nemeobidae, outra antiga denominação dos Riodinidae era Erycinidae.[7] Embora Erycinidae Swainson 1827 pareça ser um nome para Riodinidae Grote 1895, o tipo genérico Erycina Fabricius 1807 é um sinônimo júnior de Erycina Lamarck 1805 (um gênero de moluscos bivalves). Um nome de grupo familiar não pode ser baseado em um nome genérico que seja um sinônimo júnior, então a família Erycinidae, de acordo com Swainson, é inválida. Uma comissão de classificação científica, em 1977 ("opinião 1073" do ICZN), decidiu que o nome deste táxon deveria ser Riodinidae Grote 1895, com base no nome genérico Riodina, que foi selecionado por Westwood em 1851.[42]

Classificação de Riodinidae: subfamílias, tribos e subtribos (2018)[editar | editar código-fonte]

De acordo com N. Seraphim; L. Kaminski; P.J. Devries; C. Penz; C. Callaghan; N. Wahlberg; K.L. Silva-Brandão; A.V.L. Freitas.[34]

  • Subfamília Nemeobiinae
  • Subfamília Riodininae (Novo Mundo)
    • Tribo Eurybiini Reuter 1896[42]
      • Subtribo Eurybiina
      • Subtribo Mesosemiina
    • Tribo Nymphidiini Bates 1859[42]
      • Subtribo Zabuellina
      • Subtribo Stalachtina
      • Subtribo Pachythonina
      • Subtribo Theopina
      • Subtribo Nymphidiina
      • Subtribo Pandemina
      • Subtribo Lemoniadina
    • Tribo Calydnini Seraphim, Freitas & Kaminski 2018
    • Tribo Symmachiini Bates 1859[42]
    • Tribo Helicopini Stichel 1928[42]
    • Tribo Emesidini Seraphim, Freitas & Kaminski 2018
    • Tribo Sertaniini Seraphim, Freitas & Kaminski 2018
    • Tribo Dianesiini Seraphim, Freitas & Kaminski 2018
    • Tribo Riodinini Grote 1895[42]

Referências

  1. a b Neild, Andrew (19 de outubro de 2016). «Ancyluris aulestes P1040756» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o SMART, Paul (1975). The Illustrated Encyclopaedia of the Butterfly World, In Colour. Over 2.000 species reproduced life size (em inglês). London: Salamander Books Ltd. p. 176-179. 274 páginas. ISBN 0-86101-101-5 
  3. a b Eeles, Peter. «Family: Riodinidae» (em inglês). UK Butterflies. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  4. a b c Savela, Markku. «Riodinidae» (em inglês). Lepidoptera and some other life forms. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  5. Hoffmann, Mauro Roberto (13 de dezembro de 2014). «Com tatuagem: Helicopis gnidus - Spider-wing Cupid». Biofaces. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  6. a b c d e f g h i j D'ABRERA, Bernard (1984). Butterflies of South America (em inglês). Australia: Hill House. p. 239-254. 255 páginas. ISBN 0-9593639-2-0 
  7. a b GOODDEN, Robert (1977). O Mundo Maravilhoso das Borboletas e Mariposas 1ª ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A - indústria e comércio. p. 64. 96 páginas 
  8. a b Schmierer, Alan (7 de setembro de 2012). «METALMARK, ARES (Emesis ares) (9-7-12) harshaw road, patagonia mts, scc, az (3)» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  9. a b c d e f g «Family Riodinidae (Metalmarks)» (em inglês). Butterflies and Moths of North America. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  10. Hoskins, Adrian. «Butterflies of the Amazon & Andes: Riodinidae» (em inglês). Learn about butterflies. 1 páginas. Consultado em 3 de fevereiro de 2018. 
  11. a b «Mimetismo entre borboletas Riodinidae e mariposas Notodontidae Geometridae e Arctiidae». Net Nature. 23 de outubro de 2014. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  12. Kertell, Ken (2 de junho de 2016). «Styx infernalis PERU Pasco Department, Bosque De Sho'llet Road (Oxapampa to Villa Rica Road), km 12, 2250m, 2-VI-2016_8466KKertell» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  13. Brower, Andrew V. Z. (2013). «Stygini Ehrlich 1958» (em inglês). Tree of Life Web Project. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  14. Cary, Steven (20 de outubro de 2015). «Black-patched Bluemark Lasaia agesilas by Steven Cary DSC09739» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  15. Constantino, Luis Miguel; Salazar-E, Julián A; García, Gabriel Rodríguez (dezembro de 2012). «Review of the genus Ancyluris Hubner, 1819 from Colombia and description of new taxa (Lepidoptera: Riodinidae)» (em inglês). ResearchGate. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  16. Vallender, John (10 de novembro de 2016). «Chorinea sylphina» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  17. Geale, David (11 de outubro de 2012). «Ithomiola floralis cascella - CO - Sendero Hyka Quye, Santa Maria, Boyaca - 1100 - 20121011 - D1» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  18. Almeida, Almir Cândido de (11 de novembro de 2011). «Borboleta na floresta Amazônica - Cartea vitula - Riodinidae». Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  19. Magaldi, Luiza de Moraes (2015). «Filogenia Molecular e a Delimitação Taxonômica das Espécies do Gênero Stalachtis Hübner, 1818» (PDF). UNICAMP. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  20. Vallender, John (29 de outubro de 2014). «Stalachtis calliope» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  21. a b Perk's images (5 de março de 2011). «Male Blue-winged Eurybia - Eurybia lycisca (Riodinidae, Riodininae, Eurybiini) 111p-3344» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  22. Geale, David (20 de novembro de 2016). «Perophthalma tullius - PE - Villa Carmen, Manu Road, Cusco - 550 - 20161120 - V1» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  23. a b LPJC (3 de fevereiro de 2015). «Mesophthalma idotea - female» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  24. Geale, David (8 de novembro de 2016). «Teratophthalma axilla axilla - PE - San Pedro, Manu Road, Cusco - 1350 - 20161108 - D1» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  25. Glassberg, Jeffrey (9 de novembro de 2012). «Mesosemia loruhama, Sky-blue Eyemark, 2012 Nov 9, San Jose, Rio Llandia, Napo, Ecuador, JGlassberg (98)» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  26. Bozacı, Vildan (29 de outubro de 2014). «Lyropteryx apollonia; 29.10.2014/Tena-Ecuador-IMG_1789» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  27. Kertell, Ken (28 de maio de 2016). «Panara phereclus PERU Pasco Region, Parque Nacional Yanachaga-Chemillen, Ranger Station, 1100m, 28-V-2016_7154KKertell» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  28. a b Vallender, John (9 de outubro de 2017). «Calydna caieta» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
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  30. Takenouchi, Hiro (20 de dezembro de 2015). «Stalachtis phaedusa» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  31. CANTARELLI, Edilson Bisognin; COSTA, Ervandil Corrêa (2016). Entomologia Florestal Aplicada. Rio Grande do Sul, Brasil: UFSM - Google Books. 256 páginas. ISBN 978-85-739-1222-7. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
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  33. Lep Web (30 de dezembro de 1899). «(Mesosemia odice (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  34. a b c Seraphim, Noemy; Kaminski, Lucas A.; Devries, Philip J.; Penz, Carla; Callaghan, Curtis; Wahlberg, Niklas; Silva-Brandão, Karina L.; Freitas, André V. L. (2018). «Molecular phylogeny and higher systematics of the metalmark butterflies (Lepidoptera: Riodinidae)» (em inglês). Systematic Entomology (Wiley Online Library). 1 páginas. Consultado em 8 de fevereiro de 2018. 
  35. GOODDEN, Robert (Op. cit., p.12-13.).
  36. Neild, Andrew (22 de outubro de 2015). «Symmachia rubina separata P1410807» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  37. PALO JR., Haroldo (2017). Butterflies of Brazil / Borboletas do Brasil, volume 1. Papilionidae, Pieridae, Lycaenidae, Riodinidae 1ª ed. São Carlos, Brasil: Vento Verde. p. 593-595. 768 páginas. ISBN 978-85-64060-09-8 
  38. Camerar (4 de outubro de 2017). «Hyphilaria parthenis» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
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  41. McCully, Betsy. «Iguazu Falls butterflies» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
  42. a b c d e f g h Brower, Andrew V. Z. (1 de janeiro de 2008). «Riodinidae Grote 1895» (em inglês). Tree of Life Web Project. 1 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2018. 
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