Hunsriqueano riograndense

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Hunsriqueano riograndense
Falado em: Rio Grande do Sul
Região: América do Sul
Total de falantes: não há números exatos
Família: Indo-europeia
 Germânico
  Ocidental
   Alto alemão
    Médio alemão
     Hunsriqueano
      Hunsriqueano riograndense
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---

O  hunsriqueano riograndense (em alemão: Riograndenser Hunsrückisch) é um dialeto germânico falado no Brasil, derivado do hunsriqueano, presente no estado do Rio Grande do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

Na Alemanha[editar | editar código-fonte]

O hunsriqueano faz parte dos dialetos francônios falados no sudoeste da Alemanha.

O hunsriqueano tem origem nos dialetos francônio-renano e francônio-moselano falados na região do Hunsrück, às margens dos rios Reno e Mosela, no oeste da Alemanha. A Alemanha, enquanto Estado-nacional, apenas se unificou em 1871, portanto o alemão-padrão hoje existente era, até o século XIX, uma língua literária, criada por Martinho Lutero na sua famosa tradução da Bíblia. O povo alemão, no seu dia a dia, não usava o alemão-padrão para se comunicar, mas diversos dialetos regionais.[1]

Até por volta de 1800, o alemão-padrão foi principalmente uma língua escrita na Alemanha. O alemão-padrão era, muitas vezes, aprendido como língua estrangeira e tinha pronúncia incerta. Com o processo de unificação do país e com a alfabetização em massa da população, o alemão-padrão passou a ser a língua usada para os falantes de diferentes dialetos se entenderem, embora os dialetos regionais tenham-se mantido como língua do lar.[2]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Com a imigração alemã no Brasil, no decorrer dos últimos dois séculos, os dialetos alemães também vieram a se estabelecer como uma língua regional. Porém, algo curioso aconteceu: enquanto na Alemanha o alemão-padrão serviu para os falantes de diferentes dialetos poderem se comunicar, no Brasil, devido à ainda incipiente consolidação do alemão-padrão aquando do início da imigração, esse papel foi desempenhado por um dialeto, o hunsriqueano.[3] Existem duas hipóteses para esse fenômeno. A primeira porque a maioria dos imigrantes teriam vindo do Hunsrück, portanto seu dialeto predominou. A segunda porque o hunsriqueano apresenta traços intermediários entre os diferentes dialetos alemães, portanto serviu como um coiné entre falantes de vários dialetos. O que se sabe é que os imigrantes alemães no Brasil eram provenientes de diversas partes da Alemanha, portanto, os brasileiros falantes de hunsriqueano não necessariamente descendem de pessoas oriundas do Hunsrück.[3]

Mapa mostrando as colonias alemãs do Sul do Brasil.
Mapa mostrando a dispersão das colônias alemãs no Sul do Brasil, em 1905.

Nessas comunidades alemãs, o dialeto hunsriqueano manteve-se, durante várias décadas, como a língua principal de comunicação. As colônias alemãs no Sul formaram-se, normalmente, em regiões de floresta despovoadas ou habitadas por índios, que foram expulsos para a chegada dos imigrantes. Devido a esse isolamento, os alemães conseguiram criar uma "ilha linguística", na qual o alemão era a língua principal, e não o português.[4] No início do século XX, havia centenas de milhares de teuto-brasileiros de segunda e de terceira geração que mal conseguiam falar o português. Essa diferenciação favorecia o sentimento de grupo minoritário, que se aliava à formação de instituições étnicas sólidas, como escolas, igrejas, associações sociais e uma imprensa em língua alemã. Todos esses elementos combinados promoviam um sentimento geral de "superioridade cultural".[5]

Em 1930, havia 2.500 escolas étnicas no Brasil. Dessas, 1.579 eram de imigrantes alemães. [6] Nessas escolas, as crianças aprendiam o alemão-padrão difundido na Alemanha. Esse isolamento linguístico e cultural foi combatido de forma agressiva pelo governo nacionalista de Getúlio Vargas, por meio da campanha de nacionalização. Todas as escolas alemãs no país foram fechadas, aniquilando o meio-escolar teuto-brasileiro. O alemão-padrão aprendido na escola foi, assim, eliminado, enfraquecendo muito o uso do alemão nos centros urbanos, o qual passou a ficar limitado à zona rural. Pessoas eram hostilizadas e agredidas caso falassem alemão na rua. A polícia fiscalizava a vida privada das pessoas, invadindo as casas para queimar livros escritos em alemão. Muitas pessoas foram presas pelo simples fato de falarem alemão. Em 1942, 1,5% dos habitantes de Blumenau foram encarcerados por falar alemão.[7] [8] [9] O fechamento das escolas fez com que as pessoas se apegassem cada vez mais ao dialeto alemão usado no dia a dia, distante do alemão-padrão.[4]

Fonologia[editar | editar código-fonte]

O hunsriqueano riograndense é um dialeto que está em contato com o português brasileiro ocorrendo um fenômeno chamado de diglossia, o que faz com que este dialeto tenha influências do português e vice-versa.

Segue abaixo uma tabela com os fonemas das consoantes do dialeto. Os fonemas apresentados entre parêntesis não são nativos, mas oriundos de empréstimos linguísticos.[10] [11]

Labial Dental/
Alveolar
Pós-alveolar Palatal Velar Glotal
Nasal m n (ɲ~) ŋ
Oclusiva p t k
Africada (p͡f) t͡s t͡ʃ
Fricativa f v s ʃ ç x h
Aproximante l j (ʎ~)
Rótica r~ɾ

Quanto ao sistema vocálico do hunsriqueano riograndense, assim como em outras línguas germânicas, existe distinção entre vogais tensas e lassas, mas não possui as vogais anteriores arredondadas do alemão padrão //, /ʏ/, /øː/ e /œ/. Segue abaixo uma tabela com os fonemas vocálicos.[12] [11]

Fonemas monotongos do hunsriqueano riograndense
Anterior Central Posterior
Curta Longa Curta Longa Curta Longa
Fechada i u
Semifechada e o
Média ə
Semiaberta ɛ ɛː ɔ ɔː
Aberta a ()

Os ditongos fonêmicos do dialeto são /aɪ̯, ɔɪ̯, oɪ̯, uɪ̯, aʊ̯/.[13] [11]

Estudos linguísticos[editar | editar código-fonte]

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Em vista das diferenças entre o dialeto falado na Europa e o que é praticado no sul do Brasil, em 1996, Cléo Altenhofen cunhou o termo Riograndenser Hunsrückisch para a versão usada no Rio Grande do Sul. Obviamente a forma brasileira do dialeto foi muito influenciada pelas novas fauna, flora e pelo novo idioma nacional no qual foi inserida. Muito embora em menor escala, direta ou indiretamente, o hunsriqueano também foi influenciado por outros idiomas minoritários presentes a seu redor (i.e. italiano, em situações de convivência, mbyá-guaraní através do português, etc…). O fato de o hunsriqueano ter surgido numa região da fronteira da Alemanha com a França, ao se analisar cuidadosamente o seu vocabulário (por exemplo, palavras como pêssego, envelope, retorno), pode-se perceber que o dialeto sofreu influência também da língua francesa.

Não existem estatísticas precisas quanto ao número de pessoas que consideram o hunsriqueano sua língua materna ou que são fluentes ou mesmo que conseguem se comunicar nessa língua em algum grau de fluência, mas as estimativas estão na casa dos milhões. Note-se que a vasta maioria dos falantes do hunsriqueano no Brasil é fluente em português, devido a isso, em muitos casos, o hunsriqueano não costuma ser utilizado fora do lar ou fora de suas comunidades.

Foi declarado patrimônio línguístico do Rio Grande do Sul.[14] [15] É a língua co-oficial do município de Antônio Carlos (em Santa Catarina)[16] , em está atualmente em fase de oficialização em Santa Maria do Herval (no Rio Grande do Sul).[17] [18]

Glossário (mostrando principalmente empréstimos do português)[editar | editar código-fonte]

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Aibi m. (Pomerode)

(indio „aipim“) BOT Maniok.

Aipi m. (Santa Catarina)

(indio „aipim“) BOT Manioka (landwirtschaftlich genutzter Maniok). Ich habe in der Früh das Vieh versorgt und bin gleich in die Roça* capienen*. Mein Mann hat den Mato* gefoiçt*, denn wir wollen viel Aipi pflanzen…: am frühen Morgen habe ich das Vieh versorgt und bin gleich auf unser Land jäten gegangen, mein Mann hat das unterholz weggehackt, denn wir wollen viel Manioka pflanzen…
(Die Pflanze, deren schmackhafte Wurzel die Indios entdeckten und Aipim nannten. Aipi nährt Menschen, Schweine, Kühe, Aipi gibt Sago, Tapioca, Kleister, Mehl, Aipi kann vergoren werden, es ist die Lebensgrundlage des deutschen Kolonisten, so wie es drüben in Afrika die ungeheure Vermehrung der Einheimischen und letztlich ihre Befreiung ermöglichte.)

alles gut? oder alles Gute? interrog. (Süd-Brasilien)

(wortwörtl. Übersetz. aus dem bras. Port. „tudo bem?“) Wie geht's?

Aviong [ɑvjɔŋ] subst. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „avião“) Flugzeug.

Balaie f. (Santa Catarina)

Kleine Balaie: Papierkorb.
(Der Ursprung des Wortes Balaie ist unschlüssig. Es könnte vom port. Wort baleia „Wal“ stammen oder von balde „Eimer“. Das standarddeutsche Wort Papierkorb existiert in den brasilianischen Dialekten nicht. Würde man zu einem Korbflechter gehen und nach einem Papierkorb fragen, würde dieser erstaunt entgegnen, dass diese nicht lange halten würden und das man hier Körbe aus Weidenruten mache. Die Dialekte spiegeln das Leben und ändern sich mit ihr; Wörter der alten Heimat verlieren ihre Bedeutung. Wie soll ein Kind in einem Land, in dem es nichts Derartiges gibt, wissen, was Briefträger oder Straßenbahn heißt?)

Barranke f. (Santa Catarina)

(bras. Port. „barranca“) Abhang. Man hatte keine richtigen Öfen, um aus Maismehl und Carafrüchten Brot zu backen, so machte man eine tiefe Öffnung in die Barranke und oben einen Abzug, und wenn man vorher tüchtig Wald* geschlagen hatte, so schmeckte so ein Brot schon richtig!

Barrankenhucker m. (Santa Catarina)

(bras. Port. „barranca“) Abwertende Bezeichnung für die Eingeborenen Brasiliens. (s. Kabokler, Rappelschwanz, Blauer.)

bass adv. u. adj. (Santa Catarina)

1. adv. Sehr, ungemein. Bass erstaunt, verwundert, befremdet, gekränkt sein. Bass erschrecken; sich bass wundern, freuen. Der bass erstaunte Zeuge. 2. adj. [selten] Stark, groß. In basse Verwunderung aber fielen die Leute[...]. 3. adv. Besser. Er tat sich bass hervor.

Bast subst. (Pomerode)

(bras. Port. „pasto“) Weide.

Bischo subst. (Santa Catarina)

(bras. Port. „bicho“) Jedwedes Tier; Viech(er).
(Im brasilianischen Portugiesisch bezeichnet das Wort bicho [biʃo] so ziemlich jedes Tier, vom Sandfloh über Schlange zum Bandwurm.)

Bischopulver s. (Santa Catarina)

(bras. Port. „bicho“) Insektenpulver.

Blauer m. (Santa Catarina)

Abwertende Bezeichnung für einen ganz dunkelhäutigen afrikanischstämmigen Brasilianer. (s. Kabokler, Barrankenhucker, Rappelschwanz.)

botschen v. (Santa Catarina)

(ital. „boccia“) Boccia spielen. Wir gehen botschen.
(Boccia [bɔtʃa] „Kugel“ ist ein ital. Rasenspiel, bei dem eine Kugel mit anderen Kugeln getroffen werden muss. Dieses Spiel ist auch in Deutschland bekannt und manchenorts wird das Wort synonym zum französischem Boules verwendet.)

brigen [briʒən] v. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. brigar „streiten, kämpfen“) Kämpfen, balgen, raufen; kabbeln. Die Gurien* brigen in dem Potrier*.

Buger subst. (Santa Catarina)

(bras. Port. „bugre“) Indianer. Bugerstraße

Cachaça [kaʃaßa] subst. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Zuckerrohrschnaps. Nach dem Botschen* gehen wir in die Wende*, trinken Cachaça und essen einen Churrasco*, und wenn gerade Domingueira* ist, tanzen wir.

Canecachen subst. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „caneca“ und des dt. Dimin. –chen.) Kleiner Bierkrug; Gläschen Bier vom Fass; Bierchen vom Fass.

capienen [kapi:nən] v. (Santa Catarina)

(bras. Port. „capim“) Jäten. Ich habe in der Früh das Vieh versorgt und bin gleich in die Roça* capienen*. Mein Mann hat den Mato* gefoiçt*, denn wir wollen viel Aipi* pflanzen…
(Capim bedeutet in Brasilien „Gras, Unkraut“)

chegen [ʃeʒən] v. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „chegar“) Redew. Es chegt!: es reicht!, das genügt!, das langt aber!

Chimia [ʃimja] s. (Süd-Brasilien)

Brotmarmelade.
(Chimia gebildet aus dem deutschen „schmieren“)

Churrasco [ʃurasko] subst. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Spiessbraten, gegrilltes Fleisch. Nach dem Botschen* gehen wir in die Wende*, trinken Cachaça* und essen einen Churrasco, und wenn gerade Domingueira* ist, tanzen wir.

chuven [ʃuvən] v. (Süd-Brasilien)

(port. chover „regnen“ oder chuva „Regen“) Regnen. Mariechen, mach die janela* zu, es chuvt [Mariazinha, feche a janela, está chovendo]. (s. rehnen.)

Cuca m. (Süd-Brasilien)

Adaption des Streuselkuchens.

das pron. impers. (Batinga)

Es. Das rehnt*: es regnet.

Delecoda Delegado

Domingueira oder Domingeira [domingɛra] subst. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Sonntägliche Tanzveranstalung. Nach dem Botschen* gehen wir in die Wende*, trinken Cachaça* und essen einen Churrasco*, und wenn gerade Domingueira ist, tanzen wir.

Fakong [fakɔŋ] subst. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „facão“) Großes Messer.

Fleischtag m. (Süd-Brasilien)

(donauschwäbisch) veraltet Dienstag, Donnerstag, Sonntag.

Foiça [fɔʏßa] f. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Gewichtige Sichel mit schwerem Holzstiel.

foiçen [fɔʏßən] v. (Santa Catarina)

(bras. Port. „foiça“) Sicheln, (ab-, weg-)hacken. Ich habe in der Früh das Vieh versorgt und bin gleich in die Roça* capienen*. Mein Mann hat den Mato* gefoiçt, denn wir wollen viel Aipi* pflanzen…

Goud oder Goudu subst. (Süd-Brasilien)

(donauschwäbisch) veraltet Pate, Patin.
(In Deutschland noch landsch. Gote, Gode.)

Guri oder Gurie subst. (Süd-Brasilien)

(Kreolwort aus dem Tupi-Guarani) Junge. Die Gurien brigen* in dem Potrier*.

Hefami w. (Süd-Brasilien)

(donauschwäbisch) Hebamme.

Janela [ʒanɛla] w. (Süd-Brasilien)

(Brasilianismus) Fenster(laden). Mariechen, mach die janela zu, es chuvt* [Mariazinha, feche a janela, está chovendo].

Kabokler m. (Santa Catarina)

(bras. Port. „caboclo“) 1. [veraltet] Mischling aus Indios und Europäern. 2. Eingeborener. So ein Rancho*, wo Kabokler wohnen.
(Da die besitzlose Landbevölkerung im Landinnern außer Portugiesen, Spaniern, Polen und Arabern oft Afrikaner unter den Vorfahren zählt, wurde dieses Wort caboclo „Landarbeiter; Mestize“ die Bezeichnung für den Eingeborenen im allgemeinen, wenn ihn der Kolonist nicht lieber „Rappelschwanz“, „Barrankenhucker“ oder, wenn er ein wenig dunkler ist, einen „Blauen“ nennt.)

Kamion [kamjɔŋ] oder Kamiong subst. (Süd-Brasilien)

(port. „caminhão“) Lastwagen.

Kerb w. (Süd-Brasilien)

Rummel.
(Ursprünglich ein Kirchenfest; dem deutschen Gebrauch von Kirmes ähnelnd. Vgl. das deutsche WortKirbe)

Kuje m. (Santa Catarina)

(bras. Port. „cuja“) Kürbis, der in der Form einer Weinflasche wächst. „Eh“, rufe ich, „a-eh, wollen Sie mir einen Gefallen tun? A-eh! Ich will einen Schluck Wasser!“ - und dann warte ich wieder. „Warte nur“, ruft jemand. Eine Alte mit heiserer Stimme. „Der Chico bringt dir Wasser!“ Und tatsächlich! Aus dem Rancho* kommt ein Makake* mit einer Kuje.
(Die trockene, harte Schale dieser Kürbisart gibt Teller für Reis und Bohnen, Becher für Matetee, und der ganze Hausrat rankt im Frühjahr am ersten besten Baum neben dem Haus empor.)

lembrieren

(port. lembrar) erinnern

Lóde/Laade m. (Batinga)

Fenster(laden). Marieche, mach der lóde zu, das* rehnt*.

Luftschiff s. (Süd-Brasilien)

Flugzeug. (s. Aviong.)

Makake oder Miko m. (Santa Catarina)

(port. „macaco“) Affe. Und tatsächlich! Aus dem Rancho* kommt ein Makake mit einer Kuje*.

Mato m. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Gebüsch, Unterholz; Wildnis. Ich habe in der Früh das Vieh versorgt und bin gleich in die Roça* capienen*. Mein Mann hat den Mato gefoiçt*, denn wir wollen viel Aipi* pflanzen… - Da reite ich nach Weihnachten los, in der größten Hitze, weil die Tage am längsten sind, und bin auf halbem Wege. Immer durch den Mato. Ich habe Durst, und - verflucht! - meine Flasche ist leer.
(Mato ist das "Gestrüpp", das so riesige Gebiete bedeckt, dass ein ganzer Bundesstaat Brasiliens Mato Grosso danach benannt wurde.)

Milhe subst. (Süd-Brasilien)

(port. „milho“) Mais.

Milhebrot [mi(l)jɛbrot] oder Michabrot [miçabrot, (selten) mixabrot] subst. (Süd-Brasilien)

(port. „pão de milho“) Maisbrot.

Milhobrot [miljobrot] subst. (Süd-Brasilien)

(port. „pão de milho“) Brot aus Kartoffeln, das dem Maisbrot ähnelt.

mit präp. (Süd-Brasilien)

(bras. port. Konst. Verb + „com“) (Verb +) mit: (Verb +) von, bei. Träumen mit (sonhar com), träumen von. Bleiben mit dir (ficar com você), bleiben bei dir. heiraten mit

namorieren v. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „namorar“) Flirten.

Pale subst. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „bala“) Bonbon.

Phätr subst. (Süd-Brasilien)

(donauschwäbisch) veraltet Cousin, Vetter.

Potrier oder Potreer m. (Süd-Brasilien)

(port. „potreiro“) Stall. Die Gurien* brigen* in dem Potrier.

Rancho [ranʃo] m. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Kleiner Schuppen. Es war vor dreißig Jahren - so wahr ich lebe - damals, als wir hier angefangen haben. Wenn man da eine Kuh kaufen wollte, musste man weit, bis auf das Kampland hinauf. Dort waren die Pinienwälder schon geschlagen, alles war Weideland mit Vieh, oft zweitausend Stück auf einer Fazenda. Zurück musste man das Vieh treiben, Straßen gab es keine, nur Pikaden durch den Wald, Schneisen. In dem einen Stiefelschacht hatte man das Geld, im anderen den Revolver und zur Sicherheit noch einen im Gürtel. Das war kein Spaß, so wahr ich lebe. Da reite ich nach Weihnachten los, in der größten Hitze, weil die Tage am längsten sind, und bin auf halbem Wege. Immer durch den Mato*. Ich habe Durst, und - verflucht! - meine Flasche ist leer. Dort, wo man Glück hat, wenn man alle zwei Stunden eine Hütte sieht! Nun, ich habe Glück, da steht eine. So ein Rancho, wo Kabokler* wohnen. Wissen Sie, was die sagen? „Wenn die Arbeit was Gutes wäre, hätten sie die Reichen für sich vorbehalten.“
(Auf Port. bedeutet rancho „Bauernhof, Besitzung, Gut, Landgut“)

Rappelschwanz m. (Santa Catarina)

s. Kabokler.

rehnen oder rinnen v. (Batinga)

Regnen. Marieche, mach der lóde* zu, das* rehnt.

respondieren

(port. responder) antworten

Roça [rɔßa] oder Rossa f. (Santa Catarina)

(Brasilianismus) Feld; Waldrodung. Ich habe in der Früh das Vieh versorgt und bin gleich in die Roça [= auf unser Land] capienen*. Mein Mann hat den Mato* gefoiçt*, denn wir wollen viel Aipi* pflanzen…

Scharke subst. (Santa Catarina)

(port. „charque“) Trockenes, salziges Dörrfleisch. Ich sage: „Danke, excellenzia, ich danke, verehrter Herr“ und trinke. Man bekommt nicht überall so ein klares, reines Brunnenwasser. Und dann denke ich: Ob nicht die Leute einen Happen zum Essen haben? Vielleicht haben sie auch schwarze Bohnen für gutes Geld. Ich rufe also wieder: „A-eh! Habt ihr was zu essen? Ich zahle!“ Die Alte mit der krächzenden Stimme ruft: „Nein! Ich kann dir nichts geben!“ Ich frage: „Nichts?“ Die Alte: „Ist niemand zu Haus!“ „Donnerwetter“, sage ich, „die Dumme! Fällt ihr keine bessere Ausrede ein?“ Ich rufe: „Ich will zahlen! Kann auch ein Stück Scharke sein!“

Schuhloja [ʃu'lɔʒa] subst. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „loja de sapatos“) Schuhgeschäft, Schuhladen.

sentachen [sɛntaçən] v. (Rio Grande do Sul)

(aus port. „sentar“ und dt. Verkl -chen.) [verniedlichend] Sitzen.
(Im Riograndenser Hundsrückisch hat sich die bras. Eigenheit des häufigen Gebrauchs der Verkleinerungssilben, angereichert mit port. Wendung, wie Liebchen, Schönchen durchgesetzt.)

Sindikat

(port. sindicato) Gewerkschaft, Syndikat

Vergaffen s. (Süd-Brasilien)

(donauschwäbisch) (nach dem Volksglaube, während der Schwangerschaft) Darunter war das Versehen zu verstehen: Kinder bekamen ein bestimmtes Merkmal an ihre Körper, wenn die Mütter Gegenstände, Tiere oder Menschen, die ihnen einen Schrecken einjagten, ansahen. Wenn die Schwangere etwas intensiv wünschte, sich bei dem Denken an diesen Wunsch an einer bestimmten Körperstelle angriff, konnte dieses Gewünschte am Körper des Kindes später sichtbar sein.

vinicieren v. (Süd-Brasilien)

(bras. Port. „respeitar“, adaptado de Vinícius, gíria para Respeito) respektieren.

Wald m. (Santa Catarina)

1. [elliptisch] Stück Wald. 2. Holz; Bäume. Wir haben tüchtig Wald geschlagen.

Wende f. (Santa Catarina)

(bras. Port. „venda“) Geschäft. Nach dem Botschen* gehen wir in die Wende, trinken Cachaça* und essen einen Churrasco*, und wenn gerade Domingueira* ist, tanzen wir.

Referências

  1. How Martin Luther’s translation of the Bible influenced the German language
  2. Jacob Grimm, Geschichte der deutschen Sprache (Leipzig 1848)
  3. a b Martina Meyer (2009). DEITSCH OU DEUTSCH? MACROANÁLISE PLURIDIMENSIONAL DA VARIAÇÃO DO HUNSRÜCKISCH RIO-GRANDENSE EM CONTATO COM O PORTUGUÊS University of Nebraska -Lincoln.
  4. a b "A situação de contato plurilíngue no sul do Brasil" (PDF) (em Portuguese). 2000. Consult. 2015-19-04. 
  5. Frederick C. Luebke (1985). Images of German Immigrants in the United States and Brazil, 1890 - 1918: Some Comparisons University of Nebraska -Lincoln.
  6. http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Poiesis/article/viewFile/527/527
  7. (PDF) (em português). 2003 http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao11/artigo12.pdf.  Parâmetro desconhecido |accesso= ignorado (|acessodata=) (Ajuda); Parâmetro desconhecido |titolo= ignorado (|titulo=) (Ajuda); Falta o |titulo= (Ajuda)
  8. Um processo cultural forçado
  9. Experiência dos campos de concentração na vida dos imigrantes do Paraná
  10. Altenhofen et al. 2007, pp. 81-82
  11. a b c A fonologia do Hunsriqueano Riograndense – Die Fonologie fom Riograndenser Hunsrickisch
  12. Altenhofen et al. 2007, pp. 77-81
  13. Altenhofen et al. 2007, p. 81
  14. LEI 14.061 - DECLARA INTEGRANTE DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL A “LÍNGUA HUNSRIK”, DE ORIGEM GERMÂNICA
  15. LEI Nº 14.061, de 23 de julho de 2012 - Declara integrante do patrimônio histórico e cultural do estado do Rio Grande do Sul a língua hunsrik, de origem germânica
  16. Cooficialização da língua alemã em Antônio Carlos
  17. Uma escrita para a língua Hunsrickisch: qual o melhor caminho?
  18. Dialetos Hunsrik e Talian na ofensiva no Sul

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]