Rito Schröder

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Criador do Rito que depois foi chamado de Rito de Schröder
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Rito Schröder (em alemão: Schrödersche Lehrartder). Este é um ritual maçônico utilizado por várias lojas na Alemanha. Criado por Friedrich Ulrich Ludwig Schröder e submetido aos Mestres de Hamburgo em 29 de junho de 1801, que o adotaram por unanimidade, desde logo, conquistou numerosas Lojas em toda a Alemanha e em outros países, onde passou a ser praticado, principalmente, por maçons de origem alemã e logo recebeu o cognome de seu fundador, rito schröder.[1]

A maçonaria alemã[editar | editar código-fonte]

Diz-se que a Maçonaria apareceu na Alemanha em 1727, com a fundação da Loja "Charles die reunion" ("Carlos a reunião"), no Oriente de Manheim pelo Conde de Schaumburg, Irmão Albrecht Wolfgang. Contudo, a Loja trabalhou a descoberto, não tendo registro de reconhecimento. O nome francês pode ter sido a causa. A Loja número um da Alemanha é a Loja "Absalon Zu Den Drei Nesseln Nº 1" ("Absalon às Três Urtigas") de Hamburgo, fundada em 06 de dezembro de 1737 com o nome de Loge d' Hambourg e assim denominada até 1743. Loja na qual Frederico, o Grande, foi recebido. Esse evento foi um sinal. Em seguida, novas Lojas foram fundadas em todas as cidades maiores da Alemanha dando vigor à Maçonaria Alemã.[2]

O rito da estrita observância[editar | editar código-fonte]

Foi o Barão de von Hundt que, em 1764, estabeleceu firmemente a influência dos Templários dentro da tradição maçônica e divulgou nas Lojas Alemãs as práticas do Capítulo de Clermont, sob o título de "Stricte observance templière" ou "Den strikte observans", também conhecido como "Rituais latinos da observância rigorosa". Essa prática ressuscitara a Antiga Cavalaria que com seus coloridos e sugestivos graus, trouxe com elas todas as adulterações que, de forma crescente, tiveram ingresso aos ensinamentos puros do Antigo Ritual Inglês, desviando a Maçonaria e os maçons do seu simbolismo de origem. Essa época foi denominada como o "grande desvio".[3]

Esses distúrbios levaram, em 1775, a realização de uma Convenção em Wiesbaden e outra, em 1782, em Wilhelmsbad, próximo à Hanau, quando foi fixado como objetivo da Maçonaria alemã, o aperfeiçoamento moral com base na religião cristã; porém simultaneamente também a ainda não completamente apagada preferência pela coletividade de cavaleiros (isto é, nobreza), fundava um novo grau – "Cavaleiros da Beneficência". Neste sistema de Wilhelmsbad ou sistema "Escocês Retificado" mesmo os sóbrios e democráticos Irmãos de Hamburgo não se abstiveram de desfilar como "Muito Excelente Cavaleiro Templário."[4]

Processo de formação do rito[editar | editar código-fonte]

Goethe foi um dos colaboradores de Schröder na criação do Engbundes

Com o estado de declínio do rito da estrita observância templária e a influência do nacionalismo alemão, fez com que Ludwig Schröder inspirar-se em dar um novo ritual à maçonaria Alemã. Que segundo suas concepções e intenções representasse uma maçonaria moderna.[5]

Em 1789, diante da febre de reformas que se apodera da Maçonaria Alemã, quando as Lojas de Hamburgo alteraram as cerimônias, símbolos e insígnias, Ludwig Schröder perseverante, estudioso e incansável, sentiu que este caminho seria a ruína da Instituição e opôs-se tenazmente aos reformistas, com seus propósitos.[5]

Convencido da necessidade urgente de reformular a Maçonaria Alemã, através do restabelecimento da prática da verdadeira e antiga Maçonaria, Ludwig Schröder começou em Hamburgo, no ano de 1790, a elaborar um novo ritual para a Grande Loja Provincial da Baixa-Saxônia, subordinada à Grande Loja de Londres, isto é a Grande Loja dos Modernos como assim diziam os que se intitulavam "Antigos", que não possuía um Ritual escrito em inglês com um texto autêntico.[5]

Johann Gottfried von Herder contribuiu em todo o trabalho da elaboração do rito Schröder

A reação de Ludwig Schröder fez com que os maçons de Hamburgo verificassem que havia necessidade de expurgar todas as excentricidades e vícios que estavam desnaturalizando a Maçonaria. Com isto criaram uma "Comissão de Estudos", confiaram-lhe a presidência da mesma. Um dos principais parceiros de Schröder na criação de seu método de ensino foi o teólogo Johann Gottfried von Herder, em Weimar, durante muitos anos eles trocaram pontos de vista. Isso levou-o a abolir todos os enxertos que já tomava a Maçonaria Alemã.[5]

Ele sentia profundamente que princípios éticos e morais eram a essência da Maçonaria e ele os formulava com grande cuidado e em colaboração com os mais educados maçons do seu tempo.[5]

Christoph Wilhelm Hufeland, foi um dos cooperadores na elaboração do ritual

Isto dá ao seu Ritual um caráter particular próprio, expressando tendências espirituais da Alemanha por volta do século XVIII. A tendência para a Maçonaria Cavalheiresca ou Templária com um forte conteúdo – "Católico e Anglicano", decorrente dos Ritos Sueco, Zinnendorf (...) tinham desaparecidos. Fortaleceu-se a tendência de que moral elevada e princípios éticos deveriam ser as essências características da Arte Real.[5]

Em 29 de junho de 1801, na magnífica sessão em que os Veneráveis Mestres das Lojas de Hamburgo aprovaram por unanimidade o novo Ritual, estava na verdade reunida a Grande Loja Provincial de Hamburgo e da Baixa-Saxônia, no que hoje chamaríamos de Assembléia Geral. Este fato por si só atesta a regularidade e a importância que o novo ritual teve já no seu nascimento oficial. Seu idealizador, Ludwig Schröder, ocupava o cargo de Deputado do Grão-Mestre, que era o maçom ilustre e celebrado Dr. Beckmann, e as Lojas de Hamburgo o adotaram por unanimidade.[5]

O filosofo e escritor Karl Leonhard Reinhold, foi outro integrante da equipe de elaboração do rito

Depois de mais uma revisão de certas passagens, que não tinham concordâncias com a cerimônia, foi impressa uma edição limitada para todas as Lojas de Hamburgo. Desta edição existe somente uma cópia pertencente a uma Loja na cidade de Celle, cujo exemplar felizmente tem sido possível estudar. Por sua simplicidade e beleza, desde logo conquistou numerosas Lojas em toda a Alemanha e em outros países, onde passou a ser praticado, principalmente, por maçons de origens alemãs e logo recebeu o cognome de seu criador - rito Schröder.[5]

Por causa das perseguições nazistas a Grande Loja de Hamburgo foi extinta da Alemanha em 1932. Após o período nazista a maior parte dos seus membros se integraram a Grande Loja dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha.[5]

O Rito Schröder realmente ocupa uma posição de destaque entre os ritos maçônicos, pela concordância com o Rito da Grande Loja Mãe da Inglaterra, pela concordância com a mais antiga e verdadeira maçonaria, pela ritualística feita de forma perene ou meditativa, pela estimulação a pesquisa, pela eliminação de todos os adiantamentos inseridos no final do século XVIII, e pelo brilho da linguagem clássica do alemão presente em seu cerimonial.[6]

Trajetória[editar | editar código-fonte]

Grão Mestre Friedrich Ludwig Schröder

Ludwig Schröder foi proposto a maçonaria pelo também maçom Johann Joachim Christoph Bode, e iniciado aos 30 anos de idade, em 1774 no Rito da Estrita Observância Templária, na Loja "Emanuel Zur Mainblumen", de Hamburgo, onde em 1787 foi eleito Venerável Mestre.[7]

Influencias[editar | editar código-fonte]

Filosofia[editar | editar código-fonte]

...Em 1789 membros da grande loja de hamburgo iniciaram uma profunda discussão filosófica sobre o conteúdo dos rituais existentes.[11]

Esta discussão tinha como objetivo principal da uma resposta à proliferação aos altos graus dentro da grande loja de hamburgo, isto inspirado nos graus simbólicos do antigo ritual inglês (...) adaptando-o para a cultura e idioma do povo anglo saxão contemporâneo.[12]

Mesmo pertencendo a um país dominado pela influência protestante não é encontrado neste rito uma referência explícita a alguma religião. Com o Édito de Potsdam e as reformas laicas de Frederico II surgiu uma mentalidade renovada na Alemanha, influenciando o ritual de Schröder que foi o mais tolerante de todos os praticados na Alemanha de sua época.[13]

Com a influência do humanismo e iluminismo este rito não se restringiu a metafísica (ocultismo/esoterismo) como em outros ritos alemães. Por causa disto ele possui características do ecletismo racionalista, na Alemanha era muito popular entre os círculos dos maçons liberais, haviam membros que eram defensores do deísmo e panteísmo.[14]

Para Ludwig Schröder a maçonaria era uma fraternidade que deveria abrigar homens virtuosos e livres de dogmas, isto incluem homens de diferentes partidos políticos e etnias raciais.[15]

Este rito representa o pensamento do homem na idade moderna, diferente das antigas ordens de cavalaria da Idade Média. A maçonaria era vista por seus elaboradores como uma escola iniciática, simbólica e filosófica.[16]

Seus criadores mantiveram-se fieis às cerimônias do antigo ritual maçônico, vistos como um conjunto de tradições, costumes e regras sociais...[17]

Graus simbólicos e sua essência[editar | editar código-fonte]

Com base nos resultados obtidos de suas pesquisas ele escreveu um ritual maçônico focado no que dizia ser as essências da fraternidade: "a tolerância, e o pensamento humano". Este é um dos ritos mais autênticos que formam os três primeiros graus simbólicos, pois a maçonaria de fato é formada pelos três primeiros graus.[18]

1 - Aprendiz

2 - Companheiro

3 - Mestre

Ludwig Schröder dizia em uma de sua frases: "com o mestre o círculo completo", ele queria dizer que os primeiros rituais da maçonaria Inglesa, possuíam apenas os três graus simbólicos. Já os demais graus anexos ao de Mestre fazem parte de um corpo auxiliar, "onde o maçom permanece nestes graus adicionais com o mesmo nível de 'mestre' da loja simbólica".[19]

Sobre o rito[editar | editar código-fonte]

Ver também: Ritos maçônicos
Jóia simbólica de Grão Mestre usada por Schröder

O rito Schröder não possui graus filosóficos visto que a sua filosofia já é encontrada nos três graus simbólicos ou de São João. Também conhecidos como graus da loja "azul".

Porém alguns autores desinformados insistem em publicar inverdades como por exemplo: "O rito teria afora os três graus simbólicos, mais quatro graus superiores, quais foram abandonados com o tempo".[20] Os autos-graus citados de forma errónea pertenciam a estrita observância templária do qual Ludwig Schröder foi membro.[21]

O rito de Ludwig Schröder também é chamado de Rosa-Cruz Retificado.[22] Porém não deve ser confundido com o rito maçónico estabelecido em Marburg por Friedrich Joseph Wilhelm Schröder,[23] fundado em 1766, e nomeado de "Os antigos e verdadeiros maçons rosacruzes", este foi um ritual dedicado ao misticismo(...) e não obteve grande êxito.[24] Diferentemente do propósito eclético e do pensamento humanista encontrado no ritual criado por Ludwig Schröder, que sob sua administração adquiriu muito prestígio e influência.[21]

Escola maçónica para mestres[editar | editar código-fonte]

Paramento maçónico usado no rito

Ludwig Schröder criou a escola alemã de estudos sobre os rituais maçônicos (Engbunds). O propósito da criação desta escola de mestres foi o estudo sobre diversos rituais maçônicos, dos mais modernos aos mais antigos já praticados.[25]

O colégio de estudos foi formado em 1802 para realizar uma investigação seria da história maçônica, desde suas origens até aquele momento. Isto não só incluem as edições, mais a degeneração que a fraternidade sofreu com o tempo.[25]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Herbert, Schneider (1802-1816). Correspondência maçônica. Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer. Alemanha, Hamburgo: Maçónica  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  2. Paul, Naudon (2004). História Geral da Maçonaria, publicado por Charles Moreau. Alemanha, Hamburgo: Maçónica  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  3. Pierre Noël, "De la Stricte Observance au Rite Ecossais Rectifié", Acta Macionica vol. 5 (1995) (également consultable en ligne sur le site Franc-maçonnerie Française
  4. Alain Bernheim : "La Stricte Observance", lire en ligne, Conférence donnée à la Chaire Théodore Verhaegen, université libre de Bruxelles, le 9 mai 1998, publiée dans Acta Macionica (Bruxelles) 8 (1998), pages 67–97.
  5. a b c d e f g h i Dictionnaire de la Franc-maçonnerie, Paris, PUF, 1987. pg. 1122. ISBN 2-13-048639-8
  6. Herbert, Schneider (1802-1816, Hamburgo 1979). Correspondência maçonica. Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer. Alemanha, Hamburgo: Maçónica  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  7. Hermann, Schüttler (1776-1787). membros da ordem Illuminati. Alemanha, Munique: Maçonica 
  8. «Three distinct Knocks on the door of the most ancient freemasonry.» 
  9. Paul, Naudon (2004). História Geral da Maçonaria, publicado por Charles Moreau. Alemanha, Hamburgo: Maçónica 
  10. FICHTE, Johan Gottlieb (1800). Philosophie der Freimaurerei. Berlim: [s.n.] pp. passim 
  11. Hans, Werner Engels (2001). Artigo "Friedrich Ulrich Ludwig Schröder," Biografia: Franklin Kopitzsch e Dirk Brietzke. Alemanha, Hamburgo: Maçonica  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  12. Herbert Schneider (. Hrsg): Die Freimaurerkorrespondenz: Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer; 1802-1816, Hamburgo 1979, o ISBN 3-87050-149-9
  13. Christian Hannen: «Zeigtest uns morrem Warheit von Kunst erreichet»: das Stammbuch des Hamburger Schauspieldirektors Friedrich Ludwig Schröder; kommentierte Edição und Untersuchungen, Hamburgo 1997
  14. Filardo, José Antonio (2007). A Maçonaria Jacobita, tradução de ,. Brasil, São Paulo: BIBLIOT3CA 
  15. Hermann Schüttler, Mitglieder des Illuminatenordens 1776-1787 / 93, München 1991, o ISBN 3-89391-018-2
  16. Wilhelm Hintze: Friedrich Ludwig Schröder: der Schauspieler - der Freimaurer, Hamburgo 1974
  17. Hugo Wernekke: als Friedrich Ludwig Schröder Künstler und Freimaurer, Berlim 1916
  18. Herbert, Schneider (1802-1816). Correspondência maçonica. Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer. Alemanha, Hamburgo: Maçonica 
  19. Herbert, Schneider (1802-1816). Correspondência maçonica. Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer. Alemanha, Hamburgo: Maçonica 
  20. Dodel dos Santos, Sebastião. Maçonaria (Ritos, Graus e Palavras Conexas). Rio de Janeiro: Editora Aurora. 93 páginas 
  21. a b HAUSER, Kurt Max (1997). A verdade sobre o Rito Schröder e seu fundador. Brasil, São Paulo: Edições Universum n°2 
  22. Gervásio de Fiqueiredo 33º, Joaquim. Dicionário de maçonaria. São Paulo: Editora Pensamento. 408 páginas 
  23. Stefan Redies: Friedrich Joseph Wilhelm Schröder (1733-1778). Ein Rosenkreuzer an der Universität Marburg. Marburg: Görich & Weiershäuser 1997.
  24. Paul, Naudon (2004). História Geral da Maçonaria, publicado por Charles Moreau. Alemanha, Hamburgo: Maçonica 
  25. a b Herbert, Schneider (1802-1816). Correspondência maçonica. Friedrich Ludwig Schröder, Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer. Alemanha, Humburgo: Maçonica 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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